Ser Professor

Ser Professor é ter a plena consciência que a tarefa não é um emprego mas uma missão. É saber conjugar um perfeito domínio da matéria com uma vasta cultura geral e ter um verdadeiro dom, o de saber transmitir com clareza, e sem subterfúgios, aquilo que é fundamental para a aprendizagem da outra parte. É conseguir agarrar uma turma com a dose certa de ensino e lazer, aprendizagem e divertimento. É saber impor regras e delas não abdicar em caso algum. É amar a profissão e não a ver como um mero emprego.
Ser Professor não é partilhar angústias pessoais ou aventuras sexuais. Ser Professor é saber dar-se ao respeito e não ser mais um imberbe que vai para a rua insultar grosseiramente um ministro. Ser Professor não é andar de cartazes em punho ao jeito das arruaças de uma qualquer claque de futebol. Ser Professor não é compatível com palhaçadas de rua ou de auditório de Prós e Contras vociferando impropérios a um ministério reconhecidamente incompetente.
Ser professor é saber respeitar e dar-se ao respeito. É ser exigente com os alunos e consigo. É ser inteligente na forma como procura defender os seus direitos e saber que estes não podem ser exigidos sem a correspondente obrigação de cumprir a sua missão. É ter a mesma postura quer esteja no ensino público quer no privado.
Nos últimos 20 anos a maioria daqueles que leccionam são tão ou mais incompetentes que o ministério que os tutela. São incompetentes pois não dominam as matérias para as quais foram contratados e olham para o ensino como um mero emprego. Esquecem que ser Professor é uma missão meritória que deve ser o orgulho de todos os agentes, directos e indirectos, da Educação. A Escola, por sua vez, tornou-se num albergue espanhol onde todos mandam: professores, alunos, encarregados de educação, auxiliares educativos, autarquias locais, associações e colectividades, ministério, etc. Onde “Aprender” e “Ensinar” deixaram de ser objectivos fundamentais e únicos, tendo sido substituídos por “Passar” e “Receber”.
Estamos entregues à bicharada. Todos? Todos não, os que não são pobres escapam graças ao ensino privado. O que é injusto e um retrocesso social e esse é o principal crime cometido no ensino público em Portugal e a responsabilidade é, sobretudo, dos Professores e do Ministério da Educação.

Comments

  1. Adalberto Mar says:

    SER professor, é ser-se belo, sensível no coração e alvo na alma..ser-se professor é um dom e uma emoção, ser-se professor é o princípio, meio e fim, é uma poesia incabada..é um nenufar que busca a água sem fim…SER PROFESSOR É SER um gabilán o paloma…(http://www.youtube.com/watch?v=1Ua1FAGsHxI&feature=related)dalby

  2. maria monteiro says:

    ‘Os bons professores falam com a voz, os professores fascinantes falam com os olhos. Os bons professores são didácticos, os professores fascinantes vão além disso. Possuem sensibilidade para falar ao coração dos seus alunos” – PAIS BRILHANTES, PROFESSORES FASCINANTES- FILHOS BRILHANTES, ALUNOS FASCINATES2 livros que de certa forma são um boa orientação do que deveremos ser como escola, pais, filhos e professores.são dois livros que

  3. Luis Moreira says:

    Não podemos generalizar, tenho para mim que grande parte dos professores são gente muito interessada, mas o fernando tem razão em quaze tudo.Aos professores foi-lhes vendida a ideia que alcançavam tudo bastando pagar as quotas sindicais e desde que não tivessem opiniões.A primeira serve aos sindicatos, a segunda serve aos burocratas do Ministério.Os professores não devem aceitar esta situação Devem exigir uma escola autónoma entregue aos professores e às forças vivas locais.Com poder e com responsabilidade!Dignificar a função é prioritário, mas só os próprios o podem conseguir!

  4. maria monteiro says:

    “Estamos entregues à bicharada. Todos? Todos não, os que não são pobres escapam graças ao ensino privado”O meu filho andou dos 3anos até ao 6º ano no ensino privado católico, simplesmente porque tinha jardins, era perto de casa e não muito longe do meu trabalho.Seguiu-se a escola pública, ESPHC, tem excelentes professores, empenhados na sua tarefa de ensinar. Pois haverá problemas que se vão resolvendo. A escola pública é a escola da vida no bom sentido, É onde se verifica que nem todos somos iguais, que nem todos temos as mesmas capacidades de viver e sobreviver, que nem todos vão de carro para a escola mas que todos têm as mesmas idades e os mesmos desejos de crescerem e serem felizes.


  5. “A proposta de alteração do PS à Lei de Educação Sexual nas escolas prevê que os alunos possam obter meios contraceptivos, incluindo a pílula do dia seguinte. E o BE quer a entrega de pílulas às jovens que as pretenderem.A proposta do PS prevê o acesso a meios contraceptivos pelos alunos que os solicitem no gabinete escolar, em articulação com os serviços de saúde da área. O Bloco de Esquerda propõe contraceptivos “com carga hormonal” e o PS concorda. Para isso, os alunos terão de dirigir-se ao gabinete que lhes recomendará a via mais adequada, em função da situação e idade do jovem.”A nossa proposta – que já deu entrada nos serviços – diz que os Gabinetes de Informação de Apoio, em articulação com os serviços de saúde locais, devem garantir o acesso dos alunos a meios anticoncepcionais, como o preservativo, ou os de emergência, como a pílula do dia seguinte”, disse ao JN a deputada socialista Luísa Salgueiro.”

  6. João Paulo says:

    Meus caros,Professores em Portugal são 150 000. Se um por cento forem realmente maus, podemos ter um por escola eb23, isto é, podemos ter os pais de toda uma escola com uma péssima sensação devido a tão pouca gente.Portanto, as generalizações do tipo “são todos” é um erro.Autonomia é a chave – concordo: as escolas, os professores e as comunidades têm que conseguir caminhar pelo seu pé e só desse modo podem crescer.Quanto aos sindicatos, vou postar sobre o tema a propósito de mais uma derrota do PCP em Lisboa.JP

  7. Adalberto Mar says:

    …ELE NEM PODE VER O PCP pela frente…E EU O CARLINHOS DAs NINAS!!

  8. maria monteiro says:

    À maneira do serviço de medicina no trabalho, também as escolas deveriam ter o SERVIÇO DE MEDICINA NA ESCOLA. Gabinete com médico, enfermeiro, onde alunos, professores e funcionários pudessem fazer Check-up, consultas de rotina e/ou encaminhamento para especialidades.


  9. Não concordo contigo, Fernando. O ensino privado não é e nada melhor do que o público. Nas condições físicas e pedagógicas, até costuma ser pior. A pior escola onde estive foi um Colégio, o de Nossa Senhora da Esperança. Tinham um computador em todo o colégio, não tinham retroprojector, as salas eram minúsculas e sem condições. No final do ano, não me renovaram o conrato por ser «demasiado exigente» com os alnos e «traumatizá-los» como Director de Turma.Os privados têm melores notas do que os públicos? Apenas nas primeiras posições. Se fores ver o resto da tabela, há inúmeras escolas públicas à frente das escolas privadas. E ´como é óbvio, os colégios seleccionam os seus alunos – só entram os melhores. As escolas públicas não podem fazer isso. Num colégio grande, 70 ou 80 fazem exame de 12.º ano. Numa escola pública, 500 ou 600 fazem exame.Não é tudo tão líquido assim…


  10. eu só me pergunto porque continuamente aparecem casos mediáticos destes nas escolas pública. Não os há nos privados? Ou não aparecem precisamente por serem privados?


  11. Eu não afirmo que os Privados são melhores. Conheci as duas realidades e sei bem que não é assim. Eu estou a discutir o “Professor(a)” não a qualidade de ensino público Vs privado.O que afirmo é que no privado as regras existem e são cumpridas.

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