Voleibol – vai começar a fase final

Está concluída a primeira fase do campeonato nacional de voleibol feminino.IMG_4636

Não houve, em termos de classificação, grandes surpresas – as equipas que se apresentaram como favoritas conseguiram, todas, o apuramento, natural para a fase final:

Ribeirenses (Açores), Leixões (Matosinhos),
o Gueifães e o Castêlo (ambas da Maia).

A  2ª fase disputa-se a duas voltas, com todos contra todos, mas sempre com jornadas duplas, um jogo ao sábado e outro “igual” ao domingo: na primeira ronda, este fim-de-semana, o Ribeirenses joga com o Gueifães e o Leixões recebe o Castêlo.

As duas primeiras passam para a final e em função do que se viu na primeira fase, aposto no Leixões e no Ribeirenses.

Às mulheres do matadouro

Num trabalho muuiiito precário que tive há anos, tocou-me, certo dia, ir em serviço a um matadouro.  Por essa época, eu fazia parte de uma equipa que executava (termo apropriado) no terreno aquilo que os piores criativos publicitários de todos os tempos haviam concebido nos seus cubículos bafientos de humidade e fumo de tabaco. Eram campanhas portentosas, originalíssimas, como a que se fez para certa marca de palitos, cujo slogan era “X, o palito de design europeu”. Abstenho-me de dizer a marca porque, para meu espanto, ainda existe.

As criaturas criativas tinham varrido o Portugal esquecido, aquele ao qual jamais chegavam propostas de publicidade televisiva, e tinham arrebanhado contratos a dar com um pau. Pelas encostas da Alcongosta, no Fundão, em Castelo Branco, Vila Velha de Ródão, Vila de Rei, até nas terreolas que tanto nos custava descobrir no mapa, não faltava quem quisesse anunciar o seu negócio, levantado do chão com mãos calejadas de trabalho ou alavancado às pressas por um fundo comunitário. Vai daí, toca a contratar (é uma forma de dizer) uns quantos imberbes desempregados e a fazê-los correr as terras da Beira Baixa, munidos de esboços de guião e câmara de vídeo, muita paciência e ainda mais ingenuidade. O salário era curto, mas no fim de cada semana não me faltavam as histórias para contar aos amigos. [Read more…]

O brilho da Lua é diferente em Março

lua

Maria Cantante tem 74 anos. Não sabe ler. Não sabe escrever. Exibe a licença de condução de velocípedes tirada em Setembro de 1960 (que ainda guarda na carteira).

Não foi à escola. Aprendeu a escrever o nome porque o seu irmão queria que ela fosse a sua madrinha de casamento. Copiou várias vezes até ser legível. É isso que sabe escrever. Assim, aprendeu a escrever o seu nome aos 21 anos. Tem o seu B.I. e o cartão de Eleitor assinados.

Não foi à escola porque teve que tomar conta dos irmãos mais novos.

Ditava frases para a menina que tomava conta e para a própria filha: “O pão é um alimento que aparece na mesa de toda a gente. O pão é feito de milho, trigo e até de cevada”; “ O amor de mãe encerra tudo quanto pode haver de generosidade e sacrifício. A mãe é santa que nos adormece, embalando-nos com ternura nos passos vacilantes de criança”.

As contas que sabe fazer são só as de somar.

Nunca comprou fiado; “não tinha dinheiro, não comprava”. Nunca quis «esmola». Diz que sempre fez um controlo do dinheiro. Não gasta se não tiver dinheiro. Não compra fiado, repetia-me.

Antes de ter o segundo filho não tinha nem uma cadeira. Comprou-a para que a parteira se pudesse sentar quando fosse o parto. [Read more…]

Mulheres no Aventar

Corro o risco de ser politicamente incorrecto, mas vou procurar escrever sobre algo que, admito, poderá não ser motivo para um texto – as mulheres no Aventar.

Não há qualquer tipo de novidade na presença feminina na web, mas parece-me que há ainda uma relação muito desigual entre os dois géneros, ou não?

Nas últimas semanas temos tido a felicidade de ver entrar na nossa equipa alguns novos aventadores, todos eles a escrever no feminino. Não creio ter havido por cá uma negociação em torno da paridade que até se encontra legislada  – esta Lei  de Agosto de 2006 vem estabelecer

“que as listas para a Assembleia da República, para o Parlamento Europeu e para as autarquias locais são compostas de modo a assegurar a representação mínima de 33% de cada um dos sexos.”

E a nova realidade do Aventar levou-me a pensar de que modo está ou não mais igual a participação das Mulheres na nossa sociedade, no  seu sentido mais amplo. Será que hoje a Mulher saiu realmente do espaço doméstico para o espaço público? Será que faz algum sentido discutir esta temática?

Há quem ache que sim: Sofia Silva apresenta na sua Tese de Mestrado um estudo nesta área e procura pensar a relação entre as vidas pessoais e profissionais sob o ponto de vista feminino.

Em diferentes espaços sociais tenho percebido que é menos fácil a participação das mulheres – nas associações de pais, nos clubes e associações, nos sindicatos, nos partidos…

Que factores concorrem para essa realidade?

Lá está, o costume! Escrevi, escrevi e não disse nada… Confesso que tinha uma ideia na cabeça quando comecei, mas com o percurso dos dedos no teclado fui-me afastando e já não consigo regressar…

Sejam bem-vindas.

Até que a morte nos separe?

Violência sobre as mulheres: “Até que a morte nos separe“?

Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres assinalado com números negros.

Ninguém quer um casamento assim. «Até que a morte nos separe» é um slogan fortíssimo. Há, mesmo assim, que saber interpretá-lo. Olhar bem para o cartaz de campanha: ela está vestida de noiva e ao mesmo tempo apresenta marcas de agressão. Esta agressão é feita quando? No namoro? Ou pretende-se aqui mostrar o futuro de alguns casamentos?

Uma imagem vale mil palavras e 1000 interpretações.

É muito difícil a uma mulher reconhecer a infelicidade do seu casamento e denunciar o marido. Mas há um momento em que não pode deixar de fazê-lo… A sua vida (e a dos filhos) está acima de tudo e de todas as convenções e «falatórios» e do que vão dizer os outros.

Há que dar todo o apoio a estas mulheres vítimas de homens incapazes, para não dizer outra coisa.

O lugar da mulher é ao fogão

Não há mulheres na política chinesa porque o seu lugar é ao fogão“. Este título chama a atenção a qualquer mulher.

“Quanto mais se sobe na hierarquia política chinesa, mais a  presença das mulheres se torna rara. No Comité Central do partido apenas 6% dos membros são mulheres; no Bureau político, um órgão de 25 elementos, há apenas uma mulher; o Comité Permanente (o mais poderoso na hierarquia) nunca integrou uma mulher.”

Mas Mao Tsetung disse que elas são “metade do céu”!!!!!

O nosso lugar já não é ao fogão. Nunca foi. Embora eu escreva muitos posts com o computador sobre o micro-ondas!!

 

Turbo-mães

A crónica de Daniel Sampaio deste domingo na revista do Público tem este título, «as turbo-mães».

Conta-nos a história de uma mulher – podiam ser quase todas – que trabalha das 8 às 21h, tentando concialiar tudo; os filhos raramente vêem a mãe;  é uma turbo-mãe;  faz tudo bem mas sempre a correr, com altos níveis de ansiedade. Conhecida pela sua eficácia profissional, é elogiada pelo director, que está dependente do seu trabalho e a considera insubstituível. Em época de crise, Ana tem receio de trabalhar menos e ser dispensada, como vê acontecer à sua volta. Sente- se em falta em casa.

Contou a D.S., seu médico, que a crise não a deixa parar. Não estava fácil fazê-la mudar de vida: a crise, o medo de perder o emprego, obriga-a a ser turbo…

Daniel Sampaio pensa que, efectivamente, “a crise provoca o desemprego, mas (…) também é responsável pelo modo febril como alguns trabalham, sempre a correr contra o tempo”.

Somos tantas as turbo-mães…

Só precisamos de ter calma, saúde (principalmente) e não perder o sentido do que é mais importante para cada uma de nós.

Não é fácil ser mulher e é mais difícil sê-lo em Portugal.

Mas não me arrependo de nada, como diria Raul Brandão! Fazemos o nosso melhor e já é muito…

Mas há uma coisa na história de Ana: temos que esforçar-nos por dizer «alto lá!», tenho filhos e amo-os, quero vê-los e estar com eles dia-a-dia, vamos renegociar este horário.

Não valerá mais ganhar menos? 

 

Retrocessos da civilização

Há 56 anos, a mulher tunisina alcançava o “mais avançado estatuto entre todas as mulheres dos países árabes: a igualdade de género“.

Hoje, o actual governo pretende a «islamização» do país e os tunisinos não estão pelos ajustes. Já houve manifestações na rua.

Os tunisinos exigem a alteração de um artigo da futura Constituição em que a mulher surge não como igual mas como «complementar ao homem». Escreveu-se já que esta posição do governo é uma “nova ditadura baseada na religião”.

Ao mesmo tempo que está em debate a alteração à Constituição, a atleta tunisina Habiba Ghribi dedicou a sua medalha olímpica (a primeira mulher na história do país a conseguir uma) às tunisinas e a uma «nova Tunísia». É preciso dizer que a Tunísia ganhou apenas 3 medalhas nestes Jogos Olímpicos sendo que, então, uma delas é de Habiba! Nada mal!

Muitas vezes as mudanças não se fazem para melhor, como é o caso.

Volta-se para trás, retrocede-se, perde-se, de um dia para o outro, aquilo que alguém (ou muitos e ao fim de muito tempo) conquistou.
Já vi isto em qualquer sítio

Os filhos

Zita é mais rápida no regresso a casa. O trabalho fica para trás a cada quilómetro das dezenas que faz, seis dias na semana. À frente, já só vê os filhos: a «coisa» mais maravilhosa que tem na vida. À noite, mete-se no meio deles, na cama, uma mão sobre as pernas pequeninas dos dois filhos. E eles adormecem com a cara encostada à mãe.

Zita tenta compensar o tempo perdido, longe de quem mais ama. Se ela soubesse como, escreveria um hino aos seus filhos… Como não sabe, diz-lhe que os adora, todas as noites, e aborrece-os com tantos beijos.

A paz que a envolve ali sentada entre os filhos dormindo, é uma paz que reanima, que reabilita, que lhe dá forças para o dia seguinte.

Grande Mulher (em tudo!)

A artista Joana Vasconcelos é a primeira mulher a expor no palácio de Versalhes!!

Em véspera do jogo Portugal-República Checa, passa despercebida esta vitória portuguesa! E ainda para mais, a de uma mulher!

Joana não é apenas a primeira, mas “a mais jovem artista contemporânea a ter o privilégio de se apresentar em Versalhes”, leio no DN do dia 18.

“As mulheres e a condição da mulher estão no centro do trabalho” desta artista que será a representante oficial na Bienal de Veneza em 2013!

Leva Portugal para Versalhes, leva mais que 11:  a ouriversaria do Minho, o fado de Amália, as tapeçarias de Portalegre, crochet do Pico, as cerâmicas de Rafael Bordalo Pinheiro, a escrita de Valter Hugo Mãe, as fotografias do pai, o design de Henrique Cayatte, a cozinha portuguesa e a louça da Vista Alegre.

Parabéns Joana. Uma salva de palmas para si, que é portuguesa da cabeça aos pés!!

Quando eu for grande

Quero ser como Laura, chegar aos 83 anos e estar assim linda como ela. Ser voluntária e sentir-me feliz por continuar a ajudar as pessoas fazendo o que melhor eu souber fazer.

Conheci-a através de uma entrevista que deu para o Diário de Notícias (13 de maio), a propósito do apoio voluntário aos peregrinos de Fátima…

Quando eu for grande, e tiver todo o tempo do mundo, que se deve ter aos 83 anos, também quero ir visitar as pessoas em casa (os que moram sozinhos e não têm apoio).

Quando eu for grande como a Laura, farei tudo com grande dedicação e direi “não acho cansativo”, “faz parte da vida ajudar quem precisa”.

Laura Lacerda é médica voluntária e presidente da delegação da Figueira da Foz da Cruz Vermelha. Tornou-se na primeira mulher a presidir, em 93 anos, àquela delegação.

Parabéns, Laura.

Ponto de partida

O DN coloca, diariamente, uma frase no topo da primeira página, num tamanho de letra mínimo. O Público, por seu turno, seleciona também uma frase por dia (Escrito na Pedra) que, ao invés, vem na última página. Tanto num caso como no outro, as frases devem passar despercebidas a muita gente, atraída pelas letras gordas e a negrito. A minha leitura começa, justamente, por lá, pelo que é mais pequenino e quase não se vê (típico das mulheres!).

Hoje, no DN, da escritora e filósofa Simone de Beauvoir (mulher de Sartre), uma frase curta mas muito rica em sentidos. Partilho com os leitores do Aventar:

Nós, para os outros, apenas criamos pontos de partida.

E já não é pouco!

Em nome da honra…

Bertolt Brecht, esse homem que marcou toda a história do Teatro, escreveu que “uma testa sem rugas é sinal de indiferença”.

A cada dia que passa, nasce-nos uma e não é da idade… Vamos ficando velhos antes do tempo, à custa de tanta injustiça e indignação.

Uma semana após o Dia da Mullher verifico, mais uma vez, que esta comemoração não tem o mesmo significado em todos os lugares, que a mulher ainda sofre imenso, que há países em que é ainda a desgraçada, a «culpada» e a «pecadora». Ainda somos o elo mais fraco. Dois dias depois do habitual «Jantar da Mulher» e das tradicionais mensagens e lembranças trocadas em todo o mundo, uma jovem marroquina suicida-se, desesperada com os maus tratos de que era alvo por parte do marido que a havia violado antes do casamento. Um casamento forçado pela tradição, por um juíz e pelos próprios pais! Depois de meses a sofrer nas mãos sujas desse que lhe deram como «marido», e após ver recusado o seu pedido ao pai para voltar a casa, a menina de 16 anos, Amina El Falili – mata-se com remédio dos ratos. [Read more…]

Página de Diário

 

Este ano, o meu Dia da Mulher foi especial. Inscreveram-me (a minha sogra) para um jantar (de mulheres) e eu adorei.

Mesmo ali ao lado de casa há um pequenino restaurante (tipo tasca) e, não sei como, sentaram-se 95 mulheres em longos bancos ao longo de compridas mesas. Conhecia a maioria: vizinhas, mães e avós dos colegas do meu filho que ainda anda na pré.

Enquanto esperávamos para nos sentarmos, prestei toda a atenção às conversas, a quem entrava e reparei como elas estavam maravilhosas. Mulheres da minha idade, outras mais novas e, a maioria, na casa dos sessenta. 

O dia havia-lhes sido igual em tudo menos a noite. Levaram os filhos à escola, fizeram-lhes o almoço, foram trabalhar, puseram a roupa a lavar, a secar, foram às compras e ainda arranjaram tempo para ir ao cabeleireiro. [Read more…]

Às super-mulheres portuguesas

Sim, nós também conseguimos!

Somos «primeiras damas», super-mulheres, mães, escrevemos livros, temos uma profissão, criamos movimentos, etc. (completem a lista em comentário, eu agradeço).

Michelle Obama não faz nadinha (demais)!

Cartoon intitulado «Happy Birthday Michelle». KiCHKA, jornal Israel Channel 1 (in PÚBLICO, 24/1/2012).

À procura de inspiração

  

Foto de José Magalhães (Aventar)

Naquele sábado de Dezembro, enquanto o comum dos mortais se atarefava na compra das últimas prendas de Natal, Vasco saiu de casa em busca de inspiração para o livro que não avançava. Era uma ovelha negra no presépio.

No Belém pediu um café. Instantes depois, o seu olhar cruzou-se com o de uma jovem que encostou o nariz ao vidro do estabelecimento para logo desaparecer, como se assustada com a visão de Vasco. Este deixou dinheiro a mais sobre o balcão, deu um encontrão ao casal idoso que entrava com grandes sacos de papel e correu atrás dela, ziguezagueando, disfarçando, subindo, descendo, esperando. Por fim, a mulher refugiou-se em casa. Vasco disparou pela última vez.

Sem fôlego, o nosso homem entrou no seu apartamento no 4º andar de um prédio sem elevador. O cão atirou-se às pernas. Vasco resmungou «não» e fechou-se na minúscula cozinha que transformava em laboratório fotográfico. Após alguns minutos, saiu para dar de comer ao Big impaciente. Voltou ao estúdio improvisado. Assim que obteve as onze fotos da beldade, colocou-as cronologicamente no quadro de corticite.

Sentou-se ao computador sem tirar os olhos dela, esperando…

O telefone tocou, incomodando-o sobremaneira. «Vasco? Esperamos por ti na ceia. Não te queremos sozinho na noite de Natal». «Com o Big…» – corrigiu, aborrecido. Há três anos, desde a morte da mulher, que se recusava celebrar a festa com a família ou com os amigos.

Vasco não tencionava sair nesse dia. Não queria distracções, ouvir as «deprimentes» canções de Natal. Queria trabalhar, mas, sobretudo, evitar a alegria da época. Levantou-se ao meio-dia, fez um café fraco e foi para junto da mulher fotografada na rua.

Um raio de sol penetrou no quarto, desenhando na parede pálida e bolorenta a sombra de um homem sentado frente a um computador com um cigarro aceso na boca, cotovelos apoiados nos joelhos.

Nada. Nem uma palavrinha. Não acreditava em Deus, mas fez o sinal da cruz no peito como um jogador de futebol antes de entrar em campo. Talvez resultasse…

Para seu espanto, as primeiras palavras jogaram-se no papel. Mas ao início da noite, Vasco tinha apenas meia página de trabalho.

Furibundo, saiu de casa para espairecer, protegido com um escudo anti-Natal mas permeável à chuva. Não foi longe: faltavam-lhe os cigarros. Fumado o terceiro, meteu-se no chuveiro como se entrasse numa máquina do esquecimento. Para esquecer e ser esquecido.

Mas Big precisava dele: arranhou a porta da casa de banho até Vasco lhe dar atenção.

Insultando o animal abaixo de cão, o homem vestiu-se e saiu com a intenção de levar Big a passear. Mas algo obrigou a uma mudança de planos: no hall do prédio encontraram uma alcofa. «Não é possível!?».

Pegou no bebé com mil cuidados, subiu e telefonou para a irmã: «Este ano a ceia de Natal é aqui». Desligou ignorando a surpresa do outro lado da linha.

Deste lado, num quarto frio e desconfortável, uma menina dorme sobre a cama desfeita, o cão deitado em guarda e esquecido do parque, Vasco ajoelhado e esquecido da dor.

As heroínas do Chile: Javiera Carrera

javiera Carrera

Javiera Carrera aos seus 19 anos, pintura al óelo de Bejamin Subercaseaux

Foi apenas na Primeira Grande Guerra de Europa, a data em que as mulheres começaram a aparecer nos campos de batalha O seu papel era de enfermeiras. A britânica Florence Nightingale, solicitou licença ao seu Governo para levar um grupo de aguerridas mulheres para curar feridos no campo de combate na guerra de Crimea. Florence Nightingale (Florença, 12 de Maio de 1820Londres, 13 de Agosto de 1910) foi uma enfermeira britânica que ficou famosa por ser pioneira no tratamento a feridos de guerra, durante a Guerra da Criméia. Ficou conhecida na história pelo apelido de “A dama da lâmpada“, pelo facto de servir-se deste instrumento para auxiliar na iluminação ao auxiliar os feridos durante a noite. Sua contribuição na Enfermagem, sendo pioneira na utilização do Modelo biomédico, baseando-se na medicina praticada pelos médicos. Também contribuiu no campo da Estatística, sendo pioneira na utilização de métodos de representação visual de informações, como por exemplo gráfico sectorial (habitualmente conhecido como gráfico do tipo “pizza”) criado inicialmente por William Playfair[Read more…]

Um Parlamento mais nobre

 
Foto da “Visão”

Aplaudo a eleição de Assunção Esteves para Presidente da Assembleia da República.

Não por ser mulher, mas por ser a mulher que é.

Não adiro à lógica de que fica bem eleger mulheres para certos cargos ou para quebrar tradições. As escolhas devem ser por mérito, e não por género. Acho mesmo que é de um paternalismo sexista sem sentido a existência de quotas para mulheres em órgãos políticos, da mesma forma que é idiota nas fotografias oficiais as mulheres terem de ficar no centro do grupo, como se precisassem de amparo.

Aplaudo a eleição de Assunção Esteves pela deputada que sempre foi. Por ser alguém com princípios, valores e – coisa também cada vez mais rara – ideias próprias, como demonstra a sua conduta política. Só em segundo lugar é que me apraz saber que é a primeira mulher a presidir à casa da democracia, porque prefiro o mérito ao género, pois que é assim que se consolida a nobreza das instituições.

A má disposição das mulheres…

Segundo a revista Sábado, as mulheres nasceram para ser mal-dispostas. Eu cá já desconfiava.  No entanto, a base cientifica deste estudo irá certamente permitir a muitos homens, eu incluído, explicar que roupa no chão, gavetas desarrumadas e leite fora do frigorífico só são um problema para elas por causa desta má disposição crónica de que, infelizmente, são vitimas :).

No entanto, para tentar melhorar um pouco essa tormenta que é ser mulher, dou o meu humilde contributo: Beijinhos a todas as nossas leitoras 🙂

Estilo vietnamita

 

(Em Hanói)

© packardemrodagem

passos coelho e o diácono remédios

 

Felizmente a lei sobre a IVG é pacífica na sociedade portuguesa, integrando tranquilamente o nosso património social e cultural. Até alguns sectores do catolicismo mais radical acabaram por aceitar a IVG como aceitaram os métodos anticoncepcionais. Mantêm o discurso, resguardam a aparência da ortodoxia, ficam-se por aí. Levantar o assunto da IVG da forma como o fez hoje Passos Coelho aos microfones da Rádio Renascença, é uma manifestação primária de oportunismo político sublinhando o completo desnorte em que o PSD se encontra mergulhado. Para “caçar” meia dúzia de votos! É, provavelmente, o maior erro político de toda esta campanha. Lá diria o diácono Remédios: “num habia nexexidade!”.

(publicado em mais um packard em rodagem)

unigénita – unigénito

unigénita-unigénito

Bem sei que este é um dos dias da semana denominada Santa. Bem sei que são dias pensados como para meditar. Como bem sei também que se comemora a morte de um ser humano, definido pelos livros sagrados de várias confissões cristãs, como o Redentor do mundo. Porém, uma pessoa que entregara o seu corpo e vida pelos pecados do mundo.

Tenho definido o conceito pecado em vários livros e textos, dizendo que é faltar o respeito, o carinho, a simpatia e fazer mal a outras pessoas. Quem queira saber, pode procurar nos ensaios que tenho escrito neste blogue e nos livros da minha autoria, especialmente Portugal e Europa, ASA, Porto, 1991; ou 1991, 1ª edição, Escher, 2001 2ª edição, Fim de Século: A religião como teoria da reprodução social. Apenas lembro

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As mulheres, a Comuna de Paris e o Sousa Tavares

‎”Não nos pronunciaremos sobre estas fêmeas, por respeito pelas mulheres a quem elas se parecem quando estão mortas”

Comuna de Paris: Barricada da Praça Blanche, defendida por mulheres

Alexandre Dumas Filho, escritor francês feminista a propósito das mulheres revolucionárias proletárias da Comuna de Paris. Escreveu em 1872 “La question de la femme” para a Associação pela Emancipação Progressiva da Mulher. Intelectual burguês, Dumas Filho defendia as mulheres na medida em que estas pertencessem à sua classe social.

Numa escala bastante diferente, faz lembrar o Miguel Sousa Tavares a referir-se aos deolindos. A Comuna de Paris chocou brutalmente os espíritos requintados. O seu esmagamento num mar de sangue aliviou-os.

As tropas de Versalhes avançaram bairro por bairro, enquanto a Comuna erigia centenas de barricadas com pedras de calçamento e sacos de areia. Na sua retirada, os integrantes da Comuna ateavam fogo em tudo: na noite de 24 de maio foi incendiado o castelo das Tulherias, ruas inteiras foram consumidas pelas labaredas. Nos últimos dias de luta, inúmeros reféns foram mortos, entre eles também o arcebispo de Paris.
Com a queda da última barricada, no dia 28 de maio de 1871, terminou a “semana sangrenta”, mas não o derramamento de sangue. Milhares ainda foram mortos, nos dias seguintes, nos parques, quintais e nas casernas. Os historiadores calculam que a Comuna tenha assassinado cerca de 500 adversários políticos, enquanto as tropas governamentais mataram entre 20 e 25 mil pessoas durante a reconquista de Paris e nos dias imediatamente posteriores. “ in Dw-world [Read more…]

O crescimento das crianças-1ª Parte

Indígena Mapuche, do clã Picunche, os meus anfitrióes, pensamento analisado por mim

DECLARACIÓN PÚBLICA COLEGIO DE ANTROPÓLOGOS

A cincuenta días de iniciada la huelga de hambre de los presos políticos mapuche en diversos centros carcelarios del sur de Chile, es poco lo que cabe agregar a lo ya dicho en pro de las legítimas demandas por ellos planteadas.

El asedio al pueblo mapuche vuelve a poner en evidencia la crueldad e inconsistencia con la que el estado chileno enfrenta a quienes están condenados a vivir una ciudadanía de segunda clase. Privados de los medios para la realización de su cultura son también privados de los derechos básicos para defender su dignidad. La legislación de excepción que se les aplica niega lo que por otro lado se les dice: la igualdad frente al resto de la ciudadanía. Se les trata, en cambio, como enemigos de guerra; se les fuerza a la extranjería no sólo por la discriminación que todos los días recae sobre mujeres y hombres de este pueblo sino también por la acción de fiscales y autoridades que les enjuician como si no fuesen personas en la integralidad de sus derechos. Es responsabilidad del estado, en el marco constitucional y de los convenios internacionales, el manejo democrático de los conflictos sociales y el uso proporcional de las medidas de persecución y represión criminal, respetando el derecho de las personas a un proceso judicial equitativo. Es por ello que el uso de la ley antiterrorista atenta contra el sistema democrático que pretende defender. [Read more…]

Como Se Fora Um Conto – O Descalabro do J

O Descalabro do J

O estrondo, enorme e contínuo, baralha as ideias, impede o pensamento e perturba o imperturbável caminhar das horas e dos dias.

As casas, os prédios e as pontes, caem como baralhos de cartas, lançando a destruição à sua volta. As estradas, as ruas e os caminhos, desaparecem, deixando no seu lugar, uma amálgama de trilhos sem sentido e sem indicação de rumo.

No meio de tanta desgraça, J sente-se perdido. Olha à sua volta e só a devastação e a ruína se encontram à vista. O desespero ameaça tomar conta das suas acções. As soluções não existem, os caminhos não se vêm, a solidão está presente.

Os familiares, mesmo que voltassem com os seus esforços e cheios de boa vontade, não apagariam a tristeza nem acalmariam a desesperança.

J é a imagem personificada do desânimo.

Ao seu lado, não tem companheiros de infortúnio. Ninguém repara no seu sofrimento, ou ao menos se importa. Cada um tem a sua própria dor. E as dores dos outros são sempre privadas. [Read more…]

Saber o preço de tudo e não saber o valor de nada

Saber o preço de tudo e, contudo, não saber o valor de nada! Citação anónima.

Há muito tempo que comecei a alertar a mui intelectual Clara Ferreira Alves ( e não só ela) sobre a evolução errônea da CEE e dos seus subsistemas, em cartas que lhe escrevi através do Expresso, juntanto sempre propostas concretas de prevenção e de solução. Mas ela não deu o braço a torcer. A maior parte das pessoas e sobretudo jornalistas adoram vaticinar problemas e falar sobre eles quando materializados, mas da sua prevenção e solução não querem saber. E agora a Dra. Clara Ferreira Alves e muitos outros queixam-se….

Para onde vamos? Não tenho dúvidas: vamos para um novo paradigma, para novos horizontes, uma ordem superior…mas possívelmente primeiro vamos ter que passar por graves turbulências sociais porque – infelizmente – as pessoas só mudam quando começa a doer.

Depois, no novo paradigma e numa ordem superior, numa primeira fase e até a poeira não se assentar, quem quiser morangos que os plante ele próprio. Depois das coisas recuperadas e a correr melhor, porventura, poderemos dar às mulheres (e não só a elas) “uma oportunidade” mas de forma ciberneticamente correcta – lá no Magrebe, no seu próprio habitat.

Sim, strawberry fields forever, mas vendo o mundo com outros olhos e agindo de forma diversa. É tão simples como isso.

Rolf Damher

Homenagem à mulher portuguesa

Acabo de chegar a casa ainda comovido com o belo expectáculo a que assisti no Coliseu, promovido pela Associação 25 de Abril e a RTP1.

Pelo palco passaram artistas que todos conhecemos, da Maria do Amparo à Maria de Medeiros, do Vitorino ao Fernando Tordo, da Simone ao Carlos do Carmo, os jovens do Chapitô (a Tété deu-me um cravo…) os cantares de Montemor-o-Novo no feminino, Bernardo Sasseti, Carlos Mendes ,Carlos Alberto Moniz, Helena Vieira, José Mário Branco, Lena d’Água, João Pedro Pais, Mafalda Veiga, Manuel Freire, Luisa Basto, Luisa Amaro, Maria Viana, Odete Santos e que me desculpem os que me faltam…

Recordaram-se mulheres corajosas como Maria Lamas, Maria de Lurdes Pintassilgo,  Izabel Aboim Inglês, as três Marias e tantas outras que estiveram na frente na luta contra o pesadelo facista. Os avanços que as mulheres foram obtendo na sua luta pela igualdade, a primeira vez que votaram, logo na Constituinte, que deixaram de ser propriedade do pai ou do marido.

A mulher que logo no dia 25 de Abril vendia cravos na Baixa de Lisboa e se lembrou de os “plantar” no cano das espingardas dos soldados, a duas cadeiras de mim, chorava digna do seu gesto nobre e que ficou para a posteridade.

Estiveram lá os capitães de Abril e o povo de Lisboa e com excepção de um deputado que tambem é capitão de Abril, não estava lá um único político no activo,( a não ser que os não conheça…) embora Mário Soares e Maria Barroso tivessem dito presente.

Abracei o Vasco Lourenço e o Otelo ! 25 de Abril, sempre !

Dia da Mulher: Não quero flores


Nem flores, nem qualquer outro gesto simbólico que assinale o Dia da Mulher.

Quero a merecida e tão propalada igualdade de géneros.

A passagem deste dia lembra-me sempre que as mulheres continuam a ser vistas e tratadas como seres inferiores aos homens.

O próprio facto de eu ter sido convidada, porque sou mulher, para escrever este post neste blogue, que é sobretudo feito por homens, contribui para essa ideia de inferioridade feminina. Hoje os homens deixam-nos escrever… Iupii!!!

Isto apesar de as mulheres presentes em muitos dos sectores importantes das nossas sociedades serem em maior número do que os homens.

No entanto, as mulheres estão presentes, e muito, nos lugares de base, raramente nos topos. Dirão que é normal. Uma mulher não pode nem deve fazer carreira, sobretudo se tiver família ou se pretender tê-la.

Uma mulher que tenha filhos, mas insista em manter a sua carreira, muitas das vezes tem que não só provar ser muito mais capaz do que os homens seus colegas, como enfrentar as opiniões do mundo, frequentemente da sua própria família. A mãe que com sacrifício deixa os filhos à noite para reuniões importantes ou para tratar de negócios é uma má mãe. Não devia ter tido aquelas crianças, coitadinhas, deixadas assim com o pai ou os avós ou, Deus nos livre, com uma ama qualquer. E, claro, se o marido se fartar e arranjar uma amante, é normal, não tinha mulher em casa a cumprir o seu dever. Um homem não é de ferro, tem as suas necessidades. Já o pai que faz exactamente o mesmo é um grande homem, faz tudo para sustentar a família e se a ingrata da mulher se «mete debaixo» dum qualquer que lhe apareça é uma desavergonhada, não merece aquele marido, devia era ser corrida com dois sopapos. Os sacrifícios que ele faz por ela e é este o agradecimento que tem… [Read more…]

Mulheres, conheçam os vossos limites


Maria Noémia Pinto, leitora do Aventar

Conheço algumas mulheres fortes


Mulheres que sabem dar.
Mulheres que sentem.
Mulheres que nunca recebem.
Mulheres que gostam de viver.
Mulheres que não têm medo.
Mulheres de poucas palavras.
Mulheres que caem e levantam-se.
Mulheres que passam despercebidas.
Mulheres que estão sozinhas porque são fortes.

Tindergirl