Wimbledon – A Final


Quatro horas de ténis de grande nível. Viu-se de tudo, “amorties”, “passing shots”, “serviços acima de 200 Kms /hora…
Eu a partir de certa altura não conseguia deixar de pensar que aquilo era, muito mais, uma final de “pressão psicológica” do que de ténis. Já não basta ganhar ,os chamados “winners points”, é preciso não tremer para não cometer erros.
Nem sequer é um jogo bonito de se ver. Tudo o que o rodeia, sim, é bonito. O glamour das mulheres bonitas, os locais verdes de relva e árvores, a multidão que se mostra numa montra de muitas vaidades.
Desde os calções às camisolas tudo é publicidade, tudo é negócio, tudo é dinheiro. Quatro horas a mostrar ao mundo que com aquelas camisolas podemos jogar àquele nível, quiçá chegar a jogar em Wimbledon…
O segredo é transformar uma qualquer actividade num negócio, numa conta de exploração positiva. É por isso que aqui não entram considerações de ordem moral ou éticas.
Qualquer um daqueles jovens ganha num torneio destes o que a maioria não ganha em toda a vida.
Mas quem paga somos nós, os milhões de anónimos que estão dispostos a pagar para ter aquelas camisolas e aqueles calções.

Comments


  1. “O segredo é transformar uma qualquer actividade num negócio, numa conta de exploração positiva. É por isso que aqui não entram considerações de ordem moral ou éticas.”O desporto é, por definição, multidimensional. Reduzir o desporto à sua dimensão económica é emprobrecê-lo. É evidente que neste espectáculo (desportivo) tanto podem como devem entrar considerações de ordem moral e éticas. Se assim não fosse não seria desporto. Seria a “coisificação” do desporto. Pense neste cenário: se os atletas demonstrassem falta de “fair-play”, se fossem apanhados nas malhas do doping, por exemplo, consideraria que o negócio dispensa esse tipo de considerações?

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