Modesta proposta para combater o desemprego

Vi numa reportagem um senhor panificador que resumiu o grande problema nacional assim: as pessoas querem emprego e isso não temos, temos é trabalho mas isso  não querem.

Fez-se-me luz. O desemprego tem aumentado porque as pessoas andam à procura de trabalho das 9 às 17, como dizia o panificador, e não estão dispostas a trabalhar noite fora a troco de um mínimo da salário e um saco de carcaças.

O trabalho induca, liberta, é saudável. A mania de alguns, insistindo em serem remuneradas, terem um contrato, e outras mariquices, é que estraga tudo, já para não falar na questão semântica: temos mais de 10% de desempregados, mas é falso que abundem os desemtrabalhados.

Mesmo os poucos empregos que foram criados não podem chegar para todos porque os todos são muitos. Vamos lá baixar o número dos muitos: limite-se o acesso ao trabalho, sobretudo ao emprego, às mulheres – enfermeiras, telefonistas, professoras e assistentes de bordo, vá que não vá. Admito ainda meia-dúzia de excepções para profissões pouco masculinas como as de mulher-polícia, costureira, mulher-a-dias e vendedora de sardinhas na praça.

Não se trata de um regresso ao antigamente salazarista: dispenso as senhoras da obrigatoriedade de autorização superior para contraírem matrimónio, como se usou nesses tempos.

Resguardadas no remanso do lar, as portuguesas não só libertavam ocupações laborais para os homens como asseguravam a perpetuação da família, essa nobre instituição vilmente ameaçada nos dias de hoje. As que não quisessem casar com homens sempre podiam ser freiras, há sempre solução para tudo, o que é preciso é boa vontade, não acham?

Comments


  1. Que posta tão foleira!


  2. Pode ser de mim, João, mas de facto não entendo. Então é melhor ter desempregados que empregados? É melhor ficar em casa vivendo à sombra de um subsídio do que trabalhar? Todos os contratos de trabalho nas panificadoras são maus? Porquê eliminar as mulheres do mercado de trabalho?

  3. isac says:

    Há um tag “ironia” no fim do texto. E o João tem razão. Se é verdade que há muita gente que não quer trabalho, mas apenas um emprego, também há patrões que não querem dar empregos, apenas trabalho. De preferência, estágios não remunerados e outras tangas do género para que uma pessoa se esfole a trabalhar sem receber efectivamente um ordenado.


  4. A frase não é minha. Mas porque será que o homem diz que há trabalho mas não há empregos? Bem sabemos como o aumento do desemprego leva ao desespero, e o desespero a aceitarem-se trabalhos pagos abaixo das tabelas. Não há crise que justifique a exploração desumana dos desempregados.

  5. madalena says:

    Eu explico : ele há pessoas que são contratadas hoje e dali a 15 dias  faltam 2 para ir passear ; dia sim , dia não chegam atrasadas ;  acham normalissimo atender telemóvel  pessoal no trabalho ; ups ! também se trabalha ao fim de semana ? nop , não dá ; e mais coisinhas assim. Se tivessem de contratar trabalhadores  percebiam o que o padeiro disse , e não se limita o problema à panificação e horários nocturnos.  se for malta vinda dos centros de emprego , então , é de fugir. jovens saídos da escola balda , idem. trabalho requer disciplina e responsabilidade e também saber definir prioridades se se quer conservá-lo.


  6. Pois é Madalena, contaram-me que algumas pessoas chegam mesmo a exigir salários, ordenados, vencimentos, enfim: trabalham e ainda querem que lhes paguem. Endim: pobres e mal-agradecidos.

  7. madalena says:

    não desconverse. se você contrata alguém que não tem hábitos de trabalho  , e só quer um emprego , que é que faz ? contrata-o ou manda-o pró olho da rua? Sabe , o salário que um trabalhador do privado ganha depende do rendimento da empresa e não de impostos cobrados coercivamente , logo , o seu rendimento como trabalhador  é importante. E largue o Marx. Marx era judeu e falava pra judeus. A maioria dos empregadores não é judeu. Não sei se me faço entender.

  8. madalena says:

    e é engraçado o que diz sobre mulheres e mercado de trabalho. suponho que sabe que muitas mulheres estão empregadas nos cuidados a crianças e idosos. reflita.


  9. Existe uma figura chamada “período experimental”. O nome diz tudo, parece-me.Olhe que o velho Karl era ateu, isso de ser judeu e falar para judeus tem muito que se lhe diga…


  10. Eu sei que as ironias são perigosas, e ninguém me manda brincar com o fogo, mas que quer: é uma tentação por vezes irresistível.

  11. maria monteiro says:

    Não entendo porque é que a panificação (ACIP) tem falta de trabalhadores… Pois se há falta de trabalhadores só posso concluir que é um sector em expansão… não me passa pela cabeça que andem no esquema de despedir, mandá-los para a segurança social e admitir outros com salários muito mais baixos

  12. maria monteiro says:

    JJC, eu também costumo usar essas ironias…

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