C&A despede efectivos

…e contrata eternos Contratados, pois claro!
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É mais uma triste história a contribuir para o aumento das listas de desempregados. Talvez nem isso. É que ao despedir uma efectiva com horário a tempo inteiro, algumas regalias e salário mais ou menos condigno, a C&A (Canda ou C-and-A) contrata três ou quatro funcionárias a termo certo, sem quaisquer direitos que não sejam o “come e cala”.

Vamos lá relatar melhor o que se passa. [Read more…]

Portugal, Agosto de 2015

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Naufrage | Maria Helena Vieira da Silva, 1944

Há cada vez mais pessoas que vasculham nos caixotes do lixo. Já não têm vergonha, já só têm fome: abrem os contentores e enfiam-se quase inteiras lá dentro. Há aquela velhota que pede cigarros. Dizem-me que é para o marido. Que interessa para quem são os cigarros? Há o homem que suplica à porta do supermercado por qualquer coisa para dar de comer aos filhos, o corpo de pedir todo curvado, os olhos lacrimejantes, a miséria e a desolação espelhada neles. Nas ruas abandonadas pelos que foram de férias, ficaram os mais pobres de todos. Já no ano passado foi assim, mas este é pior, há mais que ficaram, mais pobres e mais tristes, muitos doentes, a querer morrer, adoecidos pela tristeza e pela impotência, já depois da indignação. E lembro-me de como era Portugal no início dos anos 1970. Era assim triste, desolado, miserável, e os portugueses pareciam náufragos, como estes que vejo abandonados pelos poderes em Agosto de 2015.

Alguém adormece em Kalachi, um autocarro arde em Buenos Aires


Andamos todos uma pilha de nervos. Eu ando. E vós, aposto que também. São injustiças por todo o lado, abusos de poder, é uma carta que chega das Finanças e a gente fica a tremer (ministra Cristas dixit), é a impunidade dos poderosos, é a deterioração de um modo de vida, com direitos que achávamos adquiridos, com garantias que pensávamos inalienáveis. E a revolta que isso nos provoca e que há-de tornar-se uma úlcera, se não coisa pior. O cidadão irritado, espoliado, indignado e de mãos atadas. O cidadão sozinho contra um sistema iníquo que, tal como a serpente que morde a própria cauda, foi o mesmo cidadão que permitiu que se fosse consolidando.

Por tudo isto, a cidadã pilha de nervos que sou eu gostou de conhecer, há pouco, a personagem do grande actor Ricardo Darín numa das curtas-metragens do filme argentino “Relatos Selvagens”, um engenheiro a quem passam uma multa de estacionamento indevida e que por isso se lança numa cruzada contra o sistema. Pelo meio, perde o emprego, a sua mulher pede o divórcio, a filha afasta-se dele, e até acaba por perder a liberdade. Depois de embater na arbitrariedade de quem manda e na apatia e falta de solidariedade de quem, como ele, deve obedecer, acaba por decidir mandar pelos ares (ele é um especialista em implosões) as instalações da empresa que lhe havia cobrado indevidamente, e, por isso, é detido mas transforma-se num herói popular, alvo de atenção da imprensa e das redes sociais. O povo baptiza-o de “engenheiro Bombita”. [Read more…]

Da revolta de um filho…

… cuja mãe foi assassinada pelo gang que se senta nas cadeiras ministeriais.
Este texto veio ter comigo no Facebook e tem que ser conhecido. Foi, pelo que percebi, escrito a quente pela revolta de um filho que viu a sua mãe morrer em consequência das acções da corja que manda neste país. Até quando?
Nota: Embora se trate de um texto público, foi pedida autorização ao seu autor para aqui a incluir. Noémia Pinto


O texto que se segue é de João Carlos Silveira, filho de Maria Vitória Moreira Forte, nascida em  Idanha-a-Nova, no dia 10 de Fevereiro de 1925 e assassinada em Almada no dia 17 de Janeiro de 2015.

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Peço desculpa pelo que vou dizer mas ESTOU MUITO REVOLTADO!
A minha mãe acaba de falecer há uma hora e meia, no Hospital Garcia d’Orta e, depois de ter dado entrada cerca das 11:00 horas da manhã, só foi vista cerca das 20:15 horas, depois de inclusive eu ter participado de um Médico, para mim indigno da profissão que diz que professa e depois de muitas outras peripécias na Urgência deste Hospital!
Independentemente de todas as queixas que possa ter, de muitos “profissionais” que trabalham nesta Urgência, o culpado maior da morte da minha mãe é filho da outra senhora, que dá pelo nome de Pedro Passos Coelho e o gang dos seus lacaios!

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Maldito Laxismo!

Domus Iustitiae«Ando arrepiado com duas sentenças de tribunais – de Gaia e Coimbra…»

Serás considerada culpada até provares o contrário

Paula Montez, uma activista pela não-violência, foi constituída arguida num processo pouco justo e totalmente opaco, a que pode não estar alheio o seu activismo. Pede a ajuda de todos os que estiveram no 14n em S. Bento.

a (des)igualdade da criança

A heterogeneidade que vai sendo tempo de compreendermos e aceitarmos

O estatuto socio-económico dos pais é determinante no incremento da (des)igualdade fisiológica das crianças denominadas de educação integrada ou especial.

Parece-me evidente que, ao falarmos em criança, estamos a pensar num ser humano novo, rechonchudo, de riso aberto, olhos azuis, cabelo encaracolado, impossível de atingir na sua rápida corrida. Ou, num pequeno que adora esconder-se dos adultos, ouve histórias lidas à noite, sabe contar contos e é espontâneo a colocar os seus braços em redor do nosso pescoço. Ou nessa pequena menina que brinca a ser mãe e canta às suas bonecas, as suas preferidas canções de embalar.
O mundo ideal, de tipo Huxley. Raramente, a verdade. Ou, por outra, verdade que atribuímos mas não concerteza com o mundo material.

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O Guerra

Tinha o Zé oito anos, quando na escola em que estudava chegou um colega que se chamava Guerra, que era bem mais crescido de corpo do que qualquer um dos demais colegas. Mas por razões que a ignorância de então jamais apurou, era um miúdo mentalmente frágil, atrofiado pelo medo, inseguro e submisso.

Naquelas idades as crianças revelam uma particular maldade. Razão pela qual o Guerra logo se transformou no “bombo da festa” da rapaziada da turma.

Todos mandavam nele. Todos lhe batiam. Todos. Incluindo o Zé, que arrastado por aquela corrente de maldade e crueza, sentia gáudio em exibir autoridade e domínio sobre aquele gigante submisso.

Um dia, o Guerra encontrou o Zé sozinho no recreio e pediu-lhe um lápis porque lhe haviam roubado o dele. Abordou-o medrosamente e disse-lhe:

– “Emprestas-me um lápis? Mas não me batas!…

O Zé ficou a olhar para aquele gigante de contradições. Tinha o nome Guerra, era mais crescido do que ele e pedia-lhe que não lhe batesse. Naquele momento as lágrimas vieram-lhe aos olhos. Como sempre acontece, quando relembra esta história.

Lágrimas de arrependimento, de remorsos por todo o mal que sofreu aquele frágil gigante e em que ele foi cúmplice. Quando lhe deu o lápis sentiu que esse seu acto tinha sido o único gesto humano que tivera para com ele, ao fim de meses de escola.

O Guerra afastou-se numa humildade servil que o expunha a toda a violência. E o Zé não foi capaz de o acompanhar de regresso à sala de aulas onde o Guerra se refugiava durante os intervalos, pois sentiu que preferia estar sozinho do que acompanhado por uma ameaça.

Naquele dia sentiu-se o pior e o mais cobarde de todos os miúdos. Ganhou consciência de todo o mal que lhe havia feito, da crueldade de que era capaz. Naquele dia o Guerra atormentou-o por todos os males que lhe havia feito.

No dia seguinte, o Zé estava decidido a falar com ele, a pedir-lhe desculpa, muito embora o castigo estivesse sempre dentro de si.

Tarde demais: os pais do Guerra mudaram-no da escola para uma outra onde teria melhor acompanhamento. Ninguém na turma percebeu ao certo o que era isso. Dizia-se que tinha ido para uma escola de malucos. Mas o Zé sabia que malucos eram todos os que violentaram a sua inocência e a sua fragilidade.

Nunca mais o Zé viu o Guerra ou dele teve notícias. O rosto do Guerra, as suas expressões, ainda hoje as revê com a mesma nitidez da dos tempos de escola. Não sabe se superou as suas fragilidades, se fez amigos ou se continua um gigante submisso. Sabe que consciente ou inconscientemente o seu rosto se espelha na sua memória sempre que vê uma qualquer humilhação ou injustiça. O Guerra é para o Zé a definição de humilhação e de injustiça. E uma razão para desejar um mundo mais humano.

Um mundo que o Guerra não teve.