Pais na Escola

Do acordo entre a FNE e o Governo resulta um velho modelo de gestão das escolas. Apesar de continuar a pensar que a Escola não precisa de gestores, a verdade é que o modelo partidário (sim, não estava a pensar em político) que está no terreno permite e promove todo o tipo de trapalhadas, criando promiscuidades várias entre Directores, Autarquias, Colectividades, Associações de Pais,…

Não se percebe porque é que os do costume assinam. Paulo Guinote questiona sobre o incómodo que tal decisão provoca – eu, que não assinei começo a ter pouca (nenhuma!) paciência para ver sempre o mesmo tipo de comportamento: incomoda e muito!

E reitero uma opinião que partilhei num post recente sobre esta temática e que o Miguel teve a amabilidade de questionar, trazendo para cima da mesa uma saudável divergência entre pessoas que partilham o mesmo espaço sindical.

É ou não positiva a saída dos Encarregados de Educação do Pedagógico?

No Blog DeAr Lindo, a assinatura da FNE é vista com a mesma normalidade com que a FENPROF fica de fora, destacando-se a questão da ausência dos Encarregados de Educação do Pedagógico.

No contexto actual das Escolas Públicas o Conselho Geral, que é uma espécie de parlamento da Comunidade responsável por eleger o Director (faz pouco mais!), não consegue ser o espaço onde os Pais e Encarregados de Educação partilhem a responsabilidade de contribuir para o sucesso da Escola, para além da sua esfera individual, como Encarregados de Educação de algum aluno – e que bom seria se todos fizessem APENAS isto.

Escrevi, há uns anos, que:

A escola, uma criação recente da Humanidade, tem desempenhado, para uma parte da sociedade, um papel de promoção social; no entanto, essa mesma sociedade parece não encontrar significado para a escola, procurando atribuir a esta um conjunto muito diversificado de responsabilidades, que, manifestamente, não fazem parte do património histórico da escola. (p.3)

Parece-me que só há um espaço para os Pais e Encarregados de Educação – o Conselho Pedagógico, com este ou com qualquer outro nome. Há coisas que não são da conta dos Pais? Sim, claro: avaliação dos alunos, avaliação dos professores, currículo, metodologias.

Mas, os Pais e Encarregados de Educação são parceiros fundamentais nas Escolas de sucesso, quer como parceiros nos momentos bons, muitas vezes como angariadores de fundos, mas também nas questões menos positivas, quando se metem ao caminho para ajudar a resolver problemas.  Como mediadores entre a Escola e os pais. São também importantes na apresentação de propostas e de ideias out of the box. Isto é, com a ingenuidade de quem não é Professor, muitas vezes surgem questões e propostas fora do pensamento formatado e estruturado dos docentes, que acrescentam.

Pode ser a experiência positiva com alguns movimentos de pais nos últimos anos, onde estive sempre no Pedagógico, a marcar a minha opinião – mas, para ver a coisa ao contrário: em que outro Órgão poderiam estar os pais?

 

Comments


  1. E que poderiam fazer?!

    Arranjar ainda mais atividades para os professores fazerem ainda mais horas a mais (não digo extraordinárias porque não são pagas)?!

    O problema é que serão sempre os mesmos a envolverem-se e nem sempre sabem o seu lugar/papel…

    Lá está, não é mau, se for bem feito, mas para quê, quando há tanto para fazer antes disso?!


  2. Agora debruço-me sobre isto:

    “no entanto, essa mesma sociedade parece não encontrar significado para a escola”

    Eu, que não tenho essa tua experiência e que só falo de cor…

  3. marai celeste ramos says:

    Sempre pensei que a escola era espaço de professores e alunos e que os pai deveriam ser chamados se algum professor com “tarefa específica” chamasse algum pai – competiçao da da directora de turma da escola profissional que criei em 1972 (a 1ª escola profissional do pais de curricula espalhado pelo país de acordo com o ministério da educação da altura e que deu grande trabalho mas nenhuma discussão pois que havia um “falar claro” (avª de Ceuta) e não havia problemas nem promiscuidade – era apenas uma escola digna em que até os alunos gostavam e cumpriam e tinham tudo até um jardim para o intervalo e Cantina no jardim, com turmas diurnas e post laboral – adorei muito mais do que o supermercado do ensino que era a Lusófona e se tornou, mais tarde, também o INP, que com mais de 50 anos de existência (e medalha de ouro dos 50 anos da Federação Internacional de Turismo
    (???) alguém fez rebentar e rebentou (1998 ??) e foi pena – para esta “tarefa de ensino nos 3 lugares fui sempre por convite”, como técnica, e não como profª regular que nunca fui, mas ensinei 20 anos e adorei e tenho saudades – trabalhei que nem um cão mas era necessário porque dava trabalho manter a qualidade que todos queriam além das longas reuniões – E tenho as melhores recordações dos alunos e nem sei quantos deles aprenderam a gostar de saber e tal que os que podiam voltaram a ser meus alunos na Lusófona, onde acabei por me xatiar com um parvalhão de director do Curso que berrava que era da Maçonaria e dava conferências sobre o tema (e foi o que me convidou pª a lusófona por me conhecer do INP onde igualmente ensinava) e eu não queria saber quem ele era, e pura e simplesmente desapareci pois que nunca me interessei por conversinhas extra curriculares

  4. António Carlos says:

    O Novo Modelo de Gestão

    # Permite a formação de listas candidatas ao Conselho Geral sem obrigatoriedade de que essas mesmas listas incorporem docentes de todos os níveis de ensino (e, logo, como é obvio, de todas as Escolas que foram alvo de fusão em Agrupamento).
    O ponto 3 do Artigo 15 abre, desta forma, a porta a listas de “facção” candidatas ao Conselho Geral e ao faze-lo permite um maior escrutínio sobre o desempenho do Diretor. E isto é bom? É sim, porque o escrutínio do Director passa a ser mais efectivo do que até agora.

    # Faz recair a Avaliação do Diretor no Conselho Geral;

    # Retira a possibilidade do Diretor avaliar os membros (docentes) do Conselho Geral;

    # Retira os Encarregados de Educação e alunos do Conselho Pedagógico; (o Camarada Albino é que não deve ter gostado)

    # Permite a eleição do Coordenador de Departamento (embora de forma algo condicionada)

    A tudo isto junta-se o novo modelo de avaliação que passa para fora da Escola, isto é, passa a ser exterior para as classificações mais elevadas retirando da Escola os sistemas de favor, de compadrio, de amiguismo, de cunha conduzidos pelo próprio diretor

  5. Tito Lívio Santos Mota says:

    e se mandassem as associações de pais para um sítio que eu cá sei, teriam o meu apoio… 🙂

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