Cá vai Lisboa


Ontem, como há muitos anos, estive na Avenida a ver as marchas. Cor e alegria, juventude e bairrismo, sardinha assada e manjericos. Depois foi a parte de que mais gosto. Alfama, e os seus pátios, as suas gentes, as escadinhas e os seus becos.
Alfama é único porque é onde menos a especulação e os patos bravos podem estragar.
As suas ruas estreitas, com os prédios quase a tocarem-se, não dão para as recuperações extravagantes. É isto que explica que tudo esteja como há séculos, com pequenos bocados de terra ajardinados pelos habitantes. Um cheiro de terra e flores que nos persegue, e que nos obriga a alargar o passo para espraiar no pequeno largo, logo ali ao virar da esquina.
As pessoas indicam bem os seus ascendentes, morenas, cabelo negro e olhos escuros. Andou e viveu por ali a moirama, tal como na Mouraria logo ali, no outro lado do monte que divide os dois bairros.
Num recente estudo (julgo que no âmbito da Comissão para os Descobrimentos em má hora extinta), estudaram-se as tripulações dos navios que demandaram a India e o Brasil. Há famílias, desses homens de coragem sem par que ainda hoje vivem na mesma rua e na mesma casa! Os homens que deram mundos ao Mundo, continuam representados por aquelas crianças que brincam e vendem manjericos!

Comments

  1. maria monteiro says:

    É uma Lisboa sempre bonita em qualquer altura do ano

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