Unam-se, porra

As esquerdas representam-se por vários partidos, aos quais compete, em exclusivo, a determinação da sua estratégia. Não nos incumbe, como signatários deste manifesto e com posições diferenciadas, interferir nessas decisões. Move-nos a obrigação de contribuir para uma solução de esquerda para Portugal, manifestando a nossa opinião, porque queremos promover diálogos com resultados.

Há um manifesto onde se apela “a que os principais partidos da esquerda que recusa sem ambiguidades a austeridade, bem como milhares de independentes e activistas, se associem num pólo político, com uma resposta política clara para toda a gente”. Será eficaz? duvido, mas assinei. Não custa nada tentar.

O manifesto está aqui.

Manifesto Nunca Mais

 

Assinar Petição

Ai jasus, que agora é que os mercados ficam a saber

Manifesto da dívida recebe apoio de 74 economistas estrangeiros. Essa gente não se sabe dar ao respeitinho?

Simples, não pagamos!

Felizmente percebo mais de bola do que de economia e por isso, continuo pobre. Não há aposta desportiva que resista a tanta ignorância. Ora, nas questões económicas sou mestre em procurar que no fim do dinheiro sobrem poucos dias, mas estou longe de ser um Jesus da alta finança.

Mas, não é preciso ser grande bisca nestas coisas para perceber que não é possível pagar a dívida do país e por isso os verdadeiros objectivos dos laranjinhas são outros: privatizar saúde, educação e água; baixar o custo do trabalho e refazer o estado salazarento.

Entendo e subscrevo o Manifesto dos 70, mas palpita-me que nem assim a coisa lá vai. Se eu só conseguir ganhar 100 euros por mês e tiver 20 meses para pagar a  minha dívida, segundo contas de alguns dos subscritores, seria necessário que a economia gerasse um crescimento de 7% todos os 20 meses, ou seja, seria necessário que em vez dos 100 euros eu conseguisse ganhar 107 todos os meses. Acontece que isso é praticamente impossível e quase nunca aconteceu. Logo, por maioria de razão, não vai acontecer.

Assim, a dívida não pode ser paga. Assumir a sua reestruturação é um primeiro passo que me parece acertado e equilibrado. É este o caminho. É por isto que o BE, o PC e o PS devem lutar. Desde já.

Sobre o manifesto que Passos não leu e sobre a sua reacção típica de pensamento único e de falar ser anti-patriótico, que a ditadura dos mercados poderá retaliar

Bagão Felix, um perigoso comunista, agora na Antena 1, citando entidades europeias: com uma dívida pública superior a 120% do PIB, será preciso, ao ano, reservar 7% da riqueza nacional para os encargos da dívida e respectiva amortização exigida pelos tratados  europeus que assinámos.

O manifesto da descoberta da roda

mud_1945

Mais um manifesto, é muito abaixo-assinado para o meu gosto, mas este certeiro, afinando da direita à esquerda o coro do óbvio: esta dívida pública não será paga.

Chama-se mínimo denominador comum da evidência denunciando o jogo da mentira e sua propaganda. Toda a gente o sabe, da nacional direita absolutista mais ou menos extrema aos próprios credores.Honrar os nossos compromissos, dito por Passos Coelho, o vigarista da formação em segurança nos aeroportos encerrados, não passa de propaganda, a máquina de propaganda que nos inferniza: apelar à honra para instalar a receita do não há alternativa, ou seja: destruir o estado social, privatizar a vida, reduzir Portugal a uma estância turística asiática da Europa, carregada de bons negócios  para os do do costume e a mais abjecta miséria para os habituais. [Read more…]

Nicho de mercado

Desempregados de curta e longa duração lançam empreendedorismo político. O governo aplaude?

Porra para o Cavaco, porra! Pim!

 “O Cavaco pesca tanto de economia que até faz quadras populares à António Aleixo com as ligas da sua Maria Cavaca.”

Mário Viegas e o seu “Manifesto Anti-Cavaco”, de 1995, que periodicamente volta a ser actual.

Manifesto Para uma Esquerda Livre

Apresentado pelo eurodeputado Rui Tavares, assinado por personalidades como Boaventura Sousa Santos, Sérgio Godinho ou o escritor Mário de Carvalho, foi hoje tornado público o Manifesto para uma Esquerda Livre.

Supra-partidário, o manifesto afirma que

É preciso propor aos portugueses, como aos outros europeus, um horizonte mais humano de desenvolvimento, um novo caminho para a economia e um novo pacto de justiça social

e defende

UMA ESQUERDA MAIS LIVRE, com práticas democráticas efetivas, sem dogmas nem cedências sistemáticas à direita, liberta das suas rivalidades, do sectarismo e do feudalismo político que a paralisa. Uma esquerda de cidadãos dispostos a trabalhar em conjunto para que o país recupere a esperança de viver numa sociedade próspera e solidária.

Clique para ler o manifesto na íntegra ou para o assinar.

III – Religião, Economia e Manifesto Comunista. As pretensões da família Marx

O Manifesto do Partido Comunista combina a seriedade filosófica mais profunda com o talento mais mordaz. Imagine a Rousseau, Voltaire, Holbach, Lessing, Heine e Hegel fundidos numa só pessoa – digo fundidos e não confundidos num monte – e o meu amigo terá o Dr. Marx.

O Manifesto acaba com uma revisão da actividade política dos partidos comunistas e do socialismo em todos os países da Europa e com uma expressão de temor: Uma parte da burguesia procura remediar os males sociais com o fim de consolidar a sociedade burguesa. Nessa categoria enfileiram-se os economistas, os filantropos, os humanitários, os que se ocupam em melhorar a sorte da classe operária, os organizadores de beneficências, os protectores dos animais, os fundadores das sociedades de temperança, enfim os reformadores de gabinete de toda categoria. [Read more…]

Indignados!

Pontos acordados do manifesto plural redigido durante a madrugada de 18 de Maio, na Puerta del Sol.

Os manifestantes, reunidos na Puerta del Sol, conscientes de que esta é uma acção em movimento e de resistência, acordaram declarar o seguinte:

  1. Depois de muitos anos de apatia, um grupo de cidadãos, de diferentes idades e extractos sociais (estudantes, professores, bibliotecários, desempregados, trabalhadores…), irritados com a falta de representação e com as traições levadas a cabo em nome da democracia, reuniram-se na Puerta del Sol em torno da ideia de Democracia Real.
  2. A Democracia Real opõe-se ao paulatino descrédito de instituições que dizem representar os cidadãos e foram convertidas em meros agentes de administração e gestão, ao serviço das forças do poder financeiro internacional.
  3. A democracia promovida a partir dos aparelhos burocráticos corruptos é, simplesmente, um conjunto de práticas eleitorais inócuas, em que os cidadãos têm uma participação nula. [Read more…]

O Inevitável é Inviável

Somos cidadãos e cidadãs nascidos depois do 25 de Abril de 1974. Crescemos com a consciência de que as conquistas democráticas e os mais básicos direitos de cidadania são filhos directos desse momento histórico. Soubemos resistir ao derrotismo cínico, mesmo quando os factos pareciam querer lutar contra nós: quando o então primeiro-ministro Cavaco Silva recusava uma pensão ao capitão de Abril, Salgueiro Maia, e a concedia a torturadores da PIDE/DGS; quando um governo decidia comemorar Abril como uma «evolução», colocando o «R» no caixote de lixo da História; quando víamos figuras políticas e militares tomar a revolução do 25 de Abril como um património seu. Soubemos permanecer alinhados com a sabedoria da esperança, porque sem ela a democracia não tem alma nem futuro.
O momento crítico que o país atravessa tem vindo a ser aproveitado para promover uma erosão preocupante da herança material e simbólica construída em torno do 25 de Abril. Não o afirmamos por saudosismo bacoco ou por populismo de circunstância. Se não é de agora o ataque a algumas conquistas que fizeram de nós um país mais justo, mais livre e menos desigual, a ofensiva que se prepara – com a cobertura do Fundo Monetário Internacional e a acção diligente do «grande centro» ideológico – pode significar um retrocesso sério, inédito e porventura irreversível. Entendemos, por isso, que é altura de erguermos a nossa voz. Amanhã pode ser tarde. [Read more…]

Construir soluções novas

Num momento dramático como o que vivemos, a sociedade portuguesa precisa de debate e de convergências democráticas. Precisa também de reconhecer que a crise do liberalismo económico, de que a acção dos programas patrocinados pelo FMI tem sido uma expressão, obriga a reavaliar opiniões e prioridades e a construir soluções novas, assentes em ideias e escolhas claras e num programa explícito, sabendo que na democracia nunca há a inevitabilidade de uma escolha única, porque a democracia procura as melhores soluções da forma mais exigente.

É indiscutível que o estado das finanças públicas, que é em grande medida o resultado da profunda crise económica, exige um conhecimento e avaliação exigentes de todos os compromissos públicos. E que se torna urgente identificar a despesa pública desnecessária, supérflua e geradora de injustiças sociais, distinguindo-a da que é indispensável, colmata problemas sociais graves e qualifica o país. É também útil que se reconheça a importância do trabalho, dos salários e dos apoios sociais na sociedade portuguesa, se admita a presença de carências profundas, sob a forma de pobreza e de desigualdades crescentes, e se considere que os progressos alcançados na nossa sociedade são o resultado da presença de mecanismos de negociação colectiva e de solidariedade cujo desmantelamento pode significar uma regressão socioeconómica que debilitará o país por muito tempo. [Read more…]

Manifestação da Geração à Rasca, à rasca com o dia seguinte

É uma das perguntas sacramentais deste tipo de eventos. A festa foi bonita, houve muito povo, enrrascados ou com eles solidários, se bem que enrrascados estamos todos, muitos protestos, afinal este foi o dia em que o povo saiu à rua para mostrar que tem poder.

Vai longa a frase mas não lhe percam o sentido. Não é da manifestação que quero falar. É do dia seguinte. É de amanhã, de depois de amanhã, na próxima semana, no próximo mês, no próximo ano.

Hoje é a euforia. O nosso clube ganhou. A malta esteve em grande e foi para a rua, mobilizou-se, saiu de casa contra a resignação. Estiveram todos unidos pela mesma causa. Mas e amanhã, pá (este pá foi pedido emprestado aos Homens da Luta)? Como vai ser depois da resaca?

“Ah e tal que o manifesto é fraquinho…” ouvi dizer ao longo dos dias. “Pois, são mais uns que falam, falam, mas não fazem nada”, argumentaram outros.

É verdade que o manifesto era fraquinho. De tanto querer enfiar todos no mesmo saco, era um conjunto de banalidades em que todos, literalmente todos, nos poderiamos rever. Era uma espécie de Ruca misturado com Nody e umas pinceladas de Calvin, embora sem os meninos mal comportados de South Park e muito menos um American Dad.

[Read more…]

Breve manifesto da insubordinação dos mansos

Paciência e sensatez em nome da estabilidade, da segurança, de um futuro longínquo e inconcretizável? Esqueçam. Ardamos de impaciência e furor, esventremos as paredes que nos aprisionam, arranquemos as tábuas do soalho, e contemplemos com gosto todo o caos que gerámos. Cansados de ser bons meninos? Fartos de contemporizar, engolir em seco, fazer de conta que não ouviram? A nossa hora chegou. Vamos escolher o caminho mais incerto, refutar os argumentos envenenados de hipocrisia, pronunciar com clareza e, desfrutando desse prazer sensual de proferir cada sílaba com volúpia, dizer tudo o que queremos e o que rejeitamos, o que daremos com gosto e o que não aceitaremos. Não faremos o que se espera de nós, não aceitaremos o sacrifício em nome do bem comum, não faremos o razoável, o sensato, o equilibrado. Não seremos poupados, comedidos, subordinados. Tragaremos de uma vez a míngua de ar que nos reservam e ousaremos escancarar as janelas que devem manter-se encerradas. Não calaremos as perguntas. Não aceitaremos as respostas incompletas, desviantes, sonsas. Não pactuaremos com silêncios cúmplices. Ofereceremos a verdade que exigimos. Olharemos de frente o rosto da angústia e encheremos de sentido o vazio. Saberemos de memória as sílabas do amor e expulsaremos o medo dos seus recantos sombrios. E começaremos hoje mesmo.