O declínio da influência dos Estados Unidos na América Latina

A entrada de Cuba na OEA é uma reveladora indicação do declínio do poder dos EUA em toda a região. Limitada por duas guerras prolongadas e enfrentando crescentes concorrências tanto da Europa como da China, assim como do Brasil, para o comércio e investimentos na América Latina, Washington já não está em posição de ditar regras para os governos que representam os interesses das elites dominantes ao sul de sua fronteira.
O significado desta decisão não passou em branco entre os cubanos anti-Castro nos EUA, que protestaram intensamente contra a decisão da OEA. Congressistas cubano-americanos, incluindo o Senador Democrata Robert Menendez de New Jersey e Mario e Lincoln Diaz-Balart, solicitaram cortes na legislação dos EUA para o financiamento da OEA. Numa declaração conjunta, os irmãos Diaz-Balart chamaram à OEA de “uma deteriorada perturbação”, enquanto Menendez chamou à resolução “absurdamente vaga”, e disse que o Congresso debateria “o quanto nós estamos dispostos a apoiar a OEA enquanto instituição”.
Os chefes de estado latino-americanos celebraram a decisão. O presidente da Venezuela, Chavez, disse que a decisão significou que “nós já não somos o quintal dos Estados Unidos, nós já não somos uma colónia”.
O presidente hondurenho Manuel Zelaya proclamou que com a aprovação da resolução, “a Guerra Fria terminou neste dia em San Pedro Sula”. Em referência à famosa passagem de um discurso feito por Fidel Castro durante seu julgamento pelo fracassado assalto ao quartel do exército cubano em 1953 na cidade de Moncada, Zelaya acrescentou, “Eu disse ao comandante Fidel Castro: ‘Hoje a história absolveu-o’”.
O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva considerou a decisão da OEA de “uma vitória para o povo latino-americano”. Lula fez esta observação ao final de uma viagem por três nações da América Central na qual promoveu alianças comerciais e investimentos de capital para corporações e bancos brasileiros. Entre os acordos concluídos estava a criação de uma planta de produção de etanol na Costa Rica para exportação para o mercado dos EUA.
“Eu nem sei se eles querem voltar para a OEA, mas, em todo caso, eles não estarão tão marginalizados”, disse o presidente brasileiro sobre os cubanos.
Na realidade, Lula não falou pelo “povo latino-americano”, mas sim, pelos capitalistas brasileiros, que vêem em Cuba uma fonte potencial de superlucro e querem o fim do embargo económico dos EUA e das significantes dificuldades que isso apresenta para a exploração do trabalho e dos recursos da ilha.
Não foi a história que absolveu Castro em San Pedro Sula, mas, sobretudo, a burguesia latino-americana. Este tem sido um demorado processo no qual seus governos restauraram relações diplomáticas normais e viram a tentativa dos EUA de colocar Cuba de quarentena como cada vez mais e mais irracional.
Desde o início, a tentativa do imperialismo dos EUA de isolar Cuba em nome do “sistema interamericano” baseado na “democracia e livre mercado” foi mergulhada em hipocrisia. No meio desta votação em 1962, para rejeitar Cuba na OEA, estavam as ditaduras de Trujillo na República Dominicana, Somoza em Nicarágua e Stroessner no Paraguai.
Da sua parte, Fidel Castro rejeitou a possibilidade do retorno de Cuba à OEA, referindo-se à mesma como “Ministério de Colónias dos Estados Unidos”, e “infame e repugnante antro de corrupção”.
No interior da própria OEA, o afastamento de Cuba ocorreu sob crescentes desafios para os governos burgueses latino americanos, que, nos anos 70, viam Cuba como uma ameaça à sua estabilidade. O regime nacionalista em Havana abandonou suas pretensões revolucionárias dos anos 60. Castro desistiu das políticas de promoção de guerras de guerrilha, aceitou o estado existente instalado na América Latina e subordinou seu regime à política de “coexistência pacífica”, defendida pela burocracia stalinista de Moscovo, que subsidiava pesadamente a economia cubana.
Existia um movimento significativo para revogar a suspensão de Cuba da OEA em 1973, depois de a organização adoptar a doutrina do “pluralismo ideológico”, principalmente para acomodar o crescente número de ditaduras militares apoiadas pelos EUA, que claramente falharam em encontrar pretensões democráticas para o tão falado sistema interamericano. Em Julho de 1975, a OEA votou pela liberdade dos membros em determinar seu próprio relacionamento com Cuba. Não obstante, Washington conseguiu invalidar todas as tentativas de readmitir Havana na organização.
Enquanto aclamavam a votação em Honduras como uma “defesa histórica”, o regime cubano reiterou que não tinha interesse em regressar à OEA. Nas vésperas da votação, o doente ex-presidente Fidel Castro, escrevendo numa de suas regulares colunas de “reflexões”, denunciou a OEA como uma “cúmplice em todos os crimes cometidos contra Cuba” e declarou ser “ingénuo acreditar que as boas intenções de um presidente dos Estados Unidos justifiquem a existência desta instituição”, que ele descreveu como um “cavalo de Tróia”.
Enquanto o regime Castro tem bebeficiado de uma aliança de vitórias diplomáticas, a situação da economia interna de Cuba parece estar crescendo de forma cada vez mais violenta. Começando em 1 de Junho, o governante Raul Castro anunciou “medidas excepcionais” para lidar com a crise crescente. Várias restrições têm sido impostas no uso da eletricidade, forçando os escritórios do Governo e o sector varejista a manter luzes e ar condicionados desligados na maioria dos dias e existe a ameaça de apagão para províncias inteiras caso elas usem mais do que sua quota de energia.
O Ministro da Economia e Planejamento Marino Murillo revelou que as projecções anteriores de crescimento de 6% para a economia foram abandonadas, e agora apenas 2,5% de crescimento foram previstos, na medida em que a economia cubana foi abalada pela crise económica e ainda está cambaleando pela perda de 10 biliões de dólares, sofrida devido a três furacões no último ano. Os preços das importações aumentaram, enquanto o preço do níquel, a principal exportação do país, afundou.
Dentre outras medidas austeras que têm sido implementadas, estão as drásticas reduções nos serviços de transportes e um corte de 50% em gastos para almoços fornecidos para funcionários de empresas estatais.
As medidas são as mais severas vistas desde o tão falado Período Especial que se seguiu ao colapso da União Soviética em 1991, quando os subsídios de Moscovo acabaram e o PIB caiu 35%.
Enquanto Raul Castro prometeu aumentar o nível de vida quando assumiu, de seu irmão Fidel Castro, o controle da ilha no ano passado, as políticas do governo e a pressão da crise global capitalista produziram exactamente o oposto, resultando no aumento das tensões sociais.
Durante décadas, o regime Castro clamou por legitimidade política baseada em sua resistência as agressões dos EUA e apelou aos sentimentos nacionalistas do povo cubano, pela manutenção – pelo menos até ao período recente – de um determinado nível de igualdade social, mesmo que seja no nível empobrecido da maioria dos trabalhadores. Cabe perguntar então: o que será do regime cubano agora, quando as relações não são mais conflituantes?
O levantamento do embargo económico dos EUA contra Cuba, trazendo consigo um influxo de capital estrangeiro – uma medida apoiada por secções predominantes da corporação dos EUA e do capital financeiro, assim como pelas elites dominantes na América Latina – causaria uma forte intensificação da crise económica e política na ilha.

MNN – Movimento da Negação da Negação
http://www.transicao.org/

Comments

  1. Mari beatriz . says:

    Para a America a OEA, foi uma instituição que influenciou toda a America ?


  2. eu acho que não devíamos estudar coisas antigas


  3. isso e tudo mentira !!
    o ceerto ta em outro saite!!

  4. mylenna cid says:

    e ne? estudarrr e muito xatooooo!!! mas fazer oq/ tenho q ser alguem na vida ne?

  5. mylenna cid says:

    nessa pagina eu nao axeii nd q precisava,,vou ver nas outras#

  6. mylenna cid says:

    AGORA SIMMM AXEIII OQ EU REALMENTE QUERIAA!!!!!!!!!!!

  7. mylenna cid says:

    PAGINA BOAAA,,,SOQ EU VOU TER Q RESUMIR PARA NAO COPIAR isooo tudo ne?
    vlw obrigado!!!!!!!!!

  8. vai se fude says:

    BOSTA


  9. mano eu to testando esse paranaue