O paraíso socrático na bancarrota

Os sinais começam, ainda envergonhados, a vir à luz do dia.

 

Hoje no (i) Martim Avilez Figueiredo já lhe coloca o ferro a arder.  "…é indispensável que os portugueses se insurjam. Portugal está na bancarrota e ninguem parece preocupado. Devia estar. A situação é dramática"

 

Ontem já Vítor Constâncio, a "caixa de ressonância do governo" veio anunciar, como quem não quer a coisa, que o aumento de impostos é  inevitável.

 

A propaganda do governo, está a passar à segunda fase da sua política de gerir as expectativas. Face à verdade, nua e crua, põe os segundos tenentes a anunciar a má nova, enquanto Sócrates e o Teixeira dos Santos vão mudando o vocabulário.

 

Aumentar os impostos eis a solução  inovadora proposta por Sócrates, quando se sabe que já são os portugueses os europeus a quem é exigido o maior esforço fiscal.

 

O país está a chegar a uma situação onde nunca chegou, e não culpem só a crise. O PS está no governo desde 1996 (com a ausência de 2,5 anos).

 

O buraco são sete  mil milhões. Faltam milhões de euros para as despesas do Estado e faltam ideias para resolver os 8% do défice. O desemprego não pára de subir, como se vê, diariamente, com as falências das empresas e já vai em 10%, se é que não ultrapassou (basta contar com quem não tem emprego mas não conta para o desemprego).

 

A dívida pública é de tal maneira monstruosa que o governo nunca fala dela, mas é tão real como Sócrates perder grande parte da credibilidade, com as trapalhadas em que se envolve (ou em que se deixa envolver).

 

 O governo jura que não vão subir impostos mas o governador do Banco de Portugal dá uma ajuda : não há alternativa. É ultrajante. Sócrates não encontra solução para Portugal. Mas se Sócrates não encontra solução para o país e é primeiro-ministro, quem encontra?

 

Na Europa discute-se relançar a economia com uma poderosa reforma fiscal – pôr tudo em causa. E há mais alternativas que na Europa se discutem, mas que não passam pelos TGVs e por mais autoestradas. Nenhuma fará milagres, mas é criminoso ver o país à beira da bancarrota e fingir que não se passa nada!