Santarém: Capital do Gótico (III)

(primeira parte e explicação do «bodo aos pobres» aqui)

Foto tirada daqui.
Em função do clima, dos solos, da topografia e da ocupação humana, é usual fazer a distinção de quatro zonas dentro do concelho de Santarém: o campo, o bairro, a charneca e a serra. Correspondem, no fundo, a três áreas distintas: a zona do vale do Tejo e seus principais afluentes, a peneplanície ondulada e a serra.
O seu aproveitamento faz-se consoante a ordem emanada pelas características geográficas. Se na lezíria e no bairro o aproveitamento agro-pecuário é excelente, dada a abundância de água e a fertilidade dos solos, já na charneca opta-se pela silvicultura, dada a pobreza dos solos, e na serra, devido às mesmas razões, opta-se pela extracção de pedra.
O campo ou lezíria encontra-se junto à margem direita do rio Tejo e ao curso inferior dos seus principais afluentes. É composto por aluviões modernos, profundos e férteis, de elevada produtividade. São considerados dos melhores solos agrícolas do país. Aqui, «a paleta cromática varia entre os azuis da atmosfera e do rio, os amarelos dos assoreamentos do estio e mouchões e as tonalidades de verde» (José Augusto Rodrigues)
À zona por onde o Tejo se espraia, durante as cheias, chama o povo a borda d’água. Aí se fixaram, ao longo dos tempos, povos vindos de todo o país. Os vareiros que vinham de Ovar, os avieiros de Vieira de Leiria, os das Beiras e os do Minho. Chegavam todos para fugirem à fome, para se alimentarem do Tejo, para se fixarem em terras férteis que lhes permitiam uma vida mais sustentada.
Entre o vale do Tejo e a serra, na zona das colinas que dominam Santarém a norte e a oeste, surge uma peneplanura dobrada, entrecortada por diferentes linhas de água, que ocupa grande parte da área concelhia. É o bairro. A sua formação resultou de processos geológicos semelhantes àqueles que ocorreram no planalto da cidade.
O seu relevo caracteriza-se por um grande número de pequenas ondulações e os seus solos por serem argilo-arenosos e argilo-calcários, propícios para as culturas de sequeiro. Segundo a carta ecológica de Pina Manique Albuquerque, o bairro está incluído na zona atlântico-mediterrânica-submediterrânica.
As oliveiras, seculares, são a sua principal cultura. De resto, a extensa mancha que se forma pelo coberto vegetal existente transporta consigo uma imagem de continuidade e de ligação entre a parte alta da cidade e zona do rio. Para além dos olivais, registam-se várias espécies arbóreas, arbustivas e subarbustivas espontâneas.
A charneca localiza-se em depressão entre o bairro e a serra. Tem terras mais pobres, daí a opção pela silvicultura. Pinhais, eucaliptais e matagais, a par da oliveira e da vinha, constituem grande parte da sua área. Aposta-se ainda nos fornos de cal e nas indústrias de barro vermelho. Uma área cuja história está relacionada com as montarias de Santarém, terrenos adequados à caça do porco montês e do javali. Aí se praticava também, desde o século XIII, a altanaria – caçada com aves de rapina ensinadas, as quais, voando alto, iam cair sobre a presa.
A serra, por fim, delimita o concelho a norte. É a zona do maciço estremenho de Porto de Mós, a de maior altitude e onde predominam os afloramentos rochosos e as pedras soltas. Os relevos são interrompidos por depressões relativamente planas, onde é possível observarem-se pequenas manchas agrícolas, os covões. Uma área que se estende em arco de círculo desde Valverde, a oeste, até ao limite do concelho com o de Alcanena. A extracção de pedra, com vista à construção de pavimentos e ornamento, é uma das actividades fundamentais, visto que as condições dos solos não dão para muito mais.
A zona do vale do Tejo e dos seus principais afluentes é plana e está em posição oposta à serra. Nesta, é possível registar a existência de um grande número de valas de rega com diques e vaiados, que contribuem para a sua drenagem numa zona outrora pantanosa utilizada para apascentar o gado bovino e equino.

Comments

  1. dalby says:

    Esta história de Santarém gótica é um massacre total, é pior do que um filme porno chato!

    • Manuel Santos says:

      Mas leste? Gostas de ser massacrado, portanto. Vai lá ver porno, mas evita os chatos. Grande imbecil

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