Bolsa de Recrutamento de Professores: Critérios feitos à medida


Denunciei há poucos dias uma das maroscas habituais dos Agrupamentos de Escolas para contratar professores através da Bolsa de Recrutamento: estabelecer critérios feitos à medida de alguém que se quer contratar. Nem de propósito, apareceu há pouco tempo na net um manifesto contra a forma como as ofertas de escola estão a decorrer.
O exemplo que trago hoje chega a ser escandaloso. O Agrupamento de Escolas de Rates (Póvoa de Varzim) colocou um anúncio na Bolsa de Recrutamento para um professor de Inglês. Os critérios, para além de já ter leccionado no Agrupamento (mais importante do que ser profesor de Inglês), são de rir: ser Licenciado em Línguas, Literaturas e Culturas – Perfil Bidisciplinar de Português e Inglês pela Faculdade de Letras do Porto; e ter o Curso Superior de Tradutores-Intérpretes do ISAI.
Uma explicação: o curso de Línguas, Literaturas e Culturas – Perfil Bidisciplinar de Português e Inglês, ministrado pela FLUP, curso pós-Bolonha, é muito recente e não há muitos alunos que o tenham concluído. Ora, se é para leccionar Inglês, por que razão excluir desde logo todos os milhares de licenciados em Línguas e Literaturas Modernas, variante Inglês, um curso que existe há várias décadas?
Mas para que não existam surpresas de última hora, ainda se pede ao candidato ao horário que seja licenciado em Tradutores-Intérpretes pelo ISAI, esse magnífico Instituto Superior. Para quê um curso de Tradutores para leccionar Inglês ao 3.º Ciclo?
E quantos candidatos a professores serão ao mesmo tempo licenciados em Tradutores-Intérpretes pelo ISAI e em Línguas, Literaturas e Culturas – Perfil Bidisciplinar de Português e Inglês pela FLUP? Provavelmente, um. Exactamente, esse mesmo.

Comments


  1. Escandaloso, isto é fraude pura e simples. Ricardo, vou-te roubar os artigos para colocar no tretas.


  2. Isto é mato. Todos os dias aparecerm casos destes.


    • E para além dos professores que ocuparam o ministério está-se a fazer mais alguma coisa para combater isto?

      É que não se trata apenas de intuição, o que mostras é fraude pura e simples, mesmo com os políticos que temos, as leis costumam ser equitativas e penalizam a discriminação. Se for assim como é possível haver este tipo de concurso, tão claramente manipulado? Não se pode processar a escola e o responsável que fez isto?

      Penso que os sindicatos deveriam ter os respectivos advogados a trabalhar…

  3. Raul Iturra says:

    Agradeço a sua lição. Sabiamos dos agrupamentos escolares e o fecho de escolas com poucos estudantes, escrevi um texto criticando a Sócrates, sem saber a falência do ensino e do país, que soube ao apresentar a sua dimissão. Permita-me uma pequena dica: as línguas se arendem ao falar, não em aulas e, se puder acrescentar, acresentar um tradutor é a desculpa para contratar a docentes da rale do governo, deixando cinco mil docentes portugueses sem trabalho.Lembremos que os novos governos despedem aos os do anterior com um pretexto qualquer, mas contratam sem desculpa inteligente aos amigos dos amigos.Pedro Mota Soares chegou ao Palácio da Ajuda na sua mota para ser empossado ministro dos Assuntos Sociais. o da educação o viu tão fresco e aberto, que criou este sítio de trabalhos para os que vinham com ele desde fora. É apenas uma interpretação de conversa de corredor com amigos do da Solidariedade, quem, assim, individa ao outro para o dia necessário…A educação não é para ensinar, apenas instrue cidadãos que precisam ir ao estrangeiro para as novas línguas. Mas com esta falência e o ridículo de aprender uma língua que de inmediato torna a lingua mães, o livro a usar devia ser um dicionario… e um português que mota no estrangeiro. E os cinco mil docentes sem trabalho? O eu, pago pela seguranç social por não ser mais util?
    Descule as gralhas, não temos correctot na caixa dos comentários!