Irmandades escondidas


Como reagiriam as potências ocidentais, a uma súbita irrupção de violência nas ruas de Lisboa ou de Atenas? Apelariam à contenção das forças de segurança? Declarariam haver “necessidade de reformas”?

Já crepita o fogo por todo o norte de África e no flanco sul da península arábica, o Iémen também entrou na corrente de sublevações que se generalizam. Nem mesmo o regime de Kaddafy parece seguro e apenas são respeitados os Chefes de Estado da Jordânia e do Marrocos, duas monarquias com forte apoio popular, dois países que têm merecido uma grande compreensão da sempre ansiosa diplomacia ocidental. Cremos que o verdadeiro alvo é outro, mais precisamente a Arábia Saudita. A queda do regime de Riade é um velho projecto dos extremistas muçulmanos, sabedores da total dependência europeia e americana, da boa vontade deste regime tacitamente seu aliado. A Irmandade Muçulmana (1) – que possui um programa claro – não deverá ser alheia a estas ocorrências. Há trinta anos caia baleado o general Anwar el-Sadat, vítima da aproximação aos EUA, da paz com Israel e da protecção concedida a outro alvo primordial, o Xá Mohamed Reza Pahlavi. O resultado está à vista e a “Europa” teima em contemporizar, temendo pelos seus negócios e refém dos seus medos. Querendo sempre acreditar em liberdade, os europeus acabam sempre por verificar resignados, a emergência de regimes muito mais repressivos que os derrubados. O júbilo bem depressa dá lugar ao silencioso comprometimento.

Até ao momento, não há notícias de distúrbios nos países cujos regimes se têm mantido como fortes esteios dos grupos radicais. Nem a Síria de Assad ou o Irão – que já reprimiu a sua revolta de 2010 -, parecem ameaçados.

As próximas semanas confirmarão se o rastilho foi incendiado por quem pensamos ser a cabeça destes movimentos. No entanto, não será muito arriscado prever que uma vez mais, os Estados Unidos “perderão” o Egipto. Mais um regime laico em naufrágio sem remédio.

(1) The process of settlement [of Islam in the United States] is a “Civilization-Jihadist” process with all the word means. The Ikhwan must understand that all their work in America is a kind of grand Jihad in eliminating and destroying the Western civilization from within and “sabotaging” their miserable house by their hands and the hands of the believers so that it is eliminated and God’s religion is made victorious over all religions. Without this level of understanding, we are not up to this challenge and have not prepared ourselves for Jihad yet. It is a Muslim’s destiny to perform Jihad and work wherever he is and wherever he lands until the final hour comes, and there is no escape from that destiny except for those who choose to slack.

Comments


  1. Pois… Os medos que sugeres são o que provoca a patética insegurança demonstrada na conferência de imprensa dada ontem pelo press secretary da Casa Branca. Parece-me que em termos de teimosias e contemporização, desta vez, a desarticulada Europa não anda muito longe dos EUA. – Como continuar a apoiar estes aliados quando nos queremos representar como arautos e defensores da democracia, do governo do povo pelo povo? É uma situação complicada mas muito divertida de se observar.

    Só umas breves observações:

    Não faz grande sentido misturar Marrocos e a Jordânia nesta confusão, já basta o que basta, apesar de na Jordânia as coisas estarem a aquecer (em Marrocos tb não são um mar de rosas);
    O Reino da Arábia Saudita, é uma monarquia absolutista conhecida pelos seus excessos, só se mantém devido ao apoio que dá aos radicais islâmicos;
    Se o médio oriente não tivesse petróleo, nem falávamos daquele fim de mundo…

    É óbvio que estas rebeliões têm a mãozinha dos radicais islâmicos, e depois? Se for a vontade destes povos viverem em teocracias, pois que vivam, talvez daqui a cinquenta anos tenham um governo decente.

  2. Nuno Castelo-Branco says:

    Tudo bem. Mas quando os seus “democratas” que vivem entre nós, na Europa, já exigem coisas inaceitáveis – França, Inglaterra, Holanda, Bélgica, Alemanha, Dinamarca, Suécia, etc -, depois não se admirem com votações em certa gente. Espera e verás.

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