a festa da intimidade. Ramadão e Natal

Cristãos comemoram, Muçulmanos invadidos

for the van Emdens: daughter Paula, husband Cristan and children Tomas e Maira Rosa

1. Introdução.

Normalmente, tenho escrito textos que referem esta quadra como um Feliz Natal. Normalmente. Mas, será que é uma época para falar de normalidade? Ou, porém, como vamos definir um tempo normal? Quando é que a vida social tem sido normal. Será quando agimos conforme as nossas ideias e os nossos hábitos e costumes? Mas, os hábitos, como os costumes, não mudam? Será que normalmente significa o que éconjuntural e heterogéneo? Não é por acaso que tenho usado essas palavras nos meus textos de pesquisa. O acaso é a normalidade. A normalidade é o comportamento conjuntural que estrategiza e manipula os feitos, ou factos – decida o leitor -, que constroem o mundo social e divide o trabalho entre todos nós. Estratégia que pode cair em mãos prudentes para virar os acontecimentos em favor do povo, pelo povo e para o povo, por ser a estratégia uma actividade social do povo. Estratégia que varia conforme os objectivos a atingir.

Não foi em vão que os Muçulmanos criaram o mês luar no décimo primeiro mês do ano. Para descansar, para sentir, para pensar, para festejar cada dia que avança nesse décimo primeiro mês e comemorar a capacidade de não comer todo o dia (entre o nascer e o pôr do sol), não trabalhar, não amar, meditar, estar em casa em silêncio com os seus e sair à rua apenas sob a luz da lua que mostrava a sua face, a sua cara, o seu segredo de ter levado vivo aos céus a voz de Alá, o Profeta Mamede ou Muhamed. É assim que falam no Alcorão, é assim que é ensinado nas escolas corânicas, é assim que o comenta o discípulo muçulmano de Aristóteles, Abû Nasr al-Fârâbî (ou Avenassar), para o mesmo filósofo aristotélico do Século Nono da nossa era. Capaz de dizer, na sua tradução de 1964 em Beirute, que a maior capacidade do ser humano é ser social e viver em grupos grandes ou Nações, ou em pequenos como os bairros, os grupos domésticos ou famílias. Todos têm uma mesma capacidade: um corpo que solicita, uma alma que organiza a procura do corpo. Um al-Fârâbî a definir nos seus textos, comentários sagrados para os diversos povos Muçulmanos, que a bondade é o bem absoluto do ser humano por revelar a capacidade de bonomia existente em quem é honesto nos seus sentimentos. Como o seu Mestre Aristóteles gostava de dizer no seu texto escrito em 330 antes da nossa era, para educar o seu filho Ética a Nicomaco: todo efeito tem uma causa e essa causa deve ser encontrada. Se o efeito, diz al-Fârâbî, parece ser a capacidade de viver em sociedade ou Nação, ou Gemeinschaft para nós, derivado do conceito do filósofo alemão Tönnies e usado pelo seu discípulo francês Durkheim como solidariedade mecânica, ou ditada pela capacidade de se estar junto dos outros em paz e alegria e, eventualmente, no lado oposto, com repressão pelos mesmos membros do grupo, caso a justiça não seja atingida. Paz e alegria que existe por causa da natureza humana, ou por causa da educação que o grupo social, sem lei positiva nenhuma a comandar a vida em sociedade, transmite por ter inteligência e saber que uns sem os outros são incapazes de sobreviver. Acrescenta o influente al -Fârâbî que essa capacidade de viver em sociedade se deve há existência da alma com faculdades no ser humano permitindo-lhe o uso do bem e a rejeição do mal. Porém, o mal existe se as pessoas não são corrigidas de forma fraterna e amável, como Mohamed diz que Alá, a sua divindade, manda e faz. Alá diz que o ser humano tem cinco faculdades para ser feliz, amável e conviva dos seus e da sua Nação, a Nação Muçulmana, dividida em grupos, tribos ou clãs. Faculdades simples, como a capacidade de razoar até de forma especulativa; a faculdade de razoar por causa da experiência ou o agir pragmático entre seres humanos; a faculdade de procurar o que o corpo individual diz dentro do corpo social ao qual se pertence; a faculdade de imaginar para progredir a par e passo dos outros semelhantes sem os ultrapassar, com a confiança de que esperar é uma virtude para aprender e ensinar; e a faculdade da sensibilidade para entender o que o grupo social já herdou dos grupos do antigamente e do Profeta que ensinou que há em nós a capacidade de reflectir. Porém, a capacidade de entender os animais, os corpos celestes, o comportamento, a amabilidade, a solidariedade que não precisa lei, porque o Direito foi dado por Alá e o seu Profeta. Ramadão ou Ramadã, também grafado Ramadan (em árabe رَمَضَان) é o nono mês do calendário islâmico. É o mês durante o qual os muçulmanos praticam o seu jejum ritual (suam, صَوْم), o quarto dos cinco pilares do Islão (arkan al-Islam) permite reflectir na base da faculdade apetitiva de querer saber e transferir o sabido por meio da faculdade de entender a experiência ou a razão prática que todo o ser humano tem. Ramadão permite o silêncio necessário para essa capacidade de reflectir e debater em casa o progresso dos peregrinos de esta terra que será, de certeza, entregue a si próprio e aos outros ao se mostrar a capacidade de se ser sensível. Ramadão é a festa da intimidade de si próprio e, na hora do comentário, da troca de ideias entendidas no silêncio e na abstinência do dia, abstinência de adultos e crianças, aprendizagem das duas pontas sociais do grupo. Porque essas capacidades da alma são a semente que o adulto planta na alma dos mais novos e desenvolve porque Alá é grande e sabe orientar aos seus: mal se conhece o bem, se quer fazer, fechado dentro do seu grupo social de clã, bairro ou Nação, o desenvolvimento da racionalidade da criança que leva em si a capacidade de imaginar o que o adulto diz e faz. Porém, Ramadão desde muito cedo na cronologia da vida de uma pessoa, e ao longo da vida toda. Como manda o Alcorão, a palavra escrita do Profeta que falou por Alá. Quanto mais jejum de corpo e alma, maior proximidade à bondade da Divindade. E ai, de quem queira mudar estes costumes que, faz mil e quatrocentos anos se andam a desenvolver em grupos que não precisam um Gesellschaft, lei, contrato, solidariedade orgânica ou de Direito positivo, além das mãos do grupo de convívio, como hoje sabemos por Durkheim, que existe entre todos os povos. Especialmente os europeus que ele estudou a partir dos denominados arcaicos.

2. A intimidade.

Parece como se a introdução fosse muito cumprida. No entanto precisa ser assim por sabermos pouco das festas muçulmanas que acontecem na época das nossas. O Ramadão precisa de intimidade, facto do qual sabemos pouco ou nada. Talvez, apenas, pelas notícias da guerra que têm invadido a necessária intimidade do Ramadão. Para meditar. Ou talvez, um Ramadão demasiado cumprido ao longo do tempo, quer pela invasão soviética, quer pela invasão cristã. Um jejum de introspecção e de alimentos que dificultam o semear de faculdades na alma das crianças e desenvolver as qualidades das do adulto, esse que acaba por se mostrar perante os mais novos, com a incontinência da paz na alma e ensina retaliação e vingança, quer em palavras, quer em acções, quer por falta de Direito punitivo ou por falta do Direito que fica além das emoções, nas mãos de outrem que sabe e não pune porque está escrito pela mão do homem o que deve ser feito para se conviver com os outros, em presença deles, ou na sua ausência. A existência de uma solidariedade orgânica ou pensada para a interacção de grupos sociais que racionalizaram uma troca comercial faz já muito tempo. Dentro da qual cai o Natal ou o Ramadão dos cristãos que separam o Governo da comunidade social de seres humanos. O Natal é a festa da família, de comer, de orar, de trocar presentes, de lembrar a décima segunda lua convertida em sol. O calendário cristão é romano e soube justapor à festa de Jevo ou Júpiter, a mais comemorada na época do Império Romano pela importância da divindade, o dia do Nascimento de Xristos ou Jesús. Comemoração que varia em cada uma das formas religiosas dos cristãos. Os Presbiterianos e Calvinistas ou a maior parte da Europa do Norte, lêem o Livro de Vida ou Bíblia, comentam os Evangelhos e comem em grupos de bairro ou amigos. A dos Anglicanos da Igreja Baixa, assistem à Igreja e comem em família. A da Igreja Anglicana Alta ou da Aristocracia, comemoram com uma festa religiosa, retirando-se seguidamente para casa e comem em família. A da Igreja Romana na Europa, assistem à festa religiosa da meia-noite e comem depois em família ou com amigos íntimos. Varia conforme a confissão analisada. Quando há crianças, é o Grupo Doméstico a procurar a sua intimidade que sabe será curto ao longo do tempo, procurando um convívio de pais e filhos e, talvez, avós. Ou não. Quando  há avôs, procura-se a comemoração em casa ou com outros membros da sua geração. Em comum entre todas as formas religiosas cristãs, o facto que faz tempo as juntou: o comércio ou a dádiva a que ficam todos obrigados a trocar. Essa dádiva que o discípulo do invocado Émile Durkheim, Marcel Mauss, denominou a obrigatoriedade do presente que nem por isso se faz de forma alegre ou feliz. Até às vezes, com um certo desapreço, como diz o autor invocado, nas suas conclusões, quando fala da obrigatoriedade da prenda de Natal. Essa que acaba por não ser nem dádiva nem meditação íntima, mas sim, uma obrigação para se ficar gessellchaftemente bem perante os outros e, eventualmente, com um certo apreço pelo auto estima que soube cumprir o que a solidariedade mecânica manda. Onde, pois fica a, intimidade na festa Ramadão e Natal, se é apenas comércio? Intimidade e recolhimento familiar, nem por isso….

3. Feliz Natal?

E como? A seguir a estas ideias? A entender que nos governamos no Ocidente pelo que é mais conveniente e não pelo amor meditado? Onde os pais, mais velhos, são expulsos da festa familiar enquanto os mais novos cultivam a sua geração ao fazer uma intimidade com eles? Ao se saber que temos lares de idosos que ardem e não têm nem licença nem seguro? Ao sabermos que houve um 11 de Setembro (2001) a exprimir a raiva da subjugação e da intrusão dos poderosos dentro da solidariedade mecânica – orgânica dos mais tecnologicamente atrasados que estão a viver um Ramadão de mais de vinte e cinco anos de duração por causa do incremento da guerra de Nações mais forte e melhor armadas? Que o nosso Presidente não foi recebido pelo Buttler inglês da Nação mais poderosa de armas nucleares do mundo? Que a seguir ao Natal vamos ter que cancelar o Visa a juros muitos elevados por causa da guerra? Felizes serão os que vão fugir dentro da Missa do Galo à consoada meio pobre/meio sem prendas que vamos ter? Feliz Natal com a tristeza de sabermos que houve mortos dentro dos símbolos do poder dos Estados Unidos?

Feliz Natal? Com tanto Casal Ventoso e Orçamento Rectificativo ou como seja que se denomine à necessidade de termos moeda porque as indústrias fugiram para a Europa de Leste? Com a globalização? Amargo o real? Feliz Natal com milhões de seres humanos a não comemorarem o seu Ramadão ou porque estão a ser bombardeados ou porque pactuaram com o mundo do Natal? Feliz Natal? Só se o leitor tiver ficado elucidado do que significa o Ramadão. E chorar com eles. Com esses que não têm o equivalente em intimidade e em reflexão, como os Cristãos, Romanos ou não, vão comemorar? O leitor comente, tome a palavra e decida sobre as injustiças da vida…na quadra denominada santa e de reflexão…

1. Introdução.

Normalmente, tenho escrito textos que referem esta quadra como um Feliz Natal. Normalmente. Mas, será que é uma época para falar de normalidade? Ou, porém, como vamos definir um tempo normal? Quando é que a vida social tem sido normal. Será quando agimos conforme as nossas ideias e os nossos hábitos e costumes? Mas, os hábitos, como os costumes, não mudam? Será que normalmente significa o que é

conjuntural e heterogéneo? Não é por acaso que tenho usado essas palavras nos meus textos de pesquisa. O acaso é a normalidade. A normalidade é o comportamento conjuntural que estrategiza e manipula os feitos, ou factos – decida o leitor -, que constroem o mundo social e divide o trabalho entre todos nós. Estratégia que pode cair em mãos prudentes para virar os acontecimentos em favor do povo, pelo povo e para o povo, por ser a estratégia uma actividade social do povo. Estratégia que varia conforme os objectivos a atingir.

Não foi em vão que os Muçulmanos criaram o mês luar no décimo primeiro mês do ano. Para descansar, para sentir, para pensar, para festejar cada dia que avança nesse décimo primeiro mês e comemorar a capacidade de não comer todo o dia (entre o nascer e o pôr do sol), não trabalhar, não amar, meditar, estar em casa em silêncio com os seus e sair à rua apenas sob a luz da lua que mostrava a sua face, a sua cara, o seu segredo de ter levado vivo aos céus a voz de Alá, o Profeta Mamede ou Muhamed. É assim que falam no Alcorão, é assim que é ensinado nas escolas corânicas, é assim que o comenta o discípulo muçulmano de Aristóteles, Abû Nasr al-Fârâbî (ou Avenassar), para o mesmo filósofo aristotélico do Século Nono da nossa era. Capaz de dizer, na sua tradução de 1964 em Beirute, que a maior capacidade do ser humano é ser social e viver em grupos grandes ou Nações, ou em pequenos como os bairros, os grupos domésticos ou famílias. Todos têm uma mesma capacidade: um corpo que solicita, uma alma que organiza a procura do corpo. Um al-Fârâbî a definir nos seus textos, comentários sagrados para os diversos povos Muçulmanos, que a bondade é o bem absoluto do ser humano por revelar a capacidade de bonomia existente em quem é honesto nos seus sentimentos. Como o seu Mestre Aristóteles gostava de dizer no seu texto escrito em 330 antes da nossa era, para educar o seu filho Ética a Nicomaco: todo efeito tem uma causa e essa causa deve ser encontrada. Se o efeito, diz al-Fârâbî, parece ser a capacidade de viver em sociedade ou Nação, ou Gemeinschaft para nós, derivado do conceito do filósofo alemão Tönnies e usado pelo seu discípulo francês Durkheim como solidariedade mecânica, ou ditada pela capacidade de se estar junto dos outros em paz e alegria e, eventualmente, no lado oposto, com repressão pelos mesmos membros do grupo, caso a justiça não seja atingida. Paz e alegria que existe por causa da natureza humana, ou por causa da educação que o grupo social, sem lei positiva nenhuma a comandar a vida em sociedade, transmite por ter inteligência e saber que uns sem os outros são incapazes de sobreviver. Acrescenta o influente al -Fârâbî que essa capacidade de viver em sociedade se deve há existência da alma com faculdades no ser humano permitindo-lhe o uso do bem e a rejeição do mal. Porém, o mal existe se as pessoas não são corrigidas de forma fraterna e amável, como Mohamed diz que Alá, a sua divindade, manda e faz. Alá diz que o ser humano tem cinco faculdades para ser feliz, amável e conviva dos seus e da sua Nação, a Nação Muçulmana, dividida em grupos, tribos ou clãs. Faculdades simples, como a capacidade de razoar até de forma especulativa; a faculdade de razoar por causa da experiência ou o agir pragmático entre seres humanos; a faculdade de procurar o que o corpo individual diz dentro do corpo social ao qual se pertence; a faculdade de imaginar para progredir a par e passo dos outros semelhantes sem os ultrapassar, com a confiança de que esperar é uma virtude para aprender e ensinar; e a faculdade da sensibilidade para entender o que o grupo social já herdou dos grupos do antigamente e do Profeta que ensinou que há em nós a capacidade de reflectir. Porém, a capacidade de entender os animais, os corpos celestes, o comportamento, a amabilidade, a solidariedade que não precisa lei, porque o Direito foi dado por Alá e o seu Profeta. Ramadão ou Ramadã, também grafado Ramadan (em árabe رَمَضَان) é o nono mês do calendário islâmico. É o mês durante o qual os muçulmanos praticam o seu jejum ritual (suam, صَوْم), o quarto dos cinco pilares do Islão (arkan al-Islam) permite reflectir na base da faculdade apetitiva de querer saber e transferir o sabido por meio da faculdade de entender a experiência ou a razão prática que todo o ser humano tem. Ramadão permite o silêncio necessário para essa capacidade de reflectir e debater em casa o progresso dos peregrinos de esta terra que será, de certeza, entregue a si próprio e aos outros ao se mostrar a capacidade de se ser sensível. Ramadão é a festa da intimidade de si próprio e, na hora do comentário, da troca de ideias entendidas no silêncio e na abstinência do dia, abstinência de adultos e crianças, aprendizagem das duas pontas sociais do grupo. Porque essas capacidades da alma são a semente que o adulto planta na alma dos mais novos e desenvolve porque Alá é grande e sabe orientar aos seus: mal se conhece o bem, se quer fazer, fechado dentro do seu grupo social de clã, bairro ou Nação, o desenvolvimento da racionalidade da criança que leva em si a capacidade de imaginar o que o adulto diz e faz. Porém, Ramadão desde muito cedo na cronologia da vida de uma pessoa, e ao longo da vida toda. Como manda o Alcorão, a palavra escrita do Profeta que falou por Alá. Quanto mais jejum de corpo e alma, maior proximidade à bondade da Divindade. E ai, de quem queira mudar estes costumes que, faz mil e quatrocentos anos se andam a desenvolver em grupos que não precisam um Gesellschaft, lei, contrato, solidariedade orgânica ou de Direito positivo, além das mãos do grupo de convívio, como hoje sabemos por Durkheim, que existe entre todos os povos. Especialmente os europeus que ele estudou a partir dos denominados arcaicos.

2. A intimidade.

Parece como se a introdução fosse muito cumprida. No entanto precisa ser assim por sabermos pouco das festas muçulmanas que acontecem na época das nossas. O Ramadão precisa de intimidade, facto do qual sabemos pouco ou nada. Talvez, apenas, pelas notícias da guerra que têm invadido a necessária intimidade do Ramadão. Para meditar. Ou talvez, um Ramadão demasiado cumprido ao longo do tempo, quer pela invasão soviética, quer pela invasão cristã. Um jejum de introspecção e de alimentos que dificultam o semear de faculdades na alma das crianças e desenvolver as qualidades das do adulto, esse que acaba por se mostrar perante os mais novos, com a incontinência da paz na alma e ensina retaliação e vingança, quer em palavras, quer em acções, quer por falta de Direito punitivo ou por falta do Direito que fica além das emoções, nas mãos de outrem que sabe e não pune porque está escrito pela mão do homem o que deve ser feito para se conviver com os outros, em presença deles, ou na sua ausência. A existência de uma solidariedade orgânica ou pensada para a interacção de grupos sociais que racionalizaram uma troca comercial faz já muito tempo. Dentro da qual cai o Natal ou o Ramadão dos cristãos que separam o Governo da comunidade social de seres humanos. O Natal é a festa da família, de comer, de orar, de trocar presentes, de lembrar a décima segunda lua convertida em sol. O calendário cristão é romano e soube justapor à festa de Jevo ou Júpiter, a mais comemorada na época do Império Romano pela importância da divindade, o dia do Nascimento de Xristos ou Jesús. Comemoração que varia em cada uma das formas religiosas dos cristãos. Os Presbiterianos e Calvinistas ou a maior parte da Europa do Norte, lêem o Livro de Vida ou Bíblia, comentam os Evangelhos e comem em grupos de bairro ou amigos. A dos Anglicanos da Igreja Baixa, assistem à Igreja e comem em família. A da Igreja Anglicana Alta ou da Aristocracia, comemoram com uma festa religiosa, retirando-se seguidamente para casa e comem em família. A da Igreja Romana na Europa, assistem à festa religiosa da meia-noite e comem depois em família ou com amigos íntimos. Varia conforme a confissão analisada. Quando há crianças, é o Grupo Doméstico a procurar a sua intimidade que sabe será curto ao longo do tempo, procurando um convívio de pais e filhos e, talvez, avós. Ou não. Quando  há avôs, procura-se a comemoração em casa ou com outros membros da sua geração. Em comum entre todas as formas religiosas cristãs, o facto que faz tempo as juntou: o comércio ou a dádiva a que ficam todos obrigados a trocar. Essa dádiva que o discípulo do invocado Émile Durkheim, Marcel Mauss, denominou a obrigatoriedade do presente que nem por isso se faz de forma alegre ou feliz. Até às vezes, com um certo desapreço, como diz o autor invocado, nas suas conclusões, quando fala da obrigatoriedade da prenda de Natal. Essa que acaba por não ser nem dádiva nem meditação íntima, mas sim, uma obrigação para se ficar gessellchaftemente bem perante os outros e, eventualmente, com um certo apreço pelo auto estima que soube cumprir o que a solidariedade mecânica manda. Onde, pois fica a, intimidade na festa Ramadão e Natal, se é apenas comércio? Intimidade e recolhimento familiar, nem por isso….

3. Feliz Natal?

E como? A seguir a estas ideias? A entender que nos governamos no Ocidente pelo que é mais conveniente e não pelo amor meditado? Onde os pais, mais velhos, são expulsos da festa familiar enquanto os mais novos cultivam a sua geração ao fazer uma intimidade com eles? Ao se saber que temos lares de idosos que ardem e não têm nem licença nem seguro? Ao sabermos que houve um 11 de Setembro (2001) a exprimir a raiva da subjugação e da intrusão dos poderosos dentro da solidariedade mecânica – orgânica dos mais tecnologicamente atrasados que estão a viver um Ramadão de mais de vinte e cinco anos de duração por causa do incremento da guerra de Nações mais forte e melhor armadas? Que o nosso Presidente não foi recebido pelo Buttler inglês da Nação mais poderosa de armas nucleares do mundo? Que a seguir ao Natal vamos ter que cancelar o Visa a juros muitos elevados por causa da guerra? Felizes serão os que vão fugir dentro da Missa do Galo à consoada meio pobre/meio sem prendas que vamos ter? Feliz Natal com a tristeza de sabermos que houve mortos dentro dos símbolos do poder dos Estados Unidos?

Feliz Natal? Com tanto Casal Ventoso e Orçamento Rectificativo ou como seja que se denomine à necessidade de termos moeda porque as indústrias fugiram para a Europa de Leste? Com a globalização? Amargo o real? Feliz Natal com milhões de seres humanos a não comemorarem o seu Ramadão ou porque estão a ser bombardeados ou porque pactuaram com o mundo do Natal? Feliz Natal? Só se o leitor tiver ficado elucidado do que significa o Ramadão. E chorar com eles. Com esses que não têm o equivalente em intimidade e em reflexão, como os Cristãos, Romanos ou não, vão comemorar? O leitor comente, tome a palavra e decida sobre as injustiças da vida…na quadra denominada santa e de reflexão…

comemoração do Ramadão

Comments

  1. graça dias says:

    Texto brillhante, mas demasiado longo.

    • Raul Iturra says:

      Querida Graça Dias, agradeço imenso a sua paciência de ler o meu texto. Bem sei que é interessante, pelo menos para mim: é comparar duas culturas, definidas no sentido antropológico: usos e costumes realizados sempre igual. A minha intenção era comparar como as festas de comemoração destes tempos, acabam por ser semelhantes em um e outro sítio, ocidente e oriente. Normalmente, os nossos leitores não sabem o que é Ramadão nem as problemáticas causadas nestes últimos tempos, por causa de guerra. Cumprido o texto? Sim, como reconheço no ensaio, mas a intenção era ser didáctico, mas, de certeza, para ensinar, como costumo dizer, é preciso fixar apenas uma ideia e, a seguir, provar com factos e teoria sempre dentro da mesma ideia. Faltou-me espaço, há regras,
      Agradeço a sua simpatia, mas nada diz do conteúdo: útil, inútil? Ajuda a saber para ensinar ou investigar novas ideias? Agradeço o louvor, não queria provocar a sua simpatia, apenas comparar culturas diferentes que comemorar estas festas natalícias de forma diferente; para os orientais, é o mês do perdão e arrependimento; para nós, de lucro comercial e uma missa de meia noite e mais nada..
      Obrigado!
      RI
      lautaro@netcabo.pt

      • Ariete Carvalho says:

        Caro Professor Raul
        Li muito atentamente o seu ensaio e gostei imenso do que li. Por breves momentos lembrei-me da minha infancia na Madeira…da pequenina aldeia das Cruzinhas-Faial, la para os lados de Santana e recordei com imensa saudade o meu avo Antonio, homem de tez cristada pelos ventos frios do norte com maos grandes e calosas de trabalhar o campo mas com um coracao enorme e limpido que nem uma fonte( de agua cristalina).
        Foi ele que me ensinou a ser verdadeira e a acreditar nos outros…a nunca desistir, a ser generosa …devo todos esses atributos a esse homem maravilhoso. Pela altura do Natal o meu avo que era um pouco avesso a padres e a doutrinas fantasiosas e corruptas,ficava em casa, defronte da lareira e eu pequenina mas sabida como o meu avo me chamava, sentava-me no seu colo e ouvia historias maravilhosas de fadas e bruxas…minha avo muito beata ia a igreja pedir perdao pelos pecados (muitos cometidos outros apenas sonhados).Vivi com eles durante muitos anos e sube desde cedo perceber que o Natal nao passa de um grande negocio, de um tempo de oportunidades…o meu avo tinha fe num grande arquitecto do universo mas via a sua bondade e a sua manifestacao em tudo o que era belo e genuino;ajudava os seus vizinhos, practicava o bem mas nunca se deixou enganar pelo o colorido das luzes ou se deixou embriagar pelos licores doces e ficticios das Festas Natalicias.
        Quando matava o porco ou amassava uma fornada de pao fresco, la me chamava e ordenava-me carinhosamente:-Vai levar istos aos vizinhos.La ia eu toda contente, com a certeza de que estava a fazer um grande gesto e estava mesmo! Maos avidas e cheias de fome recebiam estes presentes muitas vezes com lagrimas nos olhos…aprendi assim a partilhar. Ao longo do ano …(porque Natal e quando a gente quer)la ia eu , com maozinhas pequenas mas muito protectoras levar as prendinhas….as frutas…as batatas…as couves….as notinhas de vinte escudos para comprar os remedios…chamavam-me “anjinho” e tratavam-me com imensa ternura…quando ia dormir sentia em mim o “sentido de dever cumprido”…justica, carinho…e dormia descansada, leve…poucos anos passaram e um cancro roubou-me o meu avo Antonio…a luz dos meus dias…o meu grande amigo…o homem que ao longo dos anos tentei encontar em vao, em todos os amigos e amantes que tive!
        Gracas a ele practico o “Natal” todos os dias sempre que posso…ajudo todos quantos de mim necesitam…e sinto-me bem, repleta ,inteira!
        Um grande abraco

        • Raul Iturra says:

          Muito obrigado, Ariete, pela sua paciência de ler um texto comprido! Mas, a minha intenção era comparar formas diferentes de comemorar o Natal. Não será entre palestinos, no seu caso, mas é lindo lembrar formas de diferente de comemorar estas festas, especialmente como era lindo estar na sua terra e com o seu avô! É tradicional no Natal estar com a família e se a família já no está connosco, ter essas lindas lembranças que refere no sei comentário. Felizes festas para si!
          Professor Doutor Raúl Iturra
          lautaro@netcabo.pt