Uma volta no expresso…

Passando a publicidade, ontem dei uma volta no Expresso on-line. E foi uma volta estranhíssima que me deixou, mais uma vez, preocupado. Costumo passar lá para ler as novidades da Emily. Presa no gelo, na base Amundsen-Scott relata a sua permanência na estação junto com outros investigadores. Não é que tenha grande interesse técnico em saber o que a rapariga faz por lá, mas é uma oportunidade única para mim, saber como é viver com recursos muito limitados, completamente isolado do resto mundo e, também, ter a hipótese de ver fenómenos naturais extremos. Interessam-me as “travessias no deserto”, ainda que neste caso seja mais “estadia no deserto”. Tivesse eu oportunidade (e dinheiro) e o Pólo Sul seria um dos meus destinos de sonho. No entanto, enquanto lia mais umas novidades da base, olho para a barra dos links do lado direito e vejo: “Supositório-bomba é a nova arma da Al-Qaeda”. Como?!? Não resisto e sigo o link. E não é que é mesmo verdade? Agora nem se sabe se o possível “terrorista” sentado ao nosso lado no autocarro não vai explodir mal lhe toque o telemóvel! Paranóia!

“O novo modus operandi da Al-Qaeda foi descoberto na sequência das investigações sobre o atentado cometido contra o príncipe Mohammed bin Nayef , responsável pela luta contra o extremismo na Arábia Saudita. Ficou provado que o activista islâmico Abul Khair trazia o explosivo dentro de um supositório, algo até aqui inédito, tendo utilizado um telemóvel para provocar a explosão.”

Bem, é melhor desdramatizar um pouco a situação e ver umas notícias menos “pesadas” – pensei eu. Mas não dá. Novamente do lado direito, pisca um link que alerta: Gripe A é uma doença “banalíssima”. Quem o diz é Pedro Nunes, bastonário da Ordem dos Médicos. Como disse?!?!

“”Há claramente um excesso de alarme, de zelo”, disse Pedro Nunes, referindo que “não passa de uma gripe, uma doença banal, pouco letal“. Neste sentido, frisou, “o melhor contributo da Ordem dos Médicos é chamar a atenção dos médicos e, através deles, das pessoas, de que isto é uma doença banalíssima e que não é preciso andarmos todos assustados“”

Há coisas que eu não entendo. Mas então anda a miudagem toda a cantar nas escolas para evitar o monstro da Gripe A, juntamente com milhões de portugueses que não conseguem parar de lavar as mãos com aquele gel de álcool e agora é que se lembram de avisar que afinal não é assim tão grave? Mas assim sendo, é ou não é grave? Não tenho o direito a saber? Ou tenho de tirar um curso rápido de medicina para tirar  as minhas próprias conclusões? O cidadão comum já nem tem o direito de ser informado sem contradições evidentes? E o mais preocupante de tudo isto é ler os comentários à própria notícia. Comentários totalmente paranóicos sobre uma conspiração para dramatizar a Gripe A, negócios obscuros com as vacinas, implantação de chips e, claro, a Nova Ordem Mundial . E já não é a primeira vez que noto esta queda geral para a paranóia, partindo seja de que tema for. Não consigo deixar de observar que, lentamente, a paranóia invade a sociedade. E não consigo deixar de pensar que a génese da paranóia é precisamente a contradição, o que equivale a dizer, a mentira.

Isto foi uma autêntica volta no Expresso Preocupado. Desisto de ler as notícias… Se calhar, o melhor que tenho a fazer é tentar arranjar algo para fazer na base Amundsen-Scott.

Escrevi este texto durante a manhã. No entanto, quando ia para publicar, o Aventar foi-se abaixo e ficou em baixo. Terá sido coincidência ou acto propositado? Não se sabe. E é assim que começa a paranóia.

Comments

  1. Luis Moreira says:

    Isac, calma, com essa pressa ainda vais para o Pólo Sul sem namorada. Quanto à gripe o que está a acontecer é que o inverno já passou no hemisfério sul e havendo essa experiência já se sabe mais. Quanto à vacina dá jeito uns milhões. O problema da técnica do supositório é que obriga a grandes conhecimentos de nanotecnologia, o que aponta para serem, os yanques, eles mesmos, que estão por trás da marosca. Enfim,só preocupações…

  2. isac says:

    eu constato que existe uma crescente paranóia colectiva que me parece que não está devidamente identificada. Já ninguém acredita em nada nem em ninguém, e isso é que me preocupa imenso.

  3. Luis Moreira says:

    Sem dúvida, paranóia que adivinha futuros muito pouco risonhos. Vamos afogar-nos na nossa própria merda…

  4. maria monteiro says:

    por acaso até choveu muito mas… não dá para afogamentos

  5. adão cruz says:

    Claro que é uma paranóia, criada por interesses que já nem obscuros são. As pessoas não têm culpa, de facto, e eu também não tenho, na medida em que ando há anos a lutar, na minha profissão e através da escrita, contra tudo o que é perverso dentro desta falácia que é a saúde da humanidade. E não só desta.

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