Os gays não devem doar sangue

Estou completamente de acordo que os gays sejam impedidos de doar sangue. Como estaria de acordo se os casados promíscuos fossem impedidos, ou os solteiros com várias namoradas, ou quem, por uma vez que fosse, não tivesse utilizado o preservativo.

Não é uma questão de discriminação. É uma questão de segurança.

Se fosse possível isolar comportamentos de risco individuais seria por aí o caminho, mas não é possível. Mas é possível definir grupos onde a prevalência é alta, tão alta como noutros grupos, mas alta.

Todos os grupos de pessoas que pelas suas características possam ser isoladas, contribuem de uma forma fácil, simples e segura de diminuir a probabilidade de transmissão, mesmo que isso acarrete injustiças várias. Para o grupo e para os individuos!

Não é possível fazer o mesmo com o resto da população, mas a ser possível, devia fazer-se em nome da segurança. Sem juízos de valor pelas suas opções de vida.

Diminuir a probabilidade de transmissão é o objectivo, tem que ser o objectivo, das autoridades de Saúde. É preciso não esquecer que com a diminuição probabilistica de transmissão, procura-se não só o despiste do HIV mas tambem outras doenças como sejam as hepatites, estas com elevada incidência entre os homosexuais.

As autoridades de Saúde não podem seguir outro caminho que não seja diminuir a probabilidade de transmissão. Se fosse possível fazer rastreio prévio a todos os dadores seria obrigatório esse procedimento, em nome da segurança.

Isolar grupos, diminuindo as probabilidades de transmissão, é procedimento obrigatório de segurança, não tem a ver com discriminação. Com este procedimento controlo 500 000 pessoas ? número irrelevante para as necessidades de colheita, e afasto de certeza absoluta, vários casos de comportamento duvidoso individual. Um que fosse, já teria valido a pena.

Não posso fazer o mesmo a 5 000 000 de pessoas casadas sob pena de não ter “massa crítica” de colheita!

É só uma questão de bom senso!

Comments

  1. Carla Romualdo says:

    E isolando os casados adúlteros, os solteiros que já dormiram com mais de duas pessoas, e todos aqueles que em algum momento não usaram preservativo, crês, caro Luís, que sobrariam seres humanos?

  2. Luis Moreira says:

    Carla, a questão é mesmo essa. Não sobravam, por isso não posso usar o mesmo procedimento.Mas se eu afastar 500 000 pessoas, em termos de colheita não é significativo, mas é significativo em termos de segurança. É mais fácil e muito mais barato do que ter que colher o sangue e testá-lo a seguir, quando sei de certeza absoluta que vou encontrar x casos positivos. Quem está num lugar de decisão tem que pensar assim. Mas não posso afastar 5 000 000 porque ficaria sem sangue, e por isso tenho que suportar o custo de o testar um a um.

  3. Carla Romualdo says:

    Não me parece que se possa alegar uma razão economicista para discriminar um grupo de pessoas. Não me digam que não se fazem testes ao meu sangue se, quando eu o for doar, disser que sou noviça num convento e que continuo tão pura como quando vim ao mundo, ou alguma história parecida! Digam-me que o procedimento não é esse ou eu começo a entender as testemunhas de Jeová… O facto de eu afirmar que sou heterossexual apenas informa quanto às minhas preferências sexuais. Não diz rigorosamente nada acerca de potenciais comportamentos de risco que eu possa ter.Se queres que te diga, as pessoas mais promíscuas que conheço (homens e mulheres) são todas hetero


  4. Nestas questões, estamos sempre em desacordo, amigo. A pergunta que se tem de fazer não é: «Qual a sua orientação sexual». a pergunta que se tem de fazer, quando muito, é: «Teve comportamentos de risco?».é que sabes tão bem como eu que, actualmente, em termos de SIDA e DST’s, os heterossexuais são maior grupo de risco do que os homossexuais.


  5. Luís, das duas, uma: é o preconceito, e vergonha de o assumir; ou defende a criação de um “big brother casto” para seguir os eventuais dadores. A segunda acho que não. Por isso…E se, para reduzir os riscos e aumentar a segurança, as autoridades de saúde fizerem o seu trabalho de fazer uma boa análise ao sangue doado?

  6. mariana avelãs says:

    não existe maior prevalância de HIV nos homossexuais do que nos heterossexuais, e a tendência é até a de que o “grupo de risco”, a existir, seja o dos heterossexuais. além do mais, o grupo dos doadores de sangue não reproduz a distribuição na sociedade, pelo que se exigiria, pelo menos, uma abordagem um bocadinho menos simplista.existem níveis de distribuição entre géneros, e até entre etnias – também são critérios legítimos para excluir grupos? a diferença entre o enfoque nos comportamentos e não nos grupos é que deixamos de brincar às matemáticas e passamos a agir com segurança. A pergunta “teve algum parceiro novo nos últimos 6 meses?” tem muitas limitações: depende da honestidade de quem está a responder, e não tem em conta os comportamentos sexuais do parceiro que não é novo. tirando isso, é suficiente para detectar a possibilidade de ter existido contágio dentro do período-janela. ao excluir o comportamento que causa o contágio está-se a eliminar (pelo menos teoricamente) a possibilidade de contágio; a focarmo-nos em grupos (mesmo que houvesse dados para o justificar, o que não é o caso) estamos a brincar com probabilidades – o que é mais seguro? já agora, o bastonário da ordem dos médicos e o coordenador da comissão nacional do HIV/SIDA estarão equivocados? ambos disseram claramente que a exclusão de homossexuais de doar sangue era um acto discrimanatório, sem bases científicas.

  7. dalby says:

    de uma maneira ou d e outra não dou sangue a ninguém, a não ser a intimas pessoas!!!

  8. Luis Moreira says:

    As pessoas da região da Póvoa de Varzim são sujeitas ao teste do pézinho porque há naquela região uma elevada incidência da “doença dos pezinhos”. No Algarve não há teste ? Porque de certeza absoluta que não há caso nenhum? Não, porque se pode limitar o teste a uma região específica, por razões médicas e económicas. Ou será que a região de Póvoa de Varzim está a ser discriminada?

  9. Luis Moreira says:

    José, nada de preconceito e muito menos num caso que envolve a saúde de pessoas. Eu estou a colocar-me na posição do decisor, tenho que seguir os procedimentos da cadeia decisória.Não são para aqui chamados preconceitos e/ou discriminações. Nenhum de vós podia ocupar este lugar de decisão.O decisor tem que obter a maior segurança ao mais baixo custo. E isso implica o afastamento “de principio” de um grupo de pessoas que se sabe ter uma determinada prevalência. Para aqui não são chamados principios que não os de segurança e os de custo ( e até a exequibilidade)

  10. Luis Moreira says:

    Carla, nada disso. O exemplo da noviça não colhe. Todo o sangue que é recolhido é sujeito a testes, incluindo o da noviça. O que se passa com o sangue dos homossexuais é que se sabe “de principio” que se vão encontrar x casos positivos e fica mais barato e é mais seguro, deixá-los de fora. (a todos os homossexuais).É um acto de gestão, Carla. Tomei decisões que não te contarei porque perderia uma amiga que muito considero e, no entanto, era a minha obrigação profissional. E acredita que paguei caro muitas vezes em negar-me a passar certos limites! São só actos de gestão!


  11. Sempre foi pela proibição que se espalhou a a “palavra e a luz”. Continuem a a alimentar os “abençoados” a reproduzirem que nem coelhos e a mentir com os dentes todos, que daqui a 1 ano temos o dobro dos infectados de HIV.

  12. Luis Moreira says:

    Izabel, isso assenta que nem uma luva na doutrina da Igreja católica para os países subdesenvolvidos. Mas não sou eu que a apoio.


  13. Luis,Faz mais sentido perguntar a alguém se é gay ou se teve comportamentos de risco.É que se falas na tal gestão, a segunda pergunta é muito mais eficiente. Porque se teve comportamento de risco, o sangue não serve mesmo. Enquanto que o facto de ser gay nada significa quanto ao facto de ter tido ou não comportamentos de risco.Nada do que dizes é defensável, e bem podes vir com esses argumentod da gestão. Não colam.

  14. dalby says:

    Se estavam à espera que eu viesse SACRIFICAR O LM aqui…desiludam-se!!! EU,MOI, A´ÚNICA MAS A ÚNICA COISA (E TERRIVEL!) QUE TENHO AQUI a assinalar é une petite chose…para finalizar este assunto: ESTÁ LÁ TUDO E LEMBREI-ME DO LM NO FILME QUE FUI VER COM A JOVEL VIUVA JOAQUINA: O LM ALI ESTÁ E NÃO SÓ! ESTÁ LÁ OUTRO AVENTAR «CASTO E HETERO ATÉ A DOER». A CENA DO GAY CONVERTER NO ALABAMA É SUBLIME! É LUIS M A MIL POR CENTO….A MINHA RESPOSTA A LM ESTÁ LÁ! IRÓNICA POR MUITO DURA QUE SEJA LM TERÁ DE IR , VER-SE E REVER-SE LÁ. E NO DISCURSO. MAIS DURO NÃO POSSO EU SER COM O NOSSO LM. A CENA DOS LÁBIOS É O QUE EU ACHO! BONNE NUIT E LAVEM OS DENTES ANTES DE IREM DORMIR!

  15. dalby says:

    ah o filme chama-se «bruno»!!!!

  16. dalby says:

    não é valentina, é BELINA! podes sim sr!

  17. maria monteiro says:

    querem sangue?…. pois que o criem artificialmente…. talvez tenha menos custos e seja de menor risco….

  18. mariana avelãs says:

    moral da história: um gay responsável, que esteja consciente da importância de sar sangue, mente no questionário. o seu sangue será avaliado, tal como o de outra pessoa qualquer. o único problema será se o contágio ocorreu no período-janela; mas nesse caso, o critério estatístico a ter em conta é da transmissão de novos casos (nos seis meses anteriores à colheita), onde a percentagem é de quase 56% para o contacto heterossexual. um gay ou hetero responsável não mente quando lhe perguntam se teve comportamentos sexuais de risco nesse período. é essa a diferença.

  19. dalby says:

    Moral da moral da história: isto é tudo a brincar, tudo um teatro, porque de uma forma ou de outra todos mentem.PONTO FINAL! FUGIR É DOS MORALISTAS, FUGIR É DOS PSEUDO DEMOCRATAS, SÓ DEMOCRATAS PARA AS COISAS QUE LHE INTERESSAM , OU À FAMÍLIA OU ÀS COISAS DELE…C’EST TOUT, BISOUX

  20. Luis Moreira says:

    O critério estatístico é só o de se saber que afastando um grupo de pessoas com uma determinada orientação sexual, evito X casos e não perco um número relevante de dadores. É só isso. Seria como tirar a carta de condução aos alcoolícos. Sei que há X casos de acidentes nesse grupo de pessoas. Mas tambem sei que há pessoas nesse grupo que não bebem quando conduzem.Mas o mais seguro é afastar todo o grupo.Agora não me venham dizer que estou a comparar os homossexuais aos alcoólicos!


  21. Mas como é que podes dizer isso se sabes que há mais comportamentos de risco nos herero do que nos homo?