A força dos Sindicatos de Professores

No último post sobre o tema apareceram por aqui uns controleiros alarmados porque me venho meter em cousa alheia. Mas, meus caros camaradas, a vida é mesmo isto e com controleiros ou sem eles é muito importante que todos os professores percebam claramente o que está a acontecer na FENPROF porque isso vai ter consequências na forma como nós nos vamos organizar nos próximos anos.

Ainda antes do 25 de Abril de 1974, os Grupos de Estudos dinamizados por Professores conseguiram junto do governo de então algumas conquistas importantes, como por exemplo, o direito ao pagamento de férias.

O movimento sindical começou por ser unitário, mas as derivas reaccionárias (como na altura se dizia) das estruturas mais próximas da Manuela Teixeira (SPZN / FNE) levaram os professores, “motivados” pelo PCP a avançar com a refundação do verdadeiro espírito de Abril, mas em projectos diferentes. Nos anos que se seguiram o crescimento dos sindicatos da FENPROF foi brutal, havendo no tempo de Cavaco Silva uma explosão dos micro-sindicatos (mais de dez), que verdadeiramente nunca chegaram a ter qualquer tipo de papel na classe. A FNE manteve uma enorme força no 1º ciclo e a FENPROF esmagou tudo e todos nos outros sectores. Em 150 000 docentes temos mais de metade sindicalizados:a FENPROF tem mais sócios que os outros todos juntos.

E a dimensão é uma das explicações para o sucesso que os sindicatos de professores historicamente sempre foram tendo. A outra vem pela capacidade de mobilização e de colocar em movimento uma massa humana que está muito longe de ser constituída por gente sem cérebro. Antes pelo contrário, a capacidade de pensar a Educação no seu todo e intervir nesse plano fez com que os Professores SEMPRE se sentissem identificados com os sindicatos, nomeadamente os da FENPROF.

Por outro lado, nos Sindicatos da FENPROF sempre houve a capacidade de integrar dois tipos de dirigentes: os “profissionais” e os “professores” – como qualquer organização a estabilidade é fundamental e por isso a permanência de alguns dirigentes durante muitos anos é uma ENORME vantagem e não um problema como muitos referem – veja-se o que acontece no clube que mais sucesso tem tido. Eu, professor que vai e vem, entre a Escola e o Sindicato, nunca teria a capacidade de pensar a organização, como ela precisa de ser pensada.

O último nível e talvez mais importante relaciona-se com a capacidade que os Sindicatos da FENPROF sempre tiveram de inserir nas suas direcções gente de todas as orientações politicas e até partidárias – a presença do PCP e de gente próxima do PCP sempre foi dominante, mas socialistas e sociais democratas sempre tiveram a possibilidade de actuar e trabalhar dentro da FENPROF. Nos últimos anos houve também uma presença cada vez mais forte de gente próxima do Bloco, mas…

Surpreendentemente, com a subida de Jerónimo ao poder no PCP, a estratégia mudou e os Dirigentes sindicais do PCP optaram por avançar numa cruzada contra os infiéis!
Ainda não consegui entender o que é que o PCP pretende com esta estratégia, mas tenho a certeza que está a fazer a aposta errada porque está a matar uma das marcas mais fortes do sindicalismo docente: a diversidade de opiniões.
Felizmente os professores parece que começam a perceber o que se passa e por isso no Sindicato dos Professores da Grande Lisboa o PCP voltou a perder!

Sabemos que eles (PCP!) não vão parar por aqui e isso pode ser o princípio do fim do sindicalismo docente, tal como o conhecemos, mas…

Comments

  1. Luis Moreira says:

    Caro João Paulo, vai acontecer nesse sindicato como aconteceu nos outros.O dos bancários que é o que conheço melhor.No outro dia fui lá encontrar um tipo que andou a estudar comigo e que já nessa altura era sindicalista,Esta lá há 30 anos e tem carro de serviço e outras comodidades.Já não há diferença, embora conheça outro que foi todos os dias ao banco, e tambem há 30 anos.O que eu digo é que o Sindicato tem que tratar os assuntos do pessoal, não pode co-governar a Educação como tem feito nos últimos anos. E os sindicatos não querem a escola autónoma porque isso tira-lhes força.Eu, entre uma escola forte e professores indepedentes e sindicatos fracos, escolho a escola e os professores!

  2. João Paulo says:

    Luís, como diz o outro, ambas, as duas são possíveis: sindicatos fortes e autonomia das escolas.Penso que os professores TÊM que participar na definição das politicas de educação e isso não pode acontecer só no dia em que votam – por isso, a discussão da causa educativa tem que ser partilhada com os professores.Quanto à comparação com os Bancários, são mundos diferentes – só o nome sindicato é comum… tudo o resto…

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