Europa, levanta-te e anda

bandeira europeia

Assim foi em 1789. As cabeças rolaram por causa da guilhotina. Foi a sangue e fogo, com crueldade e manifestos. E a França levantou-se, ajudou outros Estados a andar sem a opressão dos ricos, a ter o seu livre pensamento. O primeiro foi Mozart ao escrever e exibir em Viena, Maio, 1º, 1786, a sua revolucionária ópera Le Nozze di Fígaro. A acção desenrola-se no Castelo do

Conde de Almaviva, algures perto de Sevilha, no ano de 1785.

Fígaro e Susanna, servos do Conde e da Condessa Almaviva, estão noivos e casam em breve.

O Conde mantém um longo assédio sexual a Susanna o que a faz duvidar que este venha a cumprir a sua promessa de abolir o tão odiado Direito do Senhor, que estabelecia a prerrogativa de se deitar com a serva antes de a entregar ao futuro marido.

É claramente uma representação do que Marx, no século seguinte, 1844, denominou luta de classes: que tem mais foça e riqueza, esmaga ao povo pobre, vive do seu trabalho e comporta-se com os plebeus, que faziam a colheita para eles nas suas terras. Representação atrevida no teatro do Imperador de Áustria – Hungria, com o manda chuvas presente, Franz Joseph II Habsburgo, que aclamou a ópera, se saber que estava a abrir a porta a revolução para a liberdade dos povos oprimidos pelo feudalismo, que acabara no século XIX com Bonaparte e os seus Códigos Civil e Penal, para ordenar a vida dos súbditos. Mozart sabia o que fazia, era mação como o se amigo Haydn e lutaram contra a opressão. A segui as Bodas de Fígaro, o igualitário Babeuff escrevia e publicava no seu jornal L’Égalié, o Manifesto dos Plebeus, em que advogava pelo auto governo das comunas. Custou-lhe a guilhotina.

E agora? Éramos mais de cem mil os que desfilamos entre o Marquês de Pombal e a Assembleia de República, que estava em sessão, calmos e tranquilos, mas indignados.

É o movimento da indignação, que pretende acabar com a soberania deste governo que tem alçado os impostos, retirado grande parte dos salários, acabado com os eternos e tantos feriados, por sim ou por não, mandado cortar as regalias, como os subsídios de férias e natal. Como pagamos as nossas contas, com suplementamos os salários recortados, os despidos dos empregos – cinco mil professores sem aulas tantas crianças sem educação.

Foi-me preciso ir ao hospital por causa de doença urgente: nem vaga nem dinheiro para subvencionar a saúde. Somos um povo doente. Não apenas em Portugal, em toda Europa, que está a cair aos bocados por causa dos ricos não serem taxados e investir em guerras alheias que permitem vender armas e combustíveis.

A alternativa não é recortar salário e aumentar os impostos. Há esses gastos imensos dos órgãos de soberania, que permite a concidadãos investir fora do país, sem serem punidos. Passos Coelho, de forma irónica, lembra-se da Igreja Católica e pensa que ganha com a pobreza do povo, que acode a Santa Edwiges  e a Fátima, a espera dum milagre. O nosso ultra católico PM.

Somos um povo indignado. Os poderes do Estado gastaram o nosso dinheiro, faz compromissos com a troika e assim, esta indignação nunca mais para. Protestos tensos em Portugal, violência à solta na Europa.

Quem nos trouxera aos revolucionários do Século XVII e XVIII a nossa velha Europa.

Em sabedoria, lembremos que levanta-te e anda é um mandamento proferido pela Divindade que inaugurou esta forma de agir. Importação, todos, exportação, nada.

Sermos indignados, não ajuda, como Babeuff e Mozart fizera. Precisamos de uma esquerda a governar, com operariado nos escanos, confiscar as riquezas e pô-la a trabalhar e produzir para sermos um pais de exportação e acabar com esta miséria que permite à riqueza, no pagar impostos e investir no estrangeiro. Este Governo deve cair, como em 1974. Não tem agalhas como Allende que em três anos soube arrecadar a riqueza e distribui-la entre o povo que soube investir em bens que rendiam mais-valia.

E agora o que? Apenas indignados? A Espanha, Itália, França têm sabido fazer como é devido: fazer render o capital arrecadado dos proprietários dos bens de produção… E nós? Fátima? O Beato Wojtila?

Comments

  1. MAGRIÇO says:

    Curiosamente, já aqui, nestas páginas, tracei um paralelismo entre aquele período da História e o momento conturbado que estamos a atravessar. Espero que os donos do Mundo não esqueçam os exemplos Históricos…