Estranhas aventuras… pela Economia.

A economia interessa-me, mesmo não sendo um tema que me atraia muito. Aliás, o mais interessante no tema economia é poder estar em contacto com algo que não é natural e totalmente anormal. É só para fugir um pouco à rotina.

O principal problema é que me causa uma certa bipolaridade linguística.

Numa situação normal, no dia-a-dia dos empregos, se eu tenho um problema falo com o meu chefe. Mas na realidade económica, tudo é muito mais estranho e parece que se é transportado para um universo paralelo. No planeta-economia, quando se tem um problema no emprego, obrigatoriamente tem de se marcar um reunião. Aliás, há empresas que têm casas-de-banho nas salas de reunião, tal é a enormidade de tempo que o pessoal lá passa. Marcada a reunião com o CEO e ouvidas as exigências do assalariado, o CEO pergunta ao funcionário se ele sabe o que quer dizer lay-off. Chateado, o funcionário relembra-lhe que na perspectiva da empresa se tornar um dos key-players do mercado, a estratégia passou por recorrer ao outsourcing e que esse é o caso dele. Se tivesse algum problema com as suas prestações laborais que fizesse uma exposição ao General Manager ou então que financiasse uma temporada com um Business Coach para se manter up-to-date. Sendo que o CEO era um homem já bastante rotinado nos negócios do franchising de "one-stop-shops", não gostou da atitude de afronta do funcionário e relembrou-lhe que o feedback que tem tido das suas prestações não tem sido positivo apesar do know-how disponibilizado pela empresa…

Isto foi há duas semanas e a reunião ainda continua…

Agora o assunto económico sério: 

Estava eu a dar uma vista de olhos no Jornal de Negócios, quando encontro este artigo do Francesco P. Marconi, “Do "Homo Economicus" ao "Homer Economicus"”.

Depois de uma historieta sobre economia e desenhos animados (não serão a mesma coisa, mas para públicos diferentes?!) vem a parte sumarenta: a crise atirou com a credibilidade da economia ao tapete. Engraçado, ainda não tinha reparado. Então o que fazer com esta situação e como melhorar a prestação da economia na realidade do dia-a-dia?

 

“Uma das tendências que se tem vindo a desenhar no mundo académico é a da economia comportamental, que, integrando a psicologia na economia clássica, estuda como é que os agentes económicos reais tomam decisões, e cria instrumentos para os induzir a agir com mais racionalidade.”

Na realidade das pessoas normais, que não pensam constantemente em pontos percentuais, o que raios quererá isto dizer? Francesco P. Marconi elucida novamente:

 

“Um simples exemplo: dizem os economistas comportamentais que a experiência laboratorial mostra que, quando recebemos uma grande quantidade de dinheiro, temos tendência a poupar; pelo contrário se a recebermos em pequenas parcelas aumentamos o nosso consumo.”

Alguém tem de explicar como as coisas realmente funcionam na vida real, fora dos cúbiculos com ar condicionado onde os economistas passam a vida reunidos. Vou tentar explicar este exemplo do ponto de vista do cidadão comum, sem usar o termo “experiência laboratorial” porque me lembra de cobaias e não de pessoas.

“Um simples exemplo: dizem os economistas comportamentais que quando alguém recebe uma pipa de massa, gasta que se farta em tudo o que lhe apetece para massajar o ego e ainda lhe sobra montes de pasta para meter em PPR’s; pelo contrário se recebermos de ordenado o que alguém gasta só para mandar polir o Rolls Royce, temos tendência a pagar as continhas todas ao fim do mês e a gastar o resto que sobra em três cafés e um pacote de chicletes”.

Francesco P. Marconi e caros companheiros da economia: aparentemente, vocês não batem muito bem da bola e confundem alhos com bugalhos. Vão tomar um Core-Business ou fumar uma Joint Venture que isso passa-vos.

 

Comments


  1. Isac, está o máximo. Só te esqueceste de dizer que acima de um determinado nível, os aumentos são poupanças e abaixo desse nível os aumentos são consumo.É por isso que os gestores e milionários podem ganhar o dinheiro todo que não aquece nem arrefece.