Os maus professores têm calos no cu

Num momento em que tanto se fala do acordo entre Ministério e Sindicatos, penso que é necessário trazer à colação um critério que podia e devia ser utilizado em qualquer avaliação do desempenho de professores: o toque rectal.
Perguntarão os leitores mais maliciosos se eu ando a frequentar sítios menos adequados para um pai de família. Nada disso, seus maroteiros. A minha afirmação decorre da experiência, própria de quem lecciona há mais de 16 anos.
Com efeito, um mau professor é aquele que se senta na sua cadeira no início da aula e não mais se levanta até ao fim da mesma. Dá a aula dali, da cadeira. Fala para os alunos esticando o pescoço para poder vê-los. E repete a façanha, aula após aula, dia após dia, semana após semana. Ao fim de alguns anos de carreira, o seu rabo está quadrado e cheio de calos. Mas a progressão, essa, está sempre garantida.
Aproveitemos o que se está a fazer nos Aeroportos, com o «scanner» total dos passageiros, e apliquemo-lo ao processo de avaliação de professores. Mas neste caso, basta fazer um «scanner» muito específico que logo se obterão as respostas pretendidas.

sobe e desce

Professores : perplexidades que o acordo gera…

Carta de Rui M. Alves, publicada no DN

As negociações em curso entre o Ministério da Educação e os sindicatos dos professores sobre a respectiva carreira, estão a deixar muitos quadros superiores da função pública na mais absoluta das perplexidade, tal é a disparidade entre as condições que já vigoram para estes últimos e aquelas em discussão com a classe docente.

Em cima da mesa está uma versão light de avaliação e progressão, que, ao  invés das restantes carreiras, pretende abolir as quotas na avaliação, consagrar a contagem de tempo de serviço entre 2005 e 2007, e até, pasme-se, manter um período de permanência de 4 anos entre cada escalão, enquanto nas restantes carreiras os quadros qualificados com “bom” no seu desempenho são forçados a esperar cerca de 10 anos até poderem subir de nível remuneratório.

A serem concretizadas tais medidas aos 140 mil professores do ensino público, estes seriam detentores de um estatuto previligiado, relativamente a…outros servidores do Estado, o que seria de todo inadmissivel, pelo que teria de existir obrigatoriamente uma equiparação extensível às outras carreiras.

E isto pela simples razão de que o Ministro das Finanças declarou, aquando da implementação do PRACE, que um dos objectivos do programa consistia na uniformização da multiplicidade dos sistemas remuneratórios e de progressão, até aí existentes no sector público.

PS: que é como quem diz, nós tambem queremos ser tratados tão mal como os professores…

Conversa…sões

Comparação entre Isabel Alçada e Maria de Lurdes Rodrigues (a propósito do acordo com os Sindicatos)

Do nosso leitor Joaquim Ferreira:

Excelente. Finalmente, parece que os professores encontraram uma postura de abertura da parte do Ministério da Educação. Esperemos que o acordo seja capaz, de per si, de contribuir para devolver a serenidade ao processo educativo. Que as escolas possam ter condições para desenvolver o processo educativo num clima de interajuda, de cooperação e não de individualismo, de atrito permanente.

Creio que hoje a vitória não foi nem dos Sindicatos nem do Ministério. Foi uma Vitória da Educação.

Do acordo alcançado, seguramente, não há vencedores nem vencidos. Os professores, se o acordo vai de encontro às suas aspirações, sentirão uma nova energia, uma nova dinâmica para continuar a desenvolver um trabalho em benefício de uma melhor formação das gerações de estudantes que amanhã, serão os governantes deste país. Assim, é o país que fica a ganhar com este acordo. Nenhum cante vitória. Seguramente houve cedências de parte a parte. E isso, sim, contrariamente ao que a notícia do Público que se questionava se Isabel Alçada teria falta de experiência negocial, esta minstra sabia bem o que queria! E preparou-se para levar a “bom porto” o navio que lhe foi confiado. Só os teimosos donos do Titanic insistiram em não querer ver o perigo em que se metiam e obrigaram o timoneiro (comandante) a aumentar a velocidade. para lá dos limites razoáveis suportados pelo navio.

A Ministra da Educação e os Sindicatos deram provas de compreender muito bem o que é negociar. Porque, quando o destino é o abismo, o melhor forma de avançar é “dar um passo atrás”. [Read more…]

Agora quero esse acordo muito bem explicadinho

Neste caso fala um gajo sindicalizado. Estou na fase da angústia do gajo sindicalizado no momento do acordo.

E ainda não percebi para que lado vai a bola, quanto mais se o remate é forte ou mais em jeito que em força.
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Pelo menos espero que não nos saia um penalti à Panenka, que são os mais abusados.

Já agora, o tal de acordo está aqui.

A derradeira derrota de Maria de Lurdes Rodrigues

A professora Isabel Alçada conseguiu em 2 meses de mandato o que a socióloga da treta Maria de Lurdes Rodrigues não conseguiu em mais de 4 anos. Ao ver o acordo de hoje entre o Ministério e os Sindicatos, a antiga Ministra da Educação devia corar de vergonha e perceber quão má foi a sua passagem pela 5 de Outubro. Para os alunos, para os professores, para a Escola Pública.
Maria de Lurdes Rodrigues está morta e enterrada. Pacificadas as escolas, vamos resolver o que verdadeiramente interessa: os problemas do ensino em Portugal.

Professores – A Isabel alçada a ministra…

É claro, para mim, que há um certo número de questões, que servem para ganhar espaço de manobra, tão esdrúxulas são. Até porque não acredito que a visão que nos é transmitida do processo de avaliação seja a que esgota o assunto no que diz respeito à gestão da escola e à obtenção de melhores resultados.

Todos sabemos, que tanto os sindicalistas como os burocratas do ministério, há muíto que deram umas voltas (turísticas e pedagógicas) pela Europa e viram implementados processos de avaliação no quadro mais vasto da “Gestão por objectivos”.

Enquanto interessar às partes, transmitir esta ideia que o que se trata é dividir professores, ter inimigos a quem apontar por levantarem barreiras à governação e, aos sindicatos, que são uns “insensatos” defensores da classe, isto não anda. Como não anda na Justiça, para não ter que dar outro exemplo, que podemos desfilar uns atrás dos outros.

O exemplo que o João dá, é tão óbvio, que só por sí mostra que a avaliação não pode ser o que nos andam a vender. Como é tambem esdrúxulo, colocar professores a “assistir” a aulas para dar notas a colegas, ou passar pela escola um “inspector” que assiste a aulas para classificar professores.

Ora, como já aqui disse dezenas de vezes, ninguem conhece melhor o trabalho de cada um que os seus colegas, sejam eles da equipa da cadeira, do Conselho Pedagógico, ou de outro orgão Director da Escola.

O que leio nos jornais, as grandes divergências, sublinhadas pelos sindicalistas, já não são mais do que despojos que cada um carregará o melhor que puder sem ter que perder a face. Agora já se fala que ” a fixação de vagas não está clarificada,” o que quer dizer que agora é só saber o “como”, o “documento do ME é ambíguo” o que quer dizer que é só “limar arestas”, que “é fundamental que o documento sofra alterações” o que quer dizer são alterações e não mais do que isso…

Estas negociações são uma parte de um todo e o que resultar delas, têm que “encaixar” em outros resultados de outras negociações que por sua vez…

Ninguem acredita quando nos toca à porta, mas a verdade, nua e crua, é que a festa acabou!

Professores – o bom senso ajuda

Terminado o folclore, parece que Sindicatos e ME “caíram no real”. Deitados para o caixote do lixo, argumentos patéticos, de um e outro lado, a avaliação vai ser feita aos professores como já é feita há mais de trinta anos, nas mais diversas actividades, como um poderoso instrumento de gestão, e não só de “discriminação positiva” como alguns quiseram fazer crer.

A avaliação poderá apontar para que todos os professores com “muito bom” e “excelente” tenham assegurada a ascenção ao topo da carreira, mantendo as vagas para quem obtenha “bom”. Haverá tambem vagas para os 3º, 5º e 7º níveis.

Acresce que a carreira, com entrada no nível mais elevado, corresponderá a 34 anos de trabalho.

Compreendidos os conceitos que teimosamente aqui ando a pregar, porque é este “o estado da arte”, e que sindicalistas e funcionários do ME conhecem muito bem, e que são a) objectivos discutidos e aceites por todos; b) mensuráveis; c) com consequências na carreira; d) com envolvimento dos pares, a avaliação não é um “bicho” para fazer mal a ninguem, pelo contrário, é um instrumento de gestão que permite alavancar o trabalho da escola, a partir do trabalho individual orientado, segundo objectivos escolhidos e aceites por todos.

Cheguei a ter em cima da minha secretária, durante um ano, 700 fichas de avaliação, todas excelentes, que me recusava a assinar.

Uma palhaçada!

Documento entregue hoje aos sindicatos pelo Ministério da Educação

PRINCÍPIOS PARA A REVISÃO DO MODELO DE AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO-02dez09

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Os professores vão ter saudades da Maria de Lurdes

Um assessor da Ministra da Educação não esteve com meias e colocou um gravador a gravar as conversas informais dos jornalistas que esperavam no hall do ministério. Isto é tão bizarro que não pode ser uma gaffe, estilo foi um jota que está aqui pela primeira vez.

 

Isto faz parte do "marcar o território", nós tambem sabemos como se faz, vocês podem estar convencidos que estão imunes ao vosso próprio veneno mas se calhar vão beber do mesmo, aliás, foi mesmo isso que o tal assessor disse quando interprelado pelos jornalistas.

 

Estou a ver os sindicatos a levarem com uma gravação de uma reunião a dizerem que "se não fosse termos que controlar a turba assinávamos já.", isto está cada vez mais bonito, porque há gente que está convencida que pode ser uma espécie de ilha, cheia de coisas boas enquanto à volta, nadam os tubarões esfomeados.

 

Volta Maria de Lurdes que estás perdoada!

Dos sindicatos dos professores vêm maus prenúncios…

Há uma guerra dura que se vem travando nos últimos anos entre os Sindicatos dos professores e o Ministério da Educação. Às vezes é necessário partir muita pedra e haver baixas de ambos os lados para que o bom senso volte.

 

Parece ser o caso. Hoje há vitórias da Educação ( não do ministério) formidáveis e que terão um importante impacto na qualidade do ensino. Atrevo-me a lembrar os concursos de colocação de professores por quatro anos, terminando com o circo anual, de queixas e queixinhas, de professores com as malas às costas e de alunos a conhecerem novo professor.

 

A avaliação que já ninguem contesta, com um modelo discutido e aceite por todos, mas com consequências na carreira, o que quer dizer que a progressão na carreira deixará de ser automática. O estatuto do professor que vai ser discutido e melhorado, já contando com as recentes contribuições.

 

Mas quando se ouve falar os representantes dos Sindicatos a sensação que fica é que nem tudo foi, ainda, devidamente, digerido. Se pensarem que as vitórias foram da Escola, a digestão será mais fácil. 

 

Acabar com a divisão entre professores titulares e não titulares parece consensual.  Não estou tão certo quanto a uma avaliação, por objectivos, mensuráveis, com consequências na carreira e no vencimento ; numa gestão da escola autónoma com pontes de coordenação com as forças autarquicas  e com os movimentos dos pais ; alargar e aprofundar a autonomia das escolas a partir dos Rankings existentes há vários anos;  considerar que os professores avaliados pelo modelo actual não possam ser prejudicados;

 

Enfim, que as reticências aqui e ali afloradas, não sejam mais que um  teste, inculcando as ideias no universo de professores, como uma vacina que vai alastrando…

Ministra, Professores, Partidos, Sindicatos, movimentos

Tenho aventado com alguma insistência a ENORME vitória que os Professores conseguiram! Uma vitória com TODAS as letras: V-I-T-Ó-R-I-A.

Tal certeza resulta da permanente presença das temáticas em torno da classe no espaço mediático, no espaço púlbico e no palco político e partidário.

De uma maneira ou de outra há muita gente a tentar apanhar a onda – o Paulo Portas tem sido o mais descarado e dele espero pouco, ou mesmo nada, tão convencido que estou de que será ele a moleta do Governo.

O movimento gerado pela classe só aconteceu porque houve Professores.

Só aconteceu porque houve sindicatos.

Só aconteceu porque houve movimentos.

Só aconteceu porque aconteceram todos, uns e outros e importa muito pouco perceber quem aconteceu mais.

Agora, não aconteceu porque havia partidos. Não aconteceu porque há partidos. Entendo onde eles querem chegar e aplaudo todas as iniciativas parlamentares, mas a centralidade deve ser colocada entre o Ministério e os sindicatos, representantes democraticamente eleitos dos professores.

É às estruturas sindicais, representantes, de facto, de mais de 50% da classe (obviamente, há professores que não estão sintonizados com as direcções sindicais, mas estando de fora, limitam-se a dizer que não) que compete representar os professores.

O que exigimos, enquanto professores é que o Mário Nogueira, meu camarada da FENPROF e o João Silva, meu homónimo da FNE tenham a capacidade de perceber o que quer a ESCOLA PÚBLICA. Se o conseguirem, vamos sair todos a ganhar.

Todos não, porque talvez o Paulo Portas fique a perder.

Os professores avaliados não podem ser prejudicados

Arranjem uma solução transitória até entrada em vigor do novo modelo de avaliação mas os professores avaliados não podem ser prejudicados. Cumpriram com o que as escolas lhes indicou.

 

Muito menos os professores com notas de excelente e de bom. Ainda compreendo que quem está pouco satisfeito com a nota que obteve ou que não foi avaliado, não veja a nota ter consequências na sua carreira, mas os que trabalharam para a avaliação não podem ser prejudicados.

 

Felizmente que hoje já se fala em novo modelo não se colocando em causa a avaliação, mas espero que o novo modelo não seja o do PCP que quer "avaliar as escolas, não os professores" o que quer dizer que os professores continuam a ser avaliados todos como excelentes e subirem todos ao topo da carreira.

 

O PCP o que propõe é uma avaliação sem consequências, o igualitarismo, todos iguais, "para função igual, salário igual" quando o que se pretende "é trabalho igual, salário igual" o que é bem diferente, leva em conta a produtividade do professor.

 

Claro, que o Mário "alucinado" já anda aí a fazer ameaças, ou é como os sindicatos querem ou vamos para a luta.

Há escola para além do ruído

Tudo parece estar limitado à guerra dos sindicatos com o ministério, mas não é assim, há muito mais, e muito mais importante. Vejam:

"Prefiro ter um carro pior e tê-los aqui. É seguro e não há professores a faltarem" -José, pai.

"Os professores acompanham os que têm maiores dificuldades em regime de voluntariado." –  Alexandra,mãe.

"Quero que os meus filhos estejam numa escola com jovens de todas as classes sociais.Não os quero numa redoma de vidro" -Ana paula,mãe.

"O Ministério não teve a iniciativa de nos ajudar a melhorar.E nós precisamos de ajuda! "José Bruno -Director de Escola

"Muitas vezes as notas são o menos importante. A escola é essencial para eles terem ao menos uma boa refeição por dia." Cristina ,vice-directora de escola.