A digna arte de fazer política

Ninguem quis aceitar a transparente proposta de coligação de Sócrates, daí à oposição ter que assumir as suas responsabilidades, foi um pulinho. Qualquer lhe servia se aceitasse o programa de Sócrates, sem reservas e sem concessões, em maioria absoluta.

 

Acontece que o PS não tem maioria absoluta, pelo que terá que negociar apoios e fazer concessões, numa palavra, tem que exercer a "digna arte de fazer política".

 

Cavaco, no discurso de posse do governo, chamou a atenção para os graves problemas nacionais. Dívida externa, os vários déficites estruturais da economia e o desemprego. E aconselhou que  o veículo prioritário são as PMEs, a inovação, a produtividade e a produção de bens transacionáveis e exportáveis.

 

Sócrates faz de conta que não ouve, nunca se refere à dívida externa monstruosa, que irá atrasar por muitos anos o desenvolvimento do país. Prefere fazer de conta que tem dinheiro ou que lho emprestam, para fazer as grandes obras públicas.

 

Só tem um objectivo, lançar as obras públicas, pouco lhe interessando quem terá que fechar a luz, quando sair.

 

A oposição terá nesta matéria um papel de grande interesse nacional, obrigando o governo a apresentar razões e estudos que mostrem a viabilidade dos projectos.

 

Ninguem compreenderia que assim não fosse!

Comments

  1. Zé da Burra o Alentejano says:

    A democracia é isso mesmo: uma permanente negociação entre os diversos interesses e sensibilidades que estão representados na Assembleia. Maiorias absolutas são “ditaduras eleitas democraticamente” que nunca devemos defender. Não nos esqueçamos que Hitler chegou democraticamente ao poder na Alemanha.

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