Está assim o Porto. Vivo.

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(Santa Catarina, Porto, hoje de tarde)

Já não me lembrava de ver o Porto assim. Tanta e tanta gente que nem se consegue estacionar o carro para passear pelo centro da cidade. Foi assim desde que regressei no início de dezembro e acreditei que depois do Natal já seria possível passear com mais calma. Não se consegue. É um incómodo? É. Antes assim. Prefiro o “meu” Porto vivo que aquele outro, do passado recente, moribundo, vazio, degradado e sem pessoas.

Que bom que é ver este Porto ainda mais pujante que aquele dos anos oitenta, antes dos grandes centros comerciais e dos “Continente”. Esse Porto que conheci com o meu pai e a minha mãe, ele com as suas constantes idas ao alfaiate na 31 de Janeiro ou comprar o “seu” Le Figaro na Bertrand. Ela naquele “seu” Porto das bolas de Berlim e das amêndoas de chocolate na Páscoa na Confeitaria Cunha, da estafa de deixar o carro estacionado no Silo-Auto e fazer todo o centro, toda a baixa a pé. Sem esquecer a fruta na “Bananeira”, o queijo da Serra na loja do senhor do gato à Trindade (e cujo nome não me recordo). Ou do terror de ter a minha mãe a entrar no Silo-Auto no seu peugeot 205 pela saída. Era um Porto vivo, com pessoas e poucos turistas. Hoje é mais que vivo, é pujante e a nós juntaram-se os turistas e a todos une um enorme encanto por esta cidade renascida.

Por isso sei que tenho a obrigação, pelo enorme amor que tenho por esta “minha” cidade, de dizer: Obrigado. Obrigado Rui Moreira e toda a sua equipa. Sim, eu que estive do outro lado da barricada, que nunca acreditei que Rui Moreira tivesse “unhas para esta guitarra”, dou a mão à palmatória perante as evidências. Era este o Porto em que acreditava com o “Porto Forte” de Luís Felipe Menezes. Continuo a pensar que LFM o conseguiria. Porém, entenderam os portuenses que seria Rui Moreira o homem indicado para o fazer. Está a ser, tinham razão os eleitores. Pouco importa, o que interessa é que temos mesmo um Porto forte e isso é (e era) o mais importante. Um obrigado, igualmente, com a mesma força, a todos os privados que contra ventos e marés decidiram arriscar, investindo o seu dinheiro. Sem eles não se teria conseguido chegar até aqui. Um justo obrigado aos responsáveis pelo momento inicial, pelos primeiros passos neste caminho, os responsáveis da Porto 2001 e a câmara liderada por Fernando Gomes. Foi aqui que tudo começou, com enorme lentidão (as obras da Porto 2001 foram um desespero pela sua demora, pelos seus constantes avanços e recuos mas está lá a génese da recuperação do espaço urbano). Foi um processo longo, por vezes doloroso mas valeu a pena.

Continuo sem conseguir passear com tempo pela minha cidade nestes dias. Não me importo. Prefiro mil vezes vê-la assim, pujante, com vida. Eu tenho tempo.

Comments


  1. Ainda bem para o Porto mas quem fez a grande mudança foram as pessoas não os políticos. Luis Filipe Menezes? Está tudo louco ou quê?


    • Em que parte do texto diz que foi LFM?

      • Daniel Nogueira - MCLT says:

        Dizer não o diz no texto, mas ao deixar -tagged- o nome Luís Filipe Menezes, é normal a malta perguntar-se “porque raio” o nome dele foi -taggado- ou mencionado neste artigo …. 😉

        E sim, o Porto está à pinha, esta semana sobretudo de Espanhóis, na semana passada eram muitos os Asiáticos …. é só irem vê-los polular, por exemplo ali a descer para as Flores …. Estou actualmente numa loja que tem portas abertas por ali perto, sei do que falo, pelo menos até às 19h as ruas parecem um verdadeiro circo ….

        Venham de lá essas Santas Piastras para a economia Local e do País ! =)

        Contudo …. note-se, está muito povo Tuga só de férias e/ou só a passear miúdos seus que de férias estão também …. não compram nada, não querem nada, apenas querem queimar tempo ….. e aborrecer os Lojistas com o seu Tempo Em Excesso ….


  2. Duas referências a LFM! A seguir a “Porto Forte”


    • duas referências sobre o facto de eu o ter apoiado e nem por isso deixar de sublinhar o excelente mandato de RMoreira e uma segunda dizendo que o me me fez apoiar LFM foi exactamente acreditar que ele conseguiria fazer renascer a cidade. Em nenhuma delas digo que o fez, pois não podia visto não ter ganho. É a minha opinião e convicção. Vale o que vale.

  3. Konigvs says:

    Acho que não é o Porto que está vivo. São as pessoas que estão todas de férias e andam a trocar as prendas indesejadas da festa do consumismo e à cata dos saldos e das promoções!

    O Porto sempre teve gente em Santa Catarina, mau era se não tivesse! O problema sempre foi a partir das 7 horas, hora a que fecham as lojas. E em que só se vêem putas, proxenetas e paneleiros.

    A única mudança que se vê na cidade são as obras por todo o lado, tudo serve para comprar, parece que há gente a comprar ruas inteiras, e a restaurar prédios para alugar. Onde antes viviam pessoas, agora não vive ninguém. Porto vivo ou Porto deserto? Sabes quantos habitantes tem a freguesia da Vitória? 800 e a decrescer vertiginosamente!!!
    Mas cheira-me que que não é o Rui Moreira que anda a comprar tudo para alugar a turistas…e na volta será não sei, diz-se que ele é muito rico.


    • Mas então como explicar as enormes multidões no Porto todas as noites (pelo menos este mês pois nos outros meses não estive cá para ver)? Como explicar a constante abertura de restaurantes, bares, lojas por toda a baixa? Como explicar que durante o dia (repito, pelo menos este mês) é ver gente e gente por Santa Catarina, 31 de Janeiro, Aliados, Clérigos, Mouzinho, Ribeira? Quanto ao facto de estar a diminuir o número de habitantes, isso não sei mas acredito que esteja a acontecer.

      • Konigvs says:

        Dezembro é sempre um mês atípico. Todos os fins de semana, baixa e centros comercias não se pode andar,por causa das compras. Sempre foi assim e sempre assim será. A grande mudança no Porto nos últimos anos foram os voos de baixo custo que trouxeram milhares de turistas, aliás, até em Aveiro isso se reflete e muito! Não tem nada a ver o que está agora a acontecer – e queres ver que também foi responsabilidade do Ribau Esteves? Claro que não foi! Portugal está inundado de turistas mas o mérito não é de nenhum presidente de câmara. Quanto à noite do Porto disso já não tenho conhecimento, porque deixei de sair ainda no tempo em que chegava a casa empestado de fumo no corpo.

        • Daniel Nogueira - MCLT says:

          Low Cost Flights, definitely one of the Main Reasons, que ninguém duvide disso…. isso, e já termos um Aeroporto à séria, e não um Aeródromo como o antigo era …..

      • Ricardo Ferreira Pinto says:

        Diria antes que o Porto está vivo apesar dos políticos e não graças a eles.

        • Daniel Nogueira - MCLT says:

          Não vamos agora aqui desatar a malhar no Rui Moreira, que assim só por acaso até tem feito muito bom trabalho, penso eu … e sobretudo, sem ter de ser nem um clássico “vendido” a interesses e interesseiros, nem ser um “subalterno” da Capital do Império …. !

  4. Ricardo Ferreira Pinto says:

    E ao mesmo tempo, os centros comerciais também estão cheios. Esta semana a seguir ao Natal tem sido uma loucura.
    Hoje, no Parque Nascente, dia em que começavam os Saldos, umas 50 pessoas estavam concentradas à porta da Zara, faltavam 5 minutos para as 10 horas. Quando a loja abriu, entrou tudo por ali dentro como se não houvesse amanhã.

    • Daniel Nogueira - MCLT says:

      Algo estilo Boxing 🥊 Day do Povinho Tuga …..

    • Daniel Nogueira - MCLT says:

      Se 50 estavam na Zara, imagino então na porta 🚪da Primark … e se eles pudessem andar numa Primark de 5 pisos estilo Madrid, aí então é que seria a pura da loucura ….. 😉

      • Ricardo Ferreira Pinto says:

        Curiosamente, no NorteShopping, os outros lojistas andam a queixar-se de que a Primark anda a mudar o tipo de clientela do Centro Comercial.


        • A Primark foi a salvação do Parque Nascente. Andava às moscas e a definhar e agora está sempre cheio de gente. O Norte Shopping sempre foi muito forte. Até acredito que a Primark esteja a mudar a clientela. Contudo, é sempre o fim do mundo seja na VCI, seja na Circunvalação, seja na avenida AEP por causa do trânsito de acesso ao centro comercial.


        • Ricardo, onde vivo actualmente os centros comerciais eram fraquinhos em termos de número de clientela. Entretanto, no passado mês de outubro, abriu a primeira Primark da ilha e num shopping novo (igual a todos os outros que já existiam). Desde esse dia que é o fim do mundo em todas as vias circundantes ao novo shopping e pela primeira vez vi ali o que se passa aqui há anos. Ora a única diferença com o passado é mesmo a existência da Primark. Um verdadeiro “case-study”.

          • Ricardo Ferreira Pinto says:

            É verdade. Os responsáveis do Parque Nascente dizem que têm 12 milhões de visitantes por ano – acredito que seja verdade.
            Mas quem estiver com atenção, a ver o movimento diário, praticamente só vê sacos da Primark na mão dos visitantes. A Primark deve concentrar 90% das vendas. O resto, à excepção do Jumbo e da Praça da Alimentação, é quase residual.
            A explicação é muito simples: os preços. Não acho que seja um «case-study» assim tão grande. Imagino onde fabricam.


  5. A actual actividade e notoriedade do Porto reside na profunda transformção encetada no mandato de Fernando Gomes. Estas coisas levam décadas a ser criadas. Primeiro é preciso criar as condições materiais, objectivas e subjectivas para que elas aconteçam. Sem os projectos concluídos e lançados durante os seus mandatos – Parque da Cidade, Metro, Classificação como património mundial UNESCO, Casa da Música, modernização do Aeroporto, e outras coisas menos conspícuas mas não menos importantes – nada disto teria acontecido. Não foi por acaso que a famosa “movida portuense” nasceu na zona da cidade renovada e reestruturada pela Porto 2001.

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