Falando de democracia: O iberismo

A ideia de uma Península Ibérica unida politicamente não é nova. Não falando nos episódios históricos remotos em que ora Portugal, ora Castela, se tentavam mutuamente devorar, através de artimanhas, como a política de casamentos entre descendentes das linhas dinásticas ou de acções militares, episódios que tiveram o seu auge quando, entre 1580 e 1640, três reis de Castela e Aragão juntaram à sua coroa dual a de Portugal, reportando-nos a tempos mais recentes, o ideal do Iberismo tem feito correr tinta e dado que falar. Vejamos.
Personalidades como Antero de Quental, Ana de Castro Osório, Latino Coelho, Sampaio Bruno, Teófilo Braga, entre os portugueses, manifestaram, de uma maneira ou de outra, a sua simpatia por essa união. Do lado castelhano, refere-se quase sempre o mesmo nome – Miguel de Unamuno, o grande escritor e pensador nascido no País Basco, mas indubitavelmente um homem da cultura castelhana, reitor da Universidade de Salamanca no conturbado ano de 1936 em que a Espanha iria mergulhar na maior tragédia da sua história. Na Catalunha, a ideia colheu mais adeptos, destacando-se o grande poeta e filósofo Joan Maragall, o lusófilo Ignasi Ribera i Rovira, Francesc Pi i Margall, presidente da Primeira República Espanhola, em 1873. Mais recentemente ainda, portugueses como Miguel Torga, Fernando Lopes-Graça, António Lobo Antunes, Eduardo Lourenço, José Saramago, entre outros, têm manifestado a sua simpatia por essa união que, olhando para o mapa da Europa, faz sentido. Falamos de uma união política, para concretização da qual seria necessário articular instrumentos constitucionais, limar arestas culturais, varrer preconceitos e desconfianças mútuos. Teófilo Braga chegou a planificar as bases de uma Federação Ibérica, dentro da qual a Espanha teria de aceitar condições sine qua non: passar a ser uma República, dividir-se em estados autónomos aos quais Portugal se juntaria. Lisboa seria a capital dessa Federação Ibérica. Ana de Castro Osório via a união a três – «Catalunha, Castela, Portugal…Quem pudesse dar-lhes a autonomia que ambicionam os catalães e sem a qual hão-de estar sempre vexados e com razão!» Esta ideia das três entidades – Portugal, Castela e Catalunha, esquecendo a Galiza e o País Basco, enformava quase todas as teses iberistas do princípio do século XX, incluindo as de Unamuno, Ribera i Rovira, Maragall, Antero e Teófilo Braga. A ideia prevalecente era a de uma Federação de estados autónomos em quase todos os aspectos, com centros de decisão comuns – a política externa, por exemplo. E a tinta começou a correr.
Em 1906, Joan Maragall, em artigo publicado no Diario de Barcelona, defendia o ideal do federalismo ibérico. Mais perto de nós, em 1963, o escritor catalão Agustì Calvet i Pasqual, que assinava os trabalhos jornalísticos como Gaziel, escrevia no La Vanguardia, também de Barcelona, que «Poucas vezes a insensatez humana terá estabelecido uma divisão mais falsa» (do que a das fronteiras peninsulares) «Nem a geografia, nem a etnografia nem a economia justificam esta brutal mutilação de um território único». Nestes mesmos anos 60 do século passado em que Gaziel publicava o seu texto, um grupo de jovens ibéricos criou um Círculo de Cultura Íbero-Americano, com objectivos confessadamente culturais e inconfessadamente políticos. Fiz parte desse grupo. Éramos meia dúzia de portugueses, gente de Lisboa, do Porto e de Vila Real, alguns catalães e maiorquinos, um escritor castelhano de Ciudad Real, um ou outro sul-americano. Elemento comum: todos vivíamos sob ditaduras e o ansiarmos pela Democracia fazia-nos aceitar uma solução em que o ideal democrático estivesse envolvido. Fizemos reuniões, publicámos livros, estávamos a preparar um boletim multilingue, quando a PIDE acabou com a festa, prendendo um de nós, o que centralizava os contactos. Em Barcelona, houve também pelo menos uma prisão, a de um escritor catalão que a nós estava ligado. Não digo nomes, pois não sei se os outros elementos do grupo querem, ou quereriam (alguns já não são vivos), que se saiba que foram iberistas. Eu assumo que o fui. Na época, as federações pareciam funcionar bem – Jugoslávia, Checoslováquia, União Soviética… – e se era bom para eles, com culturas, línguas e até com religiões diferentes, também não podia ser mau para nós . Depois desta sumária descrição do que tem sido o Iberismo e da confissão de que já fui um iberista convicto, vem a parte dramática deste texto e que se refere a um iberismo mais recente. Nestes casos, talvez seja melhor falarmos de iberismo integracionista.
Em entrevista concedida à agência Lusa , em Novembro do ano passado, Arturo Pérez-Reverte , escritor espanhol que muito admiro, defendeu a existência de uma Ibéria, um país único, sem fronteiras que separem Espanha e Portugal, porque, na sua opinião, é «um absurdo» que os dois países vivam «tão desconhecidos um do outro». Segundo ele, «há uma Ibéria indiscutível que está entre os Pirenéus e o estreito de Gibraltar, com comida, raça, costumes, história em comum e as fronteiras são completamente artificiais”, Para Pérez-Reverte, o maior erro histórico de Filipe II, no século XVI, foi não ter escolhido Lisboa como capital do império: “Teria sido mais justo haver uma Ibéria, e a história do mundo teria sido diferente”. O escritor disse ainda que essa Ibéria não existe hoje administrativamente, mas “qualquer espanhol que venha a Portugal sente-se em casa e qualquer português que vá a Espanha sente o mesmo”. “Houve dificuldades históricas que nos separaram, mas a Ibéria existe. Não é um mito de Saramago, nem dos historiadores romanos. É uma realidade incontestável” que precisa de um empurrão social e não político para concretizar o projecto, disse. O mundo de hoje “é um lugar de grandes mudanças sociais”. “Esse Ocidente pacífico, sereno, poderoso, com uma certa coerência cultural e social do século XX não poderá continuar. O Ocidente como o entendemos está na sua etapa final”, disse. Transcrevi aqui grande parte da entrevista cuja leitura, há uns meses atrás, me preocupou, pois julgava que o interesse dos nossos vizinhos em nos anexar fosse coisa do passado, morta e enterrada. Mas há pior.
Em entrevista concedida ao Diário de Notícias em Julho de 2007, o grande escritor José Saramago defendia, por outras palavras, a mesma coisa – a integração de Portugal em Espanha: «Não vale a pena armar-me em profeta, mas acho que acabaremos por integrar-nos», dizendo depois que não seria uma integração cultural e dando o exemplo da Catalunha: «A Catalunha tem a sua própria cultura, que é ao mesmo tempo comum ao resto de Espanha, tal como a dos bascos e a galega, nós não nos converteríamos em espanhóis.» Porém, mais adiante, o jornalista pergunta se Portugal seria mais uma província de Espanha e Saramago responde: «Seria isso. Já temos a Andaluzia, a Catalunha, o País Basco, a Galiza, Castilla-La Mancha e tínhamos Portugal. Provavelmente (Espanha) teria de mudar de nome e passar a chamar-se Ibéria.» E os portugueses aceitariam a integração? – quis saber o jornalista: «Acho que sim, desde que isso fosse explicado». Porque sou um profundo admirador da obra de Saramago, não transcrevo toda a entrevista que, na minha modestíssima opinião, contem afirmações que, espelhando o sentimento do autor de A Jangada de Pedra, não reflectem o que sobre o assunto pensa a maioria dos portugueses.
Temos aqui duas opiniões coincidentes. Mais coerente a de Pérez-Reverte que gostaria de ver o estado espanhol aumentado do que a de Saramago, que tendo nascido em Portugal, quer ver o seu país desaparecer na panela em que há mais de cinco séculos Isabel e Fernando começaram a cozinhar as anexações das nações vizinhas. Misturados com a Andaluzia e com Castilla-La Mancha, territórios que obviamente têm a sua cultura própria, formas dialectais de se exprimir em castelhano, mas que nunca tiveram autonomia política e,
qu
e se saiba, nunca a quiseram ter – salvo bizarras reivindicações que já vi pintadas em graffiti pela Andaluzia e até em Madrid, exigindo estes a autonomia de Castela! – Naturalmente que estas reivindicações, aparentemente sem sentido, desacreditam aos olhos da opinião pública as que o têm. Os exemplos da Galiza, da Catalunha e do País Basco são obviamente diferentes, pois são nações submetidas e aculturadas. Tudo aquilo que nós, os Portugueses que amam o seu país, não queremos que nos aconteça. E este amor não é flor de retórica, requebro de sentimento fadista ou saudosismo de descobrimentos, de esplendores passados – é o genuíno orgulho de pertencer a um povo que desde há séculos está desfasado das vanguardas culturais da Europa, mas que, com todas as imperfeições que acompanham a sua história de nove séculos, tem logrado manter o seu território, a sua língua, os seus valores culturais e a sua independência. Somos um dos estados mais antigos do mundo – o estatuto autonómico de Castilla-La Mancha? Não, obrigado.
Ficou-nos, aos europeus do século XIX, talvez relacionada com a matriz do Romantismo, a ânsia dos grandes impérios, das grandes óperas, dos grandes amores, dos magnicídios e dos suicídios espectaculares. A unificação da Itália, a da Alemanha, sob a hegemonia prussiana, a cavalgada do Império Russo na conquista das nações circundantes, são exemplos dessa ânsia de grandeza que as elites contrapunham ao populismo das ideias igualitárias do socialismo nascente, para essas elites, redutoras da grandeza histórica a que julgavam ter direito. Il gattopardo, a grande obra de Lampedusa, dá-nos um magistral fresco desse contraste de mentalidades – o ruralismo áspero da Sicília sendo afogado pela refinada cultura aristocrática ou a ela se sobrepondo, enquanto em pano de fundo a gesta unificadora de Garibaldi corria ao som das óperas de Verdi. Os intelectuais portugueses e catalães não ficaram imunes a essa tentação de grandeza, vendo os últimos na unificação peninsular uma forma de serem autónomos sem grande esforço ou sacrifício – como diria Lampedusa, de mudar alguma coisa para que tudo ficasse na mesma.
Elucidativamente, a ideia federalista nunca colheu muitos adeptos em Castela e a única voz que, mais recentemente, na língua de Cervantes a apoiou, foi a de Unamuno, sendo que o autor de O Sentimento Trágico da Vida era um basco. Porém, como vimos, nunca se falou em integração, mas sim em federação. Pérez-Reverte e José Saramago, falam em integração, nem mais nem menos e Saramago, sublinha que Portugal teria o privilégio de obter um estatuto igual a Castilla-La Mancha e à Andaluzia. Durante estes seis ou sete meses que passaram sobre a entrevista a Pérez-Reverte, tenho andado a remoer esta mágoa – a de que dois escritores que admiro – um deles português e detentor do único Nobel que um país de língua portuguesa alguma vez ganhou – defendam a integração de Portugal num Estado estrangeiro, isto é, que desapareça enquanto entidade nacional. Nem Pérez-Reverte, nem Saramago explicam como é que essa tal Espanha aumentada ou Ibéria, seria governada – por uma monarquia? Por uma República? Adoro todos os países aglutinados no estado espanhol, estudei castelhano e um pouco de catalão, sobretudo com o objectivo de ler obras que na época não eram traduzidas em português. O galego não foi necessário estudar e para o basco não tive coragem. Pode dizer-se que tudo me encanta na chamada Espanha – as gentes, as paisagens, as cidades, os monumentos, as comidas, as literaturas, as artes, tudo. Tudo, menos a monarquia. Sou republicano convicto, penso que a maioria dos portugueses o é também, e teríamos aí já um problema de monta – esses Bourbons, que não quero qualificar (pode alguma criança vir a ler este texto) nem pensar em tê-los como chefes de Estado. Lembro apenas que Don Juan Carlos, enquanto o caudilho viveu, foi submissamente manipulado pela galaica criatura. Parece-me ridículo, no século XXI, haver quem se considere e seja considerado «ungido por Deus» e com o direito de estar à frente de uma Nação. E que seus filhos e netos, mesmo que sejam atrasados mentais, tenham o mesmo direito. Quando os vejo nas revistas «do coração» ao lado de play-boys, de jogadores de futebol e suas namoradas, de actrizes de telenovela, numa palavra, do chamado jet set, dá-me vontade de rir e espanto-me por Saramago e Pérez-Reverte aceitarem coisa tão risível como normal.
Estamos na União Europeia, com decisões importantes para as nossas vidas a serem tomadas, não nos nossos pseudo-centros de poder, mas nas instâncias comunitárias, em Bruxelas, em Estrasburgo. Perdemos a moeda nacional, somos obrigados a falar inglês, a língua franca dos nossos dias. Não nos faltava mais nada do que, a pouca independência que nos resta fosse alienada. Isto porque a Espanha continua a querer ser Una y grande, como pretendia o caudilho. Quer bater o pé à França, à Alemanha, à Itália e ao Reino Unido. Que faça tudo isso, mas sem os nossos onze milhões de pessoas e os cerca de noventa mil quilómetros quadrados do território (amputado da nossa Olivença, roubo que a cobardia da diplomacia portuguesa mantém fora da agenda política). Oxalá o murciano Pérez-Reverte e o português Saramago sejam tão maus profetas quanto são excelentes, extraordinários escritores. Só temos um prémio Nobel da Literatura e mesmo assim querem que fiquemos sem ele.

No pasarán!

Comments

  1. maria monteiro says:

    Está bem que Portugal nasceu duma “briga” entre mãe e filho mas isso não quer dizer que nos devamos entregar à nossa vizinha Espanha. Se já tão poucos conhecem a história do nosso povo, com o iberismo era vê-la esfumar-se no sabor de uma qualquer paelha ou tortilha. È verdade que de há uns anos a esta parte tem havido um interesse crescente por terrenos agrícolas, pela nossa indústria (conheço bem o caso da indústria vidreira), mas dai até ao iberismo que seja só do pensamento de alguns. Espanha aquilo que mesmo quer é a nossa costa, o nosso mar.

  2. carlos fonseca says:

    O iberismo de hoje não pode discutir-se apenas segundo perspectivas intelectuais, fundadas na análise histórico-cultural, em que o passado é parte dominante. Tomando como exemplo a globalização, vemos que o superior poder económico-financeiro de Espanha já condiciona bastante qualquer estratégia de desenvolvimento económico social de Portugal. Como adverte a Maria Monteiro, quem desenvolve actividades mais prosaicas da vida das empresas, apercebe-se que hoje as consequências sociais não são iguais às do passado.


  3. O iberismo de hoje tem base nas questões económicas, em redor dos potenciais benefícios económicos de uma união dos dois países. A ideia, mais que rebatida deve ser discutida, quanto mais não seja pelo simples prazer do debate.Não tem, pelos menos nas próximas décadas, qualquer viabilidade. Não reúne aceitação dos dois lados da fronteira. Muitas nações de Espanha até poderiam concordar. Outras discordar e até preferir outras opções, como a independência. Em Portugal teria um acolhimento negativo. Muito negativo.

  4. dalby says:

    EM POUCOS ANOS VEREI O MEU SONHO CONCRETIZAR-SE…. ESPANHA E PORTUGAL NUM SÓ..SONHO COM A IDEIA DA UNIFICAÇÃO..DESDE SEMPRE…SÓ TERÍAMOS DE APRENDER!! ELES SÃO MELHORES QUE OS NOSSOS DIRIGENTES POLÍTICOS…SÓ LISBOA VERDADEIRAMENTE RESISTE….A MIM, MAIS QUE UMA HONRA SERIA UM SONHO DIRIGIR-ME À CAPITAL DE PORTUGUAL A MADRID QUE À MERDA DE LIBOA..E SINTO-ME MUITO MAIS EM CASA EM MADRID QUE EM LISBOA…VIVA ESPANHA PARA SIEMPRE!

  5. luis Moreira says:

    Com a UE a força centípetra mudou-se para Bruxelas.A vida está mais para as regiões ganharem força que os países.


  6. […] miasmático e pestilento às vezes floresce um lírio, este post do O. Braga tem um link para um texto muito interessante sobre a história do iberismo.  Confesso que apesar de conhecer _ sem ter lido _ a obra “A […]


  7. […] A propósito do «post» de Carlos Loures acerca do Iberismo (aqui e aqui), recebemos um comentário de Josep Anton Vidal que passamos a publicar. Pedagogo e editor, […]

  8. galego says:

    Acabei de ler o texto e gostei muito. Só acho em falta umha referência à dimensom económica do assunto, que em minha opiniom é fundamental.Como galego amante de Portugal, só podo desejar aos portugueses que nom acabem cedendo a sua soberania à Espanha. Para a minha naçom -Galiza-, a dependència dos espanhóis tem sido historicamente nefasta…. e continua a ser.

  9. Carlos Eduardo da Cruz Luna says:

    OS ESFORÇOS PARA ACUDIR AO HAITI (MAIS UMAS INICIATIVA…)(COM CRÍTICA AO IBERISMO…)
    É um lugar comum. Os esforços para acudir às vítimas da tragédia do Haiti não serão
    nunca demais. Morre-se em cada hora que passa. Cerca de 120 mil mortos, um grau de
    destruição quase inimaginável, a agonia das estruturas
    estatais/assistenciais/administrativas de um País. Pobre
    situação a de um povo que começou a sua História lutando pela liberdade contra os donos
    de escravos franceses no início do século XIX, que venceu essa prova, mas que tem
    conhecido guerras internas, invasões e ocupações estrangeiras, além de desastres
    naturais, ao longo de dois séculos… para já não falar das ditaduras que pouco dignos
    filhos seus exerceram.
    É curioso ver como se unem esforços.
    Uma iniciativa em particular chama a atenção. O Nobel português, José Saramago , vai
    promover uma edição especial de solidariedade do seu livro de 1986, “Jangada de Pedra”.
    Citando agências noticiosas e a sua fundação, «a acção de solidariedade reverte a favor
    das vítimas do sismo do Haiti e decorrerá
    futuramente também em Espanha e na América Latina. O livro custa €15 e estará disponível
    nas livrarias a partir de sexta-feira; e porque, segundo o próprio Saramago “todos temos
    uma obrigação”, a campanha “Uma Jangada
    de Pedra a caminho do Haiti” vai prolongar-se até 28 de Fevereiro de 2010.»
    Recorde-se que esta obra descreve um cenário imaginário, no qual uma espécie de
    terramoto lento separa a Península Ibérica do resto da Europa, e a coloca à deriva, como
    uma gigantesca ilha, no que é interpretado por alguns críticos como uma das primeiras
    manifestações de iberismo deste escritor. A catástrofe imaginária terá levado o autor a
    escolher este livro
    para esta acção, em que se procurará acudir às carências resultantes de uma catástrofe
    real.
    O livro é ainda hoje muito citado. Não parece crível que o autor, com este gesto,
    esteja a sugerir que a Haiti se deva deixar governar por alguma potência externa e
    vizinha, como por exemplo a República Dominicana, já que Saramago é um conhecido lutador
    pela liberdade dos povos e pela direito à auto-determinação, como recentemente se viu em
    relação ao Sahará ex-espanhol. Aliás, no livro, o Nobel não hesita em ironizar sobre as
    esperanças espanholas sobre Gibraltar… que não acompanha a península na imaginária
    ruptura geográfica… referindo mesmo que sobre este litígio o português é pouco
    “sensível” … já que «a sua mágoa histórica chama-se Olivença e este caminho não leva
    lá.»(página 89)
    Receia-se, porém, que Saramago não seja bem compreendido nesta sua iniciativa, por
    causa da escolha desta obra em concreto, e que poderá sujeitar-se a alguns comentários
    algo cépticos.
    Penso que todas as iniciativas a favor do Haiti serão positivas, desde que eficazes
    e desinteressadas. Esta não será excepção, mas penso que Saramago, e ele que me desculpe,
    poderia ter escolhido outro texto. Valha-nos a qualidade literária!!!
    Estremoz, 27 de Janeiro de 2010
    Carlos Eduardo da Cruz Luna

  10. José says:

    Espanha não funciona nem nunca funcionou em republica existe uma enorme descontinuidade cultural entre as várias regiões apenas um Rei alguêm totalmente acima das trivialidades politícas e partidárias pode unir bascos catalães galegos etc… Ignorar esse facto é não conhecer Espanha de todo…

  11. joão says:

    Espanha tem os dias contados.

    indepenencia para acatalunha, pais basco e galiza.

  12. Pedro says:

    A día de hoy hay más portugueses a favor de la unión que españoles. Me resulta absurdo decir que España quiere apoderarse de Portugal para ser “una y grande”. El iberismo es UNIÓN, no es conquista. Nos acusa el autor a los iberistas de franquistas? Creo que usted no conoce ni la península en la que vive

  13. Vasco says:

    O Iberismo é um conceito datado e atualmente uma questão sobretudo espanhola dadas as tensões internas em que Espanha vive. Estamos na União Europeia, uma península da Ásia, que é agora a nossa casa comum onde partilhamos já muita soberania. Temos a lusofonia e relações estreitas com muitas partes do Mundo, O que Portugal precisa é de sobriedade e de encontrar o tom equilibrado para falar da sua própria história. Nem a excessiva glorificação do passado, nem a autoflagelação. Somos, sem esforço, País! A historiografia moderna está a revelar-nos que somos mais do que aquilo que pensamos mas está também a pôr de lado a “história dos heróis” e os conceitos datados.

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