Hitler, Estaline e Saddam a cara da sida

Escândalo internacional gerado por um anúncio na luta contra a doença. Pode a cara da sida ser a cara de Hitler, Estaline e Saddam ?

A sida é um assassínio de massas, e a relação é evidente . Há quem considere que o anúncio estigmatiza as pessoas que sofrem da doença, mas a tentativa é chamar a atenção para o facto de que há cada vez mais pessoas a viverem com a doença e nada melhor que um choque e ter uma resposta tão forte da sociedade.

Estar na cama com Hitler, só a ideia, é realmente assustador !

Atchim, feriado

gripe-mascara

Hoje encontrei um “plano de contingência” para a nova gripe, a aplicar nas escolas, e que corresponde a um modelo nacional, se bem entendi.

A coisa funciona assim: numa aula um miúdo espirra, aparenta ter febre, o professor pergunta-lhe se tem um de vários sintomas (diarreia, dores de garganta, e outra terminologia clínica que não decorei), e confirmado verbalmente um deles chama um funcionário para o levar para a sala de isolamento, já com máscara, limpa os vestígios do espirro com um toalhete, e a aula continua.

Suponho que isto nasceu no Ministério da Saúde, e foi digerido por um burocrata do da Educação, embora também possa ser uma ideia de qualquer outro ET.

No primeiro dia em que tal plano for descoberto em qualquer escola, portuguesa ou do mundo em geral, a malta vai espirrar, em magote, os termómetros não chegarão para as encomendas, no intervalo seguinte os pais saberão, e no máximo em meia hora uma multidão de pais estará em pânico à porta da escola.

Desde que inventaram as jaulas, perdão, aulas de substituição, que os alunos portugueses aguardavam por um brinde assim.

Ou chega um pouco de bom senso a estas almas diletantes, ou desconfio que este ano lectivo vai ter um começo bem original, e que seria mais sensato adiar o seu início, adiando a expansão da pandemia, tanto mais que o efeito prático  em termos de aulas será o mesmo, mas com esta ingenuidade acrescido de uma confusão que se podia evitar.

Surdos: vídeo sobre a Gripe A

Uma excelente iniciativa da DREN

Um novo partido morto

Apareceu agora em forma de novo o “velho Pro vida” !

Está contra o aborto, contra o preservativo, contra os casamentos entre homossexuais, contra a eutanásia, não será este o tal “Partido do contra” de que ouvi aqui falar?

O que me chateia é que para eles serem “pro vida” eu terei que ser “pro morte” o que é uma coisa longe da verdade, eu não penso como eles porque estou convencido que o que defendo é a bem das pessoas e das suas vidas.

Ser pro vida é ser a favor das pessoas e da vida? Nem por sombras e não vale a pena relembrar os argumentos que já foram esgrimidos e que são maioritários na sociedade.

O nome que utilizam é discriminatório e injusto, porque coloca os seus mentores no lado da vida e, os que não pensam como eles no outro lado, que é um lado onde ninguem quer estar. O lado da morte!

Se um aborto não se faz em condições sanitárias e médicas e morre a mãe, é pro vida ?

A eutanásia que apenas apressa a vinda “da maldita” e evita tanto sofrimento, é pro morte?

Eu não gosto do nome destes senhores e senhoras, acho mesmo que é contra a constituição .Não podem catalogar-me pelas minhas ideias, atirando-me para o inferno.

Estas senhoras têm “papel passado” por Deus para decidirem o que é vida e o que é morte?

SNS – O Serviço Nacional de Saúde de Obama

O Presidente OBAMA tenta o que muitos já tentaram e não conseguiram. Criar um SNS no país mais rico . Onde há 50 milhões de pessoas sem seguro de saúde,  todos os dias 14 mil perdem o seu seguro de saúde.

Há 97 anos que os sucessivos presidentes tentam uma reforma do sistema nacional de saúde . Harry Truman, em 1945, foi o único que obteve uma proposta concreta.

Os USA gastam 16% do PIB em saúde enquanto Portugal gasta 10% e , no entanto, a Organização Mundial de Saúde diz que Portugal tem o 12º melhor resultado enquanto os USA estão em 37º. Os europeus vivem mais tempo e têm taxas mais baixas de mortalidade infantil.

Os interesses económicos ligados às seguradoras têm impedido esta reforma, e os altos valores dos seguros pagos pelas empresas americanas estão a minar a competitividade da economia.

Os republicanos opõem-se ferozmente a esta reforma porque sabem que se Obama a conseguir implantar assegura um trunfo político poderoso e que irá ter consequências profundas em outras reformas fundamentais.

43% das pessoas com doenças crónicas e com seguros de saúde não conseguiram ter acesso aos cuidados de saúde de que necessitam. Dois terços dos que abriram falência fizeram-no porque não conseguiram pagar os custos de saúde embora pagando seguros de saúde.

Se os Democratas conseguirem a reforma da saúde , irão gozar de uma popularidade que poderá ter repercussão na próxima geração, mantendo afastados do poder os Republicanos por muitos anos, tais são as consequências favoráveis na vida dos cidadãos americanos.

PS: Expresso, de 7/8

Coisas do DIABO : Os 10 pecados de Sócrates

José Sócrates levou o PS a um limite aonde nunca tinha estado : uma votação inferior a um milhão de votos! E em Democracia há sempre boas razões para explicar a votação do povo soberano. Ei-las:

1 – 150 000 empregos prometidos e o que nos deixa é a mais alta taxa de desemprego de sempre.

2 – Obras públicas jamais. Nenhuma das grandes obras públicas se iniciou e têm contra si a maioria da opinião pública

3 – PME – Pequenas e Miseráveis Empresas. Mais miseráveis que nunca. Em desespero Sócrates promete todos os dias mais uma medida.

4 – Engasgos na Saúde: A demissão de Correia de Campos foi um erro tremendo, após a sua saída deixou de haver política de Saúde.

5 – O erro da Cultura – O próprio Sócrates admite que foi um erro a falta de atenção que devotou à cultura. O Património, algum dele Património Mundial, está ao abandono.

6 – Défices : “Está para nascer um Primeiro Ministro que faça melhor no déficit do que eu.” Mas a realidade é bem diferente. PIB a cair 4%, desemprego próximo dos 10%, endividamento externo equivalente a 110% do PIB, déficit externo de 8% a 9% e um déficit estrutural do Sector Público da ordem dos 5%. É uma situação muito séria. Não há paralelo na economia portuguesa.

7 – Justiça à beira do abismo – Magistrados do Ministério Público. “A Justiça está à beira do abismo”. Nesta área o governo não acertou uma só vez.

8 – Falhanço na Segurança : Há hoje mais crime em Portugal. Os agentes da segurança perderam o respeito por Sócrates, em manifestações várias, proferiram insultos e chegaram a atirar bonés à porta da residência oficial do Primeiro Ministro.

9 – Deseducação : Sócrates prometeu aliar-se aos professores, durante a campanha eleitoral de 2005.Acabou com os docentes contra o PS. Houve 150 000 pessoas na rua a pedir a cabeça da Ministra da Educação.

10 – Vida pessoal : A licenciatura de Sócrates, projectos urbanísticos, “esquecimentos” no caso Freeport quando afirmou desconhecer alguns dos actuais arguidos no processo.

É muito natural, depois da derrota nas eleições Europeias que Sócrates saia derrotado nas próximas legislativas. Que se pode esperar de alguem que deixa o país neste estado após quatro anos de maioria absoluta?

A mentira em directo do Cordeiro das farmácias

Além de ter chamado mentiroso e traidor ao Primeiro Ministro e este ainda não ter ameaçado com uma acção em Tribunal (vá lá perceber-se porquê ) o Dr. Cordeiro brindou-nos com uma mentira em directo.

Diz ele que apenas quatro meses após a concessão da farmácia do Hospital Santa Maria, já temos um incidente de manipulação de produtos muito grave. O que o Dr. Cordeiro se esqueceu de nos dizer é que quem manipula os produtos para os doentes hospitalizados é a Farmácia Hospitalar.

Ora uma e outra são bem distintas. A primeira é uma farmácia de venda ao público e que está anexa ao hospital, a quem o concessionário paga uma renda. A Farmácia do Hospital é uma farmácia da inteira responsabilidade e propriedade do Santa Maria e que fornece os serviços médicos hospitalares. A haver responsabilidade só podia ser desta e nunca da primeira que não fornece os doentes do hospital que estão internados. O Dr. Cordeiro, mauzinho e mentiroso quiz aproveitar a ocasião para descarregar a bílis por a sua gente ter perdido o concurso de exploração da farmácia anexa .

Isto mostra bem o caracter desta gente e mostra tambem como se sentem impunes para dizerem o que querem e lhes apetece. É por se conhecerem bem e não se poderem “zangar as comadres” não vá saber-se as verdades?

Traidor e Mentiroso! Sócrates foi à vida!

Podem crer, quando um personagem com o peso político e económico do Cordeiro das Farmácias se sente à vontade para chamar traidor e mentiroso ao Primeiro Ministro, isto só tem uma leitura. O PM já foi à vida!

Não contente com isso, diz com a maior das calmas que o acidente em oftalmologia em Santa Maria, se deve à política que permitiu a concessão da farmácia a gente que não pertence à ANF!

Isto é, o responsável é o governo, o Ministério da Saúde e o traidor e mentiroso que não cumpriu o que havia acordado com ele, Cordeiro!

O Francisco Ramos, meu colega na faculdade já foi lançado às feras, e veio dizer que não senhor, todos os acordos estão a ser cumpridos. Isto é ,o secretário de Estado é que veio apanhar com o impacto porque quer a Ministra quer o primeiro Ministro estão de rastos. Onde está o animal feroz?

O Primeiro Ministro de rabinho entre as pernas só agora é que percebeu, que aqueles episódios da sua vida particular podem não ir a julgamento ou ficarem esquecidos numa gaveta, mas qualquer Cordeiro lhos pode atirar à cara. Como se vê!

Não gosto do Cordeiro, nem um bocadinho, é um dos rostos dos muitos e poderosos interesses instalados que vivem á sombra do Estado e que condicionam as políticas que nos colocam na cauda da UE, mas de burro não tem nada. Fez uma declaração de guerra e está à espera que Sócrates se renda ou que apresente armas.

Nada pior para Sócrates ! Não gosto nada que um PM do meu país se atemorize diante de um lobo disfarçado de “capuchinho vermelho”!

Compromisso Portugal – Governo falhou

O Governo falhou no apoio às empresas e no ímpeto reformista que mostrou no ínicio da legislatura.

A situação do país não é melhor do que no ínicio em 2005, continuamos a divergir em relação à Europa, e ainda antes da crise internacional o país não conseguiu aproximar-se dos outros países da UE!

Não conseguiu melhorar o enquadramento favorável à actividade económica, não melhorou a contenção do intervencionismo do Estado, falhou na reforma do Estado, da Administração Pública e na Justiça.

A situação do país é preocupante, apresentando uma posição líquida em relação ao exterior negativa em 100% do PIB.

Apresenta como políticas positivas o Plano tecnológico, as Novas Oportunidades e o desenvolvimento das energias renováveis.

A situação das contas públicas é uma incógnita (à margem do relatório é de referir aqui, o número de circo do PS na AR, que não fornece os números das contas públicas, porque o grupo técnico de apoio existente na AR não é competente!!!)

Deve ser por não estar assegurado um conveniente relatório…

EU (?), NÃO SEI DE NADA!

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A IGNORÂNCIA DESCULPABILIZADORA
Vários doentes cegaram após tratamento oftalmológico com Avastim.
Depois da Farmacêutica ter vindo a público dizer que no princípio do ano tinha enviado aos hospitais Portugueses uma circular a dizer que o medicamento não era recomendado para tratar problemas dos olhos, e de mesmo assim, continuar a ser administrado as doentes de oftalmologia, já começaram as reacções.
Eu não sei de nada! Não tenho conhecimento da circular. Ouvi falar da carta mas nunca a vi. Por todo o mundo se aplica o medicamento nestes tratamentos. Aplica-se em casos semelhantes, em milhares de doentes e não há notícia destes acontecimentos. Não é comigo! Só faço o que me mandam! Nunca ouvi dizer que o Avastim fizesse mal.
Todos sacodem a água do capote. Ninguém é responsável por nada. Ninguém sabe de nada. Ninguém é culpado do que quer que seja.
O certo é que o Avastim pode provocar problemas quando se usa para tratamentos oftalmológicos, podendo atingir a cegueira. E provoca. E provocou em vários doentes do Hospital de Santa Maria. Esses doentes cegaram, esperando-se que a falta de visão seja reversível.
O Infarmed, a Farmacêutica Roche, a Ordem dos Médicos, o Hospital, os Enfermeiros, os ajudantes, o pessoal da limpeza e os trabalhadores indiferenciados, todos, mas mesmo todos, se puseram já fora de quaisquer suspeitas ou culpas.
O Hospital promete um relatório dentro de quinze dias.
O certo é que ninguém quer assumir responsabilidades, e, mais uma vez, a culpa vai morrer, solteirona.
A irresponsabilidade grassa no nosso País povoado de gente irresponsável.
Mais uma vez, a culpa não será assacada a ninguém, prevendo-se que os relatórios finais sobre este caso, concluam ter-se tratado de um acidente infeliz.

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Gays dadores de sangue -processo de decisão

A abordagem a estas questões dos homossexuais coloca-se sempre em termos de discriminação. Esta é a forma mais simples de afastar argumentos, porque coloca de imediato os homossexuais na posição do “coitadinho que esta a ser discriminado”.

Depois adianta-se que um processo assente numa análise custo/benefício não passa de economicismo. E em vez de se aplicarem modelos estatísticos na tomada de decisão, vai “tudo para o molhe e fé em Deus”. Acresce que não há base nenhuma médico-cientifica nesta tomada de decisão quanto à maior ou menor probabilidade de transmissão. Não se afastam os homossexuais por serem mais promiscuos ou por terem maior incidência de doenças sexualmente transmíssiveis. Afastam-se porque se sabe que há um certo número de casos que podem ser evitados com um procedimento seguro, barato e não colocando em causa as necessidades de recolha.

Por isso os meus amigos e amigas, deveriam perceber pelas tomadas de posição que tenho em relação aos homossexuais que nada tenho contra os homossexuais, e que não vale a pena insistir com argumentos que não vêm à colação. Eu não me basiei em nenhum argumento que credibilize os argumentos com que me brindaram.

O que eu disse e repito, é que numa tomada de decisão (que tem regras, já agora, porque se não tivesse seria discriminatória) o mais seguro, mais fácil e mais barato é afastar “de principio” um grupo de pessoas que se sabe, com a certeza absoluta, que tem X casos positivos e que o seu número(do grupo afastado) não coloca em risco as necessidades de recolha de sangue.

Há outros grupos de pessoas que são afastadas “por principio” como sejam as que sofreram transfusões, padecem de certas doenças, tomam determinados medicamentos e as que têm menos de 18 anos e mais de 65 anos.

A aplicar estes principios aos 5/6 milhões de pessoas restantes(afastá-las de principio) desde logo se percebe que não restariam dadores, e por consequência, sangue!

É só uma razão estatística, sem juízos de valor, sem discriminação, sem preconceitos…

Os gays não devem doar sangue

Estou completamente de acordo que os gays sejam impedidos de doar sangue. Como estaria de acordo se os casados promíscuos fossem impedidos, ou os solteiros com várias namoradas, ou quem, por uma vez que fosse, não tivesse utilizado o preservativo.

Não é uma questão de discriminação. É uma questão de segurança.

Se fosse possível isolar comportamentos de risco individuais seria por aí o caminho, mas não é possível. Mas é possível definir grupos onde a prevalência é alta, tão alta como noutros grupos, mas alta.

Todos os grupos de pessoas que pelas suas características possam ser isoladas, contribuem de uma forma fácil, simples e segura de diminuir a probabilidade de transmissão, mesmo que isso acarrete injustiças várias. Para o grupo e para os individuos!

Não é possível fazer o mesmo com o resto da população, mas a ser possível, devia fazer-se em nome da segurança. Sem juízos de valor pelas suas opções de vida.

Diminuir a probabilidade de transmissão é o objectivo, tem que ser o objectivo, das autoridades de Saúde. É preciso não esquecer que com a diminuição probabilistica de transmissão, procura-se não só o despiste do HIV mas tambem outras doenças como sejam as hepatites, estas com elevada incidência entre os homosexuais.

As autoridades de Saúde não podem seguir outro caminho que não seja diminuir a probabilidade de transmissão. Se fosse possível fazer rastreio prévio a todos os dadores seria obrigatório esse procedimento, em nome da segurança.

Isolar grupos, diminuindo as probabilidades de transmissão, é procedimento obrigatório de segurança, não tem a ver com discriminação. Com este procedimento controlo 500 000 pessoas ? número irrelevante para as necessidades de colheita, e afasto de certeza absoluta, vários casos de comportamento duvidoso individual. Um que fosse, já teria valido a pena.

Não posso fazer o mesmo a 5 000 000 de pessoas casadas sob pena de não ter “massa crítica” de colheita!

É só uma questão de bom senso!

UMA GRIPE COMO AS OUTRAS

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PANDEMIA / LUCRO
. Vivemos uma altura das nossas vidas em que o lucro, os ganhos de dinheiro, os interesses económicos, e a publicitação do que interessa a alguns, nos comandam.
Por trás do medo induzido, por trás das doenças, movem-se interesses de tal modo grandes, que se torna difícil pensar que a vida que nos impõem possa ser diferente.
Desapareceram a crise económica mundial, a crise económica nacional (a crise de valores, da educação, do desemprego, da fome, etc.), a crise petrolífera e outras crises, quando apareceu a crise da Gripe dos porcos, que se convencionou chamar de A.
Esquecemo-nos dos milhares de pessoas, milhões até, que morrem diariamente, por esse mundo fora, vítimas de diarreia, malária, sarampo, pneumonia, fome e outras doenças. Para estas mortes desaparecerem em grande parte, bastaria que o mundo (OMS) se lembrasse de ministrar soro, ou/e vacinas baratas, e de alimentar minimamente esses desgraçados. Mas como vivem na sua maioria em África, e África não tem dinheiro para pagar, o melhor é nem nos lembrarmos disso.
Raramente se fala destes milhões de pessoas, que a solidariedade mundial poderia salvar com pequenos custos.
Mas fala-se, diariamente, em todos os noticiários das doenças da moda. Começaram, anos atrás, com a gripes das aves. Os jornais e televisões mundiais inundaram-nos de notícias, e de sinais de alarme. Era uma epidemia, a pior de todas! Movimentos mundiais, com custos elevadíssimos, trataram os doentes. Milhares de vacinas foram produzidas. Morreram 250 pessoas em todo o mundo no espaço de dez anos.
Agora diariamente fala-se da gripe dos porcos. Os produtores do Tamiflú, não têm mãos a medir para produzir o medicamento. Há milhares de infectados e meia dúzia de mortes. Os governos fazem encomendas de milhões de doses de uma nova vacina, a criar até ao fim deste ano, e a distribuir pela população. Agora já não temos uma epidemia, temos uma pandemia. Coisa horrorosa, e o pânico instala-se mundialmente, afectando toda a gente, com a economia a sofrer novo abalo. Só as farmacêuticas e os intermediários prosperam. Obtiveram e obtêm, com estas crises, as gripes das aves e a dos porcos, biliões de euros de lucros.
Enquanto o soro, as vacinas e a comida necessária para suster as mortes em África, provocadas pela a malária, a diarreia, o sarampo, a fome, etc., custariam uns milhões de euros e evitariam milhões e milhões de mortes, estes tratamentos e vacinas para estas novas gripes, custam milhares de biliões de euros, para tratar e evitar a morte a alguns milhares de pessoas.
E a gripe normal? A que nos afecta todos os anos, e que mata em todo o mundo meio milhão de pessoas por ano? Porque não tem o mesmo tratamento que estas duas, agora bem mediáticas? Será porque as farmacêuticas ganham pouco, ou mesmo muito pouco, com isso?
E o mediatismo das coisas está a ser aproveitado por toda a gente, governos inclusivé (e se calhar até, principalmente), para mostrar ao povo o quanto se importam e incomodam com as suas populações. E gastam o dinheiro dos contribuintes para que todos os vejam, assim, incomodados.
Em Portugal não é diferente. Diariamente a Ministra vem mostrar-se e dizer-nos o quanto de bem estão a fazer pela população, e dar-nos conta dos infectados com a gripe A. Não se fala de mais nada, nada mais existe no nosso país, digno de ser falado e mostrado. A histeria está instalada. Já se fala em encerrar escolas, creches e empresas, faltando falar na proíbição de comícios e encontros esclarecedores nas próximas campanhas eleitorais. As eleições estão próximas, o partido do governo está na mó de baixo e é preciso adormecer o povo. Esta doença é uma benesse para o nosso Primeiro, sendo mais uma ajuda para fazer esquecer os outros males.
As prevenções que se estão a tomar para o tratamento e prevenção da gripe A são mais que necessárias. Mas se esta gripe é assim tão terrível, como se anuncia por esse todo, porque é que a OMS não a declara um problema de saúde pública mundial e não se autoriza a fabricação de medicamentos genéricos para que seja combatida a mais baixo preço, e possam ser distribuídos pelas populações mais pobres, gratuitamente?
Quem ganha com isto tudo? Quem ganha com o pânico mundial, a não ser as farmacêuticas que detêm as patentes do Tamiflú, e os intermediários que o comercializam?
Vistas bem as coisas, a gripe A, é uma gripe como qualquer outra, aproveitada para gerar lucros cujos valores são obscenos.

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Respostas a algumas dúvidas sobre a Gripe A

1 .– P: Quanto tempo pode durar o vírus vivo em uma superfície?
R: Até 10 horas.
2. -P: Qual a utilidade do álcool para limpar as mãos?
R: Deixa o vírus inactivo e mata-o.
3 .– Q: Qual é o meio mais eficaz de infecção deste vírus?
R: O ar não é a forma mais eficaz de transmissão do vírus, o factor mais importante para a fixação do vírus é a humidade, (revestimento do nariz, boca e olhos), o vírus não voa e não atinge mais de um metro distância.
4 .– Q: É fácil a infectar-se em aviões?
R: Não é um meio propício.

 

5 .– Q: Como posso evitar a infecção?
R:Não levar as mãos ao rosto, olhos, nariz e boca. Não ter contacto com pessoas doentes. Lavar as mãos mais de 10 vezes por dia.
6 .– Q: Qual é o período de incubação do vírus?
R: Em média 5 a 7 dias e os sintomas aparecem quase que imediatamente.
7 .– Q: Quando você deve começar a tomar medicação?
R: Se tomada até 72 horas depois, as perspectivas são muito boas, a
melhora é de 100%.
8 .– Q: Qual é a forma como o vírus entra no corpo?
A: Contacto ao dar a mão ou beijar na bochecha.. Ele penetra pelo nariz, boca e olhos.

9 .– Q: O vírus é letal?
R: Não, o que provoca a morte é a complicação da doença causada pelo vírus, que é pneumonia
10 .– Q: Quais os riscos dos familiares de pessoas que morreram?
R: Elas podem ser portadoras e formam uma cadeia de transmissão.
11 .– Q: A água nas piscinas transmite o vírus?
A: Não, porque ele contém substâncias químicas e clorados
12 .– Q: O que faz o vírus para provocar a morte?
R: Uma cascata de reacções, tais como insuficiência respiratória, a pneumonia grave é a causa da morte.
13 .– Q: Quando pode iniciar o contágio, mesmo antes ou só quando os sintomas ocorrem?
R: Desde que se tenha o vírus antes dos sintomas
14 .– Q: Qual é a probabilidade de recaída com a mesma doença?
R: 0%, pois fica-se imune ao vírus.

15 .– Q: Onde é que o vírus se encontra no meio ambiente?
R: Quando uma pessoa contagiada tosse ou espirra , o vírus pode permanecer em superfícies lisas, como portas, dinheiro, papéis, documentos, desde que haja humidade. Uma vez que não se pode esterilizar o ambiente é extremamente recomendada higiene das mãos.
16 .– Q: Se eu for para um hospital particular podem cobrar-me o remédio?
R: Não, existe um acordo de não cobrar, porque o governo o está proporcionando a todas as instituições de saúde públicas e privadas.
17 .– Q: O vírus ataca mais os asmáticos?
R: Sim, esse pacientes são mais sensíveis, mas este é um germe novo, todos são igualmente susceptíveis.
18 .– Q: Qual é a população que este vírus está atacando?
R: 20 a 50 anos de idade.

19 .– Q: A máscara é útil para cobrir a boca?
R: Há algumas melhores do que outras, mas se você for saudável é contraproducente, pois o vírus, por seu tamanho, atravessa-a como se ela não existisse e usando a máscara, é criado dentro da área do nariz e da boca um microclima húmido favorável ao desenvolvimento do vírus. Mas se você já está infectado, melhor usá-la para evitar infectar outras pessoas, neste caso ela é relativamente eficiente.
20 ..– Q: Posso fazer exercício ao ar livre?
R: Sim, o vírus não vai para o ar e não tem asas.
21 .– Q: Existe alguma vantagem em tomar vitamina C?
R: Não serve de nada para evitar a infecção por este vírus, mas ajuda a resistir aos sintomas.
22 .– Q: Quem está a salvo da doença ou quem é menos susceptível?
R: Não há ninguém a salvo, o que ajuda é a higiene dentro de casa, escritório, utensílios e não ir a lugares públicos.
23 .– Q: Será que o vírus se move?
R: Não, o vírus não tem nem pernas nem asas, só com um empurrão para entrar no interior do corpo.

24 .– Q: Os animais de estimação podem propagar o vírus?
R: Este vírus não, talvez alguns outros vírus.
25 .– Q: Se eu for a um velório de alguém que morreu deste vírus posso infectar-me?
R: NÃO.
26 .– Q: Qual é o risco de mulheres grávidas com o vírus?
R: As mulheres grávidas têm o mesmo risco de qualquer pessoa, mas é por dois, elas podem tomar antivirais em caso de infecção, mas com rigorosa supervisão médica.
27 .– Q: O feto pode ter lesões se uma mulher grávida é infectada por este vírus?
R: Não sabemos o que pode acontecer, pois é um vírus novo.
28 .– Q: Posso tomar ácido acetilsalisílico (aspirina)?
R: Não é recomendado, pode causar outras doenças, a menos que tenha sido receitado para problemas coronários, nesse caso, deve-se continuar.
29 .– Q: Existe alguma vantagem em tomar antivirais antes dos sintomas?
R: Não é bom.

30 .– Q: As pessoas com HIV, diabetes, cancro, etc. podem ter mais complicações do que uma pessoa saudável, quando do contágio pelo vírus?
R: Sim.
31 .– Q: A gripe convencional poderia tornar-se Influenza A?
R: NÃO.
32 .– Q: O que mata o vírus?
R: O sol, mais de 5 dias no ambiente, o sabão, os antivirais específicos, o álcool gel.
33 .– Q: O que fazer para prevenir infecções, nos hospitais, para outros pacientes que não têm o vírus?
R: Isolamento
34 .- Q. O álcool gel é eficaz?
R: Sim, muito eficaz.

35 .– Q: Se eu sou vacinado contra a gripe sazonal eu estou segura?
R: Não serve de nada, ainda não há vacina para o vírus.
36 .– Q: Este vírus está sob controle?
A: Não totalmente, mas estão sendo tomadas medidas agressivas de contenção.
37 .– Q: O que acontece com a mudança de alerta 4 para 5?
R: Fase 4 não é  diferente da fase 5, só significa que o vírus se propagou de pessoa a pessoa em mais de 2 países, e a fase 6, é que se propagou para mais de 3 países.
38 ..- Q. Quem foi infectado por este vírus e está saudável, é imune?
R: Sim.
39 .– Q: As crianças que têm tosse e constipações podem estar com a gripe A?
R: É pouco provável, as crianças são pouco afectadas.
40 .– Q: Quais medidas as pessoas que trabalham devem tomar?
R: Lave as mãos várias vezes ao dia.
41 .– Q: Posso ser contagiado no ar livre?
R: Se as pessoas estão infectadas e tossem ou espirram perto de você, pode acontecer, mas o ar é um meio de pouco contágio.
42 .– Q: Pode comer porco?
R: Sim, pode e não há risco de contágio.
43 .– Q: Qual é o factor determinante para saber que o vírus já está sob controle?
R: Embora a epidemia esteja controlada agora, no inverno boreal (hemisfério norte) pode retornar e provavelmente não haverá vacina ainda.

44 .- Q: Onde posso ver mais informação?

R: Aqui: Direcção-Geral de Saúde.

“Acabar com as listas de espera só quando houver liberdade de escolha”

No âmbito da minha actividade profissional, tive a oportunidade de entrevistar, recentemente, Artur Osório, administrador do Grupo Trofa Saúde, que detém, por exemplo, o Hospital Privado da Trofa e outras unidades de saúde. Já foi administrador do Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos, e do Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto. Nesta entrevista, reforçou o que há muito defende: Portugal precisa de uma Saúde mais aberta, livre e com maior concorrência.

Há, de facto, dificuldades sérias em organizar o sector da saúde em Portugal?

Artur Osório: Ainda há, têm havido alguns progressos. O Serviço Nacional de Saúde comemorou agora 30 anos e posso dizer que, como serviço público, está melhor que a justiça, que a educação… mas tem deficiências e o SNS tem ainda muito caminho a percorrer para garantir à população o verdadeiro direito à saúde.

Está mais aberto?

Não está. Devia estar. Tem tido ciclos de mais abertura, de modernização, tem outros ciclos em que se fecha, mas ainda não deu o salto para aquilo que hoje é a Europa moderna, em que o cidadão é que escolhe o serviço de saúde que quer e como quer.

O que é que falta?

Abrir hospitais e serviços públicos à concorrência, à livre escolha do cidadão poder optar pelo serviço público ou não, por uma gestão mais moderna e mais capaz. Falta também acabar com as listas de espera. Isso só será possível quando houver liberdade de escolha e quando houver verdadeira concorrência no sistema. Quando os países têm uma economia muito dirigida, é normal que haja espera. Como, por exemplo, antigamente, nos países de Leste, havia listas de espera para comprar um automóvel. Neste momento, o estado ainda detém um monopólio na saúde, e só quando for garantido à população o direito à saúde universal e gratuita, aí haverá um sistema de saúde com uma resposta muito mais rápida e barata.

É mais barato fazer saúde no privado do que no público?

Sim. Na generalidade das patologias, fica mais barato.

Como é que se explica isso?

As ineficiências dos serviços públicos pagam-se. Haver recursos a mais, mal geridos, onde não são pedidas contas e são feitas por clientelas políticas. As pessoas não sabem, mas quando vão a uma consulta a um hospital central, como o São João, Santo António ou IPO, o estado paga, só pela consulta, mais de 120 euros. Qualquer operação efectuada a um doente custa 5000 euros ao estado. E porque é que isso acontece? O estado faz os preços por critérios estatísticos mas também para manter os hospitais com resultados de equilíbrio financeiro que é obtido ao aumentar o custo dos actos. Isso permite que os hospitais não naufraguem e se mantenham à tona financeiramente.

É um custo que é falso?

E que é pago por todos nós. Portugal é dos países do mundo que, em 10 anos, mais aumentou as verbas para a saúde do estado. Isso é um esforço muito grande para os cidadãos.

Como é possível calcular essa inflação de preços?

Nós sabemos bem o que custa, havendo eficiência, cada consulta. A ADSE paga, a hospitais privados, cerca de 30 euros por consulta e o hospital privado obtém resultados.

Estamos a falar de aumentos de 100 por cento?

Ou mais. Tudo para manter os hospitais à tona. Para os nossos leitores, é fácil de explicar. Se o leitor for dono de uma quinta e também for o comprador dos nabos e das cenouras, e se quer que a quinta dê lucro, aumenta o preço desses nabos. Depois quem paga esses nabos são os consumidores. Isto não é um problema exclusivamente português. A Europa está a caminhar rapidamente para que o cidadão tenha liberdade de escolha entre o público e o privado. Depois, o estado encarrega-se de pagar, conforme os preços que ajustar. Mas sabendo o que paga, já que neste momento o estado compra muitas coisas ao privado, mas não vai auditar convenientemente aquilo que compra sequer.

Não deveriam ser devidamente acauteladas essas tarefas que o estado entrega aos privados?

Evidente. E com auditorias constantes, com uma entidade reguladora muito activa que devia estar a auditar os hospitais públicos e não o está a fazer. Os hospitais públicos, querendo facturar mais do que aquilo que se faz, têm mecanismos muito fáceis de os pôr em movimento e que, na realidade, servem para manter equilíbrios financeiros.

A transformação dos hospitais públicos em entidades públicas empresariais, que está a ser feita progressivamente, não trás nenhuma novidade neste aspecto?

Não, isso é mais do mesmo. Os hospitais públicos não têm nenhuma liberdade na gestão estratégica. Estão presos ao sistema de saúde. Não podem aumentar a clientela. Não podem produzir mais do que um determinado valor, não são eles que gerem os recursos humanos, já que não podem fazer contratos de trabalho directos, não podem comprar medicamentos livremente e só adquirem aquilo que o estado entende que deve ser adquirido. Os hospitais públicos estão muito manietados. Os hospitais públicos, neste momento, não passam de repartições com o nome de empresas, tal como as repartições de finanças, mas que não têm a mínima possibilidade de gestão estratégica. Não podem entrar em concorrência uns com os outros, não podem aumentar a sua capacidade e oferecer melhores serviços à população em detrimento de outros que vão ficando para trás…

Mas teria alguma lógica os hospitais públicos entrarem em concorrência uns com os outros?

Tem sempre. O que faz andar o mundo e países que têm muitos hospitais públicos, como o serviço nacional de saúde inglês, que foi o tipo de serviço em que no inspiramos, é a concorrência. O facto de um hospital ter muita procura é sinal que está a funcionar bem, que tem uma resposta capaz. E hoje o nosso cliente, ao contrário do que acontecia antigamente, já sabe escolher. É informado, vai à internet, estuda as doenças. E isso é importante para saber escolher. Antigamente sustentava-se que não se podia permitir a liberdade de escolha do doente, porque este era ignorante. Mas há muitos anos, também se dizia que as pessoas não podiam votar por serem ignorantes. É o mesmo processo. A democracia só será plena se o cliente tiver direito à escolha.

Qual é o modelo que acha que seria mais adequado para Portugal?

Uma evolução do nosso sistema. Manter os valores da universalidade, da gratuitidade. Mas fazer com que o Estado deixe de ser o dono da saúde. Os donos passariam a ser empresas privadas ou públicas. Outras até poderiam ser fundações, onde os municípios poderiam ter um papel importante, como tentei fazer há algum tempo no Hospital Pedro Hispano. E introduzir concorrência no sistema. Neste momento há um modelo monolítico, tem que ser tudo igual. As pessoas são contratadas da mesma maneira, o rácio de médicos é sempre igual. Não deve ser assim. Há particularidades diferentes de zona para zona. Deve ser tudo feito de forma próxima das populações.

Acha que o modelo que nos permite hoje termos um SNS que é levemente liberalizado não poderia ser refinado ao ponto de permitir que houvesse uma maior liberdade de intervenção dos actores de saúde? Acha que é possível fazer isso em Portugal?

É uma questão de vontade política. Financeiramente, não prevejo que o custo do SNS em que o cidadão tenha liberdade de escolha seja maior, antes pelo contrário. Pode ser mais barato ao estado sustentar a saúde ao contrário do que acontece hoje, q
ue
se financiam as catedrais do desperdício que são os hospitais públicos.

De qualquer das maneiras, já há muitas unidades privadas.

Sim, mas ainda são uma minoria dentro daquilo que o estado está a fazer. Vai fazer um hospital em Braga, uma parceria público-privada, mas é um hospital de 600 camas. São hospitais muito grandes, monstruosos. Têm lançado hospitais de gestão pública, que contraria o movimento que há na Europa. Na Alemanha, metade dos hospitais têm gestão privada. O estado verifica se os serviços prestados são bons e garante a saúde aos cidadãos. Isto é como qualquer actividade económica. Antes também se pensava que só o estado podia ter bancos, agora já não é assim. O mesmo se devia passar com a saúde.

Mas a saúde é um negócio também.

Isso é inegável. Mas o lucro pode ser reinvestido na própria saúde. No entanto, é preciso haver regras rigorosas, porque na saúde é muito fácil cobrar actos e serviços que não existem. Porém, hoje em dia, já é fácil controlar isso, através de programas informáticos e auditores, algo que o nosso estado não faz por ser algo atrofiado e anafado.

Houve evolução nos últimos quatro anos, no sector da saúde, em Portugal?

Não. Houve uma altura em que se transformou alguns hospitais públicos em hospitais SA, com o intuito de ser gerido por pessoas do sector privado, para rentabilizar mais essa gestão, mas nada mudou. Correia de Campos ainda tentou abrir mais a saúde ao sector privado, mas depois voltámos ao centralismo. Por exemplo, criar uma rede de cuidado continuados, que é algo que o país precisa, os doentes têm que ir para um sistema informático que, posteriormente, irá determinar para onde vai. Era tudo mais simples se um hospital pudesse procurar na sua área e no sector que necessita, um local para o doente ser tratado. É burocracia a mais. Correia de Campos deixou-se ir nessa onda, e a actual ministra da Saúde, Ana Jorge, tem apenas o papel da acalmar as águas.

Digamos que com Correia de Campos houve algumas reformas e depois houve um travão.

Sim, depois da tempestade vem a bonança, mas agora é uma bonança doentia. Agora o sector privado tão bons ou melhores serviços que o público. Antes, no privado só havia os consultórios individuais, e isso é como as mercearias de bairro, têm tendência a acabar e ser integrados em clínicas e hospitais privados.

Quando se fala em encerrar um serviço de saúde pública ou em reduzir os horários de um centro de saúde, mesmo que não se justifique estar aberto, isso implica sempre um agitar de águas.

Eu também tenho ideias menos próprias e já pus em prática. Em Matosinhos, criei algo chamado unidade local de saúde, que é uma unidade com uma certa autonomia na planificação os cuidados de saúde independente do poder central.

Na altura, a unidade local de saúde foi apresentada como um projecto pioneiro, para depois ser transportado para outros locais.

Foi. Orgulho-me muito de ter apresentado esse modelo, na altura à Maria de Belém, faz agora dez anos. Mas aquele projecto mexe com muitos interesses, e há muitos lobbies, e muito poderosos, na saúde. Uma unidade local gerida de forma eficiente acabaria com muitos interesses, médicos, farmacêuticos, laboratórios, e esses interesses mexeram-se e exerceram pressão sobre os partidos e governos.

Olhando para o que se faz hoje na saúde em Portugal, como se pode caracterizar o sector no privado?

É preciso entender o privado não como um concorrente do SNS, mas como complementar. Tem a sua autonomia. Há dois milhões de segurados neste país que são o nosso suporte. Se fosse pelo estado não sobrevivíamos. Na Trofa, só 4 por cento da nossa facturação é para o estado. O resto é de pessoas com seguros de saúde e com outros sub-sistemas, como a ADSE e outros. E mesmo assim não vivemos desafogados porque os preços praticados são muito inferiores ao serviço público, uma vez que o estado paga ao estado. É preciso deixar o sector privado ter um papel mais importante na saúde.

Recentemente houve uma polémica entre médicos e farmacêuticos relativamente aos medicamentos genéricos. Qual a sua opinião?

A nível da prescrição (de medicamentos) há uma liberdade muito grande. Não estou a dizer que os meus colegas são vigaristas, mas deixam-se influenciar muito pela indústria laboratorial. Esta indústria faz um marketing muito inteligente, e não estou a falar de almoços ou viagens. Quem dá formação aos médicos quando acabam a licenciatura é, quase exclusivamente, a indústria farmacêutica, que depois os leva a congressos e colóquios, levando os médicos a prescreverem este ou aquele produto. Em relação a isto, nalguns países, a indústria farmacêutica dá dinheiro ao estado para depois ser o próprio estado que, de tempos a tempos, dá formação aos médicos. Não deixa de ser a indústria farmacêutica a pagar, mas a formação torna-se muito mais independente. Depois, há a área da comercialização, onde a Associação Nacional de Farmácias (ANF) formou uma excelente rede, mas que tem margens de lucro enormes, e todos têm enriquecido à custa disso. Agora vêm defender os genéricos, e toda agente sabe que existem ligações de pessoas da ANF à produção de genéricos. Isto torna tudo muito promíscuo e quem se lixa são os cidadãos. Há outra coisa grave em relação ao medicamento que é a não existência da unidose. Os médicos prescrevem embalagens inteiras sabendo que, na maioria das vezes, só eram necessárias algumas doses desse medicamento. E depois quem paga isto somos nós. Há ali jogos de poder e de bastidores que não passam cá para fora.

E porque é que não se aplica a unidose?

Este é um país doente, com lobbies muito poderosos. E há muitos interesses por detrás disto tudo. Se há unidose nos EUA, em Inglaterra, etc, também podia haver cá. Só que isto levanta uma tempestade para muitos interesses, e os governos têm medo.

50 milhões de Americanos sem direito a cuidados de saúde

É inadmíssivel, diz o Presidente Obama, que 50 milhões de pessoas não tenham seguros de saúde, nem acesso a cuidados médicos !
A reforma não é um luxo é uma necessidade ! Preciso da vossa ajuda médicos, para os americanos vocês são o sistema de saúde, diz ainda Obama.
O custo do sistema de saúde é uma das maiores ameaças para a economia. Tem um peso significativo nas contas das famílias e das empresas. É uma bomba relógio para o orçamentto federal.
Sublinhou ainda que as despesas de saúde compradas a preços demasiado altos contribuíram para a falência das construtoras automóveis GM e Chrysler.”Se não agirmos já, acabaremos todos como a GM : a pagar mais, receber menos e na falência.”
Os EUA gastam 50% mais por pessoa do que o segundo país com maior despesa na saúde. “Mesmo assim, temos cada vez mais cidadãos sem seguro, a qualidade tem-se deteriorado e a população não está mais saudável!
Uma das ideias da Casa Branca é criar um Plano Público de Saúde que sirva como opção para a população que não tem condições para comprar seguros de saúde!
E o que dirão disto os nossos liberais blasfemos e quem quer destruir o nosso SNS?

Telemedicina (I)

O SUCESSO NO ALENTEJO

Com base em orientação da OMS, a telemedicina define-se como “a incorporação das tecnologias de telecomunicação na prestação remota de cuidados de saúde, assim como na comunicação à distância de apoio de especialistas a outros médicos, incluindo acções de formação estruturadas”.

A telemedicina é, portanto, um mundo. Infelizmente o Plano Tecnológico do actual governo tem marginalizado essa actividade, não obstante referências em documentos oficiais. Recordo, por exemplo, o documento do Alto Comissariado da Saúde que a invoca explicitamente como recurso para combater e controlar as patologias cardiovasculares, AVC e Enfarte. Constituem a primeira causa de morte nas sociedades ocidentais, em que Portugal se integra (no ano de 2003, salvo erro, a taxa de mortalidade devida a este tipo de doenças atingiu +/- 34% dos óbitos totais no País).

À escassa acção governativa, respondeu o voluntarismo louvável de um grupo de médicos no Alentejo, dos quais destaco: Dr. Luís Gonçalves do Hospital do Espírito Santo de Évora, Dr. Álvaro Pacheco ex-Director Clínico do Hospital de Santa Luzia de Elvas, Dr. José Ricardo da Unidade de Saúde Local do Norte Alentejano EPE, Dr. Horácio Feiteiro do Centro Hospitalar do Baixo Alentejo EPE.

Sem querer alongar-me, por agora, no tema, refiro que, entre 2001 e 2008, se efectuaram no Alentejo mais de 71.000 tele-consultas, ou caso se prefira, consultas por videoconferência. Foram dadas por especialistas localizados em hospitais a doentes, acompanhados de médicos de família, presentes em centros de saúde ou em outros hospitais que não dispunham da respectiva valência médica.

De certo modo, este meu ‘post’ é um contributo para esclarecer ínfima parte das interrogações do texto de Vítor Silva, a propósito da instalação de infra-estruturas de fibra óptica no Porto. A medicina é uma actividade que recorre com frequência à comunicação multimédia – áudio, vídeo e imagem. E uma das queixas dos praticantes de telemedicina no Alentejo é justamente a falta de infra-estruturas, que garantam a realização de acções de telemedicina ou, noutros casos, a qualidade exigível em actos médicos das transmissões por telecomunicação electrónica.

Prometo voltar em breve a este tema, porque é interessante e tenho algo mais a dizer.

Aumentem lá o preço dos cigarritos…

nao fumar

Uns viciam-se em drogas, outros viciam-se na bebida ou no jogo. Uns estão viciados em não fazerem nada, outros viciam-se no trabalho. Muitos estão viciados em dinheiro e coisas. Todos somos viciados em alguma coisa. Nem que seja em blogs ou notícias. Eu viciei-me no tabaco.

Admito que ando com alguns problemas em deixar o tabaco. Desde há três meses que não compro tabaco. Ainda tenho o meu stock de tabaco de enrolar que me permite não trepar paredes, insultar toda a gente e partir tudo à minha volta, principalmente quando estou a trabalhar e me dá aquela vontade maluca de me esfumaçar todo. Tornei-me o crava número 1 do País. E sempre que fumo um cigarro, estou em silêncio a gritar para comigo: estúpido! estúpido! Tenho a noção de que fumar, muito além de ser uma escolha pessoal, é uma estupidez! Nao me traz nenhuma vantagem e só tem prejuízos.

Numa altura de crise económica, e eu sei bem do que estou a falar, porque apenas os ricos (aqueles que Sócrates disse que ia cobrar mais impostos, mas que entretanto não ficou provado que existissem)  me vão deixando cravar um cigarrito ou outro, proponho que este governo, ou qualquer outro que venha por aí a aparecer, aumente o preço do tabaco.
Portanto, numa perspectiva estritamente economicista, aumentem lá o imposto dos cigarritos. Não tenham medo. Ponham lá o preço nos 10 ou 20 euros por maço, que eu garanto, forreta como sou, que dentro de um mês deixo definitivamente de fumar. De uma vez por todas. Eu, e de certeza muita gente comigo…

A não ser que não se possa ou isso não interesse a ninguém…

SNS – Saúde para Todos


RECURSOS HUMANOS

O SNS perdeu cerca de 400 médicos, sendo que a explicação para a maioria deles é a sua passagem para o privado (entre 2004 e 2006). Portugal tem 3,1 médicos/1000 habitantes, enquanto a média europeia é de 5 médicos/1000 habitantes.

Atrasos/filas de espera – Medidas – Orçamentos de acordo com as necessidades dos serviços -exigência de exclusividade aos profissionais de saúde. Esta medida resolveria as listas de espera.
-Pagar melhor exigindo mais produção/melhor ocupação de equipamentos e instalações -Remuneração do pessoal conforme desempenho
Estimativas do parque hospitalar Hospitais Públicos – (20%); Sociais (30%); Privados (50%) (no futuro). Até 2009, iremos passar das actuais 2 000 camas para 5 000 na privada (25% do total). Em 1980 – hospitais 229 (143 púb1icos e 86 privados). Em 1990 -hospitais 215 (123 púb1icos e 92 privados). Em 2005 – hospitais 204 (111 púb1icos e 93 privados). Em 2006 – foram inaugurados mais 5 novos Hospitais privados e até 2009 haverá mais 18 unidades sob gestão privada!
Seguros de saúde – Os seguros de saúde fazem crescer os prestadores de saúde privados e estes fazem crescer os seguros. Não se percebe porque o SNS não presta cuidados de saúde aos titulares dos seguros, correndo-se o risco de restar para o SNS os cuidados mais caros, por não terem cobertura de seguro. Os custos da saúde crescem duas vezes acima do crescimento da economia. Só se pode contrabalançar apostando nas novas tecnologias! O número de titulares de seguros anda à volta dos 2 000 000 de pessoas, cerca de 20% da população e o número de contratos cresce a uma média de 10% ao ano! Os seguros apresentam exclusões, como seja os limites por especia1idade, doenças existentes antes da contratação, e ainda a interdição a pessoas com mais de 65 anos! Esta é mais uma razão para os seguros serem uma fonte de financiamento do SNS, englobando os titulares de seguros na população assistida.
Listas de Espera – Existem cerca de 200 000 doentes à espera de uma cirurgia.

A gripe A

Estava eu a dar a minha volta pelos jornais quando reparo que a Gripe A volta à carga. A OMS vai usar o alerta máximo e aparentemente o mundo vai entrar tecnicamente em pandemia. Mas apesar da “gravidade” da doença e da situação, a OMS adverte que “isso não significa que o vírus se tenha tornado mais grave, que a doença seja mais severa ou que tenha aumentado a taxa de mortalidade”. Segundo diz o Expresso, “a política de prudência, disse (o director-geral adjunto da OMS), pretende evitar efeitos adversos, entre os quais citou restrições de viagens, fecho de fronteiras ou bloqueios ao comércio.

Esta situação da pandemia deixa-me curioso. E estupefacto. Porque, ou andamos aqui a brincar aos médicos e às enfermeiras e a Gripe A é uma doença tal como centenas de outras que para aí andam a atormentar a Humanidade, ou então é mesmo uma situação gravíssima fora do normal que pode pôr em risco a sobrevivência de muita gente.

Se isto é galopante e do mais grave que há, já que não existem mais níveis de alerta na OMS, eu pergunto-me: quando é que será necessário restringir viagens, fechar fronteiras ou bloquear o comércio? É uma questão de tempo ou de números?

O cordeiro das farmácias

A ANF veio com aquela ideia completamente disparatada de as farmácias poderem substituir e/ou alterar as receitas dos médicos. Mas a ideia só é disparatada se não a enquadrarmos no processo que segue caminho. O que a ANF quer é a liberalização do preço dos medicamentos.
O nível de concentração da indútria farmacêutica – anda pelos seis por cento – é uma brincadeira quando comparada com o das farmácias -90% – representada pela ANF e pelo próprio Cordeiro.
Em termos de clientes é de bem de ver que o preço não desce, a ANF segue impávida a verticalização do sector do medicamento e está envolvida em múltiplos interesses no negócio do medicamento.
As margens de comercialização do medicamento são fixadas pelo governo e João Cordeiro queixa-se que a indústria não se aplique, tal como ele, em tirar essa capacidade das mãos do governo.
Há muita coisa que não se compreende neste poder que a ANF utiliza para manter a posição de previlégio das farmácias, impedindo a sua liberalização, afrontando em Tribunal a abertura das farmácias Hospitalares e em outras instituições de apoio social.
O mais poderoso lobby nacional não desarma e aproveita o Estado fraco e tentacular para lançar as suas ambições para cima de quem paga.
Se o Estado fosse uma instituição credível e eficaz, sem rabos de palha ,a ANF há muito que teria visto as suas prepotências serem barradas, mas como o que temos é um Estado gordo e disforme, cheio de telhados de vidro, nada mais resta que o vermos de cócoras…

SNS – Saúde para todos


Bloco Operatório da Maternidade Júlio Dinis (Porto)

LISTAS DE ESPERA EM CIRURGIA

Colaborando com uma instituição hospitalar, tenho conhecimento que foi proposto ao Ministério da Saúde a realização de umas dezenas de cirurgias para recuperação de atrasos. A resposta é que é necessário poupar meios financeiros para se poder percorrer esse caminho.O da recuperação das listas de espera.
O parque instalado, em instalações, equipamentos e meios humanos é
suficiente para responder ao esforço de recuperação das listas de
espera. É preciso mais dinheiro para pagar mais horas de trabalho às
equipas médicas e cirurgicas.
Uma das hipóteses é aumentar a rentabilidade das equipas cirurgicas
existentes no SNS.A outra hipótese é pagar aos privados. Como a primeira hipótese não é exequível a curto prazo resta a segunda.
Sabemos pela imprensa que há doentes que enchem aviões para serem
operados em Cuba! E ali na zona da raia os portugueses fazem-se operar em Badajoz e em outras cidades espanholas.
E nada disto é gratuito. Bem pelo contrário, o bilhete de ida e volta a
Cuba paga várias operações às cataratas ou às varizes. Então porque não se concretizam acordos, não se articulam interesses privados e públicos para responder ás necessidades dos doentes?
Na minha opinião, porque quem opera na pública tambem opera na
privada, havendo aqui um conflito de interesses insanável.
Uma das hipóteses que se explorou foi autorizar os médicos de um determinado hospital poder utilizar as instalações,a troco de uma renda,para operar os seus doentes privados.
Julgo que esta solução levantou questões éticas e não vingou.
Tinha algumas vantagens como seja o médico trabalhar com a sua
equipa a que está habituado, bem como o bloco operatório, e não perder tempo em viagens entre hospitais.
Estou em crer, que a solução passará por acordos com a privada, a preços que leve em conta a rentabilidade de equipas que constituem custos de estrutura e, a exclusividade do vínculo das equipas do SNS, com uma remuneração assente em objectivos negociados!
Há, naturalmente, operações que são muito caras devido ao material
utilizado. Nestes casos o que será necessário é que os utentes que pagam seguros de saúde privados não sejam “empurrados” para o SNS! E se “empurrados”, os seguros devem pagar !

SNS – Saúde para todos


FINANCIAMENTO E PRESTAÇÃO DE CUIDADOS

Prestação de cuidados

A prestação dos cuidados de saúde não tem que estar, apenas, no SNS. A iniciativa privada (ficando aqui envolvido tudo o que não pertence ao SNS) complementa e introduz factores de eficiência e eficácia muito importantes!
O melhor exemplo é o que está a acontecer na procura dos Recursos Humanos. A privada, ao convidar os melhores médicos, vai obrigar (está a obrigar) o SNS a resolver questões que nunca ninguem quis encarar. A remuneração, as horas de trabalho, a produtividade têm que acompanhar a privada sob pena de o SNS
ficar sem médicos de referência.
E a exclusividade para parte importante do pessoal vai ser uma realidade!

Financiamento

O SNS é financiado pelo orçamento geral do Estado e por outras pequenas fontes de financiamento, como sejam as TAXAS MODERADORAS.
Hoje, parece claro, que quem tem dinheiro não vai aos hospitais públicos. Só em casos de urgência ou emergência. Estatisticamente, são tão poucos que não tem relevância.
Isto quer dizer que as taxas moderadoras recaem sobre as pessoas com menores recursos.
Proposta: as pessoas assistidas no SNS, titulares de Regimes privados de saúde, devem pagar a coberto do regime privado.
Na verdade, corre-se hoje o risco de os Privados, perante um doente que apresente uma patologia de tratamento caro, as “empurre” para o SNS.
As pessoas cujos rendimentos sejam superiores a 1 000/ 1500E/mês e não sejam titulares de qualquer regime de cobertura de saúde privado devem pagar ao SNS. É uma questão de justiça social, pois com o mesmo rendimento há quem pague um regime de saúde e quem seja tratado gratuitamente.
Esta decisão alivia a pressão sobre o SNS pois as pessoas passariam a subscrever regimes privados.
É bom para todos os intervenientes,incluindo o cidadão.
As taxas moderadoras devem ser mantidas, sem que em caso algum ALGUÉM FIQUE SEM TRATAMENTO NO SNS POR INCAPACIDADE ECONOMICA!

PERIGO

Nunca o Estado deverá financiar o regime privado. Isso seria a morte, a prazo, do SNS!
No entanto, é um grande objectivo para muitos prestadores! O SNS deve manter e alargar protocolos e acordos com os diversos regimes privados mas pagando caso a caso,ou em pacote, mas nunca
financiando na base de expectativas de retorno de investimento (como é o caso das pontes ou autoestradas).
Em resumo, com a cada vez maior implantação dos privados, o SNS não pode deixar encurralar-se como “respaldo” de uma privada com legítimos interesses lucrativos, nem deixar de ser a referência da população no que concerne á qualidade, á inovação, à universalidade.
Mas tem que ser sustentável!

Boche é brom *

* Ary dos Santos

Sempre que se fala em procriar a reacção é como se isso nada tivesse a ver com ” fazer sexo “. Mas a verdade é que procriar é o resultado de ” fazer amor ” (expressão bem bonita!)
Se fazer sexo tivesse sempre que resultar numa criança, isto ficava superlotado, como se vê com os Chineses. Nada disso. É muito importante fazer sexo como diversão e prazer, factor de aproximação entre o homem e a mulher, e é muito melhor do que ir ao ginásio.
Pessoalmente deixa-me distendido, baixa-me a tensão arterial, durmo como um anjinho e desperta-me um carinho imenso pela parceira.
Dizer que o casamento é só para procriar nem se aguenta numas contas de somar e multiplicar. Fazer sexo três vezes por semana x 52 semanas dá 156 quecas . Como a mulher grávida durante nove meses, não torna a engravidar, temos que um filho por ano seria o resultado de tanta labuta.
Restariam, pois, 155 quecas só para o prazer . O que, convenhamos, é muita queca. Não se percebe assim, tanto escarcéu com a questão de procriar, como se impedisse o prazer sexual.
Outra coisa bem diferente são os casamentos entre homens e entre mulheres. Aí é sempre para a diversão, do que não vem mal nenhum ao mundo !
Mas não vindo mal nenhum pode ter resultados lixados, como este de sermos ultrapassados pelas comunidades mais profícuas! E, cá para mim, todos iriamos perder com isso, muito especialmente os nossos amigos gays , como se pode ver pelo texto do Adalberto aqui no aventar!
Se o r está a puxar por mim aqui fica a minha grande convicção, para que não hajam dúvidas.
Boche é brom!

SNS / Saúde Privada

Esta questão é fatal como o destino.Os hospitais privados estão a enviar para os hospitais do Serviço Nacional de Saúde os doentes com patologias que requerem cuidados continuados e mais caros.
Os hospitais privados tratam os doentes até ao limite do Seguro de Saúde do doente. A partir daí o SNS que pague!
Este procedimento pode ser abordado por vários ângulos.
Antes de tudo como é que um hospital interrompe um tratamento a meio, gerando graves prejuízos para o doente sem que seja demandado juridicamente? É, óbvio, que em caso de doenças prolongadas, como o cancro, o hospital sabe à partida que o tratamento não se acomoda no limite do seguro. No mínimo, seria de não aceitar esses doentes, canalisando-os de imediato para o SNS.
Depois, é tambem incompreensível que o SNS, perante um doente titular de um seguro não se faça pagar ao abrigo da apólice.Quem não tem apólice de seguro não tem que pagar nada no SNS, como é evidente.
Para os que consideram que o SNS devia dar espaço à Saúde Privada, ficam a perceber, com esta realidade, que no mínimo, SNS/Saúde Privada são complementares, e com grandes vantagens mútuas.
A Saúde Privada alivia a pressão sobre o SNS, principalmente, em cirurgia e nas patologias agudas mas este, alívia a pressão sobre aquela, em tudo o que não dá lucro e que, pelo contrário, é um gigantesco custo social.
Quem julga que a Saúde Privada pode tomar o lugar do SNS tem aqui este exemplo ! Dirão que o Estado deveria ser “financiador” e não “prestador” de serviços .E os que acreditam no papel social insubstituivel do Estado, dirão que num país pobre e desigual, o SNS é um factor poderoso de inclusão social !
Lembro-me sempre que nos USA há 40 milhões de pessoas que não têm cobertura de saúde!

O Arcebispo pedófilo

Afinal, não há mal nenhum no tratamento do título se levarmos em conta o que o senhor Arcebispo pensa da pedófilia.
Trata-se de um pequeno desvio de comportamento muito menos grave do que tratar uma mulher de uma gravidez indesejada. É o que diz o senhor Arcebispo.
O que é perigoso neste racíocinio do religioso, é que está a “benzer” o comportamento de sacerdotes que abusam sexualmente de crianças ! Relativiza a pedófilia para branquear um comportamento frequente entre o clero, ao mesmo tempo que o aborto ( que o clero nunca vai poder fazer ) é remetido para a classe dos “pecados mortais” !
Chama-se a isto, “ser juiz em causa própria”!
A mesma Igreja que rejeita a homossexualidade como “comportamento desviante” por não estar de acordo com os “ditames da natureza” é a mesma que “benze” o abuso sexual de crianças.Abuso este que na maior parte das vezes além de pedófilo é de natureza homossexual!
Há muito que a minha formação católica me obrigou a optar entre a hierarquia da Igreja e imensa multidão de pessoas que procuram Cristo!
Eu encontrei Cristo e não quero perde-Lo por causa da hierarquia da Igreja católica!

Testamento vital (II)

 

Com os votos favoráveis do PS (excepto de Matilde de Sousa Franco) e PCP, a AR aprovou ontem a lei do testamento vital.

O resultado foi o previsto, mas, dada a complexidade do assunto que ontem aqui foquei, subscrevo a posição do BE expressa por João Semedo, que, saliente-se, é médico. Com efeito, ele acusa o PS de ter fugido ao debate sobre a eutanásia.

A Dra. Maria de Belém e o PS usaram da arrogância da ‘maioria absoluta’, furtando o tema à discussão pública e ao parecer de agentes cruciais em matéria de cuidados de saúde. Pode ser legítimo, mas não deixa de ser lamentável e muito pouco democrático legislar desta forma sobre a escolha antecipada entre a vida e a morte – Parlamento aprova testamento vital – TSF.

Os HUC e o Prof Manuel Antunes

A corporação dos auto-denominados Administradores Hospitalares, impediu que durante dezenas de anos fossem avaliados.Rodavam entre si e passavam pelos diversos hospitais aplicando os mesmos processos e as mesmas medidas.
As coisas começaram a mudar quando entraram no circuito pessoas com outras experiências. Aliás, não pode deixar de ser assim, em todas as actividades só experiências diversificadas trazem novos métodos e processos.
Por outro lado a comparação de resultados entre hospitais com o mesmo perfil permitiu perceber que havia diferentes resultados, como é curial.
Um dos casos mais conhecidos, em termos médicos e de organização e gestão de serviços é o Serviço de Cirurgia cardio-toráxica do Prof Manuel Antunes dos HUC . Conseguiu, contra a má vontade de colegas e de administradores, avançar com um Centro de Responsabilidade Integrada (CRI) .
É um êxito extraordinário, a nível nacional é único e é conhecido a nível internacional e procurado por doentes estrangeiros. Assente num grupo de médicos e técnicos competentes e a trabalhar em exclusivo, obtém resultados sem comparação om os outros serviços similares.
Os profissionais são pagos segundo objectivos muito bem fixados e aceites por todos e há muita gente interessada em entrar naquele grupo restrito de alta competência!
Pois bem, num país onde há doentes que esperam anos para serem operados, os senhores administradores dos HUC querem desmembrar esta equipa sem igual.Querem substituir elementos desta equipa fabulosa por pessoal a recibo verde na estúpida tentativa de diminuirem os custos!A medida é do mais básico que se possa imaginar.Cortam nos salários e não percebem que cortam principalmente,com a qualidade dos serviços prestados.Numa equipa a que se exigem altíssimos níveis de competência querer baixar os vencimentos à custa do desmembramento da equipa só podia passar pela cabeça destes senhores que nunca foram gestores em lado nenhum!
Mas o mais estúpido de tudo é que o CRI tem resultados anuais positivos de cinco milhões de euros!
É a esta gente que o Governo entrega a gestão destes grandes hospitais.Basta ter cartão de militante do PS!

Reconversão dos homossexuais

Porque aqui no aventar não há tabus nem ideias preconcebidas eu, que fui o autor do poste “A homossexualidade trata-se ?”, não tenho dúvidas nenhumas em colocar aqui uma petição que vai ao arrepio do que defendo! Continuo a não entender porque razão há quem não queira que homossexuais, “de mal” com a sua condição sexual, procurem um profissional para encontrar ajuda.
Mas aqui fica para o caro leitor aventar como desejar:

http://www.peticao.com.pt/reconversao-da-orientacao-sexual?

Trata-se de um Direito de Cidadania, não tem nada a ver com homossexualidade, embora os nossos amigos gays o esgrimam como estandarte de uma certa ideia “de pecado original”, alguem poder estar “de mal” na sua condição homossexual!Insisto, esta petição é um atropelo aos Direitos Humanos.O que acontecerá sempre que algum homossexual queira mudar de orientação sexual? Estará impedido de procurar um médico? Com o argumento que não é doença e por isso não tem tratamento? Mas esse argumento não é rigorosamente pessoal, por parte do doente e rigorosamente profissional, por parte do médico? A que título é que alguem homossexual feliz com a sua orientação sexual, determina o que é ou deixa de ser numa relação que só diz respeito ao médico e a quem o procura?

Um governo de cócoras

Lembram-se da recente zaragata entre o Sr. Cordeiro das Farmácias e a Ordem dos Médicos, tudo benzido pela Ministra da Saúde? As preocupações com os doentes, preços mais baixos etc e tal, depois soube-se que a ANF já era proprietária da segunda maior distribuidora de genéricos, os médicos porque querem manter na sua mão a exclusividade de receitar e escolher o medicamento (principio activo e marca), o SNS quer avançar com a unidose…
Pois, já aí está, um Projecto-Lei em análise junto dos interessados (os de cima e os mesmos de sempre) propondo a desregularização dos preços dos medicamentos. Quem ganha? As farmácias que vão poder vender ao melhor preço! Quem perde? O cliente, que só em teoria vai poder andar pela cidade à procura do melhor preço e nos casos em que só há uma farmácia, nem opções tem!
Já tinham percebido porque é que as corporações cá no burgo são quem verdadeiramente mandam? Porque os governos estão de cócoras perante os interesses corporativos instalados. O Sr. Cordeiro apareceu de voz grossa, a ministra entrou em conversações, o Sr. Cordeiro deixou cair a exigência (hipócrita, porque inadmissivel) de poder trocar a receita do médico, e o cliente vai pagar mais caro! É preciso um desenho?