Movidos pela Igualdade: O texto do manifesto


Há uns dias atrás, recebi um convite que me deixou sensibilizado: fazer parte do grupo de subscritores do Movimento pela Igualdade e do respectivo manifesto a favor do casamento civil das pessoas do mesmo sexo, um movimento da sociedade civil que será lançado no domingo, dia 31, às 16.00, no Cinema S. Jorge, em Lisboa.
Pediram-me discrição, da mesma forma que pediram a toda a gente. Não era para divulgar nada até dia 31 às 16 horas – nem o texto, nem os nomes dos subscritores.
Respeitei o compromisso. Mas eis que, no «Diário de Notícias», Fernanda Câncio fez questão de revelar um grande número dos subscritores desse manifesto. Quebrando assim o que tinha sido previamente acordado com todos os envolvidos. Apetece-me dizer que é a diferença entre um r. e uma f.
Perante esta divulgação extemporânea, sinto-me livre para revelar que sou um dos subscritores desse manifesto. E sinto-me também livre para revelar o texto do próprio manifesto.
Pela atitude acima revelada e que diz tudo da pessoa que atraiçoou dessa forma ignóbil todos os «companheiros» de circunstância. Mas sobretudo porque o Paulo Jorge Vieira, que fez o convite que muito me honrou, autorizou-me a fazê-lo. Era para publicá-lo só daqui a dois dias, mas vai já hoje:

«A igualdade no acesso ao casamento civil é uma questão de justiça que merece o apoio de todas as pessoas que se opõem à homofobia e à discriminação. Partindo da sociedade civil, a luta pelo acesso ao casamento para casais de pessoas do mesmo sexo em Portugal conta neste momento com um crescente apoio político e social. Nós, cidadãos e cidadãs que acreditamos na igualdade de direitos, de dignidade e reconhecimento para todas e todos nós, para as/os nossas/os familiares, amigas/os, e colegas, juntamos as nossas vozes para manifestarmos o nosso apoio à igualdade.
Exigimos esta mudança necessária, justa e urgente porque sabemos que a actual situação de desigualdade fractura a sociedade entre pessoas incluídas e pessoas excluídas, entre pessoas privilegiadas e pessoas marginalizadas; Porque sabemos que esta alteração legal é uma questão de direitos fundamentais e humanos, e de respeito pela dignidade de todas as pessoas; Porque sabemos que é no reconhecimento pleno da vida conjugal e familiar dos casais do mesmo sexo que se joga o respeito colectivo por todas as pessoas, independentemente da orientação sexual, e pelas famílias com mães e pais LGBT, que já são hoje parte da diversidade da nossa sociedade; Porque sabemos que a igualdade no acesso ao casamento civil por casais do mesmo sexo não afectará nem a liberdade religiosa nem o acesso ao casamento civil por parte de casais de sexo diferente; Porque sabemos que a igualdade nada retira a ninguém, mas antes alarga os mesmos direitos a mais pessoas, acrescentando dignidade, respeito, reconhecimento e liberdade.
Em 2009 celebra-se o 40º aniversário da revolta de Stonewall, data simbólica do início do movimento dos direitos de lésbicas, gays, bissexuais e transgéneros. O movimento LGBT trouxe para as democracias – e como antes o haviam feito os movimentos das mulheres e dos/as negros/as – o imperativo da luta contra a discriminação e, especificamente, do reconhecimento da orientação sexual e da identidade de género como categorias segundo as quais ninguém pode ser privilegiado ou discriminado. Hoje esta luta é de toda a cidadania, de todos e todas nós, homens e mulheres que recusamos o preconceito e que desejamos reparar séculos de repressão, violência, sofrimento e dor. O reconhecimento da plena igualdade foi já assegurado em várias democracias, como os Países Baixos, a Bélgica, o Canadá, a Espanha, a África do Sul, a Noruega, a Suécia e em vários estados dos EUA. Entre nós, temos agora uma oportunidade para pôr fim a uma das últimas discriminações injustificadas inscritas na nossa lei. Cabe-nos garantir que Portugal se coloque na linha da frente da luta pelos direitos fundamentais e pela igualdade.
O acesso ao casamento civil por parte de casais do mesmo sexo, em condições de plena igualdade com os casais de sexo diferente, não trará apenas justiça, igualdade e dignidade às vidas de mulheres e de homens LGBT. Dignificará também a nossa democracia e cada um e cada uma de nós enquanto cidadãos e cidadãs solidários/as – e será um passo fundamental na luta contra a discriminação e em direcção à igualdade.»

Comments


  1. Apoio. Que haja liberdade para todos.

  2. dalby says:

    O Luís Quasimodo deve estar de cama!! Com gripe mexicana!!


  3. ola ricardoexagerado… a verdade é que muita gente publicou o textoahradeço te o segredo durante estes dias todos mas ok… as coisas foram-se tornando publicas.mas a vida socio-mediática onde vivemos é mesmo assim!

  4. Luis Moreira says:

    dalby, o primeiro milho é dos pardais!

  5. dalby says:

    Este Luís Van der Graaf tem uma qualidade: quando começa com os provérbios e experiência de vida, (longa experiência de vida), à semelhança de quando fala de futebolistas, NÃO ENTENDO NADA. Há alguma alma caridosa que me queira explicar mais este ataque impiedoso, cruel, malévolo, do simpático, inteligente, sincero, compreensivelmente conservador e educado Luís Von Strumpft, este provérbio do milho? ?


  6. […] já disse aqui, tive a honra de ser um dos proponentes do novo MPI – Movimento pela Igualdade, e que tem como […]

  7. Rogério Santos says:

    Este blogue está a ficar cada vez mais paneleiro!

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