Portugal… de 18 em 18 dias

Tirei uns dias da semana passada para conhecer melhor uma região do nosso país. A região de Basto, algures ali pelo parque do Alvor, entre Mondim e Vila Real.

Monte Farinha, Mondim de Basto

Monte Farinha, Mondim de Basto

Mondim é a Terra falada anualmente pela chegada da Volta à Srª da Graça e que me permitiu algumas experiências fantásticas. Em contacto com um agricultor local fiquei a saber algo que me impressionou. No dia seguinte ao jantar que tivemos, o senhor Joaquim tinha que se levantar cedo porque tinha que ir regar os campos. Até aqui, nada de extraordinário. O meu problema com as manhãs não é, sei há muito, extensivo ao mundo rural.

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Fiquei depois a saber que a água em causa, sai de uma nascente na serra para uma presa (tanque) onde é retida durante a noite. Depois, pela manhã, bem cedo, é altura de lhe permitir dar vida às plantas. Acontece que estas duas acções – prender a água à noite e permitir a sua liberdade durante o dia é responsabilidade de um agricultor, neste caso concreto, de dezoito em dezoito dias. Nos outros 17 dias irá regar ou não em função da água que primeiro vai passar por outros terrenos, chegar ou não aos seus.

E esta situação, para mim surpreendente é extensiva a todas as outras localidades e resulta de uma organização secular que vem sendo transmitida de geração em geração.

Perante esta situação tão extraordinária aos olhos de um Homos-urbanis tentei perceber como se percebe o futuro por aquelas terras. Qual futuro? Responderam-me! Não há futuro. Só gente velha a tratar a terra em condições impossíveis e um futuro que foge ainda mais depressa com as auto-estradas que se aproximam.
Simplesmente, não há futuro! Só passado!

Comments

  1. dalby says:

    …adorei o HOMOS-URBANIS..!!ah …ELE é tão «COSMO», tão COOL e horrores de CULT Gifted!!! Pena é ter escolhido este sítio para férias…zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz

  2. maria monteiro says:

    Há todo um Portugal esquecido que vai fazendo pela vida… infelizmente o mundo rural vive dum passado e de rotinas de sobrevivência… é sempre um presente sem futuro


  3. […] a falta de segurança de que fala Portas. Ele que conhece o mundo da Lavoura… Mais a sério, andei nas férias por Mondim. Gostei das pessoas, mas percebi pela quantidade de materiais de campanha que eles não brincam em […]

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