ainda melhor do que o melhor cabrito do mundo

(Foto adão cruz)

Há umas semanas atrás eu coloquei um texto aqui no Aventar, intitulado “O melhor cabrito do mundo”, confeccionado na “Casa no Campo”, em Espinheiro, Moldes, Arouca.

O meu amigo Engº Adelino Silva Matos, meu paciente e meu grande amigo há mais de trinta anos, enviou-me um mail dizendo: – meu caro amigo, o sr. não sabe o que é cabrito -. Tem de vir a minha casa comê-lo, confeccionado por minha irmã Flora Matos. Marque o dia e traga quem quiser.

Oh! Se eu fosse a levar quem quisesse! Vão comigo a minha irmã e meu cunhado, os meus companheiros de navegação em águas boas e más.

O meu amigo Silva Matos é um empresário de primeira água, nem vale a pena descrever a grandiosidade da suas empresas nacionais e internacionais, é um amigo de longos anos, um homem de cultura e de grande sensibilidade, nomeadamente sensibilidade artística, a qual o levou a criar na sua área de residência uma bela galeria de pintura, da qual, muito honrosamente, eu faço parte. Sua esposa, Edite Matos, é uma senhora de elevados sentimentos e com um grande sentido da solidariedade e dos valores humanos. Perante isto, eu pensei: – não é gente para me estar a enganar – . Se dizem que este cabrito é ainda melhor que o melhor cabrito do mundo, é porque é. Eu tenho de acreditar.

E acreditei.

O dia foi marcado.

Irrompeu resplandescente de sol, a despeito do dia tempestuoso da véspera. Todas aquelas serras do Arestal e Sever do Vouga são lindíssimas, obrigando os olhos a descansar e a alma a repousar dos tumultos de uma vida citadina, em alegre trajecto para uma cabritada, nascida numa amizade que vem de longe. A área da residência familiar do meu amigo é um espanto, enquadrada num jardim de simplicidade campestre e de aprazível acolhimento.

O cabrito continuava no forno. A amiga Flora Matos, a artista e catedrática autora desta iguaria única, herdada de sua saudosa mãe, aconselhava a aguardar mais uns minutos, minutos que gastamos na galeria de arte, de aperitivo na mão. Conversamos sobre vários pintores ali representados, desde Vieira da Silva, Júlio Pomar, Nadir Afonso, Noronha da Costa, Bual, Paula Rego e eu. Conversamos ainda sobre a Fundação Edite Matos, sonho de uma mulher que, desde nova, entregou parte da sua vida a uma missão de solidariedade com o ser humano mais desvalido, sem objectivos de caridadesinhas elitistas, mas com profundo sentido do entendimento de que todos nascem iguais e de que o sol quando nasce é para todos.

A amiga Flora interrompe e diz: – ou vêm ou o cabrito passa o limite da assadura.

Não vamos falar do cabrito, porque não é possível. Uma obra de arte culinária. Assado e recheado de forma completamente diferente da que nos foi apresentada no “melhor cabrito do mundo”, não deixou dúvidas de que era ainda melhor do que o melhor cabrito do mundo. Por isso o designamos “o melhor cabrito do sistema solar”.

Estivemos à mesa cinco horas seguidas, e, pelo que me foi dado perceber, sem sacrifício. Cinco horas de convívio, dentro de uma família tão afável e afectuosa que marcou na nossa mente e na nossa memória um momento de indelével prazer, deixando dentro de nós a sensação refrescante de uma fonte de água cristalina. Obrigado Edite, Adelino e família.

Comments


  1. Pode-se provar?

  2. Ricardo Santos Pinto says:

    Isso não faz mal ao coração, Adão?

  3. graça dias says:

    Ah! apanhamos cada indigestão de : cabritada e de empresário solidários ?. . .~~~~ Que cruz para os leitores. . .

  4. adao cruz says:

    Agora já é tarde, José Freitas.
    Claro que bem não faz, Ricardo, mas é uma vez por outra.

  5. Luis says:

    Sortudo!

  6. Alfredo says:

    Esse artigo é uma provocação, tendo em conta que este estaminé é frequentado por ilustres famélicos!

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