Um professor enxovalhado: Testemunho de um docente da Escola E B 2 3 de Miragaia*

O recente livro do professor francês Nicolas Revol veio dar-me uma certa alegria. Chama-se esse livro “Maldito Prófe” e relata as traumatizantes experiências do autor numa escola secundária dos subúrbios de Paris. É irónico dizer que me deu alegria saber da existência de um jovem professor que, durante seis meses e até “meter” atestado médico, sofreu as mais graves ofensas psicológicas e até agressões físicas. Senti-me reconfortado por saber que não estou sozinho e que, ao contrário do que eu pensei, ainda há casos piores do que o meu.
Sou professor contratado da escola dos 2º e 3 º Ciclos de Miragaia, no Porto, como substituto de uma docente que partiu um pé. Lecciono o 7º e 8º anos de escolaridade a alunos entre os 12 e os 17 anos, que vêm maioritariamente de zonas socialmente mais degradadas da cidade, como é o caso de Miragaia, da Ribeira ou da Sé.
Cheguei apenas em meados de Novembro, mas vou ficar desempregado já em Janeiro, com o regresso da professora da turma. Com casa para pagar e familia para sustentar, sem nenhuma fonte de rendimento, estou quase satisfeito por ficar sem escola. É que vai ser um alivio, o fim de um pesadelo, o regresso à vida normal, a fuga de um mundo paralelo que a generalidade das pessoas não imagina sequer que existe.
Tudo aquilo que descrevo nesta página é a mais pura verdade. Omito apenas os nomes por questões éticas, mas principalmente por questões de segurança. Exagero? Quem convive diariamente com esta comunidade escolar, sabe que não é exagero; aceito que quem está de fora, pense que sim.
Se os senhores da politica, que afinal de contas nunca tiveram que lidar com situações práticas dentro de uma sala de aula, fossem obrigados a ouvir diariamente frases do tipo “não me chateie” ou “você pensa que me põe fora da sala?” e não pudessem fazer nada, não considerariam isto um exagero. Se os senhores da politica fossem cuspidos nas costas sempre que se virassem para o quadro, decerto que já teriam tomado alguma atitude.
Afinal, os problemas desta escola-modelo (as suas instalações, que incluem elevadores e cacifos individuais para os alunos, ganharam um prémio internacional de Arquitectura) são os problemas dos grandes centros urbanos. No Porto ou em Lisboa, em Miragaia ou na Trafaria, os meus alunos são, não raras vezes, filhos de toxicodependentes, alcoólicos ou presidiários. São meninos e meninas que não comem bem, não vestem direito nem habitam em segurança. São rapazes e raparigas que a vida tornou adultos, rapazes e raparigas que em crianças foram amarrados com cordas para estarem quietos, queimados com pontas de cigarros para estarem calados ou, pura e simplesmente, violados. São adolescentes que andam ao “Deus dará” sem o menor respeito pelas normas sociais, no fundo, sem qualquer futuro.
Os meus alunos, afinal, são vítimas. É por isso que eu até posso compreender algumas das suas atitudes, mas nunca aceitá-las. É que, agora, a principal vítima sou eu! Quando não consigo dar uma aula, quando consigo mas fico sem voz, quando sou insultado por um aluno, quando faço participação disciplinar e nada acontece, quando me sinto um zero dentro da sala, quando anseio (ilogicamente) pelo desemprego, quando vejo muitos dos meus colegas de atestado médico por não aguentarem a pressão, quando eu próprio começo a sentir-me perturbado.
Lecciono há 7 anos (9 contratos). Neste ano lectivo, já estive noutro estabelecimento de ensino. Passei por todo o tipo de alunos. Não sou um professor inexperiente. Foi por isso que, avisado em relação ao meio social que ia encontrar, entrei com firmeza e mantendo a autoridade; como sempre fiz, mas desta vez por razões maiores. Não deu resultado! Outros colegas entraram com simpatia e muitos sorrisos (“são putos carentes, precisam de carinho”), mas ainda foi pior. Eu também tentei levá-los a bem, mas não deu resultado. Não acredito que alguma estratégia tivesse êxito com estes alunos. Teorias, há muitas. A prática, sou eu que estou a vivê-la. É verdade que há alguns professores que aguentam anos seguidos, mas esses acomodam-se. É um deixar andar e deixar fazer.

1º dia – turma W. A aluna J entra na sala aos gritos, virada para mim. “Quem é o prof.?” ; como o seu comportamento é arrogante e mal-educado, peço-lhe calma. Minutos depois, como tudo continua igual, dou-lhe uma ordem de saída da sala. Acto contínuo, a aluna recusa-se a sair e começa a vociferar contra mim. Mantenho-me calado, volto a pedir-lhe para sair da sala e recuso-me a continuar. Chamo um funcionário para a retirar da sala, mas enquanto não vem, tenho de ouvir as frases que se seguem:
– “Está maluco! (faz o respectivo sinal)
– Calai-vos, pá!
– Você está a substituir a perneta?
– Dê a aula, foda-se!
– Você pensa que eu saio? Lá para fora é que eu não vou! Eu sou de apetites.”
Depois destas frases, levanta-se e vai ver a lindíssima paisagem pela janela. Chega finalmente o funcionário e retira a aluna à força.

2º dia – turma X, a aluna H cola nos olhos uns papeis cor de laranja e ri-se para mim sempre que eu olho. Finjo que não vejo. A certa altura, abre o guarda-chuva e começa a brincar com ele. Ao mesmo tempo, pega numa luva e coloca-a em pé virada para mim, com o dedo do meio em riste. Peço-lhe que pare. Não pára. Mando-a sair da sala.

3º dia – turma Y. A aluna F está sempre a bater na cabeça do colega do lado, que se irrita e lhe berra. Ela dá-lhe duas estaladas em plena aula e adverte-o, aos gritos e de cabeça perdida, de que a última pessoa que lhe falou assim foi parar ao hospital. Quando finalmente consigo pô-la fora da sala, minutos depois, agarra-se a mim a rir-se e começa a mexer-me na barriga. Já fora da sala, dá gritos estridentes e faz gestos obscenos através do vidro, esfregando nele as partes sexuais.

4º dia – Turma Z. Entro numa sala e vejo um aluno aos gritos com a minha colega. Ela tenta acalmá-lo, mas só se ouve a voz do aluno. Dou-lhe um berro e ordeno que se cale; pergunta-me porquê com maus modos, respondo-lhe que não se fala assim com os professores e ele acaba a discussão com a frase: “Não me chateie” – dou-lhe ordem de expulsão, mas a outra professora desautoriza-me dizendo que já é costume “ele falar assim” e “não tem assim tanto mal”.

Foram os meus primeiros quatro dias na escola de Miragaia. Alucinantes! Os registos deste género continuam diariamente, mas agora quase que me habituei. Quando um aluno mastiga pastilha elástica na aula, quando um aluno não tira o boné, quando um aluno me trata por você, quando um aluno se levanta sem autorização, eu acho normal. Quando um aluno é chamado à atenção e me responde: “espere aí!” ou “vou ali, já venho!”, quando um aluno vai ao WC sem pedir autorização, quando um aluno de outra turma entra na sala e dá um murro a um aluno meu, quando eu conto tudo isto à Directora e nada acontece, eu acho normal. Quando ouço os professores mais velhos dizerem: “Nós não podemos ter amor-próprio, nós somos enxovalhados e temos de calar!”, então eu compreendo como é que eles aguentam e eu não!
Eles acomodam-se à situação, eu não! Mas se calhar, como já não estou muito bom da cabeça, vou fazer o mesmo.
Quanto aos senhores da política, que continuem a legislar no mesmo sentido. Enquanto um professor não for morto em plena escola, eles não vão parar.

Ricardo Santos Pinto

* Publicado no jornal «Público» em 21 de Dezembro de 2000.
—–
Nota: Nunca fui um pofessor autoritário, do tipo «quero, posso e mando». Nunca precisei de reagir da forma que reagi em Miragaia. Mas poucas vezes tive de lidar com marginais.
Os meus primeiros alunos, do ano de Estágio, em Rio Tinto, foram todos ao meu casamento, provocando um problema familiar – convidei os meus alunos e não convidei os meus primos. Lembro-me que, na altura, juntaram-se e deram-me uma salva em prata e 50 contos – na altura, era dinhei
ro
. Ainda hoje janto com alguns deles de vez em quando.
Em S. Romão do Coronado, fui uma semana para o campismo, em Sines, com a minha Direcção de Turma. Depois de as aulas acabarem e assumindo pessoalmente toda a responsabilidade por tudo o que viesse a acontecer. Empenhei-me pesssoalmente para garantir patrocínios que possibilitassem a viagem – alguns dos putos nunca tinham visto o mar. Nesse mesmo ano, cheguei a estar na escola até à meia-noite para que os alunos pudessem receber o Jornal da Escola em tempo útil. Continuo a encontrar-me com eles.
Neste mesmo ano lectivo, 2008/2009, agora efectivo no distrito de Viseu, criei blogues para as minhas turmas do Secundário e rapidamente a nossa relação se tornou muito mais do que uma simples relação professor -aluno. Correspondo-me com eles dessa forma, sobre as matérias e não só. Com estes meninos, não preciso sequer de levantar a voz.
O mais extraordinário nisto tudo é ver que, nove anos depois deste texto, que escrevi para o «Público», ele continua tão actual. Quanto a Miragaia, parece que está como o costume.

Comments

  1. Adalberto Mar says:

    Eu sei, eu sei, tenho uma amiga, bem fina e filha d eum grande gastro DR, que AMA ser professor e mesmo fina e ultra viajada passou o horror de no corredor em mIragaia era este o mimo mínimo , e isto há 5 anos» oh sua grande puta, não queremos ter aulas». OH SEUS MURCÕES QUE ESPERAM PARA FODER O SISTEMA..BEM TANTO ME PICARAM QUE AÍ VAI UMA RECEITA DE CULINÁRIA:Sugestão culinária:ALUNO QUE SE TORNA VIOLENTO; ALUNA QUE A INSULTA; ALUNOS NA RUA A CHATEÀ-LA?. PAIS QUE A QUEREM DESTRUIR E TUDO TUDO INJUSTAMENTE??OK: Pegue em 2 testemunhas da sua confiança.Vá imediatamente à GNR.Copie o documento de prestação de queixa-crime contra o seu bom nome pessoal, profissional e segurança, a uma entidade que significa o Estado de Direito (professor). Copie tudo e a queixa e envie em fax/ registo para o procurador da república e para a APPA, e para a ESCOLA SEMPRE.FAÇA OS CºEXEC E COLEGAS SABEREM QUE «ESTÁ POR TUDO»! SAIA DE SERVIÇO, ESTÁ DOENTE, NÃO PODE CONTINUAR! Envie tudo registado ou com entrada na secretaria. Meta atestado psiquiátrico e EXPLIQUE bem ao médico de família e ao psiquiatra o que se tem passado e porque está doente, e que fique registado. Sindicalize-se e meta o advogado que tratará de tudo grátis, enquanto você pede, via polícia e ele(advogado) uma indeminização por todos os dados no valor superior de 30.000 mil euros. INCLUSIVÉ AO ESTADO, SE ACHAR QUE ESTE NÃO A DEFENDE!Diga ao médico, e tem razão, que o atestado terá de dizer que pode e deve sair de casa. Peça a indeminização aos pais, tudo com cópia dirigido a tudo e todos, ao DT e à administração da escola. peça à polícia que, PERANTE AS MENTIRAS DOS MENINOS E DAS MENINAS QUE ALGUÉM DA SEGURANÇA SOCIAL ENVIE assistentes para saber se os encarregados de educação têm capacidades humanas, pedagógicas e psicológicas para serem pais. NÃO TENHA MEDO, ELES NÃO VÃO MEXER UM DEDO POIS VOCÊ JÁ FAZ PARTE DE UM PROCESSO. SE SE SENTIR INSEGURA, GASTE ALGUM DINHEIRO E PAGUE A UM SEGURANÇA. A GNR investigará e chamará um de cada vez DOS PAIS E INTERVENIENTES. FAÇA BARULHO COM O PAPEL , COM AS CARTAS , TORNE TUDO O MAIS PÚBLICO E POLÉMICO POSSÍVEL. PEÇA, EXIJA, GRITE, NÃO SE ENVERGONHE, PERCA TODA E QUALUQER RÉSTEA DE VERGONHA! ABORREÇA TODO O SISTEMA COM TODO O TIPO DE DOCUMENTOS. COLOQU-OS TODOS UNS CONTRA OS OUTRSO. APELE AO TRIBUNAL EUROPEU.SE FOR O CASO DE ESTAR A LIDAR COM CIGANOS , A COISA PODE ACABAR NUMA NAVALHADA E ESPERA Á SUA PORTA, MAS AÍ TERÁ DE RECORRER AO SERVIÇO DOS SKIN HEADS QUE A PROTEGERÃO. NÃO É FÁCIL, NÃO É?PEÇA PROTECÇÃO AO MINISTÉRIO. USE AS MESMAS ARMAS, SE OS PAIS MENTEM, SE OS ALUNOS MENTEM E A ARRASAM COM ESSAS MENTIRAS DESTRUIDORAS, FAÇA IGUAL E UTILIZE TESTEMUNHAS SUAS, DE SUA CONFIANÇA E ENTRE NO JOGO. MAGOE-SE MESMO A SI PRÓPRIA, VÁ AO HOSPITAL E CHAME AS SUAS TESTEMUNHAS E DIGA QUE FORAM ELES, OS QUE A ACUSAM. PARECE UM HORROR? NÃO! O HORROR É QUEM A OBRIGA A CHEGAR A ESTES LIMITES!MAS E COMO O SISTEMA ESTÁ PODRE, TEM DE FAZER ISTO SÓ COM UMA CERTEZA: DE QUE TEM RAZÃO, DE QUE TEM A CONSCIÊNCIA LIMPA E LIVRE, POIS A VERDADE VEM AO DE CIMA E SE REALMENTE VOCÊ NÃO TEM RAZÃO, TUDO VIRÁ AO DE CIMA.E AQUI ESTÁ UM SIMPLES CONSELHO DE COMO LIDAR COM O CAOS E A SELVA DA ESCOLA! PORQUE NINGUÉM CONSEGUE JÁ CONTER A MOSNTRUOSIDADE EM QUE O SISTEMA SE TORNOU, ESSE É O PROBLEMA! JÁ SABE QUE OS MINISTROS E DIRECTORES REGIONAIS QU EPOR LÁ PASSAM NÃO É POR AMOR À CAMISOLA MAS PARA TEREM DEPOIS UMA «BOA VIDA» DISSO NÃO SE ENGANE! OLHE A OUTRA QUE DE EDUCADORA DE INFÃNCIA PASSOU A DIRIGENTE SINDICAL E A DIRECTORA REGIONAL..O QU EME PREOCUPA É SE ELA QUISER NO FUTURO IR PARA BAILARINA!| A MORTE A TAL SORTE!

  2. Adalberto Mar says:

    Vi agora o video que já passa no site do Público…é….pois é…está tudo LOUCO…neste país..se o que se ouve lá é a verdade, estamos todos loucos neste país..A professora está doente, a Sra. não está bem, sente-se que está completamente descontrolada..aquilo não pode ser… a conversa não tem contexto, ela não esta bem! MEU DEUS anda meio mundo louco!


  3. se calhar por conhecer alguns professores estas situações não são novas para mim. se calhar para a generalidade da população até é, não sei. Mas independentemente da questão “sexual” que é completamente irrelevante, é a questão do reflexo da própria sociedade nas escolas. estão à espera do que? não andou montes de gente durante anos a insurgir-se com os exageros dos profs? das reguadas, das chapadas e dos castigos? Não iam as mães e pais às escolas enfardar os profs só porque deram uma chapada no menino? Quem tinha medo dentro da sala de aulas eram os alunos! Sem atirar culpas para ninguém, apenas porque não sei mesmo de quem será a culpa, passamos para o outro extremo! é a vingança dos alunos! Só existe uma solução, retomar a situação anterior dos alunos com medo. Ou como se dizia antigamente, “com respeito”. Não vale a pena vir para aqui com sonhos idílicos que isto pode ser de outra forma. Não pode ser de outra forma, é tão simples quanto isto. Ou o poder está do lado dos profs ou está do lado dos alunos. E quem tiver o poder vai cometer exageros estúpidos, isto é matemático. Ou os alunos ou os profs. Cabe ao estado e à sociedade civil definir de que lado prefere que existam os exageros. Eu ainda assim prefiro os exageros do lado dos profs. Sempre é só 1 e não 30.

  4. Luis Moreira says:

    Quando a autoridade não cumpre o seu papel alguem toma o seu lugar.É velho como o mundo, só os burocratas do ME é que não sabem!


  5. De facto, o panorama pouco ou nada deve ter mudado. É um problema de educação cívica e social, envolvendo todos os sectores sociais e com maior expressão nas áreas mais degradadas das grandes cidades. Não acho que seja de desistir alterar estes procedimentos mas tenho ideia de que pouco se pode fazer.


  6. pois é zé. isto não é um problema das escolas. é um problema social. apenas com a denuncia de pais por um lado e por professores por outro, é que nós vemos o que se passa e o fenómeno ganha visibilidade. mas é um problema sem solução e que se alastra para as escolas, para as empresas e que nós já vemos todos os dias nas ruas.

  7. Helena Santos says:

    Já tinha lido este artigo e na altura chocou-me um bocado, mas não deixei comentário pois percebi que era um desabafo de um professor que passou momentos maus em Miragaia, como eu também passei.Mas passado 3 ou 4 anos ainda vejo publicado o mesmo artigo também me parece que já é demais. Por tudo que li vê-se bem que os alunos de miragaia são frontais (até são frontais a mais), eu sou a “perneta” que o colega se refere e realmente quando parti o pé o que vi da parte dos meus alunos foi atenções com o meu estado de saúde, até estranhei. Tinham uma forma estranha de mostrar a sua preocupação, faziam comentários do género: você já está velha e partiu o pé tem que ter agora cuidado consigo. Mas os alunos em Miragaia são assim, tanto me dizem “a aula foi mesmo fixe” como me dizem “porque é que veio dar a aula é uma matéria tão chata?mais valia ter ficado em casa”.Mas eu sei que quando correm bem as aulas (a maioria corre bem) eu sei que tal facto tem muito mais valor que noutra escola, eu sinto que contribui para alterar a atitude destes alunos face à escola e ao conhecimento. Estes “louros” ninguém mos tira. Nem quando um colega tira uma frase do contexto( de uma sala de aula) para repetir os disparates que os alunos dizem, se calhar não era má ideia corrigi-los.Esqueceu-se de dizer o que Miragaia tem de bom, o grupo de docentes, o meio em que a escola está envolvida (Património Mundial), os alunos mais novos que no corredor dão beijinhos às professoras, as alunas que lhe metem o braço e andam de braço dado com as professoras, o alunos que pedem ajuda para fazer os trabalhos escolares porque não têm computador em casa (agora a maioria já tem graças ao programa e-escolas). Podia falar do aluno que me dava cabo da paciência e um dia me trouxe um girino num frasco, do aluno que no fim do ano me pediu desculpa “por qualquer coisa” menos correcta que tivesse feito mas nunca mais acabava de escrever. Quando os alunos me dizem às vezes em tom de desabafo a escola é uma chatice, respondo-lhes que a escola são os alunos que a fazem”, mas para ser correcta devia dizer que a escola são os alunos e principalmente os professores que a fazem.Colegas, quem quiser concorrer para Miragaia não se assuste é mais fama que outra coisa, vão encontrar outros colegas com os mesmos problemas que vós que vos vão apoiar. Em relação aos alunos, no final do ano vão ter amigos para a toda a vida. Parte importante, as turmas têm um número reduzido de alunos, a maioria das aulas são de manhã (os alunos estão mais fresquinhos) só há aulas até às 16 e 30, depois há trabalhinho. Digam-me por favor uma escola onde não haja meninos malcriados, que eu mudo já.

  8. MANUEL MARTINS says:

    SE ESTES ALUNOS TIVESSEM UM PROFESSOR IGUAL AO MEU,QUE PEGAVA EM NOS, E ATIRAVA COM CONNOSCO, AO AR, E DEIXAVA NOS CAIR AO CHÃO,E DAVA-NOS COM REGUADA NA MAO, QUE ATE NOS BORRÁVAMOS TODOS!

  9. Rodolfo says:

    Pois sim, eu sou de Miragaia, mas de outros tempos. E do Porto, em que já não vivo há uns bons anos. A questão mesmo é que o pessoal do Porto é bastante mais incivilizado que em Lisboa, e como se diz, tem o cérebro directamente lingua à lingua, não há filtro. Também são extremamente picuinhas e gostam de inventar problemas onde eles são pequenos ou não existem. Quem não se percebe isso, dá-se mal. Como digo, sou do Porto, mas nego-me a trabalhar lá, porque a idade pesa, a paciência é pouca e sou muito mais feliz sem ter de os aturar.