CALINADAS

CALINADAS

O Aventar é o palco da nossa escrita, o palco onde tocamos o nosso piano, como já tenho dito.

Sem qualquer tipo de presunção, eu penso que cada um de nós podia, diariamente, escrever aqui, sob esta rubrica CALINADAS, precisamente as calinadas que vai ouvindo e lendo durante o dia. Era uma forma pedagógica de todos irmos aprendendo. Evidentemente que não é necessário dizer o nome de quem as profere. A não ser que se trate de pessoa pública, importante e com responsabilidade. Neste caso é legítimo e obrigatório denunciar a pessoa. Por exemplo, dizer que foi Jorge Coelho quem disse “HÁDEM” em vez de “HÃO-DE”, que foi o ministro da Educação, de cujo nome não me lembro, que disse “INTERVIU” em vez de “INTERVEIO”, que é José Rodrigues dos Santos (famoso escritor) que diz diariamente “TEM A HAVER COM”, em vez de “TEM A VER COM”. A actual ministra da Educação, dizendo “HOUVERAM” em vez de “HOUVE” etc. O Público de hoje dizer na primeira página “QUANTO MUITO” em vez de “QUANDO MUITO”.

Por mim, sinceramente, só agradeço a quem denunciar as minhas calinadas. Calinadas e não gralhas, obviamente. Mas também não faz mal alertar para as gralhas.

Aí vão as que hoje li e ouvi:

“DETIORADO” em vez de “DETERIORADO”

“O POLÍTICO QUE EU GOSTO MAIS”, em vez de “O POLÍTICO DE QUEM EU GOSTO MAIS”

“A MÃE QUE O FILHO ERA PIANISTA”, em vez de “ A MÃE CUJO FILHO ERA PIANISTA” ou “A MÃE QUE TINHA UM FILHO PIANISTA”

“MAU-ESTAR” em vez de “MAL-ESTAR” (a gente diz bem-estar e não bom-estar)

ETC. Basta por hoje. Espero que aceitem a proposta.

Comments


  1. Há semanas atrás, publiquei aqui um texto sobre alguns dos disparates que se ouvem na televisão:além ddos que referiste, lembro-me do «ir de encontro» (quando se quer dizer «ir ao encontro»») e do «à última da hora» (Marcelo Rebello de Sousa), querendo dizer «à última hora». Para já não falar no repetido «ciclo vicioso», quando se quer dizer «círculo vicioso». Puxando pela memória, a lista de calinadas é infinita. As silabadas – o «estêjamos» ou o «fáçamos» – também abundam (e não só ditas pelos jogadores de futebol).

  2. Adão Cruz says:

    Obrigado pela colaboração e pela aceitação. Carlos Loures. Eu sei que sabes que tenho razão. Nenhum de nós se pode considerar superior a ninguém. Não somos cabotinos nesta vida, palco ou barco de tda a gente. Mas todos temos obrigação de nos tornarmos melhores em tudo. E, neste caso particular, é extremamente importante, porque nem sonhamos nem nos damos conta do descrédito que nos afecta se falarmos e escrevermos mal.Um abraço

  3. Ricardo Santos Pinto says:

    Ó Carlos, isso é um supônhamos…

  4. Adão Cruz says:

    Há uma coisa que me incomoda. Eu sou ouvinte assíduo da Antena 2, onde há gente que fala primorosamente bem. Mas considero inadmissível que uma rádio desta categoria se saia, de vez em quando, com coisas de bradar aos céus. Já lhes fiz ver por mais do que uma vez, mas…Para quem tem a sorte de sentir que isto não é um assunto de somenos importância, é um prazer ouvir quem sabe usar a nossa lingua, que é um tesouro, como se de uma expressão artísica se tratasse. Quando dou uma calinada é como se proferisse um insulto a mim mesmo, e fico danado.

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