A imagem assimétrica de José Sócrates?


Rui Naldinho

Acredito que a obra Dom Profano seja um bom trabalho na área da Liderança e do Carisma. Tudo temas que devem deixar Sócrates com a libido em alta.
Não deixa de ser irónico, para alguém que começou a vida como licenciado em Engenharia fazendo projetos de duvidosa qualidade urbanística, passando por quase todos os lugares da política, ele ter acabado após uma derrota eleitoral, a estudar filosofia em Paris.


Mas é a vida! E se ele faz aquilo de que gosta, nós não temos que o detestar por esse facto.
Contudo, há determinadas ocorrências na vida do autor que deixam a maioria dos potenciais leitores desconfiados, começando logo por se intrigarem, se isto é mesmo uma obra dele?
Acresce que, José Sócrates trabalhou como ninguém a sua imagem durante anos, com “staff” muito competente nesse domínio, numa verdadeira manipulação das massas. Eu a isso não chamo carisma, mas há quem pense assim. Paciência!
Do outro lado, também tínhamos uma máquina de propaganda, mas menos eficaz a tentar combatê-lo, sem êxito. Tudo porque a direita sempre quis combater os seus adversários pelo medo, pela insinuação, recorrendo se necessário aos ataques de caráter, sem quaisquer provas plausíveis para o fazer.
Ainda me lembro da insinuação sobre uma pretensa homossexualidade de José Sócrates, que teria uma relação amorosa com um ator bem conhecido. Quem faz esse tipo de ataques, nunca mais pode ter crédito.
Se alguém no passado se pode comparar à direita de hoje, no que concerne à manipulação da informação, e dos média em geral, com Spin’s em tudo o que é espaço de comentário, ele chama-se José Sócrates.
Há um momento “zen” na vida política de José Sócrates que eu nunca vou esquecer. O momento em que a sua personalidade se confunde mais com a de um José Castelo Branco, um personagem pretensioso, de com a de um líder carismático.

Comments

  1. joaovieira1 says:

    A democracia tem destas coisas: tanto elege e coloca no topo políticos como Cavaco, Durão Barroso e José Sócrates, todos eles cheios de “boas intenções”, mas com faces, atitudes e comportamentos, profundamente deletérios do ponto de vista ético e social, como permite a eleição de uma maioria de esquerda e um governo que parece ter vindo “mitigar e dar esperança” a milhões de portugueses/as castigados/as por uma austeridade corrosiva dos seus parcos rendimentos, durante a vigência da Troika de mâos dadas com a coligação de direita.

  2. Nascimento says:

    ó ruizinho meu filho da puta, deixa-te mas é de paneleirices e não venhas também como outros deitar abaixo o Jose Socrates.
    isto irrita-me mais que ser corno, foda-se

    • Nascimento says:

      Mas quem é este filho da puta que assina aqui com o nome de Nascimento???O pessoal que tem o domínio do blogue que diga algo porque eu é que sou o “psidente da junta” e já aqui ando há muito tempo! Agora aparece este merdoso socrático a “tentar” ser moi???Não tem nível e nem é da “Outra Margem”!
      Assim sendo, e para por o merdoso a andar, se os donos do tasco quiserem podem dar os IPs de um de outro para ver em que ficamos!! Aí vamos ver se o merdoso que assina agora como “Nascimento” tem coragem de aparecer!!! Ok???Moi non…

  3. omaudafita says:

    Já agora, na imagem de capa do livro de Passos Coelho os olhos fazem lembrar quem?
    Manipulações há muitas…

  4. Nightwish says:

    Licenciado em Engenharia?!?

    • Rui Naldinho says:

      José Sócrates pode ter muitos defeitos, e feito muita asneira na sua carreira política.
      Quem sou eu para o negar!?
      Mas eu ainda acredito nas Instituições Públicas de Ensino Universitário.
      Ele fez nos anos 70, o bacharelato de Engenharia no ISEC (Instituto Superior de Engenharia de Coimbra). Ele tem um diploma.
      Na altura, os Cursos de Engenharia tinham dois níveis curriculares. Os Engenheiros Técnicos, que eram bacharéis dos Intitutos Politécnicos, e os Engenheiros formados nas Faculdades de Engenharia, que eram os licenciados.
      Hoje esses Licenciados são Mestres em Engenharia, com as mesmas disciplinas curriculares dos anteriormente Licenciados. Haverá alguns ajustes mas pouco significativos.
      Os bacharéis passaram a licenciados. Estes últimos podem ainda fazer o Mestrado nós próprios Institutos Politécnicos.
      Portanto, eu penso que Sócrates tem o curso de Engenheiro Técnico Civil. Ora, hoje esses formados, agora são licenciados em Engenharia Civil.
      Quem não tem curso nenhum é o Miguel Relvas.
      Nem do Politécnico, nem numa Faculdade que se preze de o ser.
      Esse tirou o curso na “Farnha Amparo”, numa daquelas Universidades que vendem Títulos académicos para coiros.
      Se Sócrates comprou o Mestrado na Universidade Independente, Relvas comprou o curso inteiro na Universidade Lusófona.
      Qual delas a melhor!?

      • Nightwish says:

        Sócrates continua a não ser licenciado nem a ter um curso de Engenharia.

        Não que isso me interesse muito, quero que os dirigentes sejam limpos e competentes e isso pouco ou nada tem a ver com um papel assinado por uma entidade de ensino.

  5. o que acho grave é comparar o que se passava na comunicação social no tempo de sócrates, com o que se passa agora. sócrates pode ter tentado criar um grupo de comunicação que lhe desse gás, mas a direita já ocupava os lugares de direcção nos outros todos. É um relativizar que só serve a situação.

  6. Rui Naldinho says:

    Sim, nessa matéria estou de acordo, consigo.
    Dai eu dizer que já havia uma imprensa que lhe tentava criar obstáculos.
    Mas estamos a falar de Sócrates, e não dos outros.
    Tudo isto é sobre um livro.

  7. Pois, mas diz que “Se alguém no passado se pode comparar à direita de hoje, no que concerne à manipulação da informação, e dos média em geral, com Spin’s em tudo o que é espaço de comentário, ele chama-se José Sócrates.”

    E não há comparação possível, nem na altura havia – ou não houve uma televisão a entrevistar todos os banqueiros portugueses? que capacidade de manipular informação era essa que foi derrubado por uma narrativa construída? E, note-se, nunca votei no Sócrates. E enquanto ele por lá andou nunca votei sequer no PS (depois também não, confesso)

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