Falando de democracia: Sobre a homofobia (I)

Hoje em dia, uma das preocupações de quem quer estar politicamente correcto (e de bem com a «democracia» que temos) é a de não ser considerado homofóbico. O termo é relativamente recente, datando de 1971 e terá sido inventado pelo psiquiatra norte-americano George Weinberg, aparecendo pela primeira vez na sua obra Society and the Helthy Homosexual (1972). O raciocínio para a construção do neologismo foi linear = homo+fobia, homo de homossexual e fobia, do grego phobos (aversão, receio, nevrose obsessiva contra algo). Porém trata-se de uma construção apressada, feita com uma impaciência tipicamente ianque. Senão vejamos.
A palavra homo tem duas acepções principais: pode ser um prefixo e um elemento de composição de palavras científicas, indicando semelhança, igualdade, identidade, como por exemplo, no campo da botânica, se diz que um capítulo é homogâmico. O adjectivo significa que as flores que constituem o capítulo são hermafroditas e semelhantes. Numa acepção mais corrente, homo é um substantivo masculino da área da Antropologia e significa o género da família Hominidae, género representado pelo homem actual, ou seja, a espécie humana. Portanto, à letra, teríamos homofobia = aversão à espécie humana. Não era, por certo, esta a ideia de Weinberg. O que se quer dizer com homofóbico é que se trata de alguém que tem aversão a gays e lésbicas. Disseram-me que o termo correcto seria um complicado palavrão: homofilofóbico, ou seja, aversão ao que gosta do igual – Homofóbico é um disparate, embora eu tema que, tal como outros que por aí circulam, tenha vindo para ficar. Mas não é um erro muito importante, desde que saibamos do que estamos a falar. Porque mais do que analisar o termo filologicamente, importa abordar o seu conteúdo conceptual – ser ou não ser contra os homossexuais, eis a questão – isso, sim, é importante.
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Não sou contra (nem a favor) dos homossexuais enquanto tal. Desde cedo me habituei a não perguntar aos amigos ou às amigas qual a sua orientação sexual. Sempre me interessou o que as pessoas pensam, como pensam, como utilizam a sua inteligência e nunca a sua sexualidade serviu de base à avaliação que delas faço, isto embora tenha sido educado no pressuposto de que a homossexualidade é uma aberração, uma doença, uma perversão. Numa época em que os homossexuais viviam na clandestinidade, bati-me contra preconceitos estúpidos, nunca esperando viver até a um tempo em que, contra a muralha de betão erguida pelas convenções sociais, se erguesse uma outra, talvez feita de flores criptogâmicas, mas igualmente imbecil – aquela que os lobies da comunidade gay laboriosamente constroem, pretendendo criar novos preconceitos e instaurar uma nova ordem sexual dentro da qual é crime, ou pelo menos é censurável e démodé, ser hetero. Com a idade, deixei de ter paciência para fundamentalismos, venham eles de onde vierem.
Há mais vida para além do sexo, embora haja quem não aceite essa realidade – a orientação sexual não define totalmente a pessoa, sendo apenas uma pequena parcela do todo que ela constitui. Diz-se que Leonardo da Vinci era homossexual. Sandro Botticelli não o seria. Se eram uma coisa ou outra, o que tem mais importância, as suas opções sexuais ou a sua genialidade como artistas? O que nos ficou destes dois mestres florentinos do Quattrocento não foi o rasto da sua sexualidade, fosse ela homo ou hetero, mas sim as suas obras. Quando nos extasiamos ante A Virgem dos Rochedos, do Leonardo, ou perante A Primavera, do Sandro, o que nos interessa a sua orientação sexual?

Na realidade, existiu e ainda existe discriminação. É impossível negá-lo, sendo repugnante a boçalidade com que os homossexuais são muitas vezes tratados e igualmente odiosa a parafernália de termos, de anedotas, de ditos pretensamente espirituosos que lhes são dirigidos. Porém, alguns dos activistas e militantes dos movimentos de gays e lésbicas têm a sua quota de responsabilidade na discriminação de que são alvo ao construírem o negativo do molde em que tais boçalidades se vazam e forjam. Por exemplo, a «marcha de orgulho gay» é um espectáculo feito para incomodar e chocar o inimigo, a maioria hetero. O resultado., ao ser um espectáculo tão boçal e repugnante como as invectivas tradicionais, é justificar a continuação da injustificável discriminação. A mim incomoda-me não porque me choque, mas porque é, na minha opinião, uma exibição deprimente, um puro acto de provocação, vazio de conteúdo. Orgulho em quê? Ninguém deve ter orgulho em ser hetero ou homossexual – uma coisa ou outra são circunstâncias biológicas ou educacionais, não são privilégios ou estigmas e, muito menos, coisas com que as pessoas se devam orgulhar ou envergonhar. Movimentos de homossexuais? São tão necessários quanto movimentos de apreciadores de vinho tinto (e pensando bem, são ainda menos necessários). Falo por mim: adoro vinho tinto e limito-me a bebê-lo, sempre com moderação, por causa da idade, e se possível de boa qualidade – mas nunca perderia tempo a militar num movimento «pró-tintol» que pretendesse, por exemplo, que se pudesse conduzir sob o efeito do precioso néctar.
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Nem só os activistas gay são responsáveis – a má consciência de quem herdou uma cultura de discriminação violenta (a «democrática preocupação do politicamente correcto») leva gente honesta e sabedora a bater-se por causas sem sentido como a do casamento entre pessoas do mesmo sexo. O casamento é uma instituição que, fora os aspectos jurídicos, meramente contratuais, está em crise. Nunca houve tantos divórcios. Mas os homossexuais querem ter direito a casar e há quem gaste tempo e argumentação a discutir o tema. O casamento tem como objectivo primeiro a procriação. Essa é a fundamentação original, embora depois possam ter surgido outras razões, nomeadamente as de carácter afectivo1. Numa luta pela extinção do casamento alinho já, mas perder tempo a defender que um casal gay possa unir-se sob a bênção de um clérigo ou numa conservatória do registo civil, é coisa que nunca farei. Se querem que as fotografias da boda venham nas «revistas do coração», destinadas a débeis mentais (heteros e não), não precisam de nenhuma lei específica – o direito à idiotice está aí para ser «democraticamente» usufruído. O romantismo de uma união amorosa não pode ser reduzido a meia dúzia de clichés de gosto duvidoso, grinaldas, marchas nupciais, arroz… – ou é algo que vive nos corações de quem compartilha esse sentimento ou é mera e pirosa exibição. Para mim, isto é válido tanto para «heteros» como para «homos». Dou um exemplo pessoal: quando me casei, a minha mulher era ainda menor (tinha 20 anos) e a mãe exigiu que ela fosse «fardada» de noiva. Ou era assim ou só havia casamento quando a pequena atingisse a maioridade, disse ditatorialmente a senhora. Então (como bom democrata) coloquei duas hipóteses: ou eu vestia um pijama durante a cerimónia ou, em alternativa, não haveria fotografias. A minha sogra optou por que não houvesse fotografias. Recentemente, ao fazer investigação para escrever uma pequena biografia do grande filólogo Manuel Rodrigues Lapa, soube que, tendo casado cerca de quarenta anos antes, teve, em situação similar, uma atitude muito semelhante à minha.

Cá vai Lisboa


Ontem, como há muitos anos, estive na Avenida a ver as marchas. Cor e alegria, juventude e bairrismo, sardinha assada e manjericos. Depois foi a parte de que mais gosto. Alfama, e os seus pátios, as suas gentes, as escadinhas e os seus becos.
Alfama é único porque é onde menos a especulação e os patos bravos podem estragar.
As suas ruas estreitas, com os prédios quase a tocarem-se, não dão para as recuperações extravagantes. É isto que explica que tudo esteja como há séculos, com pequenos bocados de terra ajardinados pelos habitantes. Um cheiro de terra e flores que nos persegue, e que nos obriga a alargar o passo para espraiar no pequeno largo, logo ali ao virar da esquina.
As pessoas indicam bem os seus ascendentes, morenas, cabelo negro e olhos escuros. Andou e viveu por ali a moirama, tal como na Mouraria logo ali, no outro lado do monte que divide os dois bairros.
Num recente estudo (julgo que no âmbito da Comissão para os Descobrimentos em má hora extinta), estudaram-se as tripulações dos navios que demandaram a India e o Brasil. Há famílias, desses homens de coragem sem par que ainda hoje vivem na mesma rua e na mesma casa! Os homens que deram mundos ao Mundo, continuam representados por aquelas crianças que brincam e vendem manjericos!

Porque a publicidade pode ser uma arte…

Não sei se já vos disse… Gosto de publicidade. Em televisão, em jornais e em rádio. Gosto da capacidade criativa de quem tem de transmitir uma ideia em poucos segundos, seja na rádio ou na televisão, ou num piscar de olhos, nos jornais. Numa imagem, numa frase ou num som.

Os autores de anúncios e spots publicitários têm uma missão complicada. Também para eles a vida é difícil e exigente. Há que ‘vender’ um objecto, um serviço, uma ideia em muito pouco tempo – ou espaço. É essencial atrair a atenção de quem vê ou ouve. É uma arte. Como em todas as artes, há os bons artistas, os ‘mais ou menos’, os fraquinhos e os outros. Mas é uma arte diferente daquela que encontramos nos museus. Para essa, se quisermos, há algum tempo para apreciar, para digerir. Na publicidade, por norma, não. É tudo muito rápido. Tem de ser rápido.

Há que contar uma história ‘num instante’. Não é coisa banal, acreditem.

Admito que, até ver, não sou grande apreciado da publicidade feita para o meio internet. Ainda não houve muitos anúncios capazes de me chamar a atenção. É um meio mais complexo para a riqueza criativa da publicidade, reconheço. Além de que as grandes empresas do sector não foram ainda suficientemente cativadas a trabalhar a componente publicitária para o online, com as suas potencialidades mas também limitações. Quando o fizerem, haverá, estou certo, melhores anúncios.

Serviu tudo isto para introduzir a campanha que a Sociedade Ponto Verde está a promover. Há diversos spots mas aquele que é apresentado nos cinemas acaba por ser o centro de todas as atenções, por reunir um pouco de todos os outros e, acima de tudo, por um final brilhante, que vale a pena apreciar.

Aumentem lá o preço dos cigarritos…

nao fumar

Uns viciam-se em drogas, outros viciam-se na bebida ou no jogo. Uns estão viciados em não fazerem nada, outros viciam-se no trabalho. Muitos estão viciados em dinheiro e coisas. Todos somos viciados em alguma coisa. Nem que seja em blogs ou notícias. Eu viciei-me no tabaco.

Admito que ando com alguns problemas em deixar o tabaco. Desde há três meses que não compro tabaco. Ainda tenho o meu stock de tabaco de enrolar que me permite não trepar paredes, insultar toda a gente e partir tudo à minha volta, principalmente quando estou a trabalhar e me dá aquela vontade maluca de me esfumaçar todo. Tornei-me o crava número 1 do País. E sempre que fumo um cigarro, estou em silêncio a gritar para comigo: estúpido! estúpido! Tenho a noção de que fumar, muito além de ser uma escolha pessoal, é uma estupidez! Nao me traz nenhuma vantagem e só tem prejuízos.

Numa altura de crise económica, e eu sei bem do que estou a falar, porque apenas os ricos (aqueles que Sócrates disse que ia cobrar mais impostos, mas que entretanto não ficou provado que existissem)  me vão deixando cravar um cigarrito ou outro, proponho que este governo, ou qualquer outro que venha por aí a aparecer, aumente o preço do tabaco.
Portanto, numa perspectiva estritamente economicista, aumentem lá o imposto dos cigarritos. Não tenham medo. Ponham lá o preço nos 10 ou 20 euros por maço, que eu garanto, forreta como sou, que dentro de um mês deixo definitivamente de fumar. De uma vez por todas. Eu, e de certeza muita gente comigo…

A não ser que não se possa ou isso não interesse a ninguém…

Quanto vale a vida humana?

Costuma dizer-se que a vida humana não tem preço. Mas conforme a pessoa nos é próxima, esse valor vai aumentando, seja ele qual for. A vida da minha filha, por exemplo, não tem preço. Nem 20 milhões, nem 100, nem 1000, nem infinitos, como dizíamos quando éramos miúdos. A vida de uma qualquer criança no Sri Lanka ou nos Estados Unidos também não terá preço, mas sobretudo para os seus pais e para os que a amam.
Até que ponto trocaríamos a vida de uma pessoa que não conhecemos por um milhão de contos?
Lembro-me de ter ficado escandalizado, era ainda uma criança, quando o meu irmão mais velho disse que não trocaria o Totoloto pelo fim da fome em África. Que tinha muita pena, mas…
E agora, ficaria escandalizado da mesma forma?
Vem tudo isto a propósito de Cristiano Ronaldo e o Real Madrid. Quanto vale a sua vida? Para mim, como pessoa, não vale um chavo. Mas estou certo de que, para os seus, a sua vida não tem preço.
E como jogador? Bem, como jogador, Ronaldo (não é Rónaldo, senhores jornalistas, não é Rónaldo), vale aquilo que lhe quiserem pagar aqueles que o vêem jogar. Aqueles que compram as suas camisolas. Aqueles que querem saber da sua vida privada. Como dizia antes o Carlos Fonseca, a culpa até nem é sua. Por mim, não receberia ele um tostão, que eu só tenho olhos para o meu Portinho.

A crise também diverte

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A edição onze do PortoCartoon-World Festival abre oficialmente esta sexta-feira (19h00), na Galeria Internacional do Cartoon, do Museu Nacional da Imprensa, no Porto. O tema deste ano é “CRISES”.

A exposição reúne cerca de 400 cartoons vindos de todo o mundo, que estão distribuídos por 800 m2, entre a Galeria Internacional do Cartoon e a Galeria de Exposições Temporárias.

O cartunista romeno Mihai Ignat foi o vencedor do Grande Prémio (imagem). O segundo prémio foi atribuído a Augusto Cid, e o terceiro a Zygmunt Zaradkiewicz, da Polónia.

A qualidade dos trabalhos levou o júri internacional do concurso a atribuir ainda 11 Menções Honrosas a artistas de dez países: Austrália, Bulgária, Coreia do Sul, França, Inglaterra, Itália (2) Irão, Polónia, Rússia, Turquia e Ucrânia. 

Meio milhar de humoristas, de 70 países, enviaram cerca de 2000 desenhos ao XI  PortoCartoon, subordinado ao tema “Crises”.

O XI PortoCartoon tem como mecenas exclusivo a Caixa Geral de Depósitos e pode ser visto até 31 de Dezembro.

Entretanto, a Festa da Caricatura do Museu Nacional da Imprensa volta este ano à Praça da Liberdade, no fim-de-semana de 20 e 21 de Junho, véspera do S. João do Porto, em parceria com a Porto Lazer e a Câmara Municipal do Porto.

O tema recorrente da abstenção

A abstenção é, de facto, um tema recorrente e, ainda na edição de hoje do Público, Miguel Gaspar aborda a questão, a propósito das europeias. A Europa, acentua ele, registou, no último fim-de-semana, um novo recorde de abstenção.

Estou basicamente de acordo com as razões que ele aponta para o elevado grau de abstencionismo em toda a Europa, não sendo, pois, induzido pelo seu artigo este meu ‘post’. A causa verdadeira reside no texto que há dias João Pinto e Castro (JPC) publicou no ‘Jugular’ sob o título ‘Abster-se é tão mau como estacionar em segunda fila’.

Do primeiro ao último parágrafo, JPC desanca forte e feito nos abstencionistas e com um palavreado tão severo, de impossível aplicação em análise séria e objectiva do fenómeno.

Diga-se, para já, que eu não sou defensor da abstenção. Partilho da opinião de usar a alternativa do voto em branco ou nulo. Mas, considerando os milhões de cidadãos que a praticaram uma vez mais, parece-me, por outro lado, grosseiro enveredar por uma distribuição avulsa de invectivas contra os abstencionistas, pensando que, ao agir desse modo, está a fazer-se o juízo e a pedagogia mais rigorosos do mundo.

O JPC está, efectivamente, equivocado. A abstenção crescente e massificada é um fenómeno sociopolítico, transversal nas democracias ocidentais. Tem sido objecto de inúmeras análises e interpretações por parte de diversos estudiosos. Posso indicar alguns, apenas portugueses: André Freire, António Barreto, Manuel Braga da Cruz, Manuel Villaverde Cabral e Pedro C. Magalhães.

Sumariamente, pode dizer-se que, na procura de justificações, é usual estudar factores sócio-demográficos (rendimento, instrução, idade, rural/urbano) que condicionam uma variedade de atitudes políticas dos cidadãos, associando-se estas últimas ao conhecimento e confiança do eleitorado, relativamente a sistemas políticos e instituições.

Determinados políticos, e os seus apoiantes mais activos, não podem despejar rios de ira sobre os eleitores abstinentes. Uns e outros necessitam de levar mais fundo o trabalho, não se dando conta de que, ao reagir de forma tão superficial, demonstram desprezo pelo saber; preferem ignorar os verdadeiros fundamentos de tão elevada, e geograficamente propagada, recusa de participação eleitoral. É pouco, ou mesmo nada.

sexo e lei

Já muito se falou (e fala) sobre a homossexualidade. Fala-se de todas as perspectivas possíveis e imaginárias, de todos os pontos de vista e até já vi tratar-se a homossexualidade como um fenómeno demográfico importante, como se de uma medida anti-concepcional se tratasse.

Ora, estava eu aqui a ouvir a banda sonora do “Laranja Mecânica”, obra que conta a participação das músicas electrónicas desse pequeno e desconhecido génio Walter Carlos (agora Wendy Carlos) e lembrei-me! Então e os transexuais? A transexualidade também é um impeditivo ao casamento? Ou nem sequer é considerado? Quais os seus direitos legais? Estão contemplados na lei? Será que existem leis? Eu sou do sexo masculino, mas porquê, se nem no meu bilhete de identidade está definido? O que é legalmente o “sexo” ou o “género”? Quem o define?

A Associação ILGA Portugal ajudou-me a perceber um pouco melhor esta questão:

“A lei portuguesa não contém qualquer referência explícita à situação das pessoas transexuais, situação que se está a tornar cada vez menos frequente, a nível internacional. A tendência tem sido de se legislar sobre a matéria, de uma maneira favorável à condição da população transexual, como o demonstram as recentemente aprovadas Gender Recognition Act (2004, Reino Unido) e Ley de Identidad de Género (Espanha, recentemente aprovada pelo Parlamento, e à espera de aprovação pelo Senado). Também não contém uma definição do que é “sexo” ou “género”. Contudo, adopta as características somáticas de cada um dos sexos, masculino ou feminino para, por exemplo, permitir a celebração do casamento civil (artigo 1577º do Código Civil). Assim, o nosso ordenamento jurídico pressupõe uma noção bipolar do sexo, sem intermédio, ou meio-termo, mas não define as expressões “homem” e “mulher” em preceito algum.

A classificação de uma pessoa como sendo homem ou mulher resulta das menções constantes no assento de nascimento, lavrado em geral pelos pais, os quais se baseiam nas informações médicas resultantes da observação dos órgãos genitais da/do recém-nascida/o. Assim, um dos requisitos específicos do assento de nascimento, exigido pelo Código de Registo Civil (CRC, Decreto-Lei n.º 131/95 de 6 de Junho), é o da menção do sexo do registando (CRC, art. 102º nº1b). A esta informação deve também ser acrescido o nome da pessoa que, diz a lei, “não deve suscitar dúvidas sobre o seu sexo” (CRC, art. 103º nº2a), e que, por si só, a identifica, perante a sociedade, como pertencendo ao sexo feminino ou masculino.”


Pelos vistos não fui só eu que tive dúvidas sobre o “sexo” ou o “género”. Enfim, coisas simples tornadas complexas.

Portugal, 10/6/2009

Luis de Camoes

O dia 10 Junho, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas é um bom feriado, porque é feriado. É um feriado de respeito até porque é quase centenário, republicano e porque se relembra que Camões morreu neste dia em 1580.
Hoje, neste dia, ouvindo as declarações solenes da praxe, ganhei uma nova referência no panorama nacional: António Barreto. Grande discurso em Santarém. Tão grande e objectivo que deixou os participantes da cerimónia algo incomodados. Extremamente acutilante sobre o estado do País, disparou sorrateiramente sobre os presentes e ausentes, lembrando-lhes que os Portugueses também precisam de exemplos. Bons exemplos que deveriam vir das esferas superiores. Exemplos inexistentes ou insuficientes na Justiça, na Educação, na Política e em todos os outros planos de interesse nacional. O discurso de António Barreto é uma machadada violenta de objectividade e consciência do actual e real estado do País.

Nesta altura de reflexão, e porque parece que se está a tornar crescentemente uma moda, eu deixo a reflexão simples e directa de outro génio que não Luís de Camões, mas que do passado, muito me tem ensinado sobre o presente e o futuro.

“Eu digo que Portugal, nesta época em que não pode fazer conquistas, nem tem já continentes a descobrir, deve esforçar-se por ganhar um lugar entre as nações civilizadas pela sua educação, a sua literatura, a sua ciência, a sua arte – provando assim que ainda existe, porque ainda pensa.”

Eça de Queiroz, in Notas Contemporâneas, 1880

Discurso de António Barreto, 10 de Junho de 2009

Leitura obrigatório: link para o pdf disponível no Público.

Eu também acredito

Com um imenso obrigado ao Paulo Guinote e ao autor do vídeo que ainda não conseguimos identificar!

A gripe A

Estava eu a dar a minha volta pelos jornais quando reparo que a Gripe A volta à carga. A OMS vai usar o alerta máximo e aparentemente o mundo vai entrar tecnicamente em pandemia. Mas apesar da “gravidade” da doença e da situação, a OMS adverte que “isso não significa que o vírus se tenha tornado mais grave, que a doença seja mais severa ou que tenha aumentado a taxa de mortalidade”. Segundo diz o Expresso, “a política de prudência, disse (o director-geral adjunto da OMS), pretende evitar efeitos adversos, entre os quais citou restrições de viagens, fecho de fronteiras ou bloqueios ao comércio.

Esta situação da pandemia deixa-me curioso. E estupefacto. Porque, ou andamos aqui a brincar aos médicos e às enfermeiras e a Gripe A é uma doença tal como centenas de outras que para aí andam a atormentar a Humanidade, ou então é mesmo uma situação gravíssima fora do normal que pode pôr em risco a sobrevivência de muita gente.

Se isto é galopante e do mais grave que há, já que não existem mais níveis de alerta na OMS, eu pergunto-me: quando é que será necessário restringir viagens, fechar fronteiras ou bloquear o comércio? É uma questão de tempo ou de números?

A futebolítica

Apesar de haver algumas diferenças gritantes, e veja-se que nunca se ouviu falar em políticos com salários em atraso ou partidos em falência técnica, existe um paralelismo entre o futebol e a política e uma ligação quase umbilical entre os dois.
Basta considerar a constante presença de políticos em eventos futebolístos.
Mas tal como o país político, o futebol português é pobre, eminentemente corrupto (apesar de ainda se estar a tentar provar isso), com maus dirigentes e maus jogadores. Os bons jogadores normalmente vão para países mais desenvolvidos e só cá ficam os outros à espera da sua vez. É claro que existem as camadas jovens, mas tanto numa situação como noutra, são sempre muito pouco aproveitados e recorre-se quase sempre a “quem vem de fora”.
Tal como a política, o futebol está de “rastos”. Num campeonato em que os jogos são feitos praticamente deitados no chão, parados e com tantas faltas, raramente se marca um golo na marcação de um livre. No entanto, sempre que se vai marcar um livre, os (poucos) adeptos entram em histeria como se fosse um penalti. Parece mesmo que o golo é iminente e só falta festejar. Inevitavelmente a bola lá vai para fora e toda a gente protesta, dizem que o jogador não presta, chutou para fora do estádio e que devia ter sido outro a marcar o livre. Mas o mais grave é que dois minutos depois, o árbitro marca outro livre e toda a gente volta a ficar expectante para festejar golo… mas o mau jogador chuta novamente para as nuvens! E isto continua sempre a acontecer. É um jogo inteiro assim. É um campeonato inteiro assim. E é sempre assim. Assim como na política. É só pólvora seca. Parece que vai acontecer alguma coisa, mas depois não dá em nada.
É inacreditável a parecença do futebol com a política portuguesa.  Até as eleições são feitas na mesma altura. Parece combinado. Se calhar é por isso que alguns passam de um lado para outro. Políticos que se tornam dirigentes futeboleiros e vice-versa.
E apesar de haver uma míriade de clubes, são sempre os mesmos dois a ganhar. E não querendo que mais ninguém ganhe além deles, vêm sempre dizer que a competição é muito importante para melhorar a actividade desportiva. Na política é igual, e assim que perdem, disparam em todas as direcções dizendo que a governabilidade está ameaçada se a sua hegemonia for interrompida.
Também se ouve falar muito daqueles que mudam de clube e que são “vira-casacas” e “peseteros”: passam do PCTP/MRPP para o PSD, passam do PCP para o PS… é uma questão de mudar para plantéis que permitam voos mais altos e ganhar outro tipo de troféus…

Noutra perspectiva, a política está invadida de futebol. Veja-se por exemplo, Vital Moreira a reclamar “falta” no comício em que participou juntamente com a CGTP. A CGTP veio a público dizer que foi apenas carga de ombro e que foi Vital Moreira a provocar o contacto. Aliás, esta é uma táctica muito conhecida nos meios futeboleiros. Chama-se “entrada à Soares” e consiste em “colar-se” a um adversário já com um cartão amarelo para provocar a sua expulsão.
Ainda agora, no apuramento para as “Competições Europeias”, o que mais se ouviu foi que fulano em vez de levar cartão amarelo deveria era ter levado cartão vermelho. Até as declarações são as mesmas. “O responsável por este desaire, sou obviamente eu!”, isto foi o que disse Vital Moreira e são as palavras que Carlos Queiroz já vai ensaiando.

Agora também, tal como os clubes que reclamam constantemente da arbitragem, são também os partidos a reclamarem com o Banco de Portugal e exigirem a demissão de Vitor Constâncio por não resolver os problemas noutro tipo de “arbritragem”. E tal como no futebol, uns jogadores levam com processos sumaríssimos, outros não levam com nada e saem incólumes de todas as situações.

Depois, existe também o lado obscuro das “campanhas negras” e “trabalhos de bastidores” nas duas actividades e o consequente envolvimento dos tribunais para clarificar as situações. Não há ano que passe em que não existam dirigentes envolvidos em polémicas e escândalos envolvendo compras fraudulentas de terrenos, construções ilegais, pagamentos por “baixo da mesa”, falsas ou não-entrega de declarações de rendimentos, escutas telefónicas incriminadoras, desvios de dinheiro, tentativas de corrupção activa e passiva, abuso de poder, etc, etc. Todos os dirigentes negam sempre todo e qualquer envolvimento em actividades ilegais e nos tribunais nunca se consegue provar nada, e até se consegue provar exactamente o contrário, apesar de ninguém acreditar. Ou então, os processos prescrevem.
Falando de elementos externos: uma palavra para a comunicação social. Tal como no futebol, também na política, conforme os interesses instituídos, uns optam por apoiar descaradamente uma facção, tentando prejudicar o máximo possível o outro lado, evocando sempre uma neutralidade e imparcialidade sem mácula.

Internamente, tanto uns como outros, só falam de estratégias e mudanças de equipa técnica. Sócrates, pelos vistos, escolheu mal o avançado para estas eleições. Manuela Ferreira Leite foi altamente elogiada pela escolha do possante meio-campista Paulo Rangel para o ataque à Europa. Louçã e Jerónimo continuam a fazer o papel de “Portugal” nas competições internacionais: de vez em quando até surpreendem e sobem ao pódio, mas toda a gente sabe que nunca vão ganhar nada. E Portas… bem, Portas tem a sorte de não existir uma 2.ª Divisão na política… No entanto, Sócrates já disse que não vai mudar de tácticas porque sabe que tem uma boa equipa que lhe pode permitir ainda ganhar o Campeonato. Não se pode ganhar todos os jogos e este foi um jogo à parte e não tem nada a ver com o Nacional. Eu sinceramente até acho que Sócrates daria um excelente treinador. Tem gerido e aguentado muito bem uma equipa quezilenta, que gosta de malhar em todas as direcções. Não é fácil. E no caso das Europeias, fez-me lembrar aqueles treinadores que põem em campo a pior equipa para jogar um desafio sem grande importância, salvaguardando os pesos-pesados para o que mais interessa: o Campeonato! Veremos se estou errado. Espero que Sócrates também esteja.

E finalmente, de há uns anos para cá, as duas actividades sofrem do mesmo mal: ninguém aparece para participar no espectáculo! Constantemente aparecem os dirigentes e responsáveis a pedirem uma reflexão sobre o assunto e opinadores profissionais a explicarem o porquê desta situação estranha, envolvendo duas das actividades que mais emoção geram neste país. Uns explicam e apontam a crise económica, a corrupção latente, os maus intervenientes e o descrédito generalizado no futebol para justificarem os estádios vazios; outros explicam e apontam a crise económica, a corrupção latente, os maus intervenientes e o descrédito generalizado na política para justificarem as mesas de voto vazias. E depois começa a nova época. Rola a bola e rola o discurso. E eu já me ponho a adivinhar: outro livre para fora…

O BPP foi à vida! E o BPN?

A proposta apresentada pelos actuais administradores do BPP é de tal foma exigente, que nos dá uma ideia dos muito milhões de prejuízos acumulados.
O Estado já lá meteu, juntamente com as garantias que deu aos outros bancos, que entraram na primeira tranche, cerca de 250 milhões de euros. No primeiro pedido de reforço dos capitais, Rendeiro tinha solicitado 750 milhões de euros o que tinha sido considerado exagerado para a dimensão do banco.
Para além de todo este dinheiro, a proposta apresentava um prazo de retorno na ordem dos 25 anos!
Não há oxigénio suficiente para um defunto destes!
E quanto ao BPN ?
Bem aí, temos a situação do BPP multiplicada por quatro, pelo menos!
O Estado já lá meteu 2 000 milhões de euros, o que dá na moeda antiga 400 milhões de contos!
São precisos mais 1 500 milhões de euros, isto é, mais 300 milhões de contos, tudo somado dá a verba astronómica de 700 milhões de contos!
Dá para construir 25 hospitais novos!
O governo manteve em lume brando o BPP até às eleições, mas agora era ímpossível adiar por mais tempo a decisão. O barril está a explodir!
Mas a decisão no BPN é muito mais dificil.Em primeiro os montantes envolvidos. Nunca por nunca o governo sonhou que íria encontrar uma situação destas num banco privado. Depois, já lá meteu uma verba que não o deixa recuar, o que implica meter o que já vimos. Mas, por outro lado, deixar cair o BPP não ajuda nada en termos de coerência. O Estado vai dizer que neste há efeitos sistémicos, mas a verdade é que o BPN só representa 2% do mercado bancário! Não colhe o argumento!
O governo vai esperar até às eleições de Outubro para tomar a decisão? O banco não aguenta e os depositantes vão começar a fazer barulho !
Bem te avisaram sapateiro para não brincares aos banqueiros!
PS: gostava era de saber a opinião do JPC da Jugular que quando eu antecipava este cenário, como muitos outros anteciparam, me respondia que eu não sabia o que era a economia real)

Berlusconi público/privado

Até onde se pode ir para apanhar um mentiroso? E quando o mentiroso é Primeiro Ministro e um dos homens mais ricos de Itália? E, quando, além disso, controla grande parte da Comunicação Social do país?
É lícito fugir ao cerco e publicar umas fotos num jornal de outro país?
E se essas fotos forem de umas garinas, frescas e nuas à volta de uma piscina privada?
Se tudo isto me acontecesse a mim estava muito mal. Mas assim acho bem !
Afinal este senhor de meia idade não se mostra sempre muito incomodado com a prostituição ? Não anda sempre de braço dado com as posições do pequeno mas poderoso Estado vizinho, sobre matérias como o aborto, o casamento gay e tudo o que atropele a imagem de “pater famílias”?
Só é pena que as fotos não o tenham captado em plena função, não vá todos os seus jornais e televisões apregoar que “estavam a banhos”.

McDonald's Quizz

Não, não é o novo batido da Mcdonald’s. Até porque na McDonald’s não gostam de ideias de outras pessoas. É só um passatempo.
Uma destas frases está errada. Qual será?

A – Faz 60 anos que a McDonald’s substituiu as batatas fritas “de pacote” pelas típicas “french fries”.

B – Faz 50 anos que foi aberto no Wisconsin, o 100.º “restaurante” McDonald’s.

C – Faz 40 anos que o logo da McDonald’s atingiu a forma definitiva com os dois arcos amarelos.

D – Faz 30 anos que apareceram os primeiros Happy Meals para a criançada.

E – Um dia, a McDonald’s vai entrar em colapso financeiro.

F – A McDonald’s tem mais de 450.000 empregados.

G – O documentário “Super Size Me” é um bom documentário.

Onde está o dinheiro ?

O Ministro das Finanças, depois de duas tentativas falhadas de fugir aos depositantes do BPP, teve de dar respostas. E deu ! Uma delas é pasmosa!
Que os depositantes deveriam dirigir-se à Administração do BPP e pedir o seu dinheiro e não ao Ministro das Finanças! Correctíssimo!
Mas então onde está o dinheiro que o Estado, aos Milhões, lá meteu? Esse dinheiro que não serviu para pagar aos depositantes, foi parar onde? Às mãos de quem?
Não seria um acto de transparência democrática, o Sr Governador do Banco de Portugal, vir publicamente mostrar onde foi aplicado o dinheiro que o Estado injectou, quer no BPP, quer no BPN?
O dinheiro serviu para pagar aos grandes accionistas? Para pagar aos grandes depositantes? Para pagar aos grandes credores nacionais e internacionais?
Até quando o nosso dinheiro é utilizado sem nos darem uma explicação ?
Para os grandes credores dos bancos não são as Administrações que dão respostas , é o Estado e o nosso dinheiro?

O homem que viveu duas vezes

Já todos ouvimos e conhecemos histórias tristes, dramáticas, curiosas e engraçadas do funcionamento da nossa administração pública. Até já teremos sido alvo de algumas delas. Mas há umas mais ridículas que outras.

A que o JN hoje apresenta é das mais absurdas que tive oportunidade de ler. Ainda por cima porque deixa uma série de questões em aberto e a necessitar de resposta. Eis a história do homem que vive pela segunda vez,contada pelo JN.

(Notícia do JN, de 08 de Julho de 2009)

Soube pelo banco que estava "morto" e descobriu no Registo Civil que estava "enterrado" num cemitério de Lisboa. Um erro do Ministério da Justiça tirou a pensão a Álvaro Pereira Duarte, de 63 anos, morador na Trofa. Que está vivo, bem vivo.

O engano está a ser rectificado. "Eu estou vivo, estas coisas não deviam acontecer", afirmou, ao JN. No Registo Civil de Famalicão, onde nasceu, mostrou o atestado de residência assinado pelo presidente da Junta e escreveu o próprio nome num papel para comprovar a assinatura. E, depois de inúmeros telefonemas para Lisboa, asseguraram-lhe que tudo estaria tratado dentro de 15 dias. "A minha sorte foi o banco estar atento e ter-me alertado, senão eu ia lá chegar e não tinha dinheiro", desabafou Álvaro Duarte, que mora há seis anos na Trofa, com a mulher, Maria Goretti Silva.

Na tarde do passado dia 28 de Maio, o reformado recebeu o surpreendente telefonema do banco (BES), informando-o que lhe iam transferir o dinheiro das contas para a Segurança Social, porque estava "morto".

"A Segurança Social deu a ordem ao banco e eles acharam estranho eu estar morto e haver movimentos de conta através de multibanco. Ligaram-me", contou Álvaro Duarte. "Disseram que estavam a tirar-me o dinheiro das pensões porque eu estava a receber sem ter direito, dada a minha condição de falecido", acrescentou. Teve que esclarecer que estava vivo. E, sublinhou, o banco prontificou-se a ajudar.

"Uma senhora da Segurança Social ligou-me e disse que eu tinha que mandar a certidão de nascimento, sem o óbito, e a fotocópia do bilhete de identidade", referiu.

Preocupado, foi até ao Registo Civil da Trofa, para consultar a própria certidão de nascimento. O documento atestava que ele, Álvaro Pereira Duarte, nascido no dia 9 de Outubro de 1945, em Famalicão, tinha morrido a 27 de Fevereiro de 2009 e estava enterrado no cemitério de Benfica, em Lisboa. Em seguida, passou três horas na Segurança Social. "A senhora ligava para Lisboa e passavam a chamada para muita gente antes de chegar a quem realmente me podia ajudar", contou.

Ao JN, a Segurança Social disse o mesmo que tinha dito a Álvaro Duarte: "A pensão de velhice antecipada do senhor Álvaro Pereira Duarte foi cessada em Junho de 2009, por motivo de falecimento, conforme comunicação electrónica recebida do Ministério da Justiça".

Detectado o erro, estão a ser efectuadas diligências para corrigir o registo civil e processar a pensão devida no mais curto espaço de tempo possível.

Ainda assim, há pormenores que Álvaro Duarte continua a não perceber: "Por que razão não contactaram a minha família a avisar do meu suposto falecimento e por que é que vieram tirar-me o dinheiro da pensão três meses depois?"

Berlusconi público/privado

Até onde se deve ir para apanhar um mentiroso? E ainda por cima um mentiroso que é Primeiro Ministro e um dos homens mais ricos de Itália?
Um homem poderoso que controla grande parte da comunicação social no país. É legítimo que para fugir a este controlo se encontre refúgio num jornal de outro país, longe da censura?
Pessoalmente, acho que é completamente legítimo fazer tudo para fugir à bota cardada da prepotência e da arbitrariedade!
E, quanto ao fotografar doces e jovens donzelas, ao sol, junto de uma piscina, acompanhadas por homens de meia idade em pelota numa quinta privada?
Se fosse eu que sou de meia idade, mas não ando em pelota e não tenho piscina, achava mal. Mas assim acho bem !
O Berlusconi não é aquele tipo muito incomodado com a prostituição, sempre de braço dado com o pequeno mas muito poderoso Estado vizinho, no que diz respeito ao aborto, à eutanásia, à imigração, aos gays ?
Só é pena é não lhe terem tirado uma foto em plena função, não vá ele dizer que “estavam a banhos…”

Soares e Freitas, o bem e o mal e a vitória de "Buterres"

Em dia de eleições trago à memória dois episódios que à luz de hoje, me fazem sorrir.
Em 1986, então com 12 anos, participei no comício de Mário Soares na Avenida dos Aliados. Nessa altura, a “pequena” avenida encheu até deitar por fora: para mim a coisa era simples: o Soares era bom e o Freitas era mau. O Soares era fixe e o Freitas não. Quem diria que hoje, 23 anos depois, estarão os dois de telemóvel na mão a dar os parabéns ao “inginheiru”!

Em 1995 eu e um grupo de amigos, todos de Rio Tinto, fomos literalmente, os primeiros a chegar à Avenida para festejar a vitória de Guterres (durante uns tempos pensei que o homem se chamava Buterres, mas era excesso de água da piscina nos ouvidos), depois dos anos do Prof. Cavaco. Em fotografia do JN (prometo mostrar aqui quando a reencontrar) para a posteridade mostrava mais uma vez a simplicidade da análise. O bem e o mal.

Para o melhor e para o pior, hoje é tudo mais complicado e mais confuso… Do Guterres, nem sinal. Soares e Freitas partilham as mesmas pantufas e, quiça, até a botijinha da água quente. Cavaco parece de esquerda…

Será isto a memória? Olhar para trás e parecer tudo tão estranho?

Nota: desde os meus 18 anos, votei sempre! Para todas as eleições. Perdi sempre.

Para a urgente eliminação dos Paraísos Fiscais, assina

A CGTP tem disponível para subscrição uma petição para a urgente eliminação dos Paraísos fiscais!

Carvalho da Silva, Secretário-geral da CGTP

Carvalho da Silva, Secretário-geral da CGTP


Alguns dos acontecimentos da crise actual, como a falência de bancos, as fraudes em larga escala, como a de Madoff, têm como palco os paraísos fiscais (PF).

Muitas organizações nacionais e internacionais, incluindo a OIT e os sindicatos, diversos especialistas económicos e académicos chamaram a atenção para os perigos eminentes da “economia de casino” a qual é inseparável do agravamento das desigualdades sociais, da pobreza e da insustentabilidade do modelo económico e social seguido.

Ainda que as causas da crise sejam complexas e tenham várias nuances, não é menos verdade que um dos mecanismos essenciais utilizados, em especial empresas do sector bancário e financeiro e multinacionais, tem sido o recurso a paraísos fiscais. A actual crise financeira aí está para comprovar a viscosidade e a completa falta de transparência de muitos activos de instituições bancárias, e a própria impossibilidade de os auditar adequadamente pelas ligações existentes com os paraísos fiscais que constituem uma autêntica muralha para o apuramento das situações patrimoniais reais de muitas organizações bancárias, financeiras, seguradoras, bem como de outras actividades económicas

Estimativas de especialistas apontam para uma concentração de 26% da riqueza mundial – 31% dos lucros das empresas multinacionais americanas – nesses PF (com apenas 1,2% da população mundial), cujas actividades estão reconhecidamente associadas à economia clandestina, à evasão e fraude fiscais, ao crime organizado, à lavagem de dinheiro e a muitas outras práticas ameaçadoras da estabilidade mundial, como os negócios da droga e do armamento.

As regras e recomendações de organizações como a OCDE ou a União Europeia – no essencial quanto à partilha de informação por parte dos Estados – têm tido resultados muito mitigados e muito pouco se tem avançado para a eliminação dos PF.

A CGTP-IN, e outros sectores da sociedade, ao longo dos últimos anos, têm posto em evidência a necessidade do combate à fraude e evasão fiscais e da eliminação dos PF, em particular a zona franca da Madeira, que no essencial tem servido para proteger os interesses do sector financeiro, viabilizando taxas efectivas de IRC para os bancos muito abaixo das taxas legais que seriam obrigadas a pagar. Embora se reconheça que foi percorrido algum caminho no combate à fraude e evasão fiscais, a verdade é que existe ainda muito a fazer para trazer mais equilíbrio e justiça ao nosso sistema fiscal, em que reconhecidamente, são apenas os rendimentos do trabalho que contribuem para o grosso das receitas fiscais.

Os escândalos do BCP, e mais recentemente do BPP e do BPN, evidenciaram práticas relacionadas com empresas sediadas em PF e a existência de diversos crimes – muitos deles ainda em investigação -, que lesaram muitos clientes e accionistas e penalizaram a generalidade dos cidadãos na sequência de muitas centenas de milhões de euros colocados pelo Estado em algumas dessas instituições e pagos por todos nós.

Neste contexto, faz todo o sentido, na defesa do interesse geral, dos interesses dos trabalhadores e do desenvolvimento do país, que se coloque aos decisores políticos e à sociedade portuguesa em geral a urgência da eliminação dos PF no território nacional. Não basta defender esta medida a nível europeu quando, simultaneamente, nada a faz no plano nacional. A persistência da crise e o debate acerca da urgência de uma eficaz regulação do sistema financeiro exige-o.

Os subscritores desta petição consideram que é altura das forças políticas e sociais apresentarem compromissos e propostas para a urgente eliminação dos paraísos fiscais.

Assinar

Rola a bola

Por amor à Pátria!

Por amor à Pátria!

Neste momento há um grupo de Tugas na Albânia! Lá, onde a geografia física lhe chama europeu, mas a geografia humana lhe chama africano está um país que tem passado ao lado do futuro, teimosamente agarrado ao passado.
Não sei muito sobre a Albânia, mas sobre a sua equipa de futebol, sei ainda menos. São dos que há uma dúzia de anos levavam às dúzias. São dos que juntinhos, bem juntinhos não dão para uma chuteira do CR7, para uma madeixa do Simão e, digo eu, para o creme da borbulha do Deco.
Para evitar a Sinédoque (penso eu de que), não iria chamar Portugal à equipa de futebol que representa Portugal. Trata-se antes de um conjunto de meninos mimados à espera de um contrato melhor que procuram servir-se da camisola em causa própria.
São poucos, muito poucos, os casos dos actuais jogadores que, no mínimo, fazem na selecção o que fazem nos seus clubes.
É por isso que daqui a noventa minutos, mais coisa menos coisa, estará o país a fazer contas a menos uma vitória.
Eu por mim, vou ligar a Playstation, colocar o singstar junnior e cantar a Minie, o Mickey e talvez o Patinhas, no caso de ele não ter sido apanhado nesta coisa do BPP!

Nota: mas que diabo pode levar um Homem como o Carlos Q. a deixar o melhor clube do mundo para vir treinar Portugal?

Disseminação de boatos…

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Existe um tipo de “notícias” que deixam no ar a dúvida se são boatos, pura invenção para ocupar aquele espaço vago na paginação do jornal ou porque não havia nada para dizer e tem que se dizer alguma coisa:

Correio da Manhã – 26 Maio 2009 – 15h23
Supostamente responsável pelo sector de comunicação internacional da rede terrorista
– Polícia brasileira detém líder da Al-Qaida

A Polícia Federal brasileira informou esta terça-feira a detenção de um alegado membro da alta hierarquia da rede terrorista Al-Qaida, supostamente responsável pelo sector de comunicação internacional da organização terrorista, em São Paulo.
Ainda não foram avançados detalhes da operação sigilosa, resultado de uma acção iniciada há cinco dias, com a participação de agentes do FBI dos Estados Unidos. A Polícia não avançou se o suspeito detido planeava acções terroristas no Brasil.”

Eu interpreto assim: Um desconhecido, alegadamente ligado à Al-qaeda, supostamente um dos líderes, provavelmente responsável pela comunicação do grupo, que não se sabe se ia fazer alguma coisa, foi preso no Brasil com ajuda do FBI, mas não se sabe como. Palmas para o Correio da Manhã. Palmas para as não-notícias. Não entendo isto. Provavelmente esta “notícia” morre aqui, à nascença. Com alguma sorte, daqui por seis meses, corre o boato que o FBI tem o Bin-Laden preso em segredo no Brasil! E nunca ninguém irá perceber como nasceu.

Os boatos sempre me intrigaram. Segundo o Dicionário Koogan Larousse, boato é uma notícia falsa ou uma notícia não confirmada sem origem conhecida que cai em domínio público. Num mundo notoriamente evolucionista que pôs de parte as teorias da geração espontânea, o boato é assim um facto inexplicável. Até certo ponto, diga-se, porque em alguns casos a origem da disseminação de um boato torna-se conhecida. Notei isso há pouco tempo, quando li que o conselheiro de Gordon Brown para a imprensa, se demitiu devido à disseminação de boatos. O ilustre desconhecido Damien McBride fabricou uma série de notícias com sexo, drogas e vídeos, envolvendo o líder dos Conservadores, David Cameron, que teria a imprensa como destino final. Segundo o Expresso, a coisa correu mal, porque o blog Guido Fawkes denunciou a situação quando interceptou os e-mails com os boatos anexados. Os blogs como up-grade ao 4.º Poder! O boato sempre conseguiu ver a luz do dia, mas foi para o sítio errado! Afinal, está sempre alguém atento… é o outro lado do Big Brother…
Admira-me a nossa comunicação social não ter dado grande cobertura a uma situação destas, visto hoje em dia se falar tanto em “campanhas negras” criadas com intuitos políticos, denúncias anónimas, fabrico e manipulação de informação, atraso ou retenção de notícias e afins. O próprio Gabinete da Propaganda do Governo poderia ter aproveitado a oportunidade para vir a público dizer: “Estão a ver? A nós fizeram-nos o mesmo! Eles inventam coisas e mentem sobre o Freeport e outras calúnias, só para nos prejudicarem, mas é tudo falso! É uma cabala montada contra nós!” Bem, já perderam a oportunidade para isso! Deviam estar mais atentos. Ou então não é mesmo nenhuma “campanha negra”! Agora estamos em eleições, por isso há que ser sério e não se deve falar destas coisas. É a chamada altura de tréguas e respeito eleitoral no que respeita a boatos.

Se bem que Vital Moreira criou o boato da criação de um Imposto Europeu. Em que moldes? Vamos pagar mais? Sim? Não? Como é que vai ser? Não se sabe. Quando ele souber, avisa-nos. E Almeida Santos vai até ao Imposto Mundial. Será que já está a ser “criado” um Imposto Mundial? Um Imposto Europeu? Será que isto são só boatos? Gostava era que não existissem tantos boatos…

Os boatos preocupam-me porque são o resultado de más intenções embrulhadas na mais pura falta de informação. A força de um boato resiste precisamente na combinação destes dois factores: (muita) intenção e (pouca) informação. Não contando com o boato de fim-de-rua, que se gera por vezes sem intencionalidade, os boatos “grandes”, os políticos, os da alta-finança ou os empresariais são fabricados obviamente com objectiva intenção de servir um qualquer propósito. Os boatos são o fumo de escape de um motor de manipulação em movimento. A comunicação social como principal meio divulgador da informação tem um papel importantíssimo neste processo. Dando-lhe força, ou enterrando logo ali o assunto. Arrisco afirmar que a quantidade de boatos que circulam na opinião pública são um barómetro para avaliação da qualidade da comunicaçao social e num aspecto mais geral, da própria sociedade. Hoje em dia, tudo se sabe, mas com contornos muito pouco definidos, ou seja, sabe-se muito pouco ou nada. Neste momento, correm imensos boatos em Portugal, a todos os níveis da sociedade, o que me parece ser um sinal muito mau do estado geral do País…

Mas fica a grande dúvida: será mais positivo termos pouca e imprecisa informação ou nenhuma informação?

Menos é mais

david_img18a_400 David, Miguel Ângelo

Pode parecer estranho mas foi de Mies van der Roeh que me lembrei quando li a curta história de Konstantin. O arquitecto germano-americano foi o grande defensor do minimalismo na arquitectura , optando por linhas simples e claras, sem artefactos. Ficou famoso pela descrição que fez do seu trabalho e das suas opções estéticas: “Less is more” (Menos é mais). A frase pode parecer contraditória mas exprime na perfeição as opções do minimalismo.

Konstantin, conta a revista russa “Life”, preferiu complicar. O cidadão russo, senhor de um pénis de 15 centímetros quis mais. Foi, em Fevereiro, a clínica de Moscovo e aumentou o tamanho do seu membro viril em 10 centímetros, passando para os 25. Ao contrário do que esperava, a reacção das mulheres com quem quis confraternizar não foram positivas e Konstantin quis voltar atrás.

Um mês após a primeira cirurgia, regressou à clínica para reverter a operação. Os médicos dizem que não pode ser, tem de esperar seis a oito meses para fazer nova operação, esperando que as coisas corram bem.

Konstantin foi movido pela ganância sexual. Quis mais que aquilo que a natureza lhe deu e arrependeu-se.

Mandam as ‘regras não escritas’ do mundo dos blogues que esta história tenha de terminar com uma lição de moral, como as fábulas que inventaram no passado para transmitir valores às crianças. Não me lembro de nenhuma lição. Muito menos de carácter político ou social.

Opto apenas por lembrar, de novo, Mies van der Roeh e mais uma das suas máximas que são verdadeiros tratados filosóficos: “Deus está nos detalhes”. O arquitecto era, de facto, genial.

O "abraço" de Menezes

Já teve as oportunidades todas vá lá saber-se as razões. Como secretário-geral, um desastre absoluto, aguentou um par de meses.
Não lhe chega a Presidência da Câmara de uma das maiores cidades do país. Pega-se com o colega da cidade do outro lado do Rio. Odeia o Rio que o separa e mais ainda a ponte que os une.
Mas nunca tem culpa de nada. Qual “calimero” passa a vida a chorar. Sempre de mal consigo e com os outros, incapaz de um momento de lúcidez que o leve a apoiar quem já fez muito mais do que ele.
Lá esteve a fazer o número para as camaras, o apoio sem entusiasmo, logo seguido do abandono puro e simples do candidato do seu partido.
Com um ego do tamanho dos armazéns do vinho do Porto que ,placidamente, se encostam ao rio, e que afinal são de Gaia, este homem não perde uma oportunidade de dizer mal, de querer mal.
O PSD deu-lhe tudo, o que foi uma pena, porque se perdeu um pediatra e não se ganhou nada, ou antes, ganhou-se um político em tudo igual aos outros.
Mas vai continuar a chorar, atirar as culpas para cima de tudo e de todos,
como se o partido tudo lhe deva e ele nada deva ao PSD.
A ingratidão é um sentimento muito feio!

O desespero de Vital

Esta ofensiva do PS pela voz de Vital Moreira traduz as dificuldades que as sondagens fazem prever.
É difícl perceber que o PS traga para a discussão o caso BPN, atirando-o para os braços do PSD, como se no seu quintal não haja suficiente borrasca.
Cavaco Silva já veio dar a resposta e o que diz é de uma limpidez a toda a prova. Só se estiver proíbido de ganhar dinheiro dentro da legalidade é que o podem envolver em assuntos menos transparentes.
Claro, que Sócrates e os seus vários casos, se necessário, vão voltar . Em força! Se não agora, nas próximas Legislativas e Autárquicas, o PSD já tem o pretexto para chamar “roubalheira” ao processo Freeport, e ao processo da Cova da Beira !
Por outro lado e não menos importante, a porta de saída que já era estreita, ficou agora estreitíssima , nos casos BPN e BPP! Como vai o governo explicar os milhões que já lá meteu e os que vai ser obrigado a meter? Se não meter “aqui d’elrei que me estão a roubar” gritam os clientes espoliados da roubalheira, se meter “aqui d’el Rei que me estão a roubar” gritam os contribuintes espoliados da roubalheira.
E, a verdade, é que em Outubro o governo perfaz perto de um ano da nacionalização do BPN e da regulação do BPP!
Vital pode ter falta de jeito mas não é burro.Não acordou de manhã a sonhar com o caso.Então, o que e quem, terá levado Vital a tal despautério?
O mesmo que o mandou não voltar ao assunto? Trocar “roubalheira”
por “caso” ?
As sondagens que os partidos fazem diariamente, terão a resposta!

Será que já houve o mesmo junto de João Rendeiro?

Clientes do BPP fizeram hoje uma espera ao ministro das Finanças. Queriam respostas. Compreendo o problema. Foram enganados e, se calhar, ficaram sem as economias de uma vida. É uma situação delicada. Para alguns, trágica.

No entanto, o alvo deve ser outro. Estes clientes protestaram junto do ministro Teixeira dos Santos. Querer ajuda é legítimo. Exigirem respostas já não. É que não me lembro de terem feito questões junto da administração que foi liderada por João Rendeiro. Nem tenho conhecimento de lhe terem feito qualquer espera à porta de um qualquer sítio.

Os clientes do BPP, sempre conhecido como um banco de investimentos, onde normalmente há riscos, sabem que Rendeiro não tem dinheiro para lhes pagar a todos. Esperam que o Governo do país o faça. Às custas de todos os contribuintes.

Voto obrigatório ?

Lembro-me que há muitos anos o Prof Freitas do Amaral avançou com esta ideia. E lembro-me porque foi uma das viragens mais consistentes na orientação que passei a dar ao meu voto!
Em Freitas do Amaral nunca mais votei.E no CDS tambem não.
Agora Carlos César, lá da bruma que envolve a sua cabeça medíocre, vem com a mesma conversa. Sempre que percebem que o votante não está para os aturar a tentação é grande. Dentro de cada um de nós há um ditador, e os políticos têm uma tentação maior. E perigosa!
Como muitos já disseram, no dia em que o voto for obrigatório nunca mais voto. Não votar é uma manifestação de voto como as outras opções.De igual valor. Um homem um voto. Faço do meu voto o que bem entender.
Os cidadãos têm que estar conscientes que a tentação de lhes tirar a liberdade, nestas coisas que parecem pequenas, é o ínicio para tentações maiores.
Já temos aí o “chip” para os automóveis, uma medida gravíssima para a nossa privacidade!
Vou voltar a este negócio (para alguns) de nos querem tirar a privacidade!

Isabel Saturnino – A geometria da vida*

Quando me interrogo sobre as “não decisões” que alguns tomam em nome dos “direitos” de outros, questiono-me sobre o que é na verdade um direito? E por paralelismo um “dever”.

Quando me falam no país onde vivo como o país dos normativos avançados, questiono-me se as pessoas que os operacionalizam, acompanharam as mentes criativas ( que admiro!) que os criaram.
Que percursos “divergentes”se desenharam entre as leis que criaram e os destinatários que as carregam?

Já que Agora, neste Presente que continua a ser Passado e parece querer contaminar o Futuro há crianças que vêem o seu futuro comprometido por decisões de homens que querendo ser Deuses, se afastam do seu destino de Homens Justos, que sendo homens como os outros são frágeis, influenciáveis, fruto de uma educação de um modelo, que não pode ser “ O Melhor” porque “O Melhor” não existe, o que existe é “O Possível”.

Assim, se nos fosse possível partirmos destes princípios, ou melhor destas interrogações poderíamos fazer convergir os caminhos e então diríamos….
Tudo correu bem, os homens e as leis entrelaçaram-se e foram felizes para sempre …. “E acabou a história da D. Vitória”

Aonde ficou a geometria da vida? Não ficou esquecida! Servi a entrada.

Aprendi a crescer entre triângulos e círculos. As casas, aprendi a desenha-las com um tecto. O tecto é o abrigo. As rodas rolam, caminham, imprimem um dinamismo.
As rodas enquadram-se na mesma realidade A Criança, a Família, a Rede de suporte familiar e institucional, a Cultura, a Educação, o Emprego.
Círculos contidos em círculos cada vez mais abrangentes, com um pequeno ser no meio, a nascer, a crescer. Chegou à creche, deixou a chucha, largou a sesta; foi para a escola, caiu-lhe o dente; foi para o liceu, cresceu a espinha, picou a barba, foi para outra escola ou para o trabalho, tornou-se adulto, se teve meios tirou a carta comprou o carro.

Quem esteve lá, quem o acompanhou, quem lhe deu carinho, o consolou, alimentou, o levou à escola, lhe ralhou e castigou? Quem lhe restituiu a esperança quando sofreu a primeira decepção?

Retomando o Triângulo. No vértice está uma criança, o ponto de equilíbrio é frágil! Tem um pezinho no bico, para que lado irá cair, quem a irá empurrar?
Em baixo estão duas famílias, num lado a família biológica, aquela mãe estrangeira, desenraizada do seu país, que tendo consciência da sua fragilidade, das descontinuidades possíveis no trato, decide caminhar até ao outro vértice e pedir ajuda a uma outra família.

Neste vértice, um núcleo de diversas pessoas acolhe-a, mima-a, ajuda-a a crescer.
Estas pessoas serão uma família comum portuguesa, provavelmente não tão distante da família que deu origem á mãe da menina. Provavelmente não foi o acaso que as aproximou!
Foram estes que lhe garantiram estabilidade, amor, cuidados

Um dia a mãe biológica partiu e a menina ficou. Um dia a mãe biológica quis levar a menina. Quem decidiu, segundo que parâmetros, quem ouviu as figuras para ela significativas. Não falo só da família de afecto, mas dos outros, dos filho do casal, da família alargada, dos outros que estão na escola, na vizinhança, no Centro de Saúde, numa teia alargada da rede que a sustentava.

Sei que havia outras questões a ponderar, sei que o futuro poderia não ser seguro, poderia ser também frágil, mas cabia “a quem de direito” equacionar essas probabilidades.

Agora pelo menos tenho uma certeza, o seu Presente é frágil, a sua construção é feita de hiatos, como será no futuro?
Acabo como comecei continuo cheia de dúvidas. Sinto-me naquele patamar a que alguns chamam “ dos indecisos”, e que eu prefiro apelidar “dos inquietos”

* Isabel Saturnino é assistente social.

Boas e más companhias no MPI: Um pedido de desculpas

Há alguns dias, escrevi aqui que era lamentável o aproveitamento político-partidário que estava a ser feito do Movimento pela Igualdade, que está a promover o livre acesso ao casamento pelos casais do mesmo sexo. Disse também que os promotores deste Movimento tinham conseguido colocar no núcleo inicial de subscritores cinco dos dez primeiros candidatos do PS às Europeias. Isto, por incrível coincidência!, em vésperas das Eleições.
Repito tudo o que então escrevi. Não é admissível, a sete dias de umas eleições, conseguir meter como núcleo subscritor de um Movimento metade dos candidatos da lista de um determinado Partido concorrente a essas eleições. O mesmo foi feito, de resto, na forma como se colocaram os três primeiros candidatos da lista do BE, ostracizando quase completamente o Partido Comunista.
Se queriam mesmo que essas pessoas fizessem parte do Movimento, faziam a apresentação pública depois das eleições. Não era por duas semanas que os «gays» iam deixar de se casar no futuro.
O que me faltou dizer nesse «post», digo-o hoje. O Paulo Jorge Vieira convidou-me a mim e a muita gente mais. E como é óbvio, não tem nada a ver com esta vergonha que se passou dentro de um Movimento onde há gente que quer a todo o custo, e percebe-se por quê, colar o PS à iniciativa. Guinar à Esquerda em vésperas de eleições, através das causas «fracturantes» que antes se rejeitaram, é uma estratégia inteligente.
Mas dizia eu que o que me faltou nesse «post» foi dissociar o Paulo Jorge Vieira de tudo o resto. O Paulo Jorge é puro e os seus objectivos são e sempre foram contribuir para um movimento com todas as suas forças. Não é político e não quer fazer política. É, apenas e só, o Paulo Jorge Vieira. Um amigo que, nesta questão, até não concorda nada comigo.
É por isso que lhe devo um pedido de desculpas. A ele e a mais ninguém.