O coninhas

Estou certa de que no sul a designação será mais suave mas creio que, pese alguma eventual grosseria, nenhum outro substantivo seria mais adequado. O coninhas é aquele homem que desbarata a sua dose de sensibilidade feminina no cultivo da intriga e da superficialidade, e se abriga das intempéries do mundo debaixo da saia da sua mulher.

O coninhas é fútil sem sensibilidade, timorato sem prudência, cortês sem empatia. No silêncio da sua mente de traços paranóicos, tece complicadas fantasias sexuais com mulheres improváveis e vive aterrorizado com a ideia de que essas fantasias possam chegar ao conhecimento da sua mulher.

Quando está entre mulheres próximas à sua – amigas, vizinhas, colegas de trabalho… – mimetiza-se. Se são donas de casa, ele fala do tempo que faz, tão húmido, que chatice, não seca nada. Se são mães, junta-se ao coro, o meu também, é um traquinas, sempre a fazer asneiras. Se são profissionais, também ele se sente desafiado por uma sociedade que obriga as mulheres – e os homens, atenção, que os homens também – à perfeição em várias frentes.

Mas se a mulher em causa está a uma prudente distância de segurança da sua, se probabilidade de alguma vez se cruzarem é remota… aí o coninhas solta-se. Fala livremente dos decotes que lhe fazem vertigens, dos perfumes estonteantes, das bocas de lábios cheios… Entra num frenesim histérico do qual só um tabefe o pode resgatar.

Um sistema nervoso frágil, mutilado pela permanente auto-censura, reage mal à livre expressão. O coninhas anseia por limites, precisa do olhar carrancudo da sua mulher ainda antes de ele se atrever a pisar o risco, precisa da segurança reconfortante das rotinas, do filme alugado à segunda à noite, do telefonema de controlo se ele se atrasa um pouco no regresso a casa, das tardes de sábado na cozinha, às voltas com o livro de receitas da Bimby.

O coninhas pretenderá que é feminista, defensor da igualdade de direitos, e haverá mulheres que o olham como o homem ideal, mas esta criatura, não se enganem, tem os dias contados. Dividido entre o desejo e o temor, espartilhado por anseios antagónicos, amordaçado pelas suas próprias mãos, presa da coscuvilhice sem freio, o coninhas é uma bomba-relógio…

Comments

  1. Adalberto Mar says:

    AINDA BEM QUE NO NORTE NÃO HÁ CÁ DISSO SENÃO ENFIAVAMOS-LHE COM UMA COUVE NO SÍTIO!dalby


  2. Isto é a descrição de quase todos os gajos que conheço!


  3. Coninhas ofensivo no Norte? Nem coninhas nem coneta são ofensivos por estas bandas. São quase carinhosos, eheheheheheh.

  4. Luis Moreira says:

    Somos quase todos,Carla! Mas tambem não temos culpa que de uma penada e com o teu talento nos atinjas na ponta do queixo! Somos nós que exageramos ou estamos a ser vítimas da tua capacidade descritiva?

  5. M. Abrantes says:

    Acho que o Altíssimo não aceita queixas nem devoluções.

  6. Ricardo Santos Pinto says:

    Coninhas? Oh Carla, agora desiludiste-me. Temo que o Adalberto esteja muito chocado com a expressão utilizada.

  7. miguel dias says:

    Este blog está cada vez mais intolerante: depois dos homens fatais seguiram-se os homossexuais. Agora os coninhas. Quem virá a seguir, os conas de sabão?

  8. Adalberto Mar says:

    Caraças..por isso eu fiz aquele texto à Paula Vidalinc, à Claudia e á Teresa..para descer à terra um pouco de paz e de amor doce…Voltemos ao original..ERA UMA VEZ ADÃO E EVA…e no paraíso não havia auréola de pecado..até que um dia…a serpente disse a EVA…


  9. Conas de sabão. Quem são esses, Miguel?

  10. Luis Moreira says:

    A seguir vêm os homens sombra…

  11. miguel dias says:

    r. sinceramente não sei, é apenas uma expressãocarla:Se o coninhas é fútil sem sensibilidade, timorato sem prudência, cortês sem empatia, o ideal de homem será o gajo que reúna estas seis características?compreendo finalmente a difícil circunstância de ser mulher. aos homens basta uma lady na sala, uma sopeira na cozinha e uma puta na cozinha, para sermos felizes. Ou será, uma lady na cozinha, uma sopeira na cama e uma puta na sala? Já não me lembro.co

  12. maria monteiro says:

    mais ou menos para saltar para outras meditações sugiro o livro de Manuel Beça Múrias O Salazar nunca mais morre (Cartas de África em tempos de guerra e amor)


  13. Quer com isso dizer, Maria Monteiro, que o Salazar era coninhas?

  14. Luis Moreira says:

    Pois não!Uns não querem que ele morra outros não percebem que só fazem mal em falar em tão mau defunto!E o “r” tem razão, o gajo cabe intacto na descriçaõ da Carla!Agora até já se sabe que o tipo tinha amantes,E várias…

  15. Luis Moreira says:

    Se era r” vendiam o gajo como se fosse o 4º pastorinho de Fátinha e afinal tinha mais namoradas que o Adalberto aventador…

  16. maria monteiro says:
  17. Adalberto Mar says:

    Oh homens deste blog, desculpai lá mas estou a ver-vos num sarilho dos diabos, e NINGUÉM COMO EU PARA VOSA SAFAR DAS «GAJAS» que vos estão a levar mesmo à derrota, e são só duas…Então sem querer armar-me em experiente, como vivi 5 anos na FAC com 3200 DELAS, e nós éramos só 800 (FLUP anos 80) e na minha turma de LLM éramos em média 3 a 4 pobres coitados, e elas 30 a 40, vou aproveitar e ajudar-vos. ELAS FICAM JÁ SEM PODER DIZER AI AI AI, É COMO O MAFU desaparecem já: «A MULHER SÓ E O PRÍNCIPE ENCANTADO, vida a solo» DE JEAN-CLAUDE KAUFMANN, E PRONTO! QUANDO ELAS VOS APERTAREM, LEVANTEM O LIVRO COMO SE DE UMA CRUZ SE TRATASSE CONTRA AS DRÁCULAS..ELAS VÃO ESPERNEAR, GRITAR, IMPLORAR, MAS VOCÊS NÃO CAIAM NA ASNEIRA DE BAIXAR O LIVRO..ABRAM-LHES O CAPÍTULO I, E ELAS CAIEM POR TERRA..PARA SEMPRE..E AÍ O NOSSO/VOSSO REINADO CONTINUA, SEM OBSTÁCULOS, COMO SE FOSSEMOS COELHOS NA AUSTRÁLIA NO INÍCIO DO SÉCULO XX, SEM PREDADORES A TEMER, NESTE CASO PREDADORAS…SÓ ‘CONINHAS’ A`NOSSA FRENTE!(E PERDOEM-ME A METÁFORA, MAS EU VER UMA MULHER A DESTRUIR TANTO HOMEM AO MESMO TEMPO..NÃO DEIXO!!..EMBORA AME O SEXO FEMININO!!!)..Essa Carla e Maria fazem-vos engolir ratos e sapos, mas OHHHHH NÃO SE METAM COMIGO QUE EU DELAS PERCEBO EU..A FUUUNNNDDDOOO, SÃO PERIGOSAS DELTAS DELTAS DELTAS!!!DALBY

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