Desfazer a Escola Pública vai começar

Ou antes, continuar!

O Ministério da Educação, na linha do Primeiro-ministro Vítor Gaspar, tem uma linha bem clara que o separa da escola pública – a linha que o leva da defesa da Escola Pública à sua venda.

Podemos ter muitos olhares sobre o que é e o que deverá ser a Escola Pública, mas este não é o momento para grandes discussões porque o trabalho de Crato tem sido muito claro.

A aposta do Governo no apoio aos colégios privados e na passagem da Formação Profissional para o IEFP são apenas duas das medidas de que se fala. Imaginem o que vai acontecer à Escola Pública, nomeadamente às Escolas Secundárias, se todos os cursos profissionais passarem para a gestão do IEFP:

– Quantos horários zero? Quantos professores iriam para a mobilidade? Quantos serão despedidos?

Nota: houve escolas secundárias que foram contactadas para receberem, nas suas instalações, cursos do IEFP.

Comments

  1. Luis Agosto says:

    É mau o instituto do emprego e formação profissional ser incumbido de prestar serviços de formação profissional? E a única preocupação que exibem nessa mensagem é sobre a manutenção de empregos de uns professores.

    Parece que essa história de escola de qualidade não tem nada a ver com escola nem com qualidade.

    • António Fernando Nabais says:

      E os cursos profissionais saem das escolas por razões qualidade? As escolas têm criado, ao longo dos anos, condições para receber os cursos profissionais e, de repente, Nuno Crato lembra-se de tirar os cursos profissionais das escolas? A preocupação com a qualidade implica estabilidade e aproveitamento de recursos já existentes, incluindo os humanos. O governo quer, apenas, desorçamentar. Para além de sacrificar a qualidade do ensino, isso levará ao despedimento de professores, que, mais uma vez, graças à insensibilidade do governo, são tratados como material descartável, prejudicando as escolas e os próprios professores. No meio disto tudo, não é questão menor lembrar a comentadores idiotas que os professores, por estranho que possa parecer, também são pessoas e com a vida das pessoas, seja como for, não se brinca. Percebeu?


    • Meu Caro Luís, obrigado por ter comentado. Permita-me que comente o comentário:

      “- É mau o instituto do emprego e formação profissional ser incumbido de prestar serviços de formação profissional? ”

      Não é mau, nem é bom. Pergunto: o que leva o MEC a fazer isso? Acha que está preocupado com a qualidade?
      Sugestão: compare os custos salariais entre uma instituição e outra e perceberá o motivo real.
      Detalhe: num lado são Professores, no outro, formadores. Num lado aplica-se o Estatuto (leia-se regras!) no outro vale mais ou menos tudo, menos tirar olhos.

      Detalhe 2: os professores com horários zero foram “convidados” a mudar para o IEFP. Sabe quantos mudaram?

      “E a única preocupação que exibem nessa mensagem é sobre a manutenção de empregos de uns professores.”

      Sim, claro, também, mas qual é o problema disso? Quando a maior praga do nosso país é o desemprego, creio que não é crime defender o emprego, ou é?

      Sugestão: sabe quem foi despedido para os professores entrarem no IEFP?

      Pois…
      JP


  2. Algumas dúvidas:
    1) O intuito do “post” é defender a qualidade do ensino que todos os contribuintes pagam, ou inscreve-se na (legítima) luta dos professores, enquanto profissionais assalariados do Estado), pelas suas regalias e condições de trabalho? (É que para o cidadão comum estas coisas às vezes parecem misturar-se um pouco… ).
    2) Coincidência ou não, só vejo os professores agitarem a “bandeira” da “qualidade do ensino” quando o “empregador” lhes faz exigências (desde a avaliação, à determinação de quantos “empregados” considera que precisa…).
    3) “Comentadores idiotas” são os que discordam?

    • António Fernando Nabais says:

      1) Comentei o comentário e não o “post”, mas sempre lhe digo que não considero possível desligar a luta dos professores da defesa de um ensino de qualidade;
      2) O “empregador” não faz exigência nenhuma, porque não está preocupado com a qualidade do ensino, não quer avaliar os professores e não quer determinar de quantos “empregados” precisa.
      3) Comentadores idiotas são os que consideram que os professores devem assistir impávidos e serenos ao despedimento criminoso de outros professores ou que só têm direito a protestar se nesses protestos incluírem a preocupação pela qualidade do ensino, como se, voltando a 1), não estivesse tudo relacionado.

    • João Paulo says:

      Luís, tem razão e ainda bem que o reconhece: os professores estão sempre no primeiro plano da defesa da escola pública. Perfeito! Isso é um elogio!

      Quanto à questão da qualidade e da assoicação ser feita apenas com as questões laborais, isso é uma tremenda mentira – amanhã há uma reunião no Parlamento e a FENPROF para tratar de coisas relacionadas com o Ensino Especial que não aquece, nem arrefece aos Professores, como empregados.

      Sugestão: passe os olhos, na diagonal pelo texto que vai ser discutido no Congresso da FENPROF e perceba como é injusta a sua afirmação – http://www.fenprof.pt/Download/FENPROF/SM_Doc/Mid_115/Doc_7173/Anexos/Proposta_A.pdf

      Quanto aos comentadores, tudo na boa. Vamos continuar o debate, mas sem PRÉ-conceitos, ok?

      JP


  3. Então o 1) tem sido pouco (ou mal) explicado aos “não professores”, o 2) não é inteiramente correcto e o 3) é uma questão de se aceitar (ou não) a legitimidade democrática de todos terem opinião sem terem de ser insultados por isso.

    • António Fernando Nabais says:

      O 1) pode e deve ser mais bem explicado, mas a maior parte dos “não professores” não quer saber e rejeita a opinião dos professores sobre Educação, o 2) é inteiramente correcto e, quanto ao 3), limito-me a pedir desculpa ao João Paulo, porque vim ser desagradável para a caixa de comentários que lhe pertence, mas já tenho muito pouca paciência, num país em que toda a gente pensa que tem tudo para ensinar aos professores. De qualquer modo, o meu nome está bem à vista: quem não estiver para me aturar tem bom remédio.


      • António, agradeço as suas respostas. Acredite que não sou dos que “não quer saber”. Quanto ao 3) deixe-me dizer-lhe que a
        a democracia tem um preço danado e que em Portugal ainda poucos estamos dispostos a pagá-lo. Os blogues são um óptimo “farol” para o observar esta característica. Independentemente do contexto e opção política, quando alguém manifesta opiniões contrárias, a “outra parte” agride em vez de esclarecer, refutar, argumentar, tentar convencer. Somos muito “primários” nisso. O insulto é quase sempre mais fácil (chegando muitas vezes à boçalidade)… Infelizmente, e generalizando (talvez injustamente) temos “alma “estalinista” e preguiça na contra-argumentação…
        A democracia implica paciência… (embora concorde consigo que nem todos a merecem).

        • António Fernando Nabais says:

          Embora não tenha grande importância, quero deixar claro que esse polegar para baixo não é da minha responsabilidade, porque concordo com o seu comentário e porque, ainda por cima, teve paciência para me aturar.

      • João Paulo says:

        Pedir desculpa? Era o que mais faltava. Eu escrevi o post para ele ser comentado.
        ehehe

        JP


  4. O 2 é inteiramente correcto, é andar a ver os contractos a associação feitos pelos últimos governos para acabar com as dúvidas.
    A partir de agora, no PISA é sempre a descer.

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