De Miguel Sousa Tavares no ‘Expresso’

Do artigo ‘Céu Nublado’, na edição do jornal ‘Expresso’ de Sábado, de Miguel Sousa Tavares, transcrevo o seguinte trecho:

Na década do agora inimigo das grandes obras públicas, Cavaco Silva, construímos sem parar: auto-estradas, hospitais, escolas e tudo o mais.’O país está dotado de infra-estruturas!’, proclamou-se triunfantemente. E, de facto, o país precisava. O problema é que, enquanto se dotava de infra-estruturas para servir a economia, o país vendia a economia, a troco de subsídios para abate e set-aside; vendemos assim a agricultura, as pescas, as minas, a marinha mercante, os portos, as indústrias que podiam vir a ser competitivas. Ficámos com os têxteis e o fado.    

De facto, assim se iniciou a caminhada na direcção do abismo, continuada por Guterres, Barroso – dois fugitivos – Santana Lopes e José Sócrates.

Todos eles, mesmo Sócrates, se regressassem ao passado, provavelmente diriam “se pudesse voltar atrás, sabendo o que sei hoje…”. Sucede, contudo, não se tratar de problemas de ordem pessoal. Foram lesados interesses nacionais soberanos e, mediante a perda de capacidade produtiva, o País está em sérias dificuldades para gerar riqueza, postos de trabalho e meios financeiros capazes de honrar os compromissos de endividamento externo.

Mas nada disto é relevante. Viva o Benfica campeão (se fosse o Braga ou o Porto, saudaria de idêntico modo), vem aí o Papa e siga a Marinha que, com os dois submarinos alemães, nos ajudará a submergir, mais fundo, em lodosos mares.

Comments


  1. Correcto, Carlos, bem visto.

  2. Carlos Fonseca says:

    Adão, o que o MST diz é provado por estatísticas da OCDE. A memória do povo é escassa.


  3. Grande coisa descobriu o MST. Quando o sr. Cavaco inaugurava auto-estradas, quantas discussões tive com gente amiga, que comigo berrava por eu contrapor certos factos ruinosos?

  4. Luis Moreira says:

    Embora a primeira autoestrada tenha um benefício muito superior à segunda e assim sucessivamente, o grande problema é que a iniciativa privada é vista como um “bastardo”. Agora temos infraestruturas, precisas, mas não temos economia. Produzir bens transaccionáveis e competir nos mercados externos dá muito trabalho, é mais fácil ser monopolista cá dentro!

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