MONIZ

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A SAÍDA ANUNCIADA
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Quem se mete com quem se mete, leva!
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José Eduardo Moniz, por ventura o melhor dos directores da televisão Portuguesa, saiu da TVI.
Poder-se-ia dizer que estava já anunciada a sua saída há muitos meses, desde que a estação televisiva escolheu como principal alvo o ainda nosso Primeiro.
Poder-se-ia dizer, lá poder podia, mas ninguém dirá, pelo menos os que mandam na gente, e muito menos eu que destas coisas, percebo nada.
Moniz mexeu onde não deveria, e está-se mesmo a ver, o pau partiu pelo lado mais fraco.
É lamentável e deprimente que se viva desta maneira, neste nosso País, e, pior, com gentinha desta laia.
A vida é feita de ciclos, alguns são assim, e acabam desta maneira!

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Ora nem mais…

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O que é o Iberismo ?

Pela primeira vez foi feita uma sondagem em Portugal e em Espanha sobre uma eventual federação Ibérica.

Portugueses são 39,9% que dizem sim à ideia, Espanhóis são 30% os que acham boa ideia essa união política.

Em primeiro lugar não sei bem se aqueles conceitos se identificam, confesso. Federação Ibérica é o mesmo de “fusão” ibérica? E Iberismo tem como objectivo a Federação de todos os Estados que reivindicam autonomia ou trata-se de um só Estado, um só território, e vários povos?

E agora que estamos na UE porquê este súbito reacender do Iberismo?

O Miguel Gaspar no Público diz-nos que é a razão mais cínica que nos faz mover. Acabados “os fundos comunitários” os portugueses mandriões e pobretes voltam-se para Espanha para o novo “el dorado”. Porque por muito que não gostemos de Espanha a verdade é que o país vizinho vive muito melhor do que nós, tem condições para sair da pasmaceira, evoluiram muito melhor que nós na cultura, na sociedade, na economia.

Como não somos capazes de nos aproximar deles pela competência então juntamo-nos a eles. A muito portuguesa inveja, leva-nos sempre a procurar a solução mais cómoda.

Ora, o único iberismo possível é sermos capazes de dar o salto como eles deram, ficar ao nível deles e compreender onde falhamos e eles não!

Apontamentos & desapontamentos: As eleições autárquicas em Lisboa

Hoje é um mero apontamento, pois ao falar da classe política já não faz sentido manifestar qualquer espécie desapontamento. Sou lisboeta, filho, neto e bisneto de lisboetas. Nasci em plena Baixa, ali pelas mesmas paragens por onde o Pessoa, e o seu Bernardo Soares, remoíam o desassossego e às vezes o afogavam num copinho de aguardente ao balcão do Vale do Rio (aquele em que o Fernando foi fotografado «em flagrante delitro»). Porém, não moro na cidade e, por isso, não posso votar na eleição do presidente do município da «minha» Lisboa. De todos os candidatos em presença, tenho dificuldade em escolher um do qual o programa e as provas dadas me dêem garantias de que as coisas vão correr bem. O António Costa, apesar de pertencer a um partido de que não gosto (na verdade, não sendo anarquista, não gosto de nenhum dos partidos existentes), desiludiu-me. Por aquilo que dele sabia – fui muito amigo do pai, excelente escritor e cidadão de primeira água – pensei que fosse fazer melhor. Bem sei que herdou uma situação difícil, mas isso é um dado adquirido – todos os autarcas herdam situações complicadas. Porém, a maneira como lidou com essas dificuldades, definem-no como um autarca vulgar, com soluções de compromisso nem sempre, quase nunca, aceitáveis. Não me parece que devesse insistir neste cargo. Não lhe assenta bem. Mas ele é um político profissional e, na sua perspectiva, não tem alternativa. O candidato do Bloco, não sei, seria um voto em alguém que não vai ganhar, mas não seria por esse motivo que deixaria de votar nele. Dizem-me que, pese embora a sua «genealogia» estalinista, é pessoa séria. Talvez fosse a minha escolha. Talvez. Nos candidatos do PCP e do CDS, sejam quem forem e prometam o que prometerem, nunca votaria por uma questão de princípios. E Santana Lopes?
Não é candidato que se apresente. Comparando-o com outro autarca do mesmo partido, o Rui Rio, por exemplo, Santana fica a perder (Não digo em obra feita, mas, pelo menos, em imagem). Mas esse é o drama do PSD – não tem gente de qualidade – o PS tem-na bem arrumada no sótão e empacotada, mas tem-na. O PPD, ainda vá que não vá, tinha aqueles jovens da Ala Liberal da ANP, teve pessoas como a Natália Correia, enfim, sempre era outra coisa. Agora tem o Pacheco Pereira, que é um homem de cultura, mas esse teria de criar um partido só para ele. Tem o Marcelo Rebello de Sousa, uma espécie de «bruxa má» destilando, sempre com um sacaníssimo sorriso, veneno a torto e a direito, até entre os seus correligionários. Em suma, o PSD é um deserto de ideias e de pessoas apresentáveis. Veja-se a Manuela Ferreira Leite – hesitante, mentindo tanto como Sócrates, parecendo mais séria só porque, de facto, se ri menos. Mentindo porque tem a desvergonha de criticar até mesmo medidas económicas lançadas por ela quando fez parte do ministério de Durão Barroso. A Manuela Ferreira Leite não existe. É uma sombra de outra sombra – da inexistente personalidade de Cavaco Silva. Tenho dito por diversas vezes que nunca gostei de Francisco Sá Carneiro enquanto era vivo e não seria pelas condições trágicas em que morreu que iria passar a apreciá-lo. Era um político no mau sentido da palavra – oco de ideias, chicaneiro, manipulando a oratória, a sua e a dos adversários. Em todo o caso, era um político. Ponto final. Os que lhe têm sucedido são gente sem vergonha em busca de tachos para eles e para os amigos. Tachos e protagonismo. E Santana Lopes, não sendo propriamente um político, é um paradigma desse tipo de pessoas.
É um homem do jet set, das revistas cor-de-rosa, mas não é um político (embora considerando toda a carga pejorativa que o termo comporta, mesmo assim ele fica aquém). Lá habilidoso e desenrascado é ele – envia um postal ao Machado de Assis, o grande escritor brasileiro morto em 1908, confunde um anúncio do livro Cuidado com os Rapazes com uma ameaça e convoca uma conferência de imprensa para denunciar a conjura, mede o Co2 em magawatts e inventa concertos de violino ao pobre do Chopin… Era quando desta gaffe secretário de Estado da Cultura, veja-se.

E secretário de Estado de quem? De Cavaco Silva, claro – o tal primeiro-ministro de Portugal que não sabia quantos cantos têm Os Lusíadas. Que pronunciava pograma e supreza. Gaffes e atropelos da língua e da cultura que o actual presidente da República não comete, já se vê). Mas Santana não se prende com ninharias. Ah não são megawatts, são toneladas? E então, não faz tudo parte do sistema decimal? O Chopin não compôs concertos para violino? E não podia ter composto? No século qualquer coisa já se fabricavam violinos, ou rabecas… Então esse tal gajo, o Machado não sei quantos, morreu há cem anos? Qual é o mal de lhe mandar um postalinho? É o chamado «desenrascado», não se prende com pormenores. Passa adiante. Só que a política autárquica é feita de pormenores, pelo conhecimento de pequenas coisas que às vezes têm um grande significado para os munícipes, de amor pela cultura (que ele arrogantemente despreza, porque a ignorância é sempre arrogante). Desta vez chega prometendo mais um túnel, avisando em todo o caso que provavelmente não o fará. Enfim, a verdade é que o António Costa, menos ignorante, com menos gaffes, mais ponderado no discurso, pessoa mais séria, também não fez grande coisa e a cidade está num caos. Duma coisa podem os lisboetas estar seguros – os múltiplos problemas da sua cidade, incluindo a excessiva emissão de magawatts de Co2, não será Santana Lopes que os resolverá. É a escolha mais óbvia a não fazer. Mas, e a escolha certa? Há alguma? Parece-me que não. Em todo o caso, oxalá os meus conterrâneos façam outra escolha, seja ela qual for será provavelmente uma má escolha – só que com o Santana o «provavelmente» não faz sentido. O Santana outra vez, não. Dêem o benefício da dúvida a qualquer um dos outros. Porém, desde que vejo o mafioso Berlusconi a ser eleito pela quarta vez, na Itália da cultura, como posso acreditar que os alfacinhas, com o seu pendor fadista e fatalista, não sejam também eles seduzidos pelo charme indiscreto da fatal ignorância do playboy Santana?

O DIAGNÓSTICO

O DIAGNÓSTICO

(Mais um conto da Guiné. Espero que saboreiem como eu saboreei)

O sol baixava a sua fogueira comendo a sombra à medida que a luz crescia. Como sempre, meti o corpo dentro de uma velha bata branca e dirigi-me ao posto de socorros, onde me aguardavam soldados e nativos para a consulta matinal. Hora respeitada. Ritual.
Logo que cheguei, os olhos caíram-me na figura de uma velha cuja idade mirrara na secura das carnes. A pele parecia colada aos ossos e a silhueta nem sombra dava. Os sorrisos esqueceram-se para lá da boca, e dois ninhos de rugas guardavam os olhitos faiscantes.
O “Manjaco”, nome da etnia de que era originário, um dos meus ajudantes nestas tarefas clínicas, alto e desengonçado, sempre feliz e afável, surgia acima de todas as cabeças.
– Manjaco, vamos ao trabalho.
-Dotô, manga pessoal, manga chatice!
Quando chegou a vez da velha, o Manjaco torceu o nariz, dando a perceber que era de língua difícil e de terra sem lugar, lá onde acabam bolanhas e começam mangueiros e coqueiros. Por universal defeito de raças e linguagens as nossas falas não se cruzaram. O Manjaco olhou em volta procurando intérpretes para aquele resto de corpo. Bateu o pé no chão para espantar a pequenada, debruçada na curiosidade.
-Maldita canalha, maldita velha qui só vem no chateanço. Tu, vem cá, e tu.
Os dois rapazes entreolharam-se como se mutuamente se desconfiassem. Um deles era mandinga e o outro não me lembro.
Puseram a velha a queixar-se. Ela sacudiu os ossos em imitação de tosse, ao mesmo tempo que apertava entre os dedos a pele seca da garganta. Numa espécie de dança, mexia o corpo para a frente e para trás baloiçando a magreza. Agitava-se em tremuras fingidas, emitindo uma espécie de grunhidos salpicados de baba, enquanto as mãos apanhavam o baixo-ventre ou se espalmavam nas hipotéticas ancas. O Manjaco ia observando toda aquela mímica com ar enfastiado:
-Ché! A velha é maluca!
Olhou de maneira inquisidora os dois moços, apontou para a velha, e já com a paciência a apagar-se, exclamou:
-Fala pá, fala maleita di velha.
Os dois esquinaram o olhar, torceram a boca, e a aflição somou as duas caras. O primeiro virou-se para o segundo e disse numa lenga-lenga:
-“blá, blá, blá.
O segundo voltou-se para o Manjaco e traduziu:
-blé, blé, blé.
O manjaco encolheu os ombros, esboçou o gesto de quem nada percebeu, olhou-me de soslaio e exclamou:
-Dotô, isto estar grande merda!
De novo solicitada, a velha repetiu a cena escorrendo as palmas das mãos pelas pernas abaixo, esboçou um espasmo figurativo de dor, enroscou-se num ar felino e cravou os olhos desafiadores na cara do Manjaco. Disso é que ele não gostou. Com ar zangado, agarrou os dois rapazes pelos ombros, e numa última tentativa interpelou de novo:
-Tu ca sabi pá, tu ca sabi puto língua di velha, puxa por mimória, pá. O primeiro virou-se para o segundo e disse:
-Blá, blá, blá.
O segundo voltou-se para o Manjaco e traduziu:
-Blé, blé, blé.
O Manjaco não atingiu e enraivou o anterior desabafo, espaçando as palavras:
-Dotô,…isto…estar…grande…merda!
Caracoleou então por entre queixas e deixas, desmontou os arrebiques da velha, denunciou a incapacidade dos intérpretes, e bufou de furor e impaciência. Tomou ele a iniciativa. Ensaiou uma cantoria zombeteira e atirou à cara da velha uma autêntica algaraviada. Furiosa, a mulher fez assomar ao nariz uma lágrima de ranho, fincou no chão os pés calçados de lama seca, olhou os dois intérpretes, fulminou o Manjaco, calou uns segundos de silêncio e voltou aos mesmos gestos e grunhidos, com força redobrada e descrição veloz, como cena de filme a correr em acelerado. Parou de repente, fitou de maneira desafiadora os circunstantes e cravou pela primeira vez os olhos em mim, como que a dizer:
-Então, já percebeste?
O Manjaco estava desorientado. Começou a dar uns passos curtos e outros compridos, rodopiou sobre si mesmo, volveu os olhos ao céu, e a despeito da vontade de estrangular a velha, voltou-se calmamente para mim e disse:
Olha Dotô, corpo de ela tá todo fodido.

                (manel cruz)

(manel cruz)

José Sócrates conseguiu

Não foi de uma maneira, foi de outra…

Cartazes para as Autárquicas (Valongo)

(iniciativa explicada aqui)
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Maria José Azevedo, Candidata independente, Valongo.

POEMAS DO LUSCO-FUSCO

Não sei fazer uma rosa
nem me interessa
não sei descer à cidade
cantando
nem é grande a pena minha
não sei comer do prato dos outros
nem quero
não sei parar o fluir dos dias e das noites
nem isso me apoquenta
não sei cativar o brilho
do poema azul…
…e isso dá-me vontade de morrer.

               (adão cruz)

(adão cruz)

QUADRA DO DIA

Comem tanto que dá nojo
Tem mão neles ó S. João
Se não lhes dás cacetada
Ficamos sem um tostão.

AS QUESTÕES ÉTICAS NOS CUIDADOS DE SAÚDE (7)

AS QUESTÕES ÉTICAS NOS CUIDADOS DE SAUDE (7)

Os projectos humanos vivem do ancoramento temporal do passado, em luta contra o estreito espelho do nosso vazio presente, com os olhos no poderoso estímulo projectivo do futuro. A educação, toda a educação, neste caso a educação médica, está acima de tudo, acima da própria saúde de que vai ser o suporte, acima do pão e da paz. Da mesma forma que com a educação em geral, dentro de uma correcta educação e formação médicas tudo é possível em termos de saúde. O gene saudável ou a mutação patológica do exercício da medicina e de toda a ética que a envolve podem coexistir no útero da Faculdade e no seu leite natural. Claro que esta educação não se limita à transmissão, pura e simples, dos conhecimentos científicos. Não é preciso ser muito esperto para compreender que a formação global e estrutural do homem é bem mais complexa.
Eu costumo dizer que a cultura é a capacidade que o Homem tem de entender os fenómenos que o rodeiam. Parecendo demasiado simplista, esta definição encerra um profundo conteúdo. A cultura, empilhamento de conhecimentos, suporte de medíocres serventuários e de incriativos plagiadores, simples potencial quantitativo, não produz o saber vital, o saber estar na vida. Nenhum médico pode ser bom médico se não for culto, se não for uma pessoa bem formada. Não vou aqui estabelecer os critérios que definem uma pessoa culta, uma pessoa bem formada. Mas posso dizer que uma pessoa que não entenda o mundo, que não compreenda a razão das razões, que não agarre a essência e a substância dos complicados fenómenos com que tem de lidar, que não saiba o valor da humildade, que não reconheça o mal da presunção e da arrogância, que não aceite a indispensabilidade do bom-senso, que não seja capaz da linguagem falada, escrita, gestual e psicológica exigida pela sua missão, não veicula, nem de longe nem de perto, os elementos indispensáveis à criação da tal “relação privilegiada com uma pessoa muito especial, o doente.”(Continua).

                 (adão cruz)

(adão cruz)

Os políticos que "estão" arguidos

Estar arguido é uma situação que pode acontecer a um qualquer de nós. Ser arguido num determinado processo requer que haja fundadas razões e dá um conjunto de condições de defesa que só são usufruíveis se se estiver nessa condição.

É, pois, o Estado de Direito a funcionar. Não há mal nenhum ser arguido e até prova em contrário todos são inocentes.

Outra coisa muito diferente é um arguido concorrer a um cargo público seja de nomeação seja por eleição. Porque estas funções requerem antes de tudo, credibilidade. Se uma pessoa está sujeita à suspeição desde logo fica fragilizada no que, para ela, é a característica mais importante.

Isto é indesmentível, e não se percebe porque a Lei não acolhe este argumento. Poderá dizer-se que se assim fosse não haveria governo ou Assembleia ou Executivo camarário que chegasse ao fim do mandato. É certo, pois então gradue-se as circunstâncias. Se estiver a exercer só sairá se for considerado culpado, se for para concorrer basta estar arguido.

Há uma terceira questão talvez a mais importante. O eleitor não pode exercer o seu direito de escrutínio e “individualizar” os nomes que não quer ver eleitos. Se há quem eleja “isaltinos” e “felgueiras” só podemos lamentar o baixo nível de exigência desses eleitores, mas que os eleitores conscientes e exigentes não possam impedir a eleição de quem , a coberto de uma lista partidária, passa sem o seu apoio é profundamente lamentável.

Aqui está uma medida que muito contribuiria para a limpeza do balneário!

O Grande Irmão engordou

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“Data e hora das chamadas ou da ligação à Internet, endereço de IP, nome e endereço do utilizador ou subscritor do serviço, localização de aparelhos móveis – são alguns dos dados que, a partir de amanhã (hoje, quarta-feira), os operadores de telecomunicações passam a ter de guardar durante um ano, para o caso de um juiz requerer a informação. De fora desta medida fica todo o conteúdo das comunicações, cuja retenção continua a ser proibida”, relata o Público.

Quase nada de novo. Continuamos a ser controlados. Cada vez mais. Continuamos à disposição dos senhores juízes e dos senhores das operadoras de comunicação. O que nos vale é que é tudo boa gente e de confiança. Tenho a certeza disso. Você não tem?

The new movie

Michael Moore estará em breve de volta. Desta vez, Capitalismo, Bancos, Corporações. Fico ansioso. Pelo filme em si, e pelas reacções dos americanos que têm sempre muito medo do comunismo. Mas calma! É só para Outubro! Fico à espera.

“It’s got it all — lust, passion, romance and 14,000 jobs being eliminated every day. It’s a forbidden love, one that dare not speak its name. Heck, let’s just say it: It’s capitalism.”

PSD – As listas da vergonha

As listas sempre foram um problema para os partidos. Em especial para o PSD.

No caso de listas de deputados a coisa repete-se legislatura após legislatura. Como com o mal dos outros podemos todos bem, vamos cingir-nos ao caso do PSD de Manuela Ferreira Leite.

A escolha da líder é clara. Mantendo a tradição, desrespeitou o espírito da lei colocando barões de Lisboa e do Porto a liderar listas na parvónia. Fazendo de conta que não é nada com ela, esqueceu as sábias palavras de Marques Mendes (que classificou domingo, em entrevista à Agência Lusa, como “uma vergonha” para a democracia e uma “atitude chocante” para o comum dos cidadãos que políticos acusados, pronunciados ou condenados judicialmente por crimes graves – como corrupção – “possam impunemente ser candidatos a eleições”) e lá colocou dois ou três elegíveis com processos às costas – só faltou o Arlindo Carvalho para compor o ramalhete.

Em suma, Manuela Ferreira Leite acabou de desiludir alguns militantes e, certamente, inúmeros potenciais eleitores. Ao colocar António Preto nas listas, Manuela Ferreira Leite deu um sinal de recuo. Um estranho recuo. Mesmo acreditando que António Preto é inocente (e é até sentença transitada em julgado) o mais indicando seria não colocar este militante e esperar pelo fim do processo mantendo uma filosofia que ela defendeu até hoje e era exactamente neste ponto que poderia marcar a diferença para com Sócrates. Ao colocar ilustres nos locais mais estranhos e, simultaneamente, vetar o nome do seu principal adversário interno, regressou ao pior do aparelhismo, ao mais baixo e trágico da política rasteirinha a que nos habituamos mas que, com ela, acreditamos estar arredado do Partido Social Democrata nos próximos anos.

Ao seguir esta via, mostrou que é mais do mesmo, que faz exactamente aquilo que criticou aos seus antecessores. Sendo mais do mesmo, não serve.

Lamento.

POEMAS DO LUSCO-FUSCO

Dizia-me o rouxinol
na manhã de orvalho transparente
que um dia iria cantar.
O mar fechou o sol na manhã de nevoeiro
o horizonte perdeu-se no mar
e sem manhã de orvalho transparente
o rouxinol não sabe cantar.

                      (adão cruz)

(adão cruz)

ERRARE HUMANUM EST

Quaquer um pode prevaricar, reconhecer o erro, envergonhar-se, arrepender-se. Ser corrupto significa ser podre, e uma coisa podre é irrecuperável, o seu lugar é o lixo. Como é possível que determinados seres, condenados pela justiça, isto é, postos de lado por estarem podres, se apresentem como branco mais branco não há? Querem brincar com a dignidade do povo…ou será mesmo que o povo gosta que joguem à bola com a sua própria dignidade? Esperem pela resposta.

DEUS COMO PROBLEMA OU A COMPLEXA SIMPLICIDADE DA EVIDÊNCIA (10)

Deus como problema ou a complexa simplicidade da evidência (10)

Para quem espera o céu, a gente sabe que a razão da vida não pode ser o natural percurso desta pequeníssima dimensão humana no seio infinito da natureza e do Universo, em permanente mutação e movimento, mas uma espécie de celestial e eterna pensão de reforma que a imaginação deste limitado ser, mesmo dando-lhe o fluido nome de alma, não consegue despir das materiais aspirações, prerrogativas e necessidades do corpo que por cá ficou. Com a vida tudo e nada começa e com a morte nada termina. A parte é diluída no todo. Em cada instante o Universo é outro. O início da minha decomposição é, precisamente, o início da minha contribuição para a formação ou transformação de milhares ou milhões de outros seres.
“Já não adianta nada dizer que matar em nome de Deus é fazer de Deus um assassino”, diz Saramago. “Para os que matam em nome de Deus”, continua, “Deus não é só o juiz que os absolve, é o Pai poderoso que dentro das suas cabeças juntou antes a lenha para o auto-de-fé e agora prepara e coloca a bomba”. Não sei se esta bomba a que se refere Saramago é a do Pai poderoso de cá se a do Pai poderoso de lá. Ou se é de ambos. Permito-me, de qualquer forma, alguns comentários, cujas ilações pertencerão a cada um que as queira tirar. Vejamos. (Continua).

                   (adão cruz)

(adão cruz)

QUADRA DO DIA

Só loureiros mais loureiros
É só loureiros a rodos
Se os não fodes S. João
Fodem-nos eles a nós todos.

José Sócrates e Vale e Azevedo: descubra as semelhanças

 
«José Sócrates tem traços de personalidade semelhantes a João Vale e Azevedo: são ambos pessoas que acreditam com tanta força em certas inverdades que as dizem com a maior convicção.» (José António Saraiva, Sol, 31/01/09)
Assim de repente, lembro-me de quatro semelhanças:
– ambos chegaram ao poder graças a uma multidão de «crentes».
– ambos têm uma difícil relação com a verdade.
– nenhum deles cumpriu o que prometeu.
– nenhum deles terá/teria problemas com a Justiça enquanto se mantiver/mantivesse no poder.

Este ano, Paulo Bento Cai Cedo

Apesar da vitória no jogo de hoje e consequente acesso à Liga dos Campeões, a margem de manobra de Paulo Bento como treinador do Sporting começa a reduzir-se cada vez mais. O que é de espantar, no terceiro clube português e crónico candidato ao título, é que esteja há quatro anos sem ganhar nada de realmente importante e, mesmo assim, mantenha sem discussão um treinador que, ao fim de todo este tempo, vem queixar-se da falta de entrosamento da equipa.
Para os dirigentes do Sporting, mais preocupados com o negócio do que com a vertente desportiva, parece que ficar em segundo lugar no Campeonato chega perfeitamente desde que dê acesso à Liga dos Campeões. Vai dando. Até ao dia em que deixar de dar.

FALANDO SOBRE TRANSPORTES. AS FALÁCIAS DO MOPTC (4ª PARTE. CONCLUSÃO) – V

Considerações finais

Este Governo, muito embora dispondo de maioria absoluta, faz tudo quanto pode para controlar o país – no bom como no mau sentido – mediante legislação amoldada e o emprego de medidas restritivas, em conformidade.

Senão vejamos, mais em particular no que se refere ao MOPTC:

Nos finais de 2005, aprovou uma lei relativa à nomeação de altos cargos para a função pública; documento este que veio legalizar o clientelismo encapotado, já existente, passando os responsáveis pela Administração a ter os seus mandatos coincidentes com o das legislaturas.

Sendo-lhes, em troca, exigida “confiança política”. Em suma: passamos a viver no reino da partidocracia em vez da escolha ser feita por mérito próprio.

Claro está, esta é uma forma despudorada do Governo orientar a sociedade civil, a todos os níveis, com prejuízo evidente dos poderes alternativos, quiçá mais aptos, em determinados casos.

Aquilo a que Mário Soares, com a argúcia que se lhe atribui, apelida de ditadura da maioria…

Em 9 de Junho de 2008 escrevi um texto em que se dizia que faz falta o Conselho Superior de Obras Públicas (CSOP), extinto por este MOPTC, embora dispondo de alguns engenheiros de elevado gabarito e funcionando como órgão de consulta permanente de Ministros e Secretários de Estado. Instituição esta de grande prestígio e que, ao longo de 150 anos assessorou os mais variados governos, ao mais alto nível.

A sua voz, por vezes incómoda, era veiculada por técnicos no topo da carreira, muitos deles conhecidos pela sua competência e isenção (os Ministros passavam e a instituição permanecia), o que lhes garantia uma certa dose de independência e permitia-lhes dizer aquilo que pensavam, sem os entraves do “politicamente correcto”.

E, a propósito da forma como foram apresentados os estudos do Novo Aeroporto de Alcochete e a sua apreciação, tive ocasião de escrever que o MOPTC está a dar cabo…do MOPTC, ao transferir para os privados a iniciativa desses estudos e das propostas; havendo uma clara transferência de competências, em moldes ainda desconhecidos (passando demasiadas vezes pelas grandes empresas consultoras e pelo “outsourcing”), esquecendo os serviços, fundamentais para o efeito e, também, que o poder de decisão terá que ser sempre da responsabilidade do Estado. E formulei a pergunta: será este o caminho inovador para a sua privatização?

Em meu entender, a extinção do Conselho Superior de Obras Públicas (CSOP), foi um acto espúrio de um Ministério que, assim, calou uma voz potencialmente incómoda; em sua substituição optou-se por uma caterva de assessores, consultores e quejandos, com as directrizes logo definidas, à partida.

A este propósito: o Estado gastou 134 milhões de euros com consultorias, entre 2004 e 2006. Segundo o Tribunal de Contas – uma das poucas vozes que ousam enfrentar os poderes constituídos – cerca de metade destes estudos não tiveram aplicação prática.

E o regabofe continua; é só actualizar os números.

Analisemos, agora, algumas contradições:

Em termos de poluição, sabe-se que o transporte de 1.000 toneladas de mercadorias num quilómetro de estrada custa cerca do dobro mais do que se for usado o caminho-de-ferro; e que o consumo médio por estrada é cerca de 3,5 vezes superior ao do cf. .

E, também, que um comboio de mercadorias de 30 vagões permite evitar a circulação (e a poluição) de 60 camiões.

Porém, na prática, qual tem sido a política deste MOPTC? Suprimiu algumas linhas de c.f. e fez muitas promessas, promessas, promessas…de AV; em contrapartida, continua a mostrar uma apetência muito especial pelas rodovias.

Em consequência, já somos um dos países da Europa com maior número de quilómetros de A-E, por habitante. Aliás, esta tem sido a política seguida por todos os governos dado que – de 1978 até 1998, – 70% do total que o país investiu foi aplicado em estradas.

E, contrariamente ao que foi acordado em Kioto, a nossa política energética ainda deixa muito a desejar, na medida em que não soubemos inverter esta tendência e baixar, para níveis aceitáveis, a importação de produtos derivados do petróleo. A este propósito e para quem desconhecer este facto, lembro que na construção de estradas e A-E, utilizam-se esses derivados nas respectivas faixas de rodagem e o seu custo é sensivelmente idêntico ao somatório das escavações, aterros e o.a. correntes.

Escrevi, em 22.02.06, que somos um país pobre mas cheio de contradições: temos 558 automóveis por 1.000 habitantes (números relativos a 2002), o que nos garante uma posição destacada logo após a Itália e o Luxemburgo; mas muito acima da Alemanha, Áustria, França, Bélgica e Espanha.

Números estes que apresentam em contraste escandaloso com o nosso PIB per capita, a preços correntes, muito abaixo da Espanha e, claro está, dos restantes países do Norte e Centro da Europa Ocidental, estes com valores muito superiores.

Poderia prosseguir com este tipo de análise porém deslocado, no âmbito deste trabalho. E, assim, limitar-me-ei a destacar algumas actuações particularmente gravosas para a nossa economia e que muito contribuem para esta situação:

Os estudos de previsão de tráfego são, muitas vezes, pagos pelas empresas privadas interessadas em determinados concursos do Estado, dado que desconfiam das previsões apresentadas por este, uma vez que não há nenhuma entidade reguladora preocupada com a sua exactidão.

Com efeito, quanto mais altas são as previsões e menores os custos apresentados tanto melhor para o MOPTC que, assim, poderá mais facilmente justificar determinado empreendimento. E fá-lo sem vergonha.

E quando, na prática, se verifica que elas falharam e os números estão muito abaixo de determinado volume de tráfego, cabe ao Estado pagar uma indemnização compensatória aos privados que, deste modo, nunca perdem dinheiro uma vez que o risco do negócio cabe sempre aquele.

Assim sucedeu (e sucede), a título de exemplo, na SCUT do grande Porto ganho pela AENOR do grupo Mota-Engil, onde se verificou um tráfego médio mensal de 36.259 viaturas, relativas aos meses de Março, no período de 2006 – 2009, quando as previsões apontavam para 57.345 viaturas!

Isto mostra que há previsões para todos os gostos e, como já tive ocasião de escrever, albarda-se o burro ao gosto do cliente. E, ainda, que há bons negócios que só estão ao alcance de alguns privilegiados.

Haja em vista o que sucedeu no caso atrás relatado e, também, noutros que recordo e entre os quais destaco o miraculoso contrato relativo ao cais de contentores de Alcântara, por coincidência, também da Mota-Engil.

No que se refere às obras propriamente ditas, nomeadamente às rodoviárias, o seu custo orçamentado já sofreu um desvio, para mais, de 1.000 milhões de euros. Exemplifiquemos:

O MOPTC previa que a EP (Estradas de Portugal) gastasse nas 5 concessões já adjudicadas em 2007 – relativas a cerca de 930 km – perto de 5 mil milhões de euros ao fim de 30 anos.

Pois bem: Feitos os respectivos concursos, estes mostram que as propostas vencedoras irão custar ao Estado 6 mil milhões de euros, isto é, uma derrapagem de mais de mil milhões. É obra.

E será que o MOPTC não reage? Tanto mais que ainda faltam adjudicar mais de 4 concursos… Ou será que a crise, sempre invocada, irá também justificar estes trabalhos (nem sempre necessários), mas que empregam bastante mão-de-obra?

Face à escassez dos recursos, parece-nos do mais elementar bom senso escolher criteriosamente as decisões políticas, estas com fundamentação técnica rigorosa e orçamentação correcta.

E encarar medidas drásticas, caso necessário, para que não se continuem a verificar de
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ios escandalosos nos custos e, também, nos prazos das empreitadas de obras públicas.

Julgo que cabe aos engenheiros uma enorme responsabilidade ética e social, e a obrigação de analisar e debater criticamente as grandes obras que o Governo se propõe mandar construir, contra ventos e marés. Para isso, convenho, será necessária uma certa coragem para enfrentar os poderes constituídos, caso eles extravasem as suas competências. Tanto mais que pressionam inadmissivelmente, aqueles que deles dependem.

Numa altura em que é preciso mobilizar o país para as enormes tarefas que teremos de enfrentar, não é o momento indicado para se fomentarem “guerrinhas intestinas”, por vezes despropositadas (vide cenas eventualmente chocantes na Assembleia da Republica); esquecendo que estamos em democracia e não é um crime discordar, tornando-se indispensável que todos se pronunciem.

Pessoalmente, sempre critiquei o chamado “bota-abaixo”, o denegrir sistemático e sem suporte válido de tudo quanto se diz ou quanto se faz. Por isso mesmo, procuro basear os meus textos em dados credíveis e ao alcance daqueles que conhecem medianamente estas matérias, apresentando sempre alternativas quando discordo das soluções apresentadas.

Talvez nem sejam as melhores, admito; a experiência da vida mostrou-me que a modéstia é de bom-tom e ajuda a enfrentar as suas agruras.

Mesmo o Senhor Primeiro- Ministro comete alguns erros mas, suponho, terá a clarividência suficiente para o reconhecer. Na medida em que fará certamente o possível por não os repetir.

A título de exemplo: deve estar recordado, como todos nós, do erro colossal que cometeu ao dar luz verde para a construção de 10 estádios destinados ao Euro 2004; segundo dizia, para promover o desporto. Foi uma decisão política baseada, pelos vistos, em dados pouco credíveis.

No estádio do Algarve (pertença das autarquias de Faro e de Loulé), só a sua manutenção custa 1,7 milhões de euros por ano.

Em Braga, o empréstimo à Banca (com 20 anos de duração) representa quase 10% do orçamento anual da autarquia e, o pagamento dos juros, equivale a uma verba superior à que investe na Educação, Cultura, Segurança, Protecção Civil e Indústria.

O estádio municipal de Aveiro custou 64,5 milhões de euros, pouco mais do dobro do inicialmente previsto (31 milhões); o de Leiria tinha um orçamento inicial de 19,4 milhões de euros, passou a uma estimativa de 49,9 milhões e o seu custo final atingiu os 73,5 milhões de euros. A este propósito, o Tribunal de Contas – felizmente que ainda existe – conclui que a construção do novo estádio vai reflectir-se nos orçamentos da Câmara “durante as próximas duas décadas e terá como consequência a limitação da sua capacidade de investimento em áreas prioritárias de serviço público”.

Tudo isto vem com o propósito de lembrar que, agora, o Governo – de forma que considero irresponsável – prepara-se para nos deixar como herança uma dos mais pesados níveis de endividamento da Europa. Investindo em obras supérfluas e, certamente (dado que o dinheiro não chega para tudo) pondo de parte alternativas indispensáveis e mais urgentes: obras de requalificação urbana, em escolas, na saúde, na justiça… e mesmo nos caminhos-de-ferro.

Ninguém põe em causa, penso eu, a necessidade das energias renováveis e, mais especialmente, a energia hídrica desde que haja um plano de construção de barragens bem estruturado. Porém, torna-se indispensável hierarquizar as obras e avançar em primeiro lugar com as que tenham retorno assegurado, o mais rápido possível.

Nesta ordem de ideias, o impropriamente chamado TGV é muito polémico na medida em que, sabe-se não será rentável – certamente – nos primeiros 5 anos e, muito provavelmente, nos seguintes ainda mesmo que não se entre em linha de conta com os investimentos, muito elevados, nas infra-estruturas.

E não venham com o refrão do costume: “é assim que fazem os restantes países da Europa” ou, então, “sem o TGV ficamos marginalizados dos Europeus”. Não é verdade e já dei muitos exemplos que demonstram o contrário; acrescentarei mais dois, numa altura em que a crise atinge todos nós.

No Reino Unido, por exemplo, o Governo apostou forte nos Jogos Olímpicos de 2012 ( de retorno quase imediato, enorme, devido aos direitos de transmissão) e, ainda, na modernização de todas as linhas de caminho de ferro que, aliás, bem precisam. E sem que se pense construir, nos próximos anos – pelo menos até 2020 – qualquer linha de AV (LGV).

Na Alemanha, com o objectivo de tornar mais rentável a exploração da AV, baixaram a velocidade máxima para 250 km/h. Ao arrepio do que pensa a Srª. Secretaria de Estado dos Transportes que só se dá por satisfeita com os 350 km/h na linha projectada para Lisboa/Madrid; ou com os “modestos” 300 km/h no trajecto Lisboa/Porto.

Nota final: Tenho vindo a tomar conhecimento, pelos média, dos sucessivos acidentes que se tem verificado na linha do Tua, uma das mais belas da Europa, senão do Mundo; e, como vem sendo hábito, sem que sejam divulgadas, pelo MOPTC, as causas desses acidentes.

Muito embora não esteja na posse dos elementos indispensáveis, mesmo assim, para fazer face às consequências provocadas pela barragem projectada, sugiro um estudo ferroviário que englobe um troço de caminho de ferro em cremalheira, que possa ultrapassar a subida substancial do nível de águas, provocado pelo embalse dessa barragem.

À semelhança do que sucede em muitas estações de esqui bem conhecidas, nomeadamente na Suíça.

Entre o purgatório e o inferno, Ferreira Leite jogou pelo seguro

O “caso” Pedro Passos Coelho seria – é – um pau de dois bicos para Manuela Ferreira Leite. Dizendo não à inclusão do seu ex-adversário interno nas listas para a Assembleia da República, a líder do PSD arrisca críticas internas e externas, acusações de revanchismo político e vingança pessoal. Além de ‘comprar’ um confronto com a distrital de Vila Real.

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Com as primeiras possibilidades pode ela bem. Com a segunda sabe que terminará em breve, em nome da famosa “união” em vésperas eleitorais. E se ganhar as eleições serão águas passadas.

Dizendo sim, seria meio caminho andado para abrir as portas do parlamento e dos deputados ‘laranja’ a um fantasma político que faria marcação cerrada à sua liderança. Ganhe ou perca as legislativas.

Entre o purgatório e o inferno, Ferreira Leite jogou pelo seguro e deixa de fora Passos Coelho. Seguiu o caminho mais simples para a sua estratégia de curto e médio prazo. Quanto ao longo, logo se vê.

Nota: Que favores precisa Manuela Ferreira Leite de pagar para integrar António Preto, o homem da mala cheia de notas, na lista de candidatos? O homem é acusado de falsificação e fraude fiscal num processo que tem contornos políticos. Até eventual condenação em tribunal, está inocente, já o sabemos mas o bom-senso aconselha cautela. A líder do PSD resolveu ignorar. Aqui não jogou pelo seguro.

Em primeira mão: o programa eleitoral do PSD

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Em rigoroso exclusivo para o Aventar fonte próxima da direcção do PSD revelou-nos o programa que Manuela Ferreira Leite apresentará ao país “na altura própria e conveniente“.

Após uma leitura atenta, embora rápida, podemos encaminhar os nossos leitores para o programa eleitoral do PSD. A  nossa fonte confidenciou-nos que ainda estão em aberto “alguns pormenores sem grande importância”, mas o documento base, que promete fazer avançar um país à beira do abismo já está disponível.

Questionada a nossa garganta funda sobre os tais detalhes foi-nos garantido tratar-se “de coisa pouca: a decoração dos gabinetes terá de ser alterada, já que os nossos adjuntos, assessores e avençados divergem totalmente dos que lá estão no que toca à estética, e não se trata apenas de trocar os tons de rosa por uma palete de laranjas“, o que se compreende tanto mais que existe uma clivagem geracional entre Ferreira Leite e Sócrates, com detalhes que saltam à vista.  Ao que parece em caso de vitória do PSD todas as peças de design contemporâneo irão parar aos armazéns do estado, sendo substituídas por um estilo retro, garantindo-nos ainda a fonte citada que “não se deve fazer uma leitura sexualizada desta opção”, pedido ao qual seremos sensíveis.

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Francisco Leite Monteiro – Alcochete: Novo Aeroporto de Lisboa

Através do “Alerta do Google – novo aeroporto de Lisboa”, tive conhecimento do blogue AVENTAR e do trabalho sob o tema “O novo aeroporto internacional de Lisboa, em Alcochete” onde é abordada a origem da opção final da escolha, em termos de localização, uma “iniciativa da CIP que apresentou ao Governo um estudo preliminar sobre a localização do Novo Aeroporto, em Alcochete; o seu a seu dono”.

Efectivamente, em boa hora – a partir de meados de 2007 – a CIP promoveu estudos técnicos, posteriormente apresentados ao Presidente da República e ao Governo, fazendo vingar Alcochete e, de uma vez por todas, acabou com o absurdo da opção Ota, anunciada bombasticamente em Março de 1999, pelo XIII Governo Constitucional chefiado por António Guterres. Vem a propósito recordar que, desde então, a solução Ota nunca foi pacífica e, pessoalmente, acabei por me envolver numa análise desenvolvida por via de alguma reflexão racional, sem pretensões técnicas, abordando a questão em diversos meios e em órgãos de comunicação social, de que vale a pena repescar algumas das intervenções feitas, a partir de 2001, de que adiante se transcrevem alguns excertos.

No Diário de Notícias (Madeira) de 7.11.2001, ainda que superficialmente, já me referia à opção do governo de Guterres, como “a famigerada decisão, porventura prematura, de construção de um novo aeroporto internacional, na Ota, quando a solução que do ponto de vista dos custos financeiros e sobretudo sociais, seria na área do Campo de Tiro de Alcochete, com custos mínimos em expropriações, com acessos facilitados e, quiçá mais importante, evitando a deslocalização de pessoas, vilas e aldeias”; em 14.05.2002, no mesmo jornal, voltei a abordar o tema e também em 21.06.2003, quando começava a ser posta em dúvida o abandono precipitado da Portela, aspecto esse igualmente abordado no Diário de Notícias (Lisboa) de 7.08.2005, salientando a necessidade de se “ter a certeza da indispensabilidade do encerramento da Portela. Isso implica que seja feita uma análise criteriosa, tendo em conta a sua capacidade potencial…. Comprovada que seja uma tal fatalidade, só então haverá que fazer uma ponderação de todas as opções, incluindo Alcochete”; nessa mesma linha focava a importância de aprofundar a questão “ignorando tabus, resistindo aos ‘lobbies’, incluindo o militar – já ouvi dizer ‘com a tropa ninguém se mete…’ – mas cuidando acima de tudo do interesse nacional”; em 7.01.2006; no Expresso, sob o título “Fundamentalismos tolos”, tendo presente a necessidade de desmistificar todo o processo e de reabrir a discussão, perspectivando a realização de estudo sério que, além das razões que se não esgotavam a favor de Alcochete, se entendia dever ter em conta os custos sociais da referida deslocalização “pelo que de penoso representa”, nomeadamente, para as populações civis, como sucederia no caso da Ota, comparativamente a Alcochete, sem população fixa; na revista de turismo PUBLITURIS, de 27 do mesmo mês, após evocar “os erros e os males que se antecipam …. a fixação governamental de construir um novo aeroporto de Lisboa, na Ota …. e a avalanche de repercussões negativas que, em sentido figurado, lembra a Caixa de Pandora da mitologia grega que, sob aparente encanto, é fonte de calamidades”, salientei diversos aspectos negativos que, para além do turismo, afectariam seriamente também as regiões autónomas; a este mesmo respeito no Público de 5.04.2007, numa tentativa de, em relação à Ota e em termos muito simples, alertar para “o agravamento dos custos da insularidade” chamei a atenção para o facto de em “deslocações ao continente, em negócios, por razões de saúde ou outra, os açorianos e os madeirenses passariam a suportar maiores custos com o transporte ao centro da capital” para além das “consequências de com o aeroporto na Portela, Lisboa estar a 2 horas da Madeira e a 3 horas dos Açores” sucedendo que a transferência para a Ota “implica a Madeira ficar a 3 e os Açores a 4 horas, o que não acontecerá com a opção Alcochete”.

Não obstante o estudo da CIP ser, então, já do conhecimento público e poder antecipar-se o fim do “absurdo”, o Ministro das Obras Públicas e Transportes, em nome do governo, continuou, no seu jeito inimitável, na sua euforia, todo pró-Ota, como escrevi no semanário Tribuna da Madeira (17.08.2007): “As contradições, os dislates que se repetem, mesmo depois de ter sido decidido aprofundar os estudos que demonstram a existência de alternativas sólidas ao absurdo Ota e de comprovadamente ter ficado demonstrado o interesse nacional, mercê de análises técnico-económicas e sociais, depois mesmo de anunciada a “morte” da Ota, Mário Lino continua a bradar em francês ‘jamais… jamais’…”. Não muito tardou para que em 10 de Janeiro de 2008, a opção Alcochete fosse assumida pelo governo, tendo a esse mesmo propósito escrito no mesmo semanário, em 2 de Maio: “mercê sobretudo do empenhamento do Presidente da República, aconteceu então a cambalhota governamental, o grande recuo. E foi ver o titular das Obras Públicas, perfeitamente descredibilizado, a desdizer-se e a deixar de falar francês, pouco tendo faltado para, em português, se afirmar defensor de Alcochete, ‘sempre’….”

Assim sendo: Viva Alcochete!

PSD – António Prieto e Helena Costa, aí está a renovação

Começam a revelar-se alguns nomes incluídos nas listas do PSD às legislativas. Não é por acaso que são estes e não outros, trata-se da apalpação e habituação dos eleitores a estes nomes, numa tentativa de acalmar reacções com estes nomes a contas gotas. António Prieto e Helena Costa.

São nomes com um rasto pouco recomendável na sua vida política, pessoas que estão envolvidas em assuntos pouco claros e sob suspeita. Aparelhístas a quem é preciso proteger e pagar favores que prestaram ao partido.

A anunciada renovação só virá a seguir a estes nomes mas pelo andar da carruagem os mesmos de sempre vão estar representados. Entretanto, os actuais dirigentes já piam muito desgotosos por verem os seus adversários internos a marcar posição.

Não se encontram todos os dias jovens com valor , ao nível de Paulo Rangel, mas esta obsessão por gente manchada só acabará com uma nova geração de políticos.

Espero bem que as listas se encaminhem para a renovação anunciada, e que estes nomes vindos a público seja o preço a pagar.

E, agora, por maioria de razão é preciso conhecermos o programa do PSD !

Coisas do DIABO : Cultura, a parente pobre

“A verdade é que a Cultura foi sempre a parente pobre deste Governo que derrama milhões em obras públicas faraónicas e deixa a esboroar-se o nosso património nacional e mundial, para cuja manutenção e recuperação bastariam migalhas!” Alberto do Amaral.

Temos um Ministro da Cultura que ninguem sabe o que anda a fazer a não ser que tem de gerir um miserável orçamento. E sabemos tambem que a Janela Manuelina do Mosteiro de Cristo em Tomar está ao abandono, só como exemplo de até onde vai a ignorância deste governo.

Parece que fez uma gongórica excursão a Veneza acompanhado de uns quantos artistas, habituais clientes do orçamento e dos croquetes. Nada aconteceu a não ser um jantar em grande para duzentas pessoas, todos ou quase todos subsidiodependentes.

A política cultural cá no burgo não passa de distribuir uns subsídios por uns artistas e de quando em vez umas obras de recuperação. Gastam-se uns milhões com o novo Museu dos Coches e com a Casa dos Bicos de Saramago.

A Maria João Pires já foi e o Palácio da Ajuda continua por acabar. Era bom perceber-se que há uma política cultural, mas o próprio Sócrates já admitiu que não há!

Isto num país que vive do Turismo e que tem um parque monumental com Património classificado como mundial. E não considerando os centros históricos das nossas cidades eles tambem património nacional e mundial.

E no Programa do PS alguem leu alguma coisa sobre política cultural?

Os políticos à portuguesa

isaltino-morais

O Tribunal de Oeiras condenou, ontem, o actual presidente da Câmara de Oeiras, Isaltino Morais, a 7 anos de prisão.

Muitas vezes se tem falado que os autarcas portugueses, e em particular os presidentes da câmara, cometem diversos crimes.

Infelizmente nem sempre se conseguem provar em tribunal.

Que o digam Fátima Felgueiras, Major Valentim Loureiro ou Avelino Ferreira Torres, entre outros.

Voltando a Oeiras, falta saber quando é que vamos ver o Dr. Isaltino Morais atrás das grades.

Agora vamos passar pelos recursos.

Para mim ainda mais grave é o facto dele poder continuar a presidente da câmara e, pior, ser candidato a um novo mandato.

Onde para o bom senso?

Já agora algumas perguntas sobre o candidato do PS à mesma Câmara de Oeiras.

Qual a razão pela qual o Dr. Marcos Pestrelo, actual vice-presidente da Câmara de Lisboa, vai concorrer ao municipio de Oeiras?

Será que não estaremos em mais um caso de paraquedista político?

A ver vamos o que os próximos tempos nos reservam.

elogio da música portátil

Isto de se calcorrear a cidade com os auscultadores nos ouvidos confere às vezes um inesperado sentido poético ao mundo. As árvores da rotunda da Boavista, para não ir mais longe, com a Sarah Vaughan a cantar baixinho ao nosso ouvido, ganham uma tonalidade suavemente dourada e quase melancólica. Lamenta-se a doce Sarah que as canções de amor não são para ela e que apenas tem encontrado nuvens cinzentas no seu caminho, e vemos por instantes o mesmo lamento no rosto desta rapariga de piercing no sobrolho e cabelo avermelhado, que tem os olhos húmidos e vai mordendo o lábio para segurar o pranto.

Quando se escuta Amelita Baltar, a que não tendo sido a primeira mulher de Piazzolla foi a última, os passos ritmados destes homens e mulheres que vão cruzando a passadeira transformam-se em movimentos cheios de graça de um tango pleno de paixão e de fúria, e as palavras que eles e elas proferem, e que a música não me permite ouvir, quem sabe não estarão nesse indecifrável lunfardo nascido nos bairros pobres de Buenos Aires? E saibam que os Rolling Stones bem podiam sentar-se ao lado do adolescente arreliado, que se encostou ao vidro da janela do metro e faz todo o percurso com os braços cruzados e o rosto fechado, e contar-lhe o que aprenderam, que não se pode ter tudo o que se quer, mas pode conseguir-se aquilo de que se precisa, haja tempo e sabedoria para tanto.

A culpa é sempre dos outros

É um interessante e velho fenómeno nacional. Estou convencido que a culpa não é nossa. Deve ser dos outros. Considerando que, para este efeito, os ‘outros’ são os nossos antepassados, esses que nos deram o fado lusitano e nos entregaram o país tal como ele é hoje.

Com uma imensa dificuldade em olhar para o umbigo, a nossa tendência natural é apontar o dedo para ‘os outros’, essa entidade abstracta que serve de bode expiatório para todos os males. Quando chega a altura de colocar nomes nos ‘outros’ o caso muda de figura. Por vezes, lá os dizemos, indicando fulano e beltrano. Mas o vulgar é deixar tudo no ar, à espera de quem nos dá trela chegue à conclusão lógica, pensamos nós, de quem são os ‘outros’.

É o espírito português. Ponto. Torna tudo mais fácil e evita a obrigação de nos questionarmos e questionar quem está mais próximo.

Não espanta, por isso, os resultados do estudo de uma seguradora, o "AXA Barómetro de prevenção rodoviária 2009", realizado em vários países e conhecido recentemente. No que diz respeito a Portugal, onde foram feitas 800 entrevistas, o documento assinala que seis em cada dez condutores portugueses sentem-se seguros nas estradas nacionais, mas mais de metade acha que os ‘outros’ são maus condutores. Quatro em cada dez condutores (40 por cento) continuam a sentir-se inseguros nas estradas portuguesas. Há dois anos, o sentimento de insegurança era de 60 por cento.

No global, os portugueses reconhecem que conhecem bem as regras de condução, mas nem sempre as cumprem. Exemplo: 18 por cento dos portugueses considera perigoso passar um sinal amarelo, mas 85 por cento admite que o faz.

Para reduzir a sinistralidade, metade dos portugueses entendem que uma punição mais severa pode ajudar neste processo. Ou seja, isto não vai lá só com sensibilização.

Política à Portuguesa

isaltino-morais

O presidente da Câmara de Oeiras, Isaltino Morais, foi ontem condenado a passar os próximos 7 anos “atrás das grades”.

Até aqui não há grande novidade…

No entanto, e ao que parece, esse senhor não vai, pelo menos para já, para um qualquer estabelecimento prisional deste País.

Claro… vai aguardar o resultado do