Vaias e sondagens

Sócrates, Maria de Lurdes e Teixeira dos Santos foram violentamente vaiados na Escola António Arroios. No mesmo dia em que as sondagens dão resultados cada vez mais problemáticos para o PS. É normal que seja assim. Não se pode enganar toda a gente o tempo todo. Os casos que envolvem o PM estão a fazer o seu caminho e é um caminho sem retorno. Hoje já muitos percebem – este caso Lopes da Mota é esclarecedor – que não é preciso ser condenado em Tribunal para se ter uma opinião sobre o carácter de uma pessoa. Continuam a ser inocentes perante a Justiça mas não se podem ignorar os papéis que desaparecem, os que são destruídos, as casas a metade do preço, os mega projectos autorizados à pressa e com decisões no mínimo discutíveis.
É preciso arrepiar caminho quanto às políticas deste governo.Quem chamou a atenção para o dinheiro que ía para os bancos, que esse dinheiro nunca chegaria à economia real, vê agora com desgosto o governo em pânico sem saber como sair dos buracos que ele próprio criou.
Oxalá ainda se vá a tempo de impedir essas tragédias que são os TGVs, as autoestradas em triplicado, os aeroportos megalómanos, as pontes que trazem mais carros para dentro da cidade e que descaracterizam para sempre o mais belo estuário do mundo.
Tenho vindo a apresentar um conjunto de artigos sobre o “Hypercluster do mar“. Custa a acreditar que este país, com todas as condições para liderar nas actividades do mar, não dê prioridade ao mar.
E, no entanto, sabemos as razões. É fácil construir betão e comprar maquinaria lá fora. É bem mais dificil fazer um trabalho sério e continuado em matérias que exigem saber!

Comments


  1. Luís, espero que o dossier seja para continuar, porque é das coisas mais interessantes e sintéticas que eu já vi. mas claro que Portugal não pode aplicar muitas dessas excelentes medidas… fazemos parte da UE e é a UE que decide os planos marítimos a adoptar. basta ver as quotas de pesca.


  2. >>fazemos parte da UE e é a UE que decide os planos marítimos a adoptar. >>basta ver as quotas de pesca.não será tanto assim, digo eu, acho que muito também resultou do facilitismo que foi receber dinheiro para não fazer nada ou para abater barcose claro o empenho dos nossos representantes na ue.

  3. Luis Moreira says:

    O que se está a propor é uma estratégia que leve o país a liderar actividades que mais ninguem está em condiçoes de fazer.Mas não esquecer que já energias em off shores nos países nórdicos, quintas de peixes na Noruega,transporte marítimo na Holanda…o que se quer é que Portugal com o mar anexo tambem à Madeira e aos Açores possa contribuir de forma decisiva para “enquadrar” o que já existe e desenvolver o que é ainda muito pequeno.A nossa situação geográfica oferece “serviços”que podem ser incluídos num “cluster” com a criação de milhares de empregos!

  4. Luis Moreira says:

    E quanto às cotas de pesca isso resultou de a nossa frota ser mais velha e menos capaz que a Espanhola, e como eles vêm aqui para o nosso mar a nossa frota não era necessária…

  5. Adalberto Mar says:

    O 1º ministro até tem sorte pois é vaiado por muita gente! Eu só sou vaiado pelo «homem das pescas e do mar»!!! Que sorte a minha dassss!!!!


  6. vitor, podemos ter o hábito de estragar dinheiros comunitários sem o empregar correctamente, mas na questão das cotas de pesca não é esse o caso. As regras de pesca são comunitárias e não portuguesas. sei que recentemente a cota de bacalhau foi bastante reduzida e não foi por motivos de competitividade, melhores ou piores barcos que espanhóis, foi mesmo pelo bacalhau estar em vias de extinção! Assim como outros peixes que estão seriamente afectados pela industrialização das pescas, como a sardinha e a pescada. Portugal ultrapassa as cotas de pesca sensivelmente a meio do ano. Por aqui dá para ver que não é por uma questão de (má) produtividade nas pescas. E ter de abater embarcações todos os anos para poder haver cotas para todos, também é sinal disso. Não chega para todos. E mais, paradoxalmente a UE tem mesmo que implementar este tipo de regras por muito que nos custe. A má gestão anterior dos mares até aos dias de hoje levou a que estejamos neste momento em pré-crise ecológica. A única opção que parece certa é a desindustrialização das pescas. O que em parte relaciona-se com o tema das “vaias”. Esta opção governamental da “grande obra” é uma industrialização dos gastos (e dos ganhos também, que ficam em poucas empresas), e por isso para mim também está errada. Acho que é óbvio para toda gente, que mais vale distribuir a “verba” por “n” de obras relevantes para a sociedade do que apenas uma ou duas. Mas é isso que este governo vai fazer. Nem que seja só no último dia de mandato.

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