Vital Moreira, em artigo no ‘Público’ de ontem, zelou diligentemente pela imagem do PS de Sócrates como partido de esquerda. Argumentava que o fosso entre os “dois partidos de governo nacionais” não cessa de se alargar. Adianta também que a tese da convergência dos dois partidos se baseia na visão esquerdista – explorada pelo PCP e pelo BE – de que, sobre a liderança de Sócrates, o PS se deslocou “para o centro”, estreitando desse modo a distância para o PSD.
Se restassem dúvidas acerca da falta de coerência da presença de Vital Moreira na manifestação do 1.º de Maio da CGTP, o artigo em causa certamente que as dissiparia definitivamente.
As maiores contradições centram-se, em particular, na declaração de que o PS busca assegurar a sustentabilidade financeira dos grandes pilares do ‘Estado Social’ (sistemas públicos de segurança social, de saúde e de ensino). Provavelmente por distracção, omitiu o sistema de justiça, uma área inalienável do Estado de Direito, que, como sabemos, está a funcionar de forma caótica; digo apenas isto, para evitar detalhes e não dissecar as alterações do Código de Trabalho promovidas pelo governo de Sócrates, e reprovadas por 5 deputados socialistas.
Sobre o ensino, e da alegada defesa da escola pública, a maioria dos cidadãos está esclarecida. A obra de Maria de Lurdes Rodrigues, e da sua equipa, é um símbolo de prepotência e incompetência, que a direita não desdenharia. A luta dos professores é elucidativa e atingiu uma dimensão pública jamais vista. Portanto, a este respeito, não vejo o tal fosso.
No domínio da saúde, comecemos por salientar que, no relatório de 2000 da OMS, Portugal estava em 12.º lugar, no ‘ranking’ de ‘Overall Performance’; entre, diga-se, 191 países. O resultado assentava sobretudo no desempenho do SNS. No último governo de Guterres, o ministro Correia de Campos lançou o célebre programa de parcerias ‘público-privadas’, no âmbito do qual deveriam estar em construção em 2006 (!) os hospitais de Loures, Cascais, Braga e Vila Franca de Xira. Da lista, apenas está em construção o Hospital de Cascais que, segundo o Tribunal de Contas, foi aprovado sem terem sido considerados todos os encargos públicos com o projecto, nem avaliados os riscos dai resultantes (notícia da edição de hoje do ‘Público’).
Em suma, a política do PS para a saúde, iniciada nos tempos de Guterres, prosseguiu com os governos PSD + CDS e de Sócrates. Este último prepara-se, agora, para penalizar os cidadãos com a liberalização das margens sobre os preços dos medicamentos. Uma cedência à poderosa ANF, do Sr. Cordeiro. Também aqui não vislumbro o fosso.
A grande probabilidade da não atingir a maioria absoluta assusta, e de que maneira, certas figuras do PS e seus apêndices. Resta, pois, a Vital Moreira defender a teoria do ‘PS de esquerda’, e atirar-se à visão de esquerdista. Tem que haver sempre um inimigo – é dos livros.




Defensa de la alegría Defender la alegría como una trinchera defenderla del escándalo y la rutina de la miseria y los miserables de las ausencias transitorias y las definitivas defender la alegría como un principio defenderla del pasmo y las pesadillas de los neutrales y de los neutrones de las dulces infamias y los graves diagnósticos defender la alegría como una bandera defenderla del rayo y la melancolía de los ingenuos y de los canallas de la retórica y los paros cardiacos de las endemias y las academias defender la alegría como un destino defenderla del fuego y de los bomberos de los suicidas y los homicidas de las vacaciones y del agobio de la obligación de estar alegres defender la alegría como una certeza defenderla del óxido y la roña de la famosa pátina del tiempo del relente y del oportunismo de los proxenetas de la risa defender la alegría como un derecho defenderla de dios y del invierno de las mayúsculas y de la muerte de los apellidos y las lástimas del azar y también de la alegría.








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