Ou como o Jugular gostava de jugular o 5 Dias

Afastado que ando, por vontade própria, das luzes da ribalta, no blogue colectivo Aventar, uma criança que tem apenas mês e meio de vida, tenho acompanhado, divertido, toda esta questão acerca dos «posts» que o Paulo Pinto quer ver retirados do «5 Dias». O Paulo Pinto e, ao que parece, outros elementos hoje integrados no Jugular.
Vocês sabem que eu não descansava se não metesse o bedelho. Isso e o facto de a questão me dizer directamente respeito levou-me a escrever este «post». Nada mais direi sobre esta questão para além disto.
Como muito bem diz a Maria João Pires, tudo começou com um comentário indevidamente aprovado a um «post» da Fernanda Câncio com um texto do padre Anselmo Borges. Um comentário que foi imediatamente retirado e que dizia, por outras palavras, que o referido padre é um putanheiro.
Ainda estava no «5 Dias» na altura e, apesar de não ter sido eu a aprovar o comentário, foi meu entendimento – e continua a ser – que os leitores têm todo o direito de ver os seus comentários aprovados, até porque muitos deles chegam aos blogues por mero acaso e nada sabem das «tricas» da blogosfera. Os «posts» estão lá e, se estão lá, é para serem comentados.
Infelizmente, não foi esse o entendimento dos elementos mais antigos
do «5 Dias» e, internamente, foi dada indicação para não serem aprovados comentários a «posts» de antigos elementos. Infelizmente
também, o WordPress apresenta muitas lacunas e uma delas é
precisamente não indicar, no painel dos «posts», o nome do respectivo
autor. É possível saber, como é óbvio, mas perde-se muito tempo.
No Aventar, com mês e meio de vida apenas, deparo-me com esse
problema. Que dizer então do 5 Dias, com quase quatro anos de
publicação e milhares de «posts» on-line? O certo é que esta questão
acabou por provocar a minha saída deste blogue, sobretudo por causa
das reacções em cadeia ao caso do padre Anselmo, sobretudo por parte do «Grande Bardo».
Pouco tempo depois do caso do padre Anselmo, o Rogério da Costa Pereira pediu que os seus textos fossem retirados do «5 Dias», mas como é hábito, ninguém lhe ligou.
Desta vez, foi o Paulo Pinto a fazer o mesmo, sem que eu perceba muito bem como é que, desta vez, tudo começou. E é curioso estes pedidos virem da parte dos dois ex-elementos cujos textos são, precisamente, os mais dispensáveis dos Arquivos do «5 Dias». Estarem
ou não estarem nos Arquivos, para o «5 Dias», é exactamente a mesma coisa. Fazem tanta falta como os textos da Levina Valentim.
O mesmo não poderei dizer dos textos do Rui Tavares, da Joana Amaral
Dias, do Luís Rainha, da Fernanda Câncio, da Palmira Silva ou da Ana Matos Pires, só para dar alguns exemplos. Sem querer ser imodesto, o mesmo não poderei dizer dos meus próprios textos.
Mas a questão nem sequer é a importância ou não de um determinado
conjunto de textos. Em meu entender, é uma questão de princípio. Para mim, a partir do momento em que publiquei um texto num blogue, esse texto é desse blogue. Posso publicá-lo noutros blogues, se assim o entender, mas não é por isso que tenho o direito de privar o blogue
inicial de um texto que aí livremente publiquei. Não sei o que diz a
lei, mas, moralmente, é assim.
Foi por isso que, na caixa de comentários do Jugular, aconselhei o
Paulo Pinto a recorrer a vias judiciais. Como resposta, o Paulo Pinto
revelou de forma despropositada o conteúdo de um e-mail que fora
enviado em privado para um elemento do Jugular. Tentei fazer ver que
esse procedimento não era correcto, mas sem êxito. Ana Matos Pires
acusou-me erradamente de estar a fazer ameaças por eu dizer que nunca revelaria as minhas mensagens privadas com outro elemento do Jugular, quando era precisamente o contrário – só queria com isso dizer que nunca faria isso porque não sou como o Paulo Pinto; e o mesmo Paulo Pinto mandou-me «comer palha que pareces estar com fome».
Acabou aí a conversa com o Jugular, como não poderia deixar de ser.
Mas o ultimato feito por alguns elementos desse blogue levou-me a vir aqui com este assunto. Para dizer apenas que tenho muito gosto que os meus textos, tanto os excelentes como os bons, permaneçam nos Arquivos do «5 Dias». Para dizer que, apesar de serem meus e, por isso, passíveis de serem publicados noutros locais, o «5 Dias» poderá usá-los da forma que entender. Para dizer que estão à disposição de todos os leitores que os quiserem comentar.
Ser uma figura de culto da blogosfera traz-me responsabilidades acrescidas. Devo cultivar a humildade e a modéstia. Não quero ser uma
Prima Donna, nem quero que a fama me suba à cabeça. Por isso é que
nunca pediria que os meus textos fossem retirados de um blogue, por mais problemas que tivesse com os meus ex-colegas. Nunca iria morder a mão que um dia me alimentou.
Como entender, por isso, que alguém que na blogosfera não é nada tenha, sem mais nem menos, esse tipo de atitudes?

Ricardo Santos Pinto / r.

Nota: Depois de escrever este texto, os «posts» dos actuais jugulares foram mesmo retirados do «5 Dias». Discordo completamente, mas é lá com eles.
Curiosamente, logo hoje, acerca da morte de João Bénard da Costa, fui ao «5 Dias» procurar um «post» que na altura a Maria João Pires escreveu sobre umas infelizes declarações dele acerca de Isabel Pires de Lima. Resultado: não encontrado. Nem o «post» nem, como é óbvio, os comentários.
Qual não é o meu espanto quando procuro no Google e encontro esse «post» no… Jugular. Escrito em Junho de 2008, como se nessa altura já existisse Jugular. Lol, pelo que vejo, esse blogue já começou em… Fevereiro de 2007! Eh, eh, isso é que é reescrever a história! Pois, os Arquivos dos autores saídos para o Jugular foram disponibilizados pelo «5 Dias», sem problemas, logo na altura. Se não tivessem sido, será que agora eles pediam para retirá-los?
E assim se fez luz sobre todo este caso. A única intenção do Jugular, afinal, é precisamente aumentar as suas audiências e tentar ultrapassar o «5 Dias», algo que nunca conseguiu.
Só dessa forma o conseguiremos – centenas de artigos passam a estar apenas no «Jugular» e já não no «5 Dias» – pensam aquelas cabeças, que já há meses deviam estar a congeminar isto. É agora que os vamos jugular!
Está tudo explicado!

Comments

  1. Luis Moreira says:

    Depois queixam-se dos árbitros!