Destruição de obras de arte


Está confirmado. Tal como como era de prever, a CNN acaba de informar que a multidão atacou o Museu Egípcio no Cairo e destruiu obras de arte. Esta não é uma acção esporádica. A Irmandade Muçulmana vota um profundo desprezo a todo o tipo de arte “não islâmica”, na perfeita consonância com aquilo que os imãs exigem na Europa. Recordam-se dos dinamitados Budas de Bamian, no Afeganistão? Não se admirem se um dia destes virem as múmias dos faraós arrastadas pelas ruas do Cairo e as preciosidades do Antigo Egipto derretidas no cadinho. Qualquer semelhança com a antiga civilização, é uma mera coincidência no espaço territorial. Não tenham qualquer tipo de ilusões. Esta é uma “acção revolucionária” bem organizada e coordenada.

Não se trata de democracia. A sublevação poderá ter-se iniciado devido ao regime repressivo, mas o que aí vem, não é de bom augúrio. Trata-se de mais uma etapa na tomada do poder pelos radicais religiosos em todos os países muçulmanos. Qualquer entusiasmo com “vinte e cinco de Abris” norte-africanos, é apenas ilusionismo ou crendice bacoca.

Comments


  1. Tens razão! Já no Haiti foi a mesma coisa, assim que há comoção popular a Irmandade Muçulmana começa a pilhar e matar. No Brasil também, a Irmandade Muçulmana depois das cheias começou também a pilhar e a destruir.

    Não creio que estes acontecimentos sejam planeados, sempre que há quebra da ordem pública e que a polícia deixa de estar funcional, este tipo de coisas acontece. Neste caso ao que parece foram os próprios manifestantes que protegeram o museu até chegar o exército (não há link, ouvi em directo na Al Jazeera).

    Já agora, por falar em CNN, eles têm esta reportagem sobre que tipos de pessoas se estão a manifestar – não se ouve falar em religião. Não consegui encontrar no site da CNN referência a pilhagens orquestradas pela Irmandade Muçulmana…

    Nota que não tenho qualquer tipo de admiração ou simpatia pelos radicais islâmicos (tanto shiitas como sunitas) nem pelos respectivos governos, da mesma forma que desprezo ditaduras.


  2. Nuno, é engraçado mas as únicas fontes da notícia parecem ser norte-americanas, pessoal muito preocupado com a possível perda de um amigo no governo do Egipto.
    Mas sendo verdade, é como o Helder diz, e podia acrescentar outros exemplos. Parece que o Islão te cega amigo, a mim cegam-me estas ditaduras nojentas.

  3. Nuno Castelo-Branco says:

    http://www.ansamed.info/en/egitto/news/ME.XAM94465.
    htmlhttp://pavementsofsilver.wordpress.com/2011/01/29/egyptian-antiquities-museum-attacked-in-riots/

    Ditaduras nojentas, pois são, estou de acordo. Para serem substituídas por outras ainda mais nojentas, mais perigosas. Por isso mesmo, irrita-me bastante a retórica anti-Israel a todo o custo. Desculpem-me lá por ser ocidental. Penso sempre nos nossos interesses e para cavalos de Tróia, já temos milhões que nos chegam e sobram. Andam cegos ou vesgos?

    Quando alguém um dia disse a Roosevelt que “Trujillo is a son of a bitch”, o presidente americano respondeu:
    – “Yes, but he is OUR son of a bitch!”

    Percebem?


    • Percebo que não nos devíamos meter onde não somos chamados. Percebo que devíamos preocupar-nos com os nossos próprios problemas. Percebo que se não fosse o facto do MO nadar em petróleo, ninguém ligaria ao raio do sitio.

      Este é um problema: temos de nos livrar da dependência do petróleo.

      Depois percebo que Israel sem o apoio do Ocidente vai desaparecer dado que não tem feito muitos amigos na região. Por uma questão de simples pressão demográfica, vejo o futuro do país muito incerto…

      Este é outro problema e é um problema que os Israelitas têm de resolver.

      Finalmente temos o problema dos emigrantes (onde uma ínfima parte faz parte desses extremistas desmiolados).

      Este mais um problema. O único que é nosso. Tem de ser resolvido, concordo.

      Devíamos cessar imediatamente o apoio a todas as ditaduras, quer sejam ou não simpáticas ao ocidente. Devíamos impor tarifas aos países que usam trabalho quase escravo para concorrer com as nossas industrias de modo a termos um mercado justo (os mercados só funcionam se forem justos), etc. Assim talvez o mundo se tornasse um pouco melhor. Apoiar ditadores é sempre um exercício temporário e claro, perdemos a alma.

  4. Manuel Costa says:

    O que li na BBC é que não se tratava de uma multidão mas sim duas pessoas que se infiltraram pelo telhado de maneira a contornar a milicia popular que estava de guarda ao museu.
    Pelos vistos nem todos os egipcios são muçulmanos iconoclastas.

    • José says:

      Recomendo contenção ao autor do post.
      Tanto quanto me lembro, não foram islâmicos que destruiram o museu de Bagdad mas sim as tropas de G W Bush, as mesmas tropas que se preocuparam em proteger o Ministério do Petróleo de Saddam Hussein.


  5. Caro José,

    Para o tranquilizar, até acrescentaria mais um caso que geralmente é convenientemente esquecido. A limpeza feita pelos Aliados na Alemanha de 1945, foi espantosa e partiram cargueiros com destino aos USA, cheios de obras de arte, além de uma quantidade inacreditável de mobiliário, peças decorativas não classificadas, etc. Mais, aproveitaram-se da condição de vencedores, para se aboletarem em residências privadas que depois roubaram vergonhosamente. Do caso das tropas de Estaline, nem valerá a pena falarmos. Além do escândalo do saque nos museus – tal como os nazis faziam -, até retretes e banheiras levaram. Ainda quanto à US Army, dê uma vista de olhos neste excerto de um link que aqui lhe deixo:

    “Landgravine Margaret had difficult years after 1945; they were compounded by the theft from Schloss Friedrichshof in November 1945 of the family jewellery, valued at over 2 million pounds.[15] After World War II, Friedrichshof was used as an officer’s club by the military authorities during the American occupation. Princess Margaret’s son Wolfgang, fearing for the jewels, had buried them in a subcellar of the castle.[15] On 5 November 1945, the manager of the club, Captain Kathleen Nash, discovered the jewels and together with her future husband, Colonel Jack Durant, and Major David Watson, stole the treasure and took the jewels out of Germany.[16] In early 1946, Princess Margaret discovered the theft when the family wanted to use the jewels for the wedding of Princess Sophia who was preparing to remarry. Princess Sophia and Landgravine Margaret denounced it to the Frankfurt authorities; the culprits were imprisoned but not until August 1951; the Hesse family received what had been recovered, only 10 percent of what had been stolen.”
    http://en.wikipedia.org/wiki/Princess_Margaret_of_Prussia

    Se eles ousavam fazer isto à irmã do kaiser Guilherme e prima direita do rei da Inglaterra, imagine o que terá sido em casas de anónimos. Mas o mesmo aconteceu em todo o lado, desde a Checoslováquia à Polónia, Hungria, Roménia. Nem a Itália escapou.

    O que estava a querer dizer, é o aspecto depredatório que uma certa facção religiosa tem, perante obras de arte consideradas – como são na generalidade – “ímpias”. Não é uma brincadeira ou um preconceito sectário da minha parte. A ralidade é essa mesmo. Todo aquele património que é tão da humanidade como a custódia de Belém ou os painéis de S. Vicente, pouco ou nada valem para essa gente. Mas o tempo o dirá, pois estamos a quente, na entusiasmada fase do “amigo do seu amigo”, “pão, democracia, justiça, liberdade”, etc. O resto virá depois. Esperemos que não.

  6. Rodrigo Costa says:

    Caros amigos,

    Por mais que se queira, não se consegue discutir estas coisas, sem perspectiva política. Sinceramente, gosto que todos os poderes estúpidos —e eu não sei se é possível a existência de algum poder que não seja estúpido— sejam destituídos, apesar de entender que a Humanidade é só uma; e que se vira, normalmente, uma página, para que a póxima, mais coisa menos coisa, a repita —ver o nosso caso.

    As revoluções, no sentido violento do termo, não são, normalmente, feitas por artistas; mas por pessoas que —com ou sem razão— se sentem oprimidas e revoltadas; que querem mudar o curso das suas vidas, e, por vezes, de forma tão violenta e irracional —embora compreensível, porque tudo se explica, não tendo, nós, para tudo, explicação—, que não há espaço para a sensibilidade, a preservação de quiasquer espólios —artístico incluído—, porque eles são, de facto, a marca ou o reflexo de pessoas e de momentos —vidas— que oprimiram —há quem parta o espelho onde não se vê como quer; porque o espelho lhe lembra, exactamente, o que não quer ver.

    Parecendo gartuito —de certa forma, é—, o importante é que os poderes percebam que a sua eternidade não existe. Existe a eternidade do poder, mas não a dos poderes. É isto que os poderes devem extrair, para se tornarem razoáveis e flexíveis. Utopia, já sei!


  7. Sou contra destruição de arte, em qualquer circunstância. Por isso, estou fazendo uma campanha DIGA NÂO À DESTRUIÇÃO DE OBRAS DE ARTE, depois que seis painéis de meu pai, o artista João Martins, foram destruídos no Hotel Glória, Rio, na gestão do bilionário Eike Batista. Meu objetivo é, através de um abaixo-assinado, tentar colocar uma lei mais específica que proíba a depredação de nosso patrimônio histórico-cultural. Caso contrário, o Brasil só conhecerá sua arte através de um HD. O abaixo-assinado está em http://www.abaixoassinado.org/abaixoassinados/8330. Participem! Mais sobre as obras no http://www.giragiramundogira.blogspot.com

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