É a Economia, estúpido…..

As gasolineiras e o socialismo

Volta e meia somos iluminados pelos especialistas em preços de combustíveis, com aquele argumentário sempre sólido e factual, que se resume bem nas duas traves mestas da retórica destes doutos académicos, a saber: “a culpa de ___________ (inserir a maleita que mais vos aprouver) é do socialismo”, porque o PS, garantem os especialistas, é mesmo socialista, e “os impostos são __________ (inserir a dose de anarco-capitalismo desejada)”, porque as nações mais prósperas do planeta nem cobram os impostos mais altos nem nada. Toda a gente sabe que a Escandinávia, repleta de fome e miseráveis, ombreia com russos, sauditas e chineses em matéria de totalitarismo.

Dito isto, olhemos para o pensamento académico dominante entre os especialistas em preços de combustíveis. Quando os combustíveis sobem por decisão das gasolineiras, os especialistas em preços de combustíveis garantem que a culpa é do governo. Quando o preço do barril de Brent sobe, seja por uma alteração na relação entre oferta e procura, seja por mera especulação, os especialistas em preços de combustíveis também garantem que a culpa é do governo. Esta semana, contudo, os especialistas em preços de combustíveis deram um salto de gigante em direcção à excelência. O governo desceu o ISP, as gasolineiras não reflectiram essa descida, apropriando-se de parte do corte, e os especialistas em preços de combustíveis, sempre geniais, rapidamente concluíram que a culpa foi do governo. Confesso que não sei o que seria de nós sem os especialistas em preços de combustíveis. E sem as gasolineiras, que lutam como ninguém contra a tirânica opressão do governo, quais Robin dos Bosques fiscais, roubando aos pobres para dar os ricos. E sem a ERSE, que nos protege a todos dos aumentos e confiscos impostos pelo governo, de pistola sempre apontada às cabeças da GALP, BP e Repsol, condenando-as a brutais aumentos de lucros. Parafraseando Amália, estranha forma de socialismo.

Surpresa! Vitória!

Surpresa… fomos enganados!

Vitória… liberal!

“O liberalismo funciona e faz falta a Portugal”.

Nunca se esqueçam.

O oportunismo das gasolineiras

Quando o preço do barril cai, as gasolineiras rapidamente nos informam que a queda só se reflecte daí a uns meses. Quando sobe, o aumento reflecte-se no dia seguinte e a culpa é do governo. E, de facto, o governo bem que se podia deixar de autovouchers e reduzir o ISP para ajudar os portugueses a fazer face à subida em curso, que não vai parar por aqui. Mas não foi o governo que decidiu aumentar os preços. Foram as gasolineiras. Mas lá chegará o dia em que os portugueses sentirão, nos seus bolsos, os efeitos fabulosos da liberalização do sector. Tem corrido maravilhosamente.

Parlamento não vota redução do custo fiscal dos combustíveis (*)

Em Fevereiro de 2016, numa altura em que o crude estava particularmente em baixa, o governo de António Costa fez um enorme aumento do ISP para compensar a perda de IVA (6 cêntimos por litro).

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Caminho perigoso…

Tenho vários amigos brasileiros, há uns tempos brincando com um deles por saber que tinha votado Bolsonaro, me respondeu, “eu não sou Bolsonaro, como eu, somos milhões. A gente não quis eleger Bolsonaro, era mesmo qualquer um, o que a gente queria mesmo era correr com o PT do poder. Já não os suportávamos…”
Ontem lembrei-me desse amigo a propósito desta notícia. O fanatismo de quem nos (des)governa e tenta impor uma agenda é de tal ordem, que mais dia menos dia, os portugueses acordarão da letargia em que mergulharam e irão livrar-se destes trastes, só que provavelmente não será para eleger quem estiver de turno na liderança do PSD, que todos sabem há décadas, ser mais do mesmo. Exemplos não faltam por esse mundo fora…

Loucura nos combustíveis

Gasóleo acima de 1.5 euros e gasolina acima de 1.6 euros. Por menos, houve grande agitação no tempo dos governos Sócrates. Entretanto, todos amoleceram com a porrada da TINA e, agora, Costa dá-se ao luxo de manter o valor do ISP apesar dos valores em alta do crude.

Para quem se tenha esquecido, a promessa foi de baixar o ISP caso o petróleo aumentasse de preço.

Já se parava com esta brincadeira, não?

Tem razão, senhor jornalista

Só há dinheiro para a banca e para as PPP (que quase é um pleonasmo para banca).

Ano novo, impostos novos

Governo anuncia aumento do imposto sobre os combustíveis
O Imposto Sobre Produtos Petrolíferos e Energéticos (ISP) vai ser aumentado a partir de segunda-feira [amanhã], segundo uma portaria publicada hoje [31/12/2017] pelo Governo em Diário da República. [DN, 31/12/2017]

A taxa do ISP aplicável à gasolina passa a ser, respectivamente, 0,556 euros e 0,343 euros por litro para gasolina* e gasóleo, o que se traduz num aumento de 0,9 cêntimos por litro de gasolina e de 0,6 cêntimos por litro de gasóleo.

Escolher o dia da passagem de ano para anunciar este aumento é uma sacanice em dose dupla. Primeiro, por aumentar os impostos num produto cujo preço já é maioritariamente composto por impostos e, em segundo lugar, por novamente se ir pelo caminho de anunciar medidas quando os portugueses andam entretidos com outras coisas. Pelo andar da carroça, já estou a olhar para o calendário para me preparar para futuras más notícias.

* com teor de chumbo igual ou inferior a 0,013 g por litro

 

ISP, mais uma descarada e despudorada mentira governamental

No início do ano 2016, com o preço do petróleo em baixa e temendo a perda de receitas, o ministro Mário Centeno anunciou a subida do ISP em 6 cêntimos por litro de combustível. Em simultâneo anunciou a constituição de um mecanismo de ajuste, que permitiria avaliar e rever o nível de imposto a cada 3 meses, descendo o valor a pagar se o petróleo viesse a subir a cotação, ou mantendo caso o preço da matéria-prima se mantivesse em baixa. Há sempre quem considere poucochinho mais um agravamento de imposto, mas a verdade é que para o Estado o sector automóvel tem sido ao longo dos anos uma verdadeira galinha dos ovos de ouro. [Read more…]

Companhias de seguros: resistência aos direitos dos lesados

As seguradoras que se acautelem!
Reagem, em regra, às solicitações dos lesados que intentam obter as indemnizações a que fazem jus. Impunemente…
Mas há soluções na Lei das Práticas Comerciais Desleais que o vulgo ignora, mas de que o lesado pode lançar mão, denunciando a situação a quem de direito, já que as coimas daí emergentes poderão, no limite, atingir montantes da ordem dos cerca de 45 000 €.
E com efeito, a alínea g) do artigo 12 da enunciada Lei (o DL 57/2008, de 26 de Março) estabelece a regra que segue:
“Obrigar o consumidor, que pretenda solicitar indemnização ao abrigo de uma apólice de seguro, a apresentar documentos que, de acordo com os critérios de razoabilidade, não possam ser considerados relevantes para estabelecer a validade do pedido, ou deixar sistematicamente sem resposta a correspondência pertinente, com o objectivo de dissuadir o consumidor do exercício dos seus direitos contratuais.”
As sanções estão previstas no artigo 21, como segue: [Read more…]