O Arcebispo pedófilo

Afinal, não há mal nenhum no tratamento do título se levarmos em conta o que o senhor Arcebispo pensa da pedófilia.
Trata-se de um pequeno desvio de comportamento muito menos grave do que tratar uma mulher de uma gravidez indesejada. É o que diz o senhor Arcebispo.
O que é perigoso neste racíocinio do religioso, é que está a “benzer” o comportamento de sacerdotes que abusam sexualmente de crianças ! Relativiza a pedófilia para branquear um comportamento frequente entre o clero, ao mesmo tempo que o aborto ( que o clero nunca vai poder fazer ) é remetido para a classe dos “pecados mortais” !
Chama-se a isto, “ser juiz em causa própria”!
A mesma Igreja que rejeita a homossexualidade como “comportamento desviante” por não estar de acordo com os “ditames da natureza” é a mesma que “benze” o abuso sexual de crianças.Abuso este que na maior parte das vezes além de pedófilo é de natureza homossexual!
Há muito que a minha formação católica me obrigou a optar entre a hierarquia da Igreja e imensa multidão de pessoas que procuram Cristo!
Eu encontrei Cristo e não quero perde-Lo por causa da hierarquia da Igreja católica!

Após Dias Loureiro – e agora ?

Este caso e a renúncia de Dias Loureiro vem mostrar que em política não basta ser sério. É preciso parece-lo !
Um político não pode, sem elevados prejuídos dos orgãos do Estado a que pertence, estar sujeito a suspeitas repetidas. A credibilidade do Estado é demasiado valiosa para que se possa esperar pelo juízo de um Tribunal que, em Portugal, pode levar anos. Demasiados anos!
Dias Loureiro devia ter saído pelo seu pé, sem ser empurrado, sem ter envolvido o Conselho de Estado e o Presidente da República num caso que não favorece ninguem, seja qual for a conclusão judicial.
O mesmo se passa com José Sócrates. Nunca tomei uma posição quanto ás eventuais culpas do Primeiro Ministro, mas não podemos fazer de conta que não há repetidas suspeitas sobre pessoas muito chegadas e sobre ele próprio.
Lopes da Mota é outro caso em que só a partidarite aguda é que não vê que a sua posição no Eurojust é insustentável ! É escusado estar aqui a repetir as razões que obrigam Lopes da Mota a ter que renunciar. Esperemos que não sejam os seus colegas da UE que o obriguem a uma decisão que o próprio deve tomar sem perda de tempo!
Após a renúncia de Dias Loureiro já não colhem as razões apresentadas por quem não quer ver que um país não pode estar suspenso de uma eventual decisão de um Tribunal. A sociedade civil sabe distinguir entre um caso sem substância e repetidos casos interligados, onde aparecem um grupo de pessoas que em dada altura das suas vidas cruzaram os seus caminhos. O carácter de uma político é escrutinado pelos cidadãos.
Á Justiça cabe decidir sobre eventual culpa!
Coisas bem distintas como a renúncia recente bem mostrou!

Imigrantes : parte da solução

“Se o país não for capaz de manter e assimilar uma população de imigrantes da ordem dos cinco ou seis por cento da população total, no futuro haverá uma factura a pagar !” (Editorial Publico de Manuel Carvalho)
Portugal continua a necessitar de imigrantes para resolver o seu problema demográfico e para relançar o seu crescimento económico quando a crise
der sinais de treguas.É, claro, que com a imigração podem entrar pessoas menos recomendáveis, mas na sua maioria são pessoas fundamentais para o país.
Sem imigração, a prazo, seremos menos, mais velhos, mais pobres e continuaremos neste circulo infernal de falta de ambição. Uma classe de trabalhadores mais jovem e melhor preparada é que poderá assimilar as tecnologias e alternativas a novas organizações do trabalho.
Com a sua capacidade de sacríficio e de ambição, os imigrantes poderão ajudar a sair desta letargia a que parece estarmos condenados e jovens como são, a tornar-se num pilar fundamental do nosso esquema social de previdência.

Preços das casas caem mais de 40%

À volta das grandes cidades há dezenas de milhares de casas que ninguem quer e que daqui a uma década ter-se-ão degradado tanto que os proprietários vão ter que pagar ao Estado para as demolir.Construídas numa altura em que o acesso ao crédito estava muito facilitado hoje ,mesmo que haja quem queira comprar casa nesses locais, a banca não concede crédito.Estamos perante uma crise financeira mas tambem social.São os divórcios, o sobreendividamento, o desemprego…
As famílias têm que passar a fazer planeamento da sua situação financeira, não podem solicitar crédito que não podem pagar.As questões de personalidade,formação e informação são decisivas para que as famílias não comentam erros de que se arrependem amargamento no futuro.E, não esquecer, que quando se faz um orçamento devemos contar que vamos ter mais despesas e menos receitas do que as nos parecem razoáveis!

A professora de Espinho não é do PS !

Esse é que é o pecado capital!Essa é que é a diferença que faz toda a diferença!Suspensa, já? Mas, então, a professora já foi a tribunal? Do que se ouviu, para além do mau gosto, não há sequer um palavrão,uma frase que se possa dizer que faltou ao respeito a quem quer que seja!Nem sequer um inquérito para se apurarem as condições que levaram a professora áquele destempero? Não tem direito a nada ? Suspensa ! Mas então os banqueiros ? E o ex-Ministro do Ambiente? E o Presidente do Eurojust? E os negócios finos da CGD? Pois é, amigos, neste país voltaram os tempos em que ser de uma determinada associação política é passaporte para usufruir direitos que se negam aos outros ! Eles bem avisaram ” quem não é do PS, leva!” Nós, incautos, julgavamos que eles estavam a dizer outra coisa!

A morte sobre Saigão

Um livro extraordinário escrito por um jornalista americano que cobriu a guerra no Vietname.
A aviação americana bombardeava a floresta durante o dia, enquanto havia a luz do sol. Não ficava viva alma à superfície da terra.
Passada uma hora a vida renascia. Veio depois a perceber-se a razão do milagre. Autênticas cidades tinham sido construídas no subsolo. Soldados vietnamistas a quem era dado o “tiro da misericórdia” e que antes de morrerem matavam uns quantos soldados americanos. Uma percentagem significativa de soldados USA morriam de ataques cardíacos.
No presente vemos no Iraque ataques suícidas de crianças e de adolescentes. Vemos comportamentos desumanos em interrogatórios e choques traumáticos pós-guerra que chocam o cidadão comum. A América horrorizada está agora a descobrir (ontem como hoje) que os seus melhores filhos, habituados ao calor de uma boa vida, recorrem a tudo o que é droga para aguentarem a pressão em teatro de guerra. O que explica comportamentos que nos envergonham enquanto cidadãos.
Ninguém quer compreender que uma sociedade que prepara pessoas para uma vida de facilidades não pode esperar que estejam preparadas para a guerra. É fácil premir um botão num avião a centenas de quilómetros de distância, sem ver a cara do inimigo! É muito dificil estar perto de sangue, músculos, ossos, sofrimento! Lá, como cá, esses jovens vão ficar esquecidos, a sociedade tambem não suporta a sua existência, prova última do seu fracasso!

Delação?

o Dr. António Arnauld, a quem devemos a criação do Serviço Nacional de saúde, saiu-se com uma tirada que é de certeza uma das melhores da década! Então, não é, que acusa de terem praticado delação os magistrados que se queixaram do Lopes da Mota, por este os ter pressionado, em nome do Primeiro Ministro e do Ministro da Justiça, para apressarem o arquivamennto do processo Freeport? E eu a julgar que os magistrados tinham como função a denúncia de crimes !!

Reconversão dos homossexuais

Porque aqui no aventar não há tabus nem ideias preconcebidas eu, que fui o autor do poste “A homossexualidade trata-se ?”, não tenho dúvidas nenhumas em colocar aqui uma petição que vai ao arrepio do que defendo! Continuo a não entender porque razão há quem não queira que homossexuais, “de mal” com a sua condição sexual, procurem um profissional para encontrar ajuda.
Mas aqui fica para o caro leitor aventar como desejar:

http://www.peticao.com.pt/reconversao-da-orientacao-sexual?

Trata-se de um Direito de Cidadania, não tem nada a ver com homossexualidade, embora os nossos amigos gays o esgrimam como estandarte de uma certa ideia “de pecado original”, alguem poder estar “de mal” na sua condição homossexual!Insisto, esta petição é um atropelo aos Direitos Humanos.O que acontecerá sempre que algum homossexual queira mudar de orientação sexual? Estará impedido de procurar um médico? Com o argumento que não é doença e por isso não tem tratamento? Mas esse argumento não é rigorosamente pessoal, por parte do doente e rigorosamente profissional, por parte do médico? A que título é que alguem homossexual feliz com a sua orientação sexual, determina o que é ou deixa de ser numa relação que só diz respeito ao médico e a quem o procura?

Fátima e a sua dimensão humana

Paradoxalmente, nada faz sentido se olharmos para Fátima como um fenómeno religioso! Só a Fé é que pode atribuir significado a três pastorinhos, crianças iliteradas e às sua visões da Senhora numa azinheira.Por mais naíf que seja,por mais belo que nos pareça, por mais luz que jorre…
O fenómeno de Fátima tem que ser olhado para a sua vertente humana.Para os milhões de pessoas que em todo o Mundo depositam ali as suas esperanças,para os peregrinos que ano após ano ali procuram um pedaço de alegria.Quem for a Fátima para ver algo de grandioso naquele lugar vulgar sai de lá profundamente desiludido, ou quem lá for para ver as multidões a acenar, ou a arrastar-se de joelhos, percebe que são liturgias encenadas.Mas quem lá for despido de preconceitos, genuínamente aberto a encontrar verdades, as verdades dos outros, não poderá deixar de sentir profunda compaixão por quem sofre, por quem foi abandonado, por quem procura redenção!Fui lá duas vezes. Na primeira vi quatro jovens mulheres que ali se deslocaram para agradecerem à Virgem a protecção do seu irmão mais novo, que voltara da vida militar são e salvo (mais salvo do que são).Na segunda , vi a silhueta de outra mulher com quem estive face a face no primeiro momento da minha vida! Há cinquenta anos que não a via…

Que Estado Palestiniano quer o Papa?

Bento XVI anda por terras sagradas, transformadas em terras violentas por homens que se dizem filhos e herdeiros das terras sagradas.O Papa quer um Estado Palestiniano independente.Pelo menos referiu-se a este assunto assim mais ou menos nestes termos.Mas para termos um Estado independente precisamos de i) um território ii)um povo iii) uma organização política.Cada uma destas características traz-nos problemas que o Papa não quiz esclarecer mas é onde residem os embróglios.O território é um só para a opção “dois estados,dois povos, um só território? É acreditar que a água e o azeite se misturam e não misturam como se sabe. Dois territórios, dois Estados , dois povos? Mas assim lá se vai “o grande Israel”! E Jerusalém? Autónomo dos dois Estados e governado por uma solução “tipo Vaticano”? Um Estado dentro de dois Estados? Ou governado por uma solução internacional,com Europeus e Americanos ? Como se vê ir à Palestina e dizer que se quer um estado Palestiniano é dizer muito pouco.Todos querem, menos os Palestinianos, sejam eles Árabes ou Judeus.De qualquer forma estou em crer que a criação de um Estado Palestiniano, com a “absolvição” dos grandes deste mundo poderia abrir caminho a uma solução negociada,mas não tenhamos dúvidas, só daqui a algumas gerações, quando o ódio estiver esquecido!

"Ser Mãe é…" por Cláudia Jacques

Dia da Mãe

Cláudia Jacques a propósito do dia da Mãe:

«SER MÃE É..»

Ser mãe é mais, muito mais que dar à luz!

Luz verdadeira e incandescente é a que nasce de nós mulheres, quando vemos pela primeira vez o ser que nos «rasgou» o ventre com vida e determinação, a saltar para o mundo, chorando daquela maneira maravilhosa e natural.

Luz brilhante é o acompanhar dos seus primeiros momentos, aquele toque divino de inocência e fragilidade, aquele momento único de o ver crescer e gatinhar pela primeira vez… Sangue do meu sangue, carne da minha carne, ‘ser’ mãe é partilhar e desfrutar os momentos dessa parte da minha própria vida: os nossos bebés, os nossos filhos. É uma acta séria e aclamadora registada no meu corpo e alma, é a beleza infinita da Natureza operada em nós. Ser pai é algo especial, mas ser mãe é muito mais. Mãe é a origem de tudo, é ‘Ser Humano’ e ser-se humano! É o estado da Bela Natureza em bruto, muitíssimo mais belo que o brilho do mais belo diamante Van Cleef & Arpels.

Sentir o seu primeiro som, a sua primeira palavra bem soletrada, o seu primeiro namorico ou a sua primeira vez que diz «mãe ou mamã»! É único e inesquecível como uma bela melodia de amor que nos ficará sempre na mente. Vocês mães sabeis do que falo! Adoro ser mulher, amo ser mãe e ASSUMO que «Ser» no feminino é sublime! Mãe, mulher, corpo, alma são 4 elementos que estão presentes e dos quais sempre apreciei saborear, como o ar que respiro.

Gostaria que neste Dia da Mãe de 2009, todas as mães se orgulhassem e demonstrassem ao mundo em serem assim especiais: Mães e mulheres como dicotomia indissociável. Eu, como qualquer outra mulher, amo as minhas filhas e quero tudo de bom e do melhor para o seu futuro. Todo o meu esforço e trabalho tem sido também em prole delas, para que cresçam sadias, fortes, determinadas, com opiniões sobre a vida e sobre as coisas, com espírito crítico sobre a sociedade. Gostaria que fossem generosas com os seres humanos que as rodeiam, que compreendessem que não há só um mundo, mas muitos mundos, que saibam qual é o seu lugar mas que jamais esqueçam que devem respeitar o mundo dos outros. Que lutem contra o preconceito, contra o ódio e a inveja e que se liguem sempre à beleza e à inteligência pelo caminho fora, esse caminho da eternidade e da sensibilidade que é o da vida humana.

Vivam as mães portuguesas, viva a alegria, viva o amor, VIVA A MULHER como mãe de todas as coisas!

Cláudia Jacques, Porto

É duro ser liberal


Ao fim de vinte anos de desregulação dos mercados, da globalização sem a consequente regularização global, o mundo caiu numa depressão económica sem precedentes. É preciso voltar a 1930 para se encontrar algo parecido. O fosso entre os mais ricos e os mais pobres acentuou-se, há vastas áreas do globo na miséria. Mas os nossos liberais não se atemorizam com tão pouca coisa. Lançam mãos do seu inimigo de estimação – o Estado- para saírem do buraco. E do dinheiro dos contribuintes. Os exemplos, embora menos visíveis, acumulam-se resultantes das malfeitorias da “mão invisivel do mercado”. A América do Sul, com potencialidades económicas extraordinárias nunca saiu da pobreza. Produtores de petróleo como a Venezuela o mais que conseguiram foi criar uma elite endinheirada indiferente à miséria do resto do povo. No Chile e à boleia da ditadura de Pinochet, Friedman e os seus boys aplicaram os seus princípios neo-liberais à economia só possíveis no ambiente do Chile torcidário, e em ditadura. Porque é preciso ver que os princípios teóricos do neo-liberalismo, são inaceitáveis para quem é cobaia. “Há sempre quem queira trabalhar por um salário mais baixo” diz quem não concorda com a fixação do salário mínimo.Pois há , se não tiver qualquer alternativa, e se não se importar de viver na miséria. A verdade é que uma doutrina filosófica e política que assenta na “liberdade individual” é travestido, quando aplicado na economia, num ferrete de miséria e humilhação. E quando a feira é levantada quem paga a factura são a imensa mole de trabalhadores a quem o liberalismo com desprezo paga salários de miséria. É duro ser Liberal!

Do interior da Revolução-O Fiel da balança

Depois do 25 de Abril houve uma explosão de alegria, de liberdade e até velhos tabus (as meninas tinham que ser virgens)levaram um piparote de todo o tamanho.Começamos a namorar mais apertadinhos, os teatros encheram-se de gente e de peças subversivas e os filmes que nos levavam a Londres para os poder ver começaram a aparecer por cá .Num desses teatros, após a peça, ficamos ali a conversar artistas com espectadores.Lembro-me muito bem de alguem da assistência dizer.Até agora estavamos todos a empurrar o mesmo muro para o deitar abaixo.”A partir de agora, para lá do muro, cada um de nós vai tomar a liberdade à sua maneira.Esse é o sortilégio da Democracia e o que faz valer a pena vivê-la.”No Movimento das Forças Armadas tambem foi assim.Todos queriam derrubar a ditadura mas havia muitos caminhos por percorrer. No 25 de Abril não terá havido vencedores e vencidos (enfim, vencido foi o regime e os fachos) mas em todas as outras datas, houve vencedores e houve vencidos. Uns que tentaram que o 25 de Abril fosse a continuação do regime, envolto numa aparente revolução.No 16 de Março alguem que tentou antecipar-se e ganhar vantagem numa ambição de poder pessoal.No 25 de Novembro forças que tentaram uma guinada à esquerda.Outros casos houve com mais ou menos repercussão.Em todos estes casos os vencedores ocasionais foram os vencidos ocasionais, conforme as forças em presença. Tentativas de banhos de sangue, que os vencedores ocasionais consideravam necessáros para ganhar vantagem definitiva.É preciso dizer, sem margens para quaisquer dúvidas que em todos estes casos, houve um núcleo de Capitães que nunca transigiram nos princípios e nos objectivos. Que defenderam os vencidos e que controlaram os vencedores ocasionais.Que prometeram a Democracia e um Estado de Direito e os entregaram por inteiro nas mãos de uma Assembleia Constituinte.Esses homens que constituem o núcleo central do Movimento das Forças Armadas têm nome e todos sabem quem são.Como em todas as revoluções há amarguras, azedumes, incompreensões e dúvidas.Mas não pode haver dúvida nenhuma acerca do papel fundamental exercido por esses homens.O de Fiel da balança sem o que teríamos tido banhos de sangue e, porventura, uma guerra civil!

A falácia do casamento gay -2

Como seria de esperar os comentários críticos ao meu texto “A falácia do casamento gay” assentaram nos seguintes argumentos.1) discriminação,2) afectivas /humanitárias,3) demagógica! Quanto ao argumento de que os gays são discriminados por razão da sua orientação sexual, julgo que ficou claro que não são de todo.Um gay pode casar se o fizer com uma pessoa do sexo diferente.Está rigorosamente em pé de igualdade com qualquer outra pessoa. Da mesma forma que um negro não pode dizer que é a sua condição de ser negro que lhe dá acesso ao casamento.Não!É por ser homem e querer casar com uma mulher.O mesmo se aplica às mulheres como é óbvio!As razões afectivas tentam desencadear sentimentos de compaixão pelas pessoas a quem supostamente é impedido o acesso ao casamento, como se lhes fosse negado o acesso à felicidade.Ora casar não é sinónimo de felicidade!E depois invoca-se ( em certa medida tambem o faço)a generalidade das pessoas que aceitam o casamento gay o que, não sei se é assim tão verdade.Eu próprio tendo a apresentar como fim pacífico de conversa algo como “se isso os faz felizes pois assim seja”! Mas há uma questão que é muito importante para muita gente e que raramente é invocada.São as questões inerentes à adulteração do casamento civil tal como o conhecemos, eliminando-se a sua marca mais importante (entre um homem e uma mulher)!Para muita gente o casamento é a célula principal (estaminal chama-lhe o Prof Paulo Pulido Adragão) da sociedade.Não pode ser de ânimo leve que os políticos mudem radicalmente um conceito social de tal importância sem que o povo seja ouvido!E a dignidade dos homosexuais e a sua segurança jurídica e patrimonial já está garantida com o conceito “uniões de facto dos homosexuais”!

Itália, 4 de Abril de 2009

Lembrem-se, antes de mais, de que se completaram já 54 anos desde esse 1 de Dezembro em que Rosa Parks recusou ceder o seu lugar a um passageiro branco num autocarro de Montgomery, no Alabama. Em Foggia, uma cidade agrícola na província de Puglia, em Itália, as autoridades locais anunciaram a criação de duas linhas de autocarros distintas: uma apenas para imigrantes e outra apenas para cidadãos locais. Na verdade, a linha é a mesma: a número 24, que une o centro da cidade ao bairro periférico de Borgo Mezzanone. A cerca de dois quilómetros deste bairro está um centro de acolhimento para imigrantes. De forma a evitar as fricções que se poderiam fazer sentir entre residentes e indesejáveis, nada melhor do que separar os veículos, ampliando o percurso do autocarro dos imigrantes até ao centro de acolhimento, e assim poupando-os à caminhada de dois quilómetros, e libertando os locais da presença dos não-europeus. O racismo mascara-se muitas vezes com a capa da falsa piedade, das hipócritas boas-intenções, da segurança que se impõe pela violência. E também esta medida vem com o rótulo de higiénica e bem-intencionada. Para quê forçar a convivência de pessoas que, não fosse a vaga de imigração africana que assola a Europa, nunca se teriam cruzado? Naturalmente será mais prudente isolar estes imigrantes para que a sua frustração, o seu sentimento de impotência e de injustiça não venham a encontrar expressão numa espiral de violência que se acenda com um olhar, um insulto, o encontro súbito de dois seres humanos assustados. Deparei-me com a notícia hoje e a coincidência deixou-me um sabor amargo na boca. É que hoje cumpre-se mais um aniversário, o 41º, do assassinato de Martin Luther King.

Internacionalista

No fundo do mar, jazem os outros os que lá ficaram
Em dias cinzentos, descanso eterno lá encontraram …

Xutos e Pontapés, “Homem do Leme”

Ao tomar conhecimento dos desastres que continuam a acontecer entre um mundo e outro, entre África e a Europa, fico sempre confundido.

Mas, que diabo, porque é que alguém (muita gente) tem que morrer apenas porque pretende ter acesso a uma vida melhor?

Não pode ser normal. Não pode ser natural que as divisões humanas continuem a impedir o que nem a natureza consegue  – há quem diga que África se separou da Europa.

Vamos “ler” o Mediterrâneo como um rio que separa duas partes da mesma cidade: porque é que os habitantes de um lado não podem passar para o outro? É que está visto que a água não é suficiente para demover os mais ou menos persistentes Seres HUMANOS, por sinal, tão portadores de direitos como qualquer um de nós.

Será que a civilização europeia iria correr assim tantos riscos?

A queda do muro de Berlim e a abolição de fronteiras na União europeia são dois marcos da cidadania europeia que devem ser continuados. Será que o investimento público de combate à crise não poderia ter duas pontes para a margem sul?

Venha ver o paraíso

A actual Miss Venezuela e Miss Universo, a loiríssima Dayana Mendoza, descreveu a base militar de Guantánamo como um local “relaxado, tranquilo e bonito”, onde os prisioneiros “se divertem com filmes, aulas de arte, livros”. Dayana visitou a base na companhia da Miss EUA, Crystle Stewart, tendo ambas sido convidadas pelo USO (United Service Organizations), uma organização que tem por objectivo dar apoio moral aos soldados americanos no exterior e organizar actividades recreativas para as tropas. Estas afirmações virão provavelmente calar todas as organizações não-governamentais que têm vindo a denunciar absurdos atropelos aos direitos humanos, atropelos que claramente nunca existiram numa base militar em que os prisioneiros passam as tardes a discutir o significado da última cena do “2001”, a aperfeiçoar técnicas de pintura a óleo ou a aproveitar os anos de clausura para finalmente pôr em dia o “A La Recherche. Deve ter sido, aliás, pela experiência vivida por estes prisioneiros ao longo da sua estada em Guantánamo, que Luís Amado tão amavelmente se ofereceu para acolhê-los nas cadeias portuguesas. É que esta gente não pode estar quebrada pela tortura, pelos processos obscuros que os condenaram a penas longuíssimas, pela colaboração pouco clara da equipa médica (os Biscuit) com os interrogadores. Iremos vê-los descer do avião que os traz desse lugar relaxado, tranquilo e bonito, com os rostos bronzeados e enfurecidos por terem sido forçados a trocar o paraíso por Portugal. E que dirá Chávez da sua compatriota Miss Universo?