Talvez: Bad Bunny, as mensagens de plástico e as palavras que se perdem

Fotografia: CARLOTA BARRENTO

Começo por dizer que sou fã de Bad Bunny e que adoraria ter ido ao concerto (caso este não fosse no Estádio da Luz, uma vez que me recuso a entrar nesse estádio, com a única excepção a ser uma deslocação do FC Porto a Lisboa). Não vá dar-se o caso de sub ou sobre-interpretarem este texto.

Hoje temos sempre de fazer este género de avisos; que não somos anti-semitas por criticar o governo de Israel, que não somos comunistas por defender impostos progressivos ou que não somos homofóbicos por contarmos ou nos rirmos de uma piada que envolva homossexuais. Depois do aviso, aqui vai.

Muitos artistas atingem o estrelato e cimentam-se no mainstream com mensagens de amor, de paz e de solidariedade. No início, tal voragem humanista é o que os eleva. E parece-me sempre genuíno. Depois, o tempo passa e, estando no mainstream, a mensagem perde-se e o artista volta a ser o que estava planeado: um bem de consumo que passa de boca em boca até se perder na viragem do novo álbum, do single mais recente ou de outro artista que aparece… com outra mensagem. E o ciclo repete-se.

Benito, como é conhecido Bad Bunny, começou na música com o reggaeton mais convencional, com toques de hiphop. Depois, criou a sua imagem, aproveitando o crescimento do ódio, usando a sua posição como cidadão porto-riquenho para chamar a atenção para os problemas que assolam o seu território e que, directa e indirectamente, atingem toda a economia mundial: desregulação económica selvagem, especulação imobiliária, gentrificação ou a capitalização das cidades como grandes Disneylands, foram os temas que catapultaram o artista de Porto Rico para o mainstream definitivamente. O álbum DtMF explodiu e músicas como a que dá nome ao álbum, Baile Inolvidable, NuevaYol ou Café con Ron tornaram-se verdadeiros hinos de 2025, passaram na mente e ecoaram pelos lábios de quase toda a gente durante o Verão do ano passado e atravessaram o ano de 2026 com uma tour internacional anunciada, para delírio de muitos. [Read more…]

Porque hoje é sábado

E, porque hoje é sábado, eu vou dizer para vocês o poema [do] Dia da Criação: um dia terrível, não é?— Vinicius de Moraes

… and it feels like home.
— Madonna

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Efectivamente, porque hoje é sábado.

via Instagram

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Já apagaram a luz?

Homenagem ao SL Benfica

O SL Benfica é o maior clube português. Para além de ser, embora com uma curta distância, aquele que detém mais títulos no futebol (entre os quais se incluem os 29 títulos de Campeão Nacional contra os 24 do FC do Porto – não 32 contra 25, como a imprensa gosta de dizer), é também o que tem mais adeptos espalhados por todo o país. Graças, sobretudo, aos espantosos anos dourados de Eusébio e Companhia durante os anos 60 e 70.
Desde miúdo, aprendi a ver no SL Benfica o rival maior do meu FC do Porto. O meu clube, quando comecei a gostar de futebol, tinha apenas 5 títulos de Campeão Nacional – o último tinha sido conquistado 11 anos antes de eu nascer.
A partir de finais dos anos 70, com Pedroto e Pinto da Costa ao leme, tudo mudou. O FC do Porto começou a ganhar títulos e a rivalizar com o SL Benfica. A chegada à Final da Taça das Taças em 1984 e a vitória na Final da Taça dos Campeões Europeus em 1987, no Prater, foi o culminar desse processo e, no fundo, significou a passagem de testemunho em termos de hegemonia do futebol português.
Habituei-me a ver no Benfica um adversário digno e merecedor do maior respeito. Desejando que perdesse sempre nas provas nacionais, claro, mas nunca deixando de reconhecer o seu valor. Com Luis Filipe Vieira, numa linha que já vem desde Vale e Azevedo, percebi que, afinal, há um benfiquinha capaz de imitar o pior de um portinho que, infelzimente, também existe. Percebi que uma certa gente do Benfica entende desde há algum tempo que a melhor forma de combater o FC do Porto é imitar os discursos, as atitudes e os métodos de Pinto da Costa. [Read more…]

Que jogadores são aqueles que fazem sombra na Luz?

Na época transacta o Benfica podia ter feito a festa do campeonato no Estádio do Dragão. Não conseguiu. Esta época o FC Porto teve oportunidade de confirmar o título de campeão no Estádio da Luz. Conseguiu.

Segundos depois do fim do jogo, as luzes da Luz deram ‘kaput’. Os holofotes deram o berro, a escuridão tomou conta do relvado e das bancadas, qual Ptolomeu dos tempos modernos que roubou o fogo da celebração dos ‘deuses’ do relvado. O sistema de rega foi accionado. Muitos espectadores devem ter entrado em pânico. A polícia também.

E, assim, dos palermas ainda vai rezar esta história.

É que, para o futuro, fica o resultado, o título de campeão do FC Porto e a atitude patética e infantil da direcção do Benfica. O que vale é que o clube em causa é maior que alguns imbecis que o dizem representar.

*Título adaptado de um romance de António Lobo Antunes

Jesus, o Papa Portista e os Pecados Capitais

O problema era de cariz religioso e resumia-se numa pergunta: Pode haver dois papas ao mesmo tempo na mesma cidade?

– Pode – diziam no Porto – nós temos o nosso papa, o Papa Portista.

– É um papa de pacotilha. – diziam outros.

Para resolver o diferendo, e porque os apoiantes de cada lado eram muitos, escolheu-se o estádio do Dragão, que se encheu de mirones.

De Lisboa vieram Jesus e seus pupilos, entre os quais o Anjo de Maria. No Porto encontravam-se já o dito Papa Portista, o seu braço direito Jesu(aldo) e respectivas tropas.

O Papa Portista instalou-se no camarote VIP começando por incorrer no seu primeiro pecado capital: a soberba.

Jesus preferiu misturar-se com os homens e sentou-se mais abaixo, num banco junto ao relvado.

Para manter o simbolismo do acto, o juiz foi escolhido em função de uma virtude espiritual: a Benquerença.

Os apoiantes das duas facções manifestavam-se ruidosamente, nem sempre fazendo jus ao nome do juiz.

Benquerença, chegando a hora marcada, autorizou que se começassem a exibir argumentos canónicos.

Perante a argumentação opositora, e não sendo o momento adequado para negar revelações, o Papa Portista resvalava disfarçadamente para outro pecado capital: a ira. [Read more…]

O túnel da Luz está às escuras, quando convém

No Benfica-Nacional também houve luz ao fundo do túnel: Rúben Micael conta agora que Jesus lhe meteu dois dedos na cara. Simpático. Isto no mesmo jogo onde um penalti simulado por Aimar foi castigado com uma multa, porque o Conselho Disciplinar da Liga só suspende, pelo mesmo motivo, jogadores do Porto, que como é sabido tem um estatuto legislativo muito peculiar, o mesmo que condena agora Pinto da Costa a 3 meses de suspensão, por ter aberto uma boca que se deseja fechada.

E que tal o Benfica começar os jogos com uns golitos de avanço?  Só falta.