Quantos 25 de Abril houve? (Sousa e Castro responde a Manuel Bernardo)

Iniciamos hoje uma série de depoimentos sobre o 25 de Abril de 1974, da autoria de alguns dos que fizeram aquele dia mágico da História de Portugal. São, na sua maioria, reacções cruzadas à carta aberta que o coronel Manuel Bernardo dirigiu a Marcelo Rebelo de Sousa a propósito do livro do coronel Sousa e Castro, prefaciado exactamente pelo professor Marcelo.

Carta Aberta ao meu camarada Manuel Bernardo, a propósito da carta que enviou a Marcelo Rebelo de Sousa e das considerações nela produzidas a meu respeito.

Caro camarada,

Não o conheço pessoalmente, sigo todavia a sua intermitente intervenção política, sob forma escrita, a propósito dos acontecimentos que vivemos há cerca de três décadas.

Nunca emiti publicamente qualquer juízo de valor acerca das suas opiniões políticas e outras, apesar de em relação a algumas delas discordar profundamente. Que me recorde, apenas por uma vez me interessei pela sua pessoa, perguntando ao nosso camarada Vasco Lourenço por si. Foi-me então dito que o camarada tinha sido um dos raros oficiais, de patente abaixo de tenente-coronel, saneados na sequência do 25 de Abril. A conversa ficou por aí.

Inicio por isso esta missiva, partindo da seguinte convicção: o camarada foi provavelmente alvo de uma injustiça, da parte de militares que como eu se empenharam na Revolução Libertadora, e que não lhe reconheceram na altura a sua hoje proclamada adesão aos valores da Democracia, Liberdade e Pluralismo. Apesar da probabilidade de termos errado, é absolutamente certo que se indícios houvesse, por ínfimos que fossem, de que se tinha empenhado no derrube da ditadura, tal acto não se verificaria. Creio que não negará esta evidência e aceitará que ela balize, desde já, esta minha resposta.

Em relação aos acontecimentos anteriores a 25 de Abril de 1974, nos quais estive razoavelmente envolvido, não encontro de si registo significativo em nenhum deles. Em relação ao 16 de Março de 1974 e ao 11 de Março de 1975, no que vai ficar para a História, não reza qualquer intervenção significativa da sua parte. Fiquei agora a saber que os acontecimentos de 28 de Setembro de 1974 o perturbaram significativamente. [Read more…]

Mário Nogueira apresenta o acordo com o ME

Mário Nogueira

Mário Nogueira esteve agora em directo para apresentar a sua visão do acordo com o ME.

1- A primeira nota, que é a ENORME vitória dos Professores, vai para a possibilidade de todos os professores poderem ir ao topo da carreira. Até aqui, 100 mil teriam que ficar no terço inferior da carreira. Agora, todos, em 34 / 38 anos podem chegar ao topo. está longe de ser óptimo, mas é melhor do que aquilo que se tinha.
Ou seja, está definido um modelo de avaliação, exigente, formativo e que traz paz às escolas. Quem, provar que é bom, pode chegar ao topo.
2- A segunda ENORME vitória vai para o fim da divisão na carreira. Titulares, RIP!
3- Quem já está no sistema, ainda que a contrato, até no privado, não tem que fazer a prova de ingresso.
4- No próximo ano haverá concurso.
5- A avaliação não entra nos concursos!

Fica também em aberto a continuidade da negociação de diversas matérias (horário de trabalho, funcões lectivas e não lectivas, faltas, férias, direitos sindicais, etc…)

Como elementos menos positivos, MN avança:
– os ciclos de 2 anos de avaliação são demasiado curtos;
– o modelo de avaliação está demasiado perto do SIMPLEX;
– a manutenção de quotas para 2 escalões;
– o tempo de serviço (28 meses) congelado continua a ser roubado pelo Governo. isto é, não há contagem integral do tempo de serviço.
– a carreira continua demasiado longa – 34 anos – contra o que defende a UNESCO;

Mário Nogueira felicitou ainda os professores pela luta que desenvolveram.
A luta tem resultados, tem valido a pena e que por isso a LUTA vai continuar. Como sempre podem contar com a FENPROF!”

A crise

Leiam o segundo parágrafo, por favor.

A derradeira derrota de Maria de Lurdes Rodrigues

A professora Isabel Alçada conseguiu em 2 meses de mandato o que a socióloga da treta Maria de Lurdes Rodrigues não conseguiu em mais de 4 anos. Ao ver o acordo de hoje entre o Ministério e os Sindicatos, a antiga Ministra da Educação devia corar de vergonha e perceber quão má foi a sua passagem pela 5 de Outubro. Para os alunos, para os professores, para a Escola Pública.
Maria de Lurdes Rodrigues está morta e enterrada. Pacificadas as escolas, vamos resolver o que verdadeiramente interessa: os problemas do ensino em Portugal.

Sinistra destra: Contratações de Inverno

Em Janeiro comentam-se as contratações de Inverno dos outros, nascem novos blogues e apresentam-se as nossas.

O Arrastão fez 4 contratações de peso, 3  de Coimbra, tal como o 5 Dias tinha encontrado o Renato Teixeira ainda no Outono.

Neste caso não sou só suspeito, mas  muitos vizinhos que conhecia (e alguns que ignorava) ascenderam ao reconhecimento nacional à custa do que chamam blogues,  meio que fez do Januário a Natureza do Mal, leva a Rosa Oliveira a escrever para as pessoas, e coloca Rui Bebiano onde bem merece.

No Aventar contratamos todo o ano, não é um hábito é um vício, e serve esta também para apresentar o Vítor Ramalho, moço com um invejável currículo pelos lados da destra portuguesa, e de quem fui camarada nos idos de 74, numa sua fugaz passagem pelos lados do MRPP. Já me perguntaram 349 vezes como sou amigo de um gajo de direita, e já sei que esse número vai crescer exponencialmente.  Paciência. Este Vítor diz-se nacionalista revolucionário, e de si sabe ele. Desafiei os meus colegas aventadores a termos entre nós alguém que acabou de ser candidato do PNR. Aceitaram porque dentro da nossa regra simples e básica, o bom senso, este é mesmo um espaço de publicação plural. Sei que o Vítor Ramalho vai justificar a sua contratação por muitas razões mas aqui basta essa: é um homem com  bom senso. E ainda por cima instrutor de artes marciais, a melhor preparação  possível para levar porrada, que também é para isso que cá andamos.

Destra Sinistra: Contratações de Inverno

Ora vamos lá completar a história das contratações:

O ano de 2010 começou em grande na blogosfera: nasceu o Albergue Espanhol com uma equipa de luxo e (não resisto) com o CAA a mudar, paulatinamente, de blogue. Antes, a Joana Amaral Dias e Medeiros Ferreira avançaram com o Córtex Frontal. A blogosfera Sinistra está em rebuliço (Arrastão, Causa Nossa, 5dias, etc.)! Já o Delito de Opinião (cada vez melhor) festejou o seu primeiro aniversário e pelo que li da ementa, foi de estalo!

Mas o grande momento destes primeiros dias foi a posta de Pedro Múrias: O Processo Nádega Oculta! Ainda não parei de rir desde 6 de Janeiro!!!

Assim vai a Blogosfera Pátria: pujante!

Acordo!

Está confirmado. Há acordo entre o ME e a FENPROFfree_287718
Acordo ME/FENPROF!

Isabel Alçada na SIC confirma o acordo e valoriza o processo de aproximação entre os Professores e o ME.

ministra

Nos 25 anos da morte de Pedroto

“O Zé do Boné, como muito carinhosamente também foi conhecido, era dotado de uma inquestionável competência técnica e era um estratego por excelência. O Milão de Sacchi, o Barcelona de Cruijff e o Marselha de Goethals, por exemplo, vieram provar, muitos anos depois, como estava adiantado o homem que insistia na defesa em linha, o que, na altura tantas críticas lhe valeu. Além disso, Pedroto criou um estilo de futebol, adaptado às características dos jogadores portugueses, que fez escola. A isso somou uma invulgar capacidade para dirigir e orientar outros homens e uma vontade indomável. O resultado foi a clara ultrapassagem da mediania e a morte do fatalismo lusitano da incapacidade. Ele ajudou a matar o emiprismo reinante no meio da sua profissão e abriu o caminho para o trabalho posterior de muitos outros técnicos portugueses igualmente competentes. Também por isso, tornou-se uma figura referencial e incontornável do futebol português, relegando para a penumbra nomes muito grandes como os de Cândido de Oliveira, Fernando Vaz, Ribeiro dos Reis, Tavares da Silva e Ricardo Ornelas.

Admirador entusiasta de Miguel Torga, apaixonado pela pesca (que lhe garantia o equilíbrio de que precisava para enfrentar o stress da competição) e pelo jogo, Pedroto tinha o vício de ganhar (no futebol, às cartas, à moedinha e a todos os jogos de carácter lúdico para que permanentemente se dispunha). Lutador nato, ganhou todas as batalhas com excepção da derradeira, travada contra um adversário invencível, que o vitimou a 8 de Janeiro de 1985.”

F. C. Porto. 100 Anos de História. 1893-1993, Manuel Dias e Álvaro Magalhães, Edições Asa.

Ligações a visitar:

Pedroto, 25 anos depois: regresso ao futuro em frases

A lenda