Palavras do Aventar – Jogo da Educação

Porque hoje é sexta-feira e porque é necessário descontrair… aqui fica um pequeno jogo de palavras em torno da educação e dos seus agentes.

Podem usar mas, por favor, não façam batota. Não adianta tentarem, nós vamos perceber.

A cábula está lá, basta clicar nas células de texto, que são editáveis.

Para jogar, basta clicar: palavras_do_aventar

Se for professor e fizer o jogo de forma limpa, completa e à primeira (não é difícil), talvez nem tenha de passar pelos diversos passos da avaliação.

Se falhar, vamos preparar uma manifestação com muita gente a gritar fascista e afins.

i se as audiências forem…

…abaixo de cão? E se a média nacional de vendas não ultrapassar os 10 mil exemplares? i se o Grupo Lena se fartar de ver o dinheiro a ir pelo cano?

Vaias e sondagens

Sócrates, Maria de Lurdes e Teixeira dos Santos foram violentamente vaiados na Escola António Arroios. No mesmo dia em que as sondagens dão resultados cada vez mais problemáticos para o PS. É normal que seja assim. Não se pode enganar toda a gente o tempo todo. Os casos que envolvem o PM estão a fazer o seu caminho e é um caminho sem retorno. Hoje já muitos percebem – este caso Lopes da Mota é esclarecedor – que não é preciso ser condenado em Tribunal para se ter uma opinião sobre o carácter de uma pessoa. Continuam a ser inocentes perante a Justiça mas não se podem ignorar os papéis que desaparecem, os que são destruídos, as casas a metade do preço, os mega projectos autorizados à pressa e com decisões no mínimo discutíveis.
É preciso arrepiar caminho quanto às políticas deste governo.Quem chamou a atenção para o dinheiro que ía para os bancos, que esse dinheiro nunca chegaria à economia real, vê agora com desgosto o governo em pânico sem saber como sair dos buracos que ele próprio criou.
Oxalá ainda se vá a tempo de impedir essas tragédias que são os TGVs, as autoestradas em triplicado, os aeroportos megalómanos, as pontes que trazem mais carros para dentro da cidade e que descaracterizam para sempre o mais belo estuário do mundo.
Tenho vindo a apresentar um conjunto de artigos sobre o “Hypercluster do mar“. Custa a acreditar que este país, com todas as condições para liderar nas actividades do mar, não dê prioridade ao mar.
E, no entanto, sabemos as razões. É fácil construir betão e comprar maquinaria lá fora. É bem mais dificil fazer um trabalho sério e continuado em matérias que exigem saber!

O «mensalão» de Freitas do Amaral

Segundo o «Sol», Freitas do Amaral vai voltar. Aliás, ele volta sempre. Quem não se lembra quando, aqui há uns anos, voltou à Assembleia da República durnte dois meses, só para cumprir o tempo que lhe faltava para ter direito a uma reforma dourada e vitalícia como Deputado?
Com este Governo, nunca falta trabalho a Freitas do Amaral. Também, o homem desdobra-se em elogios constantes e mirabolantes ao primeiro-ministro e, que diabo!, tem de ser recompensado de alguma forma.
Desta vez, foi encarregado de rever a legislação sobre Fundações. Por esse trabalho, vai receber 5 mil euros mensais. Mil contos na moeda antiga, 12 mil contos + IVA no final do contrato, que vai ter a duração de doze meses.
Estamos em presença, sem dúvida, de um génio. Que outro génio poderia conseguir um contrato destes em época de crise como a que vivemos? Melhor mesmo, só o ilustríssimo e também ele genial advogado João Pedroso e o seu famoso contrato com o Ministério da Educação.

Fascista e Artista

Eu sou profundamente anti-Sócrates, e todos os dias explico aqui as minhas razões. Mas chamar fascista a Sócrates para “dar” com astista, é falso e perigoso!
Não é poeta quem quer!

Colecta a favor do Dr. Vítor Constâncio

Depois de ler esta notícia, o Aventar vem propor que se organize uma colecta a favor do Governador do Banco de Portugal, Dr. Vítor Constâncio, e demais elementos do Conselho de Administração da Entidade Reguladora dos Bancos.
Com efeito, já vai ser o segundo ano consecutivo que o Dr. Vítor Constâncio não vai ter aumento de ordenado. Correm tempos difíceis no mundo e, para o Governador do Banco de Portugal, as coisas não devem andar nada fáceis. Por este andar, o seu poder de compra não vai parar de diminuir. Qualquer dia, está a ganhar tanto como o Presidente da Reserva Federal Norte-Americana!
A petição vai começar a circular em breve na internet.

BEM-VINDA

.

Bem vinda Ana Anes (http://www.anaanes.com/)

Esperam-se bons “post´s”

JM

Requiem pela Ministra da Educação (I)

Maria de Lurdes Rodrigues foi professora primária. Seja porque teima em esconder esse facto do seu «curriculum» oficial (terá vergonha?), seja porque a subserviente comunicação social portuguesa nunca se interessou pelo assunto, o certo é que gostaria de saber mais sobre o seu desempenho no ensino real. Foi uma professora exemplar? Não chumbava alunos? Utilizava métodos inovadores? Tinha uma boa relação pedagógica com os alunos? Algum desses alunos se lembrará dela? Foi avaliada? E se não foi, a culpa foi sua?
À falta destes elementos, tenho de me limitar a avaliar o seu desempenho, como ministra da Educação, entre 2005 e 2008. Não tenho dúvidas de que uma grande parte da sociedade portuguesa bateu palmas à sua actuação, mas, para aqueles que vêem para lá do folclore político, o seu mandato deixou muito a desejar. Resumiria o seu mandato de três anos numa frase: uma mão cheia de nada, outra de coisa nenhuma.
Os principais problemas do sistema educativo mantiveram-se e nada a ministra fez para a sua resolução. Os programas continuam completamente desfasados da realidade, tanto em termos de dimensão como de conteúdos. Os manuais escolares apresentam erros graves e os seus preços são exorbitantes. Continua a haver turmas com mais de trinta alunos em salas de aula sem as mínimas condições. Psicólogo nas escolas, para já não falar em assistente social, continua a ser uma miragem para a maior parte dos Agrupamentos. Continua a haver falta de funcionários e cada vez são mais os tarefeiros, que chegam a ter horários de uma hora por dia. Os Quadros das Escolas continuam sem ser devidamente preenchidos, daí a necessidade de chamar professores contratados, num processo que chega a demorar um mês (período durante o qual os alunos não têm aula à respectiva disciplina).
Podia continuar com dezenas de exemplos daquilo que devia ter sido prioritário para este ministério. Porque, no sistema educativo, nada há mais importante do que os alunos. É por eles e para eles que tudo existe. E são eles os únicos prejudicados pelas situações que referi anteriormente.
Se nestes casos o ministério nada fez para resolver os problemas, houve casos em que os piorou. Foi o caso dos cerca de quarenta mil miúdos com Necessidades Educativas Especiais que, por razões economicistas, perderam o apoio de que usufruíam. Foi também o caso dos professores do Ensino Especial, cuja especialização deixou de ser uma obrigatoriedade. Qualquer um pode encarregar-se desses alunos.
Foi o caso da obsessão pelas estatísticas. Ao ponto de facilitar até ao enjoo os exames nacionais, para se poder dizer que a sua política foi um sucesso. O objectivo, já o assumiu, é acabar com as reprovações dos alunos. Resultado: hoje em dia um aluno pode transitar sem ter nenhuma positiva. NENHUMA!
Foi, ainda, o caso do Estatuto do Aluno, que, ao contrário do que se tem dito, e ao contrário do que os alunos pensam, é muito mais permissivo do que o anterior. O anterior Estatuto, publicado pelo ministro David Justino, previa a expulsão do aluno como medida disciplinar sancionatória, no caso de esse aluno estar fora da escolaridade obrigatória. Nesse ano lectivo, o aluno ficava imediatamente retido e não podia inscrever-se noutra escola. O actual Estatuto do Aluno elimina essa sanção e a transferência passa a ser a pena máxima, mas apenas se a Direcção-Regional de Educação concordar.
Segundo o anterior Estatuto do Aluno, o Conselho de Turma (conjunto dos professores da turma) podia ser chamado a decidir da suspensão do aluno entre 5 a 10 dias. Com o actual Estatuto, essa participação dos professores, afinal aqueles que conhecem o aluno, é simplesmente revogada. A partir de agora, o Director «pode previamente ouvir os professores da turma». Nem sequer é obrigado a ouvi-los.
E depois há a questão das faltas. No Estatuto anterior, quando ultrapassavam o limite de faltas injustificadas, os alunos ficavam retidos ou eram desde logo excluídos, se estivessem fora da escolaridade obrigatória. Agora, podem faltar o que quiserem que têm direito a uma prova de recuperação, «independentemente da natureza das faltas». Ou seja, faltar porque se foi operado ou faltar porque se foi para o café é exactamente a mesma coisa. E se o aluno reprovar na prova de recuperação, ainda pode ver as suas faltas justificadas e ainda pode ter direito a uma nova prova de recuperação.
Ou seja, não interessa se os alunos se esforçam ou não, se cumprem os seus deveres ou não. Porque quem se balda obtém os mesmos resultados do que aqueles que se esforçam. Afinal, o que interessa é acabar com os chumbos.
Como é óbvio, os alunos que se esforçam, mas não conseguem, é que deviam ser apoiados com aulas de recuperação constantes às disciplinas em que têm dificuldades, em vez da fantochada que, hoje em dia, continuam a ser as aulas de substituição. Outro dos problemas criado pelo ministério que em nada veio ajudar os alunos.
É tempo perdido para os alunos, que nada aprendem enquanto estão nessas aulas. O que vêem à sua frente é um professor que não conhecem, que não respeitam e que nada percebe daquela disciplina, mesmo que leve uma ficha de trabalho deixada pelo colega em falta. Admito aula de substituição no caso de ser leccionada por um professor da disciplina. Nada mais.
Curiosamente, porque o professor tem de estar na escola um número determinado de horas, é colocado em aulas de substituição, ou então na Biblioteca, Sala de Estudo, etc.. Se está em aula de substituição e nenhum colega falta, fica na Sala de Professores, duas horas ou mais, sem fazer nada. Se vai para a Biblioteca, Sala de Estudo, etc.., nada tem para fazer, porque os alunos estão em aula ou em substituição, por isso não podem sair da sala. Não seria difícil aproveitar melhor o trabalho dos professores de forma a beneficiar também os alunos, sobretudo através de aulas de apoio individuais para todos os que precisassem.
Depois, há outras medidas que se podiam ter revelado positivas, mas a sua implementação não o permitiu. É o caso do Inglês desde a 1.ª Classe. Acontece que é uma AEC (Actividade Extra-Curricular) e, logo, não-obrigatória. Os alunos chegam ao 5.º Ano com ritmos totalmente diferentes. Alguns tiveram quatro anos de Inglês, outros não tiveram nenhum. E os que tiveram quatro anos, voltam a levar com a iniciação, como se partissem do zero – daí à desmotivação, vai um pequeno passo. Daqui a uns anos se verão os resultados.
Para além disso, muitas aulas são dadas na cantina, no ginásio, no contentor, onde quer que seja. E tudo é feito à custa de professores com recibo verde, que por vezes recebem 5 euros por hora, mas apenas as horas efectivamente leccionadas. É feriado e não há aulas? Tem de acompanhar o filho recém-nascido à consulta na Maternidade? Tem de ir ao funeral do pai? Azar, será descontado. Dir-se-á que a culpa é dos municípios, mas quem fez a lei foi o Governo.

(continua)

De volta ao mar – Quintas marítimas


Para as pescas, aquicultura e indústria de pescado, importa definir e delimitar áreas de potencial aquícola, para posterior concessão, bem como áreas ambientalmente protegidas à escala nacional (incluindo os Açores e a Madeira). É proposta a criação e promoção de “Regiões Piscícolas Demarcadas”, o fomento da cadeia de valor do pescado português, a reconfiguração da indústria de transformação do pescado e a modernização da frota pesqueira.

IDENTIDADE MARÍTIMA
Deve ser criado um plano sistemático de cariz educativo e formativo para recuperar e promover a identidade marítima da sociedade portuguesa que revitalize a cultura marítima como parte do património português mais valioso. Assim como devem ser desenvolvidos planos sistemáticos de comunicação, conferências,congressos ou temas académicos que identifiquem Portugal com o mar, lançando marcas associadas a esta área!

Um cenário mais negro

O cenário já não era agradável. Progressivamente ganha contornos ainda mais negros. Os últimos dados oficiais do número de desempregados não representam grande novidade, já eram esperados, mas assustam.

Os 491 mil desempregados registados nos centros de emprego no final de Abril são o valor mais elevado dos últimos 35 anos, diz o Público. Isto, como se imagina, não é nada bom. Em termos sociais e de recuperação da auto-estima de um país em depressão. Para já não falar da recuperação da economia. Mais desempregados significa menos dinheiro, e menos dinheiro significa menos consumo, e menos consumo significa um acentuar da crise na economia nacional.

Em termos simplistas as coisas são assim. E são más.

Sinais da terceira vaga

A Srª ministra terá dito por aí que a avaliação estava em curso e que isso seria uma reforma ganha.
Procurou também dizer que nunca tratou mal os docentes e que só falhou quando não conseguiu desmontar esta imagem.
Eu diria, que mais uma vez estamos perante um ataque mediático da equipa socrática – o risco de uma terceira onda de indignação nas ruas de Lisboa seria um desastre para ela, mas principalmente para todo o governo e por isso temos novo ataque (des)informativo.
Assinalámos desta forma o arranque da campanha pró-Maria de Lurdes onde se vai tentar mostrar que tudo o que foi feito até aqui foi um sucesso: avaliação foi o pontapé de saída e sobre esse, deixo o riso do Ricardo.
Obviamente, a entrega de objectivos aqui está a ser usada como arma de arremesso – fica assim claro que uns fizeram o jogo da ministra. Claramente. PONTO.
Voltando à campanha mediática, penso que temos duas semanas para mostrar que não nos vamos amedrontar com mentiras. Vamos arrancar no dia 26 para Lisboa, onde no dia 30 vamos voltar a descer a Avenida da (NOSSA) Liberdade. Respondendo a Paulo Guinote, só podemos dizer: “Sim, percebemos a Mensagem – só há uma maneira de tudo o que diz a Ministra ser mentira – indo a Lisboa dia 30!

30 de Maio de 2009

30 de Maio de 2009

Cosmética na Imigração

Limite de vistos sem efeito prático. Desde 2004 que não é alcançado. Em vez dos 8 600 postos de trabalho disponíveis em 2008, para este ano o Governo ficou-se pelos 3 800. Mas nem estes vão ser necessários.
A verdade é que o nosso país deixou de ser simpático para os estrangeiros extracomunitários. Portugal não cresce, a actividade económica tem vindo a perder gás e há países recentes na UE que já nos ultrapassaram! Mas fica sempre bem a ideia de que Portugal é um país procurado, recebe imigrantes, tem postos de trabalho para serem ocupados, somos um país decente, não fechamos as portas a ninguém, não nos esquecemos dos nossos compatriotas que demandaram a Europa nos anos 60.
Claro que estas quotas são flexíveis, se os empresários precisarem de mão de obra, sempre se podem modificar. O Governo diz que não, a mensagem é que somos um país aberto à verdade do mercado, não somos um país de portas abertas sem restrições.
Bem, resta-nos como consolação a Itália de Berlusconi que já tentou colocar em Lei a obrigação dos funcionários públicos denunciar os clandestinos. Não somos os últimos na xenofobia que a crise descobre!

Ana Anes no Aventar?

Eu estou num blogue onde está a Ana Anes?

Meu deus, se o Jorge Fiel descobre, lá se vai o Sinaleiro da lista de links do Lavandaria…A ilustre Ana Anes no Aventar? Estou sem palavras e por isso mesmo antecipo, com toda a força, as boas-vindas. Venham de lá essas polémicas!

Um must!

Ana Anes na SIC


A aventadora Ana Anes, a mais recente aquisição e reforço do Aventar, estará hoje no programa Aqui e Agora, às 21.15 horas, na SIC! Não deixe de ver!
E a seguir avente!

Microsoft e Apple: acabaram as tréguas

applevswin2

E, de repente, as tréguas acabaram. Com Steve Jobs, o seu general e guru, em casa, a tratar um problema hormonal, a Apple distraiu-se. Ficou à sombra do sucesso do iPhone, iPod e companhia e não deu pela mudança de estratégia da Microsoft.

A companhia de Redmond teve um ano de 2008 para esquecer. O sistema operativo Vista, lançado em 2007 mas com os olhos colocados em 2008, foi um fracasso de vendas, com particular expressão no mercado empresarial, precisamente aquele onde a empresa mais aposta. No início deste ano, a multinacional agora liderada por Steve Balmer fez o seu primeiro despedimento em massa, enviando cinco mil pessoas para casa.

Longe de um qualquer abismo, mas perto de mais um desastre, a Microsoft fez o que tinha de fazer: partir ao ataque. O alvo estava, há muito, definido: a Apple. A estratégia não foi inovadora mas foi agressiva. A Microsoft criou o “Laptop Hunter”, uma campanha publicitária diferente dos habituais spots promocionais. A empresa colocou diversas pessoas a fazer uma “caça ao portátil”, denunciando os equipamentos da marca da maça como demasiado caros e apontando os utilizadores de Mac como elitistas que compram gadgets como uma afirmação de estilo. A campanha fez-se – e ainda se faz – com diversas intervenientes na busca. Ao que revelam os resultados, a estratégia está a ser bem sucedida.

De tal forma que a Apple teve de reagir, lançando spots publicitários que defendem os Mac como produtos estáveis e isentos de vírus. Quase todos os anos, a Apple lança uma nova versão do seu sistema operativo, mantendo uma estratégia comercial simples: alguns melhoramentos, aplicações integradas que cobrem diversas áreas e preços acessíveis, motivando os clientes a actualizarem os seus sistemas.

Já a Microsoft usa e abusa de uma política comercial demasiado agressiva, mesmo, ou sobretudo, para quem tem 88 por cento do mercado dos sistemas operativos. Assumindo, ainda que indirectamente, o fracasso do Vista, alvo de inúmeras críticas pela pobreza técnica, a Microsoft está a tentar emendar os erros com o Windows 7. O novo sistema foi recebido de forma positiva, como um renascimento. Uma espécie de prolongamento do XP e após um intervalo chamado Vista.

Na realidade, o 7 é o sistema operativo mais escrutinado, porque, desta vez, a empresa soube ouvir o mercado de forma séria. No entanto, não é possível deixar de olhar para esta proposta como uma grande actualização do Vista, uma espécie de “service pack plus”, enfim, o emendar dos erros cometidos. Uma circunstância que veio criar uma expectativa quanto aos preços de venda que a Microsoft aplicará no próximo ano, depois de terminar a fase experimental. Os primeiros sinais não são positivos. Há notícias, com base em fontes não oficiais, que indicam ser propósito de Balmer e companhia cobrar mais pelo 7 do que cobrou pelo Vista. A confirmar-se, os clientes vão pagar duas vezes um sistema operativo.

Com 1 por cento mundial do mercado de sistemas operativos, mas com grande estabilidade, reunindo já inúmeras aplicações de qualidade, diversas versões com capacidade para agradar a todos e actualmente com grande facilidade de utilização, o Linux começa a aparecer-me cada vez mais atraente. E não só a mim.

P.S. Depois de um primeiro anúncio lançado há meses no Japão, a Google, a actual grande potencia mundial, colocou o mesmo anúncio nas televisões dos EUA. O spot promove o Chrome, o navegador de internet que a empresa lançou em Setembro passado. Hoje, não chega a 1 por cento de utilizadores em todo o mundo. Posso estar enganado mas dentro de um ano deve chegar aos 5 por cento. Isto é muito e é importante.

Ou como o Jugular gostava de jugular o 5 Dias

Afastado que ando, por vontade própria, das luzes da ribalta, no blogue colectivo Aventar, uma criança que tem apenas mês e meio de vida, tenho acompanhado, divertido, toda esta questão acerca dos «posts» que o Paulo Pinto quer ver retirados do «5 Dias». O Paulo Pinto e, ao que parece, outros elementos hoje integrados no Jugular.
Vocês sabem que eu não descansava se não metesse o bedelho. Isso e o facto de a questão me dizer directamente respeito levou-me a escrever este «post». Nada mais direi sobre esta questão para além disto.
Como muito bem diz a Maria João Pires, tudo começou com um comentário indevidamente aprovado a um «post» da Fernanda Câncio com um texto do padre Anselmo Borges. Um comentário que foi imediatamente retirado e que dizia, por outras palavras, que o referido padre é um putanheiro.
Ainda estava no «5 Dias» na altura e, apesar de não ter sido eu a aprovar o comentário, foi meu entendimento – e continua a ser – que os leitores têm todo o direito de ver os seus comentários aprovados, até porque muitos deles chegam aos blogues por mero acaso e nada sabem das «tricas» da blogosfera. Os «posts» estão lá e, se estão lá, é para serem comentados.
Infelizmente, não foi esse o entendimento dos elementos mais antigos
do «5 Dias» e, internamente, foi dada indicação para não serem aprovados comentários a «posts» de antigos elementos. Infelizmente
também, o WordPress apresenta muitas lacunas e uma delas é
precisamente não indicar, no painel dos «posts», o nome do respectivo
autor. É possível saber, como é óbvio, mas perde-se muito tempo.
No Aventar, com mês e meio de vida apenas, deparo-me com esse
problema. Que dizer então do 5 Dias, com quase quatro anos de
publicação e milhares de «posts» on-line? O certo é que esta questão
acabou por provocar a minha saída deste blogue, sobretudo por causa
das reacções em cadeia ao caso do padre Anselmo, sobretudo por parte do «Grande Bardo».
Pouco tempo depois do caso do padre Anselmo, o Rogério da Costa Pereira pediu que os seus textos fossem retirados do «5 Dias», mas como é hábito, ninguém lhe ligou.
Desta vez, foi o Paulo Pinto a fazer o mesmo, sem que eu perceba muito bem como é que, desta vez, tudo começou. E é curioso estes pedidos virem da parte dos dois ex-elementos cujos textos são, precisamente, os mais dispensáveis dos Arquivos do «5 Dias». Estarem
ou não estarem nos Arquivos, para o «5 Dias», é exactamente a mesma coisa. Fazem tanta falta como os textos da Levina Valentim.
O mesmo não poderei dizer dos textos do Rui Tavares, da Joana Amaral
Dias, do Luís Rainha, da Fernanda Câncio, da Palmira Silva ou da Ana Matos Pires, só para dar alguns exemplos. Sem querer ser imodesto, o mesmo não poderei dizer dos meus próprios textos.
Mas a questão nem sequer é a importância ou não de um determinado
conjunto de textos. Em meu entender, é uma questão de princípio. Para mim, a partir do momento em que publiquei um texto num blogue, esse texto é desse blogue. Posso publicá-lo noutros blogues, se assim o entender, mas não é por isso que tenho o direito de privar o blogue
inicial de um texto que aí livremente publiquei. Não sei o que diz a
lei, mas, moralmente, é assim.
Foi por isso que, na caixa de comentários do Jugular, aconselhei o
Paulo Pinto a recorrer a vias judiciais. Como resposta, o Paulo Pinto
revelou de forma despropositada o conteúdo de um e-mail que fora
enviado em privado para um elemento do Jugular. Tentei fazer ver que
esse procedimento não era correcto, mas sem êxito. Ana Matos Pires
acusou-me erradamente de estar a fazer ameaças por eu dizer que nunca revelaria as minhas mensagens privadas com outro elemento do Jugular, quando era precisamente o contrário – só queria com isso dizer que nunca faria isso porque não sou como o Paulo Pinto; e o mesmo Paulo Pinto mandou-me «comer palha que pareces estar com fome».
Acabou aí a conversa com o Jugular, como não poderia deixar de ser.
Mas o ultimato feito por alguns elementos desse blogue levou-me a vir aqui com este assunto. Para dizer apenas que tenho muito gosto que os meus textos, tanto os excelentes como os bons, permaneçam nos Arquivos do «5 Dias». Para dizer que, apesar de serem meus e, por isso, passíveis de serem publicados noutros locais, o «5 Dias» poderá usá-los da forma que entender. Para dizer que estão à disposição de todos os leitores que os quiserem comentar.
Ser uma figura de culto da blogosfera traz-me responsabilidades acrescidas. Devo cultivar a humildade e a modéstia. Não quero ser uma
Prima Donna, nem quero que a fama me suba à cabeça. Por isso é que
nunca pediria que os meus textos fossem retirados de um blogue, por mais problemas que tivesse com os meus ex-colegas. Nunca iria morder a mão que um dia me alimentou.
Como entender, por isso, que alguém que na blogosfera não é nada tenha, sem mais nem menos, esse tipo de atitudes?

Ricardo Santos Pinto / r.

Nota: Depois de escrever este texto, os «posts» dos actuais jugulares foram mesmo retirados do «5 Dias». Discordo completamente, mas é lá com eles.
Curiosamente, logo hoje, acerca da morte de João Bénard da Costa, fui ao «5 Dias» procurar um «post» que na altura a Maria João Pires escreveu sobre umas infelizes declarações dele acerca de Isabel Pires de Lima. Resultado: não encontrado. Nem o «post» nem, como é óbvio, os comentários.
Qual não é o meu espanto quando procuro no Google e encontro esse «post» no… Jugular. Escrito em Junho de 2008, como se nessa altura já existisse Jugular. Lol, pelo que vejo, esse blogue já começou em… Fevereiro de 2007! Eh, eh, isso é que é reescrever a história! Pois, os Arquivos dos autores saídos para o Jugular foram disponibilizados pelo «5 Dias», sem problemas, logo na altura. Se não tivessem sido, será que agora eles pediam para retirá-los?
E assim se fez luz sobre todo este caso. A única intenção do Jugular, afinal, é precisamente aumentar as suas audiências e tentar ultrapassar o «5 Dias», algo que nunca conseguiu.
Só dessa forma o conseguiremos – centenas de artigos passam a estar apenas no «Jugular» e já não no «5 Dias» – pensam aquelas cabeças, que já há meses deviam estar a congeminar isto. É agora que os vamos jugular!
Está tudo explicado!

«Há algo que o tempo tem os limites certos»

Frase escolhida do «post» anterior.
Não se pode transformar isto no Hino do Ministério da Educação?

«Temos hoje milhares de professores a fazer avaliação» (eh eh, e digo isto sem me rir)

Diz hoje a ministra da Educação, no «Público», que a avaliação dos professores é uma reforma ganha. Diz também que há milhares de professores a serem avaliados. Foi bom ler esta notícia.
É que ainda não tinha dado por nada.
Partindo do princípio de que, para a ministra da Educação, ser avaliado é entregar um relatoriozito no final do ano com a auto-avaliação das actividades realizdas ao longo do ano, então está bem, os professores foram avaliados este ano. Tão avaliados como nos últimos 30 anos, mas está bem!)
Talvez por estarmos no final da legislatura, anda apuradíssimo o sentido de humor da ministra da Educação. Maior sentido de humor só o mesmo o de Margarida Moreira, a poetisa da DREN:

«Caras e caros colegas,
Faz hoje 4 Anos [de mandato].
Tem dias que parece que o tempo se emaranhou nas coisas e nas pessoas.
Tem outros dias em que tudo parece ter ocorrido ontem.
Contudo há algo que o tempo tem os limites certos.
Foram quatro anos bons de amizade, de solidariedade e de prazer de poder contar com o vosso profissionalismo e apoio.»

Haverá melhor sentido de humor do que este?

a questão transversal

reserva-privacidade

Nesta questão da professora que foi gravada na aula por uma aluna, eu vejo de forma transversal uma outra. Não é a questão do excessivo floclore televisivo da praxe. Não é como um professor deve ser. Não é a questão de este país se estar (novamente) a tornar num país de “bufos”. Não é a questão partidária. Não é a questão se os comentários da professora são próprios ou não. Tudo isso foi bem analisado e se calhar até em demasia, por toda a imprensa e blogosfera. Aqui a questão transversal é a privacidade. Entramos em campos muito perigosos e instáveis.
O comportamento da professora é igual num contexto de privacidade e num contexto social? O nosso comportamento é igual em casa e no trabalho? Mas mais importante do que isso: deve-se divulgar o comportamento pessoal num contexto de privacidade? Onde termina a privacidade e como se pode impedir que a mesma seja exposta em praça pública? Este caso vem cimentar a minha opinião, que neste momento, a privacidade termina onde os outros acham que deve terminar. Tecnologicamente quase que já não nos é possível impedir a intromissão. Gravadores, telemóveis, web cams e afins estão totalmente dissimulados pela sociedade, portanto o impeditivo começa a residir mais na vontade de outra pessoa o fazer ou não, do que no próprio indivíduo. Não há nada a fazer quanto a isto. É a evolução tecnológica. E está a chegar à “bufaria”.
Se o mesmo gravador utilizado na sala de aula percorrer os diversos sectores de actividades portugueses vamos ter todos uma enorme surpresa. Ficam algumas questões por fazer. Nos corredores da Assembleia da República utiliza-se a mesma linguagem do plenário? Os nossos representantes falam sempre daquela forma coloquial? Devo gravar a conversa com um polícia quando estiver a ser multado? Devo gravar a conversa quando for às Finanças tratar de algum assunto? Devo gravar a conversa com o gestor de conta no banco? Devo gravar a conversa com o meu patrão? Devo gravar a conversa quando vou a uma entrevista de emprego? Se, como nesta situação, a gravação de uma eventual conversa me beneficiar de alguma forma, nem que seja prejudicando quem está do lado de lá, expondo-o publicamente, então parece que está respondido.

Ainda me lembro vagamente duma célebre conversa “off the record” em que um treinador de futebol dizia que “se soubesse que esta merda acabava amanhã, ia por aí abaixo (ao sul) e limpava o sebo a uma data deles”. Qualquer coisa como isto.
À parte da avaliação do comportamento da professora, à parte da complexa questão deontológica jornalística, à parte da inevitável comparação com o Dvd do Freeport, acho que fica uma questão importante de parte: a reserva da privacidade de cada indíviduo. O círculo de privacidade está cada vez mais pequeno. É que mesmo que a professora recorra a tribunais e ganhe a questão jurídica, nitidamente já a perdeu no campo pessoal.

A força dos Sindicatos de Professores

No último post sobre o tema apareceram por aqui uns controleiros alarmados porque me venho meter em cousa alheia. Mas, meus caros camaradas, a vida é mesmo isto e com controleiros ou sem eles é muito importante que todos os professores percebam claramente o que está a acontecer na FENPROF porque isso vai ter consequências na forma como nós nos vamos organizar nos próximos anos.

Ainda antes do 25 de Abril de 1974, os Grupos de Estudos dinamizados por Professores conseguiram junto do governo de então algumas conquistas importantes, como por exemplo, o direito ao pagamento de férias.

O movimento sindical começou por ser unitário, mas as derivas reaccionárias (como na altura se dizia) das estruturas mais próximas da Manuela Teixeira (SPZN / FNE) levaram os professores, “motivados” pelo PCP a avançar com a refundação do verdadeiro espírito de Abril, mas em projectos diferentes. Nos anos que se seguiram o crescimento dos sindicatos da FENPROF foi brutal, havendo no tempo de Cavaco Silva uma explosão dos micro-sindicatos (mais de dez), que verdadeiramente nunca chegaram a ter qualquer tipo de papel na classe. A FNE manteve uma enorme força no 1º ciclo e a FENPROF esmagou tudo e todos nos outros sectores. Em 150 000 docentes temos mais de metade sindicalizados:a FENPROF tem mais sócios que os outros todos juntos.

E a dimensão é uma das explicações para o sucesso que os sindicatos de professores historicamente sempre foram tendo. A outra vem pela capacidade de mobilização e de colocar em movimento uma massa humana que está muito longe de ser constituída por gente sem cérebro. Antes pelo contrário, a capacidade de pensar a Educação no seu todo e intervir nesse plano fez com que os Professores SEMPRE se sentissem identificados com os sindicatos, nomeadamente os da FENPROF.

Por outro lado, nos Sindicatos da FENPROF sempre houve a capacidade de integrar dois tipos de dirigentes: os “profissionais” e os “professores” – como qualquer organização a estabilidade é fundamental e por isso a permanência de alguns dirigentes durante muitos anos é uma ENORME vantagem e não um problema como muitos referem – veja-se o que acontece no clube que mais sucesso tem tido. Eu, professor que vai e vem, entre a Escola e o Sindicato, nunca teria a capacidade de pensar a organização, como ela precisa de ser pensada.

O último nível e talvez mais importante relaciona-se com a capacidade que os Sindicatos da FENPROF sempre tiveram de inserir nas suas direcções gente de todas as orientações politicas e até partidárias – a presença do PCP e de gente próxima do PCP sempre foi dominante, mas socialistas e sociais democratas sempre tiveram a possibilidade de actuar e trabalhar dentro da FENPROF. Nos últimos anos houve também uma presença cada vez mais forte de gente próxima do Bloco, mas…

Surpreendentemente, com a subida de Jerónimo ao poder no PCP, a estratégia mudou e os Dirigentes sindicais do PCP optaram por avançar numa cruzada contra os infiéis!
Ainda não consegui entender o que é que o PCP pretende com esta estratégia, mas tenho a certeza que está a fazer a aposta errada porque está a matar uma das marcas mais fortes do sindicalismo docente: a diversidade de opiniões.
Felizmente os professores parece que começam a perceber o que se passa e por isso no Sindicato dos Professores da Grande Lisboa o PCP voltou a perder!

Sabemos que eles (PCP!) não vão parar por aqui e isso pode ser o princípio do fim do sindicalismo docente, tal como o conhecemos, mas…

João Bénard da Costa (1935 – 2009)

Morreu hoje, com 74 anos de idade, João Bénard da Costa. Dados biográficos, podem ir vê-los à Wikipedia, mas, como é óbvio, a sua ligação ao cinema e à Cinemateca Portuguesa é incontornável.
Foi sempre polémico e a última polémica foi precisamente com Isabel Pires de Lima, ex-Ministra da Cultura. Nessa altura, e mesmo que o costume seja dizer bem de quem morre, foi extremamente deselegante e pedante com a antiga titular da pasta da Cultura.
Violentíssimo, Bénard da Costa disse-lhe: «Meta-se com gente do seu tamanho e haja respeitinho por quem não tem idade, nem percurso profissional, nem posição social para gastar mais cera com tão ruim defunta». Tudo porque Isabel Pires de Lima defendeu a criação de um pólo da Cinemateca no Porto e acusou Bénard da Costa de não o querer.
Terá sido o último episódio público de um grande português. Não apaga o seu passado, mas lamento que manche a sua memória.

De volta ao mar – Centros para náutica


Para impulsionar os desportos náuticos e a náutica de recreio e dinamizar actividades complementares (turismo de cruzeiros, ecoturismo e turismo de natureza), o projecto do Hypercluster da Economia do Mar propõe a criação de centros do mar, tais como a “Cidade Náutica do Atlântico” em Viana do Castelo – Valimar, o “Arco Ribeirinho Sul – Marina do Tejo”, entre Alcochete e o Seixal, o “Centro Náutico da Baía de Cascais”, entre Cascais e Lisboa, o “Porto do Barlavento”, entre Portimão e Lagos, as “Portas do Mar” em Ponta Delgada, ou a “Escala do Atlântico”, no Faial, Pico ou São Jorge.
Esta área exige a elaboração de um plano estratégico de localização e implantação de apoios à navegação de recreio, a dinamização da “Porta Marítima de Lisboa”, que funcionaria como um grande espaço de recepção, e um novo quadro legal relativo à construção e exploração de portos de recreio. (Prof. Ernâni Lopes e Expresso)

Há quem o veja no Benfica…

“Um casal norte-americano do Texas, Dan e Sara Bell, viram Jesus num pacote de snacks de queijo.” (DN)

Não quero afirmar com toda a certeza, porque os olhos enganam, mas estou quase a garantir que ainda ontem vi a Angelina Jolie numa nuvem. E estava a sorrir para mim.

Lopes da Mota tambem é primo?

“Usei o nome do meu primo, no Natal peço-lhe desculpa”, diz em primeira página Hugo Monteiro, no Expresso.
Se vai pedir desculpa é porque não devia ter usado. E para usar sem ter que pedir desculpa tinha que, prèviamente, pedir autorização!
Isto aplica-se a Lopes da Mota? É que o PGR prefere afastar o Eurojust do caso Freeport que afastar Lopes da Mota! Porque Sócrates já lhe aceitou as desculpas? Mas o PM num caso como este pode aceitar as desculpas de um magistrado, ou tem que proceder em conformidade?
Pode dizer (o Primeiro Ministro) “como somos do PS e já fomos do mesmo governo está tudo desculpado”!Pode? Não pode! Pode ao primo, mas não pode a um magistrado que ainda por cima é Presidente de um organismo internacional, nomeado pelo governo e que só lá está enquanto o Primeiro Ministro quiser! O primo usou como primo que, como se sabe, é coisa que não se escolhe.
Mas um magistrado, senhores? Há aqui qualquer coisa que me escapa!

Ministra da Educação pede desculpa aos professores…

por não ter "desmontado" as acusações de estar a atacar os professores.

Ser Professor

Ser Professor é ter a plena consciência que a tarefa não é um emprego mas uma missão. É saber conjugar um perfeito domínio da matéria com uma vasta cultura geral e ter um verdadeiro dom, o de saber transmitir com clareza, e sem subterfúgios, aquilo que é fundamental para a aprendizagem da outra parte. É conseguir agarrar uma turma com a dose certa de ensino e lazer, aprendizagem e divertimento. É saber impor regras e delas não abdicar em caso algum. É amar a profissão e não a ver como um mero emprego.
Ser Professor não é partilhar angústias pessoais ou aventuras sexuais. Ser Professor é saber dar-se ao respeito e não ser mais um imberbe que vai para a rua insultar grosseiramente um ministro. Ser Professor não é andar de cartazes em punho ao jeito das arruaças de uma qualquer claque de futebol. Ser Professor não é compatível com palhaçadas de rua ou de auditório de Prós e Contras vociferando impropérios a um ministério reconhecidamente incompetente.
Ser professor é saber respeitar e dar-se ao respeito. É ser exigente com os alunos e consigo. É ser inteligente na forma como procura defender os seus direitos e saber que estes não podem ser exigidos sem a correspondente obrigação de cumprir a sua missão. É ter a mesma postura quer esteja no ensino público quer no privado.
Nos últimos 20 anos a maioria daqueles que leccionam são tão ou mais incompetentes que o ministério que os tutela. São incompetentes pois não dominam as matérias para as quais foram contratados e olham para o ensino como um mero emprego. Esquecem que ser Professor é uma missão meritória que deve ser o orgulho de todos os agentes, directos e indirectos, da Educação. A Escola, por sua vez, tornou-se num albergue espanhol onde todos mandam: professores, alunos, encarregados de educação, auxiliares educativos, autarquias locais, associações e colectividades, ministério, etc. Onde “Aprender” e “Ensinar” deixaram de ser objectivos fundamentais e únicos, tendo sido substituídos por “Passar” e “Receber”.
Estamos entregues à bicharada. Todos? Todos não, os que não são pobres escapam graças ao ensino privado. O que é injusto e um retrocesso social e esse é o principal crime cometido no ensino público em Portugal e a responsabilidade é, sobretudo, dos Professores e do Ministério da Educação.

AS BUFAS CHIBARAM A SETÔRA

CRIME, I SAY!
Uma Professora, considerada por muitos dos seus alunos como a melhor da escola, e por outros, uma segunda mãe, foi “chibada” por duas mães, depois das respectivas filhas, terem gravado, sem consentimento, as palavras proferidas pela docente, palavras que estavam a ser dirigidas exclusivamente às alunas e alunos daquela sala do 7º ano de escolaridade, numa escola de Espinho.
Esta atitude das alunas, pode e deve ser considerada um crime punido com prisão até um ano de prisão, e que pode ser aumentado para dezasseis meses, se o acto da gravação tiver sido feito com o intuito de prejudicar a outra pessoa.
Parece estranho que, nem pais, nem o Conselho Directivo da escola, nem a DREN tenham achado mal que duas “crianças” de doze anos tenham praticado tal “crime”, nem que obviamente tenham sido industriadas para o fazer.
Não estou a tecer neste momento, considerandos sobre as atitudes da Professora, sobre o tema, ou sobre o tom das palavras, nem tão pouco sobre as aparentes ameaças que proferiu. Simplesmente me debruço sobre a educação que, pais, encarregados de educação, Conselho Directivo da escola, DREN, Ministério, etc., dão às crianças, ensinando-lhes que os meios justificam os fins, levando-as a acreditar que o crime compensa, ensinando-as a serem “bufos” iguais aos do tempo da “outra senhora”.
Que tipo de sociedade temos, que ensina tais coisas aos seus rebentos? Que tipo de gente estamos a formar? Que tipo de vida vamos ter no futuro? Que qualidades temos agora, para transmitir aos nossos filhos, sobrinhos e netos?
Em que raio de País se transformou o meu Portugal?

As Televisões, os jovens e a professora de Espinho

No ‘aventar’, o episódio da professora da Escola Sá Couto de Espinho já foi devidamente dissecado, e por quem sabe mais da matéria do que eu; o João Paulo, por exemplo. Limito-me a repetir a opinião de que a professora esteve mal, facilitando até as críticas dos detractores da luta dos professores. Foi um tiro no pé.

Mas o que me traz aqui não é propriamente o juízo sobre a atitude da professora e dos alunos. É, isso sim, o habitual comportamento sensacionalista das nossas televisões, as quais, ora uma, ora outra, têm dedicado ao assunto vários tempos de antena, em sucessivos noticiários. Desde que se fale de sexo, mesmo neste caso nada feliz, as imagens vendem e captam audiências. E este é o objectivo.

Hoje, depois do almoço, entrei num restaurante para tomar  café. Olhei para o ecrã e pronto: dentro da tal lógica do sensacionalismo e da luta, a qualquer preço, pelas audiências, lá estava a TVI com as imagens no ar da professora de Espinho, com o locutor a debitar aquilo que eu já ouvira não sei quantas vezes.

Não deixa de ser contraditório, sobretudo por parte da TVI, este prestimoso cuidado com os interesses da educação dos meninos na escola. De facto, a contradição ainda é mais grave, porque a dita TVI distribui, há anos, abundantes doses de ‘Morangos com açúcar’, cujo cenário principal é a escola, apresentada como espaço lúdico, propício a amores e desamores, paixões e jogos sensuais. Com tudo isto, os nossos jovens, mesmo de 12/13 anos e mais novos, têm beneficiado de prolongadas lições de namoricos e de aventuras mais atrevidas.

Do palavreado à vestimenta, dos diálogos aos penteados, ‘Morangos com açúcar’ é “boé fixe meu” – é o que me apetece dizer ao José Eduardo Moniz, pedindo-lhe, ao mesmo tempo, que se calem e deixem a professora de Espinho entregue ao processo que lhe foi instaurado. Presumo que, nesta hora, a suspensão já a sufoca.

A Irlanda, a blasfémia e os abusos sexuais endémicos

Por fim, percebo. Não conseguia chegar lá, confesso. Foram algumas horas de reflexão e leitura sem entender as razões que levariam a Irlanda a debater e a levar a votos uma lei para criminalizar a blasfémia. Sim, sei perfeitamente que a Irlanda é um país católico, muito católico. Mas também sei que estamos no século XXI. Portanto, a minha dúvida estava fundamentada. Porque haveria um país ocidental, da União Europeia, debater uma lei da idade das trevas? Uma lei que multa uma pessoa que publique ou profira blasfémias (ver definição abaixo).

Hoje, terá sido votada uma emenda para permitir a alguém acusado de tal infâmia a possibilidade de se defender, com a ideia de provar que uma pessoa razoável encontra genuíno valor literário, artístico, político, científico ou académico no acto blasfemo. O acusado, sim, é que tem de provar tal feito. E quem pode ser acusador? Um qualquer indivíduo que se ofenda. Há mesmo quem proponha a criminalização do ateísmo.

Até hoje não tinha percebido porque é que isto acontecia. Hoje percebi. Hoje o The Guardian informa-me que “a violação e os abusos sexuais eram “endémicos” nas escolas e orfanatos da Igreja Católica irlandesa”. Esta foi a conclusão de um relatório, divulgado hoje, fruto de uma investigação de nove anos. O documento refere que os padres e as freiras aterrorizaram, durante décadas, milhares de crianças. Os inspectores do Governo “falharam em parar as crónicas agressões, violações e humilhações”.

As 2600 páginas falam de mais de 30 mil crianças afectadas entre 1930 e 1990. Durante mais de 60 anos, pelo menos.

Será coisas como estas que a Irlanda, a pura e dura católica Irlanda, quer impedir de serem divulgadas? Bem sei, se calhar não é nada disto. Se calhar esta minha teoria é um disparate total. Pode ser. Mas, se assim é, porque é que a Irlanda um país ocidental, da União Europeia, está a debater uma lei da idade das trevas?

blasfémia

s. f.

1. Dito ímpio ou insultante contra o que se considera como sagrado.

2. Dito indecoroso contra pessoa muito respeitável.

3. Proposição desarrazoadíssima.

A professora de Espinho caiu numa cilada

Com a devida vénia, reproduzo a crónica de Manuel António Pina no «Jornal de Notícias» de hoje:

«A notícia veio em tudo o que é jornal e TV: uma professora da Escola EB 2,3 Sá Couto, em Espinho – que dezenas de alunos seus consideram “a mais espectacular da escola” e uma “segunda mãe” – foi suspensa “após afirmações de cariz sexual”. A suspensão foi ditada pelo Conselho Directivo depois de duas alunas terem gravado afirmações suas numa aula, alunas que, segundo vários colegas, “fizeram aquilo de propósito e provocaram a conversa toda porque sabiam que estavam a gravar”.
A Associação de Pais e a DREN acharam muito bem. Ninguém, nem pais, nem Conselho Directivo, nem DREN “acharam mal” o facto de duas jovens de 12 anos terem cometido um crime (se calhar encomendado) para alcançarem os seus fins. O Código Penal pune com prisão até 1 ano “quem, sem consentimento, gravar palavras proferidas por outra pessoa e não destinadas ao público, mesmo que lhe sejam dirigidas”, punição agravada de um terço “quando o facto for praticado para causar prejuízo a outra pessoa”. Educadas desde jovens para a bufaria e a delinquência e sabendo que o crime compensa, que género de cidadãos vão ser aquelas miúdas?»