Conheço algumas mulheres fortes


Mulheres que sabem dar.
Mulheres que sentem.
Mulheres que nunca recebem.
Mulheres que gostam de viver.
Mulheres que não têm medo.
Mulheres de poucas palavras.
Mulheres que caem e levantam-se.
Mulheres que passam despercebidas.
Mulheres que estão sozinhas porque são fortes.

Tindergirl

Uma mulher corta o cabelo

Talvez inquietada pelo comentário do Miguel Dias, fui cortar o cabelo.

A esperança que uma mulher deposita num corte de cabelo chega a ser comovedora. E se a operação inclui mudança de cor, então estamos a falar de um processo de quase transmutação.

O Francisco corta-me o cabelo há uns dez anos, e não precisa de grandes explicações. Basta um “não sei, queria assim qualquer coisa mais… curta” e por um processo químico, mediúnico, de metempsicose ou coisa do género, consegue decifrar, mais do que aquilo que eu quero, aquilo de que preciso.

Temos longas conversas ético-filosófico-morais enquanto a tesoura dança certeira sobre as pontas do cabelo e eu espreito, com uma inquietação que já sei disfarçar, a frenética chuva de cabelos que vai caindo sobre o chão. [Read more…]

O que António Pedro Vasconcelos diz que sabe sobre as mulheres

A revista de domingo do Público inclui todas as semanas um texto que parte, ao que se explica, de uma conversa, com a jornalista Ana Sousa Dias, e que pretende dar resposta à questão “O que eu sei sobre os homens/ as mulheres”.

Nesta última semana, o convidado era o cineasta António Pedro Vasconcelos (APV) e o excerto da conversa colocado em destaque dizia:

“Não estou a ver uma mulher a ler Montaigne, um dos meus autores de cabeceira”.

Ora, esta afirmação, só por si, já me pareceu motivo mais que suficiente para ler o que APV diz que sabe sobre as mulheres. O taxativo, ainda que circunstancial, “não estou a ver” deixa pouca margem para que alguma criatura do sexo feminino mais afoita se abalance a qualquer um dos volumes dos “Ensaios”.

Seria esta afirmação reveladora de um profundo conhecimento das mulheres ou de um despudorado machismo? Já não era possível voltar a página e ignorar o que o APV sabe sobre as mulheres. [Read more…]

Teoria dos bolsos

Desengane-se quem pensa que vou falar de corrupção. É já assunto muito “varado”.

Vou falar acerca dos bolsos na indumentária masculina, e em como isso reflecte as nossas diferenças para com o sexo oposto.

Aos homens, os bolsos servem para compensar a ausência de espaço que as carteiras proporcionam às mulheres.

As mulheres possuem um saco mágico onde conseguem ter tudo quanto faz falta (e o que não faz). Mas nós somos obrigados a espalhar a tralha pela nossa roupa: porta-moedas, chaves do carro e de casa, tabaco, isqueiro, óculos, carteira, telemóvel, caneta (por vezes em parelha com um daqueles pequenos pentes de plástico oferta de hotel), documentos, agenda, livro de cheques, lenço, etc.

Ora, em média um casaco tem cerca de 7 bolsos: três exteriores e quatro interiores. Se somarmos três bolsos (no mínimo) das calças, passamos a ter 10 bolsos. Se o fato for de colete, acrescente-se mais 2, e temos 11 bolsos. Mas deixemos os coletes, e fiquemos pelo fato mais usual de 10 bolsos. São 10 esconderijos em que nos habituamos a espalhar, ao longo das vestes, a palamenta com que vivemos diariamente.

Um visão radiográfica, faria de nós expositores andantes.

Mas além de nos habituarmos, faz parte da nossa mentalidade masculina: a partir do momento em que algo está guardado para nós está arrumado, finito, missão cumprida. Para as mulheres, não: as coisas têm de estar guardadas e arrumadas. Se para os homens estar guardado e arrumado são a mesmíssima coisa, para as mulheres são duas realidades distintas. Daí que o homem aprecie mais um armário e as mulheres uma vitrina.

Sossega-me, no entanto, que a evolução da espécie será na direcção do homem deixar de precisar de esconderijos: nos filmes de ficção científica as roupas não têm bolsos, pois tudo está concentrado num aparelho que fica preso à cintura ou aperta no pulso, e que além de ter a nossa identidade, telefone, televisão e computador, também dispara raios-laser.

Fazer sexo com 86 anos dá demissão?

A televisão passou um filme de Narayan Dutt Tiwar, 86 anos, com três mulheres na cama!

E não é que o governador da província de Andhra Pradesh (Índia) em vez de ser agraciado com a medalha de serviços distintos, longevidade e outros que merece teve que pedir a demissão?

Anda tudo louco? Agora também é escândalo amar mulheres e fazer sexo com elas, mesmo aos 86 anos ou, principalmente, aos 86 anos, nas noites frias de inverno até as lágrimas aflorarem aos olhos ( esta é  uma frase que li sobre os esquimós, e não esfreguem as mãos porque lá, nos esquimós, o inverno dura 6 meses).

Eu não percebo este mundo: “é tempo de acabar”?

Dá-me o pito

As minhas amigas "tresmalhadas"

Era um espanto de mulher quando arribou a Castelo Branco, nos idos de setenta. Professora de ginástica, acabadinha de se formar, louraça, olho azul, mini-saia com umas pernas compridas a condizer, a Manuela era uma brasa, metade do pagode masculino de olhos em bico mas sem coragem de se chegar.

Foi lá o pobre do Vinagre, pobre duas vezes, porque andou de coração apertado enquanto viveu com os olhares de inveja dos outros e ainda coitado porque morreu cedo.

Ficou a Manuela viúva, um estadão, mas quem é que lá ía? naquele tempo, mulher com homem na vida estava entregue à maldicência e à solidão. A nossa conversa, de encher já se vê, é que sendo viúva de um amigo para nós era como se fosse um irmã… [Read more…]

Vítimas de violência doméstica: que nunca vos faltem as facas!

Na sequência do post anterior do FMS permitam-me que vos pergunte:
– Têm 10 anos! O vosso (cruzes! credo! canhoto!) Pai, separado da mãe e fora de casa, teima em aparecer por lá para se servir dela. Um dia têm a possibilidade de pegar numa faca e fazer justiça?
Fazem o quê?
Espetam?
Pois… Aqui ao lado foi isso que aconteceu e podem acreditar nisto: qualquer semelhança com a ficção, é pura realidade

Modesta proposta para combater o desemprego

Vi numa reportagem um senhor panificador que resumiu o grande problema nacional assim: as pessoas querem emprego e isso não temos, temos é trabalho mas isso  não querem.

Fez-se-me luz. O desemprego tem aumentado porque as pessoas andam à procura de trabalho das 9 às 17, como dizia o panificador, e não estão dispostas a trabalhar noite fora a troco de um mínimo da salário e um saco de carcaças.

O trabalho induca, liberta, é saudável. A mania de alguns, insistindo em serem remuneradas, terem um contrato, e outras mariquices, é que estraga tudo, já para não falar na questão semântica: temos mais de 10% de desempregados, mas é falso que abundem os desemtrabalhados.

Mesmo os poucos empregos que foram criados não podem chegar para todos porque os todos são muitos. Vamos lá baixar o número dos muitos: limite-se o acesso ao trabalho, sobretudo ao emprego, às mulheres – enfermeiras, telefonistas, professoras e assistentes de bordo, vá que não vá. Admito ainda meia-dúzia de excepções para profissões pouco masculinas como as de mulher-polícia, costureira, mulher-a-dias e vendedora de sardinhas na praça.

Não se trata de um regresso ao antigamente salazarista: dispenso as senhoras da obrigatoriedade de autorização superior para contraírem matrimónio, como se usou nesses tempos.

Resguardadas no remanso do lar, as portuguesas não só libertavam ocupações laborais para os homens como asseguravam a perpetuação da família, essa nobre instituição vilmente ameaçada nos dias de hoje. As que não quisessem casar com homens sempre podiam ser freiras, há sempre solução para tudo, o que é preciso é boa vontade, não acham?

Podia viver sem mulheres? Podia, mas não era a mesma coisa

Pergunta a Carla Romualdo se os homens podem viver sem mulheres.

Pois claro que podem. No meu caso pessoal, podia perfeitamente. Não era a mesma coisa, mas podia. Já vivi dois anos fora e desenrasquei-me perfeitamente.

Já sem a minha mulher, acho que não podia viver. Ou melhor, podia, mas facilmente me perderia no louco mundo do sexo e do álcool. Está ali a base, a base que me protege de mim próprio. Acredito que não sou o único.