Um perfeito imbecil

Miguel Relvas, o verdadeiro primeiro-ministro do governo do senhor Coelho, em entrevista à TVI, deu a entender que o corte dos subsídios de Natal e de férias pode ser estendido ao sector privado e vigorar, não por dois anos, mas para sempre. Adiantou que “muitos países da União Europeia só têm doze vencimentos”, e deu como exemplo a Holanda, a Inglaterra e a Noruega.

O senhor Relvas, ou é estúpido, ou quis fazer de nós estúpidos: ganhando 14 meses, o salário mínimo em Portugal rende anualmente 6.790 Euros; ganhando os tais 12 meses, em Inglaterra rende 11.692 Libras (13.296 Euros), e na Holanda 16.783 Euros (fonte: Wikipedia); na Noruega não há salário mínimo, os salários são fixados por negociações entre patrões e sindicatos, mas a remuneração média mínima era em 2010 de 354 mil Coroas, aproximadamente 46.138 Euros (Fonte: Statistisk sentralbyrå).

É de gente deste jaez que o governo da nação é servido. Não sabem do que falam, não sabem do que tratam, mas decidem. Sempre a favor dos negócios que os lá levaram, mesmo que isso signifique deixar os seus concidadãos na maior das misérias.

Carlos de Sá

Comments

  1. José Galhoz says:

    A personagem, se não é um completo imbecil, é um sério candidato, há longo tempo. Mas o que me impressiona mais é que ele acaba por ser uma caricatura deste governo, que fala sem complexos da inevitabilidade das medidas impostas ao país, adopta entusiasticamente as medidas adicionais que “forem precisas” e ignora olimpicamente todas as críticas. Aparentemente, acham que poderão impor o que quiserem, sem oposição que os incomode. Isto significaria que o país estaria morto, desde já. Ainda tenho grandes esperanças de que eles se enganem…


  2. Eu já venho a dizer há muito tempo enquanto formos governados pelos mangas de alpaca nunca seremos nada de nada ,eles são os filhos maus ,das mães boas .
    Vão por mim ele não sabem nada de nada ,como é que nós podemos ir para a frente,estamos sempre a andar para traz,agora somos governados pela troyca .

  3. knome says:

    Essas comparações, parece-me, sofrem do mesmo erro que é direccionado para o citado ministro, faltam outros dados para que a análise seja séria, a produtividade, a riqueza gerada por cada uma das economias em questão.

    • Carlos de Sá says:

      A produtividade depende do valor comercial do nosso esforço de produção: não é trabalhando mais ou mais barato que lá vamos, é trabalhando melhor, isto é, introduzindo mais valor na cadeia de valor dos bens e serviços.
      Mas o governo do senhor Relvas está a fazer exactamente o contrário: anúncios sucessivos de multinacionais interessadas em sacar o que nos resta de recursos naturais, sem que o produto sofra qualquer incorporação de valor cá dentro, e o incentivo à fuga generalizada de cérebros com os cortes cegos também no investimento em massa cinzenta.
      Se um emigrante português é, por essa Europa fora, tão produtivo ou mais do que os locais, porque é que o não é cá? Compare a literacia dos empregadores, e perceberá a maior fatia da resposta; compare o funcionamento do Estado (talvez se surpreenda pelo muito mais Estado que nesses países há) e perceberá o resto.

  4. constantino says:

    Comparação tão imbecil!!!
    E a produtividade do trabalhador português, seu ignorante????
    Ainda bem que vozes de burro não chegam ao céu…

  5. carlosleal says:

    A produtividade do trabalhador português é simplesmente aquilo que tu não sabes definir, porque se compreendesses que foram senhores como este “para-quedista” da politica que destruíram tudo aquilo que nos faria hoje competitivos estarias certamente dentro do assunto. Assim pareces-me mais um dos “lambecús” que infestam hoje o nosso país. passa bem grande imbecil!


  6. E mais uma vez a questão da produtividade … será que ninguém percebe que a produtividade de um trabalhador está ligada, não só, à vontade do mesmo para produzir mais, mas também à capacidade dos gestores, administradores e “cabeças” da empresa em elaborar processos que realmente sejam produtivos, em criar negócios que enriqueçam a empresa (investimento nela e não meter ao bolso) e que criem mais e melhores condições de trabalho ?

    Ao fim e ao cabo, aqui quem não quer trabalhar mais, não é o assalariado mas sim quem manda nele. Daí a questão da literacia de certos “cabeças” de empresas muito bem trazido ao debate anteriormente. Esses “cabeças” não querem aprender, pois estão confortáveis a fazer o bem bom deles. Os trabalhadores ? Esses que ganhem o que sobrar e quando deixar de dar, cupámo-los de serem pouco produtivos. Os “cabeças”, esse ficam sempre a ganhar o deles e ninguém questiona a sua “produtividade”. Talvez ainda ninguém tenha pensado nisto … não sei … mas a mim parece-me um pouco óbvio.

    Estes senhores bate sempre na mesma tecla para justificar certas políticas. Depois invocam exemplos “lá fora” quando é para cortar mas esquecem-se sempre dos exemplos que implicaria com eles cortassem neles próprios. Ainda por cima, existem pessoas que vêem nestas declarações parciais e demagógicas do inevitável, o método para a nossa “salvação”. Até dá para rir …

    • toino says:

      100% verdade. São chefias sem capacidade ou medo que tomam decisões loucas.
      O mais grave é que saem da administração ou chefia e não é nada com eles.
      Foi no tempo do Zé e agora no do coelhone.
      É tudo massa farinha do memso saco ( marca “dá cá o meu” )

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