OGE de 2012, um instrumento criminoso do governo (e do PS?)

O actual governo, na senda do neoliberalismo e insensibilidade social cultivados ao jeito de gente que se ajeita a benefícios próprios e enjeita servir os interesses legítimos da maioria da população, ignora deliberadamente a distinção entre o bem e mal – o objectivo é acomodar-se a interesses dos privilegiados, um economicismo que o idiota útil António Barreto, em termos contraditórios, abomina, da forma aqui  ilustrada.

No ideário governativo, e em sectores que o apoiam, os seres humanos reduzem-se a objectos e o dinheiro é o valor supremo da vida. Barreto está de acordo, embora se esforce, sem sucesso, por demonstrar o inverso. Deixemos, por aqui, o “anti-epitáfio” do ex-militante do PCP, do PS, aliado da ‘Aliança Democrática’, funcionário público durante muitos anos e agora reconfortado com a presidência da Fundação Manuel Soares dos Santos, reconhecendo, embora, o mérito de ter criado a ‘Pordata’, fonte de base de dados de valor inquestionável.

Regressemos, pois, à acção governativa e ao OGE de 2012. Segundo notícias do “i”, “Expresso” e “Público”, as medidas orçamentais ultrapassarão em 60% os objectivos do memorando da “troika”.

Notoriamente, as medidas até gora divulgadas punem severa e – não haja receio das palavras – criminosamente os mais fragilizados; ou, detalhando, os dependentes de rendimentos escassos, da falta de trabalho e de condições de projectos de vida – salários e horas extras da função pública constrangidos, redução do subsídio de desemprego, cortes avultados em comparticipações nas despesas de saúde, encerramento de mais 300 estabelecimentos de ensino, redução de pensões de reforma, decisão sobre a redução da TSU (Taxa Social Única) são algumas das “pitanças” da ementa anunciada por Passos Coelho ao País, às 20:00 horas.

Se, como é provável, esta noite o PM enveredar pelo tom ludibrioso semelhante ao que utilizou com a jovem estudante da Póvoa de Santa Iria – “corte do Subsídio de Natal? Isso é um disparate!” – estamos esclarecidos. A falta de credibilidade do PM mantém-se intacta.

No epicentro da tempestade orçamental, resta saber que posição assumirá o PS. Com efeito, o partido ‘rosa’ está fatalmente vinculado ao programa decorrente do memorando da ‘troika”. Todavia, com pompa e zelo, o governo PSD-CDS diz-se disposto a exceder os pesados limites de austeridade impostos no documento.

A haver agravamento das imposições da “troika”, confesso curiosidade em saber se António José Seguro vinculará o partido às medidas excessivas do OGE de 2012; ou se, sem complexos de fátuo esquerdismo ou de mimetismo em relação ao BE e PCP, Seguro terá a coragem de o reprovar. A meu ver, é mais seguro que Alberto João Jardim o mande fazer…por motivos de comportamento populista patológico, elogiado, às vezes, pelo próprio PSD que no presente o tem por “difícil adversário orçamental”.

Comments

  1. MAGRIÇO says:

    António Barreto é a prova de que nem sempre a idade nos torna mais sábios. A regressão progressiva das suas convicções políticas são disso exemplo. Hoje, é um suplício ouvir as suas confusas arengas sobre o que quer que seja.

  2. Carlos Fonseca says:

    Caro Magriço,
    Estou de acordo. O homem é um emaranhado de ideias confusas, contradiz a cada momento o que pensava um mês antes e, então, se falarmos de um passado mais vasto, parece um ser completamente diferente, porque oposto.

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