É capaz de fazer sentido o dia da reflexão. Dobram-se as bandeiras, desmancham-se as tendas, dormem-se as horas perdidas. Lamentam-se as “gafes” e recordam-se os momentos de banhos de multidão.
Acalmam-se os ânimos.Dá tempo para almoçar em família e fazer um telefonema ao adversário.
É uma espécie de repouso do guerreiro. O político só vai despertar com os resultados, embora as sondagens há muito que o deixou perto da realidade. A probabilidade das surpresas é muito baixa. Talvez quem ande ali na zona ” do sobe e desce” (o João Paulo já deixou aí um texto muito bom).
Para os eleitores, o dia de reflexão é apenas um dia de menos barulho e com as televisões a reporem as telenovelas no horário habitual. E este ano até tem um jogo de futebol da selecção. Quanto ao voto, logo se vê. Ou já está pré-definido ou “o coração balança”. Uma última conversa em família e não se pensa mais nisso. E se a praia estiver dia sim, há menos gente e no restaurante nem é preciso esperar.
Os jornalistas vão deixar de fazer as perguntas de sempre, os comentários para abrir o jornal, e as notícias ao lado da bandeira partidária.
Os repórteres aqui do Aventar seguiram sagazmente os seus candidatos. Se “eles” não falavam das matérias com interesse falavamos nós. Eu passei a vida a dar porrada no PS e a chamar a atenção dos gays para as minhas opiniões. Mas a minha função era seguir o CDS! Falei deles quando os encontrei e tratei-os pelo nome Paulo e Nuno! Dá uma de “tu cá, tu lá” .
Devolvidos à redação, os repórteres Aventar, já marcaram o seu dia de reflexão em conjunto.
Dia 27 de Junho na Maia! OH! Fernando, atem-te pá!
O dia da reflexão no Aventar
A adopção gay
Creio que, na adopção, o mais importante de tudo é que os adoptantes sejam pessoas boas. Bem formadas, bem estruturadas afectivamente, com condições materiais suficientes para dar aos adoptados um bom nível de vida.
Ora, estas características podem ser encontradas, tal como no resto da sociedade, na comunidade gay. Há gente boa, gente interessada em proteger as crianças. Como tal, não parece que a orientação sexual seja elemento decisivo.
Dir-se-á que o ambiente de uma família gay, onde falta um dos sexos poderá, no mínimo, baralhar a orientação sexual da criança, ainda em formação. Nada que não possa ser explicado, acompanhado com calor e carinho.
O pior de tudo são os “armazéns” de crianças, vítimas da burocracia, do funcionário que entra “às 9 e sai às 5”, da irresponsabilidade e da voragem de muito tarado travestido de “pai de família”.
Sou pela adopção de crianças por casais gay, verificado, tal como para os casais hetero, aquele pressuposto maior que é o carácter das pessoas.
Aí está, um objectivo social e pessoal de efeitos muito mais importantes que certas reinvindicações cujo alcance não atinjo.
Não se arranja uma prova de automóveis?
A Avenida da Boavista, no Porto, uma das artérias com maior volume de circulação, está a entrar em obras. Não na sua extensão total mas apenas num pequeno troço.
Serão obras promovidas pela Águas do Porto e pela autarquia e vão durar até 8 de Agosto, mais de dois meses.
As obras até já deveriam estar implementadas no terreno mas o jornal Público (link não disponível) conta que não estão porque os técnicos ainda procuravam “decidir por onde passará a conduta” que as Águas do Porto vai instalar ali. Se assim for, ficamos a saber que a entidade municipal que gere a rede de abastecimento público não sabe planear obras. Vai vendo…
Na carta que enviou aos moradores da zona, entretanto, a Câmara do Porto anunciou que “vai aproveitar esta obra para “fazer uma pequena intervenção que melhore um pouco as zonas mais degradadas” da artéria”. Obras a sério, que a avenida necessita, nem pensar.
A autarquia justifica esta opção por “não estar decidido por onde passará a futura Linha Ocidental do metro”. Uma explicação estranha, quando é já sabido que a linha irá seguir pela Rua do Campo Alegre. E com a concordância da edilidade.
Mas se não fosse isto, seria por outro motivo. Ainda segundo a explicação dada ao jornal por fonte da autarquia: “é necessário um projecto de arquitectura, um projecto de engenharia, um concurso público, uma cabimentação orçamental e, talvez, algumas reclamações pós-concurso, senão mesmo umas providências cautelares. Muitos, muitos meses…”.
Enfim, uma chatice. O melhor mesmo era nem fazer nada. Evitávamos a maçada de ter de trabalhar, de planear, de executar e, claro, de pagar.
Aos moradores da área, sobretudo, e demais utilizadores da via resta pensar se não haverá uma qualquer prova de automóveis que se possa fazer em toda a extensão da avenida. Talvez assim o problema ficasse resolvido.
Gays, boa forma de acabar com o PS
Raciocínio muito simples:
1. Deixem que todos os homens que queiram casar com homens, o façam…
2. Deixem que todas as mulheres que queiram casar com mulheres, o façam…
3. Deixem que todos os que queiram abortar, abortem sem limitações…
4. Em duas gerações, deixarão de existir socialistas.
Pois é, se calhar é preciso mesmo que haja procriação, homens e mulheres casados entre si, crianças…
O problema é que já há quem esteja de pé atrás com este súbito interesse do PS. Afinal, a discussão “fracturante” e o “movimento” estão a ser usados como arma política. Cinco dos dez primeiros apoiantes do “movimento” (expontâneo ?) são membros do PS e, coincidência das coincidências, concorrentes a deputados europeus nestas eleições nas listas do PS!
Os mentirosos apanham-se depressa. Mais depressa que a um coxo diz o nosso povo, que felizmente olha para isto tudo com o saber habitual. Não vai votar !
Eu ando aqui a tentar perceber porque é que o casamento desperta tanto interesse em certas pessoas muito amigas da comunidade gay.
Como ninguem me explica defendo o casamento que é uma célula muito importante da sociedade. Casamento que já foi o “inferno” para as mesmas pessoas que nunca o quiseram, mas que o defendem agora como o supra sumo da felicidade terrena!
E depois eu é que sou homofóbico! Talvez mude se o PS me der um lugarzinho nas listas para deputados. Parece que é assim que funciona, ali para o lado do Rato.
Marinho Pinto – até que a voz lhe doa
” Fui eleito com um programa sufragado pela classe.Os meus críticos, que perderam, querem a todo o custo, que o meu programa não seja levado à prática.”
Esta frase pôs KO todos os críticos. Foi certeira como um soco do Tyson.
De um lado “os descamisados” do outro os “grandes gabinetes”. “Os três maiores gabinetes de advogados deviam ser sempre convidados pelo Estado!” Ao menos o Miguel Júdice diz ao que vem. A luta perdida pelos grandes escritórios na eleição do bastonário trava-se agora dentro da Ordem.
É uma boa imagem do país que temos. Corporativo, preso aos interesses de meia dúzia que há muito controlam o Estado e a Alta Administração Pública. Os grandes escritórios representados em todos os governos por um ou mais do que um dos seus elementos, estão lá por si mesmos e pelos seus clientes, eles tambem os grandes beneficiários das grandes obras públicas e dos negócios feitos à sombra do Estado!
A luta de desgaste vai continuar.O bastonário já se queixou que a sua família anda a ser investigada.
Que fale até que a voz lhe doa, mesmo que aqui e ali desafine.Mas ele é só bastonário, não tem que ser perfeito !
Casar só serve para procriar?

Se fosse verdade que o casamento só serve para procriar, colega e amigo Luis Moreira, não havia casais que expressamente não querem ter filhos. Nem havia velhotes a casar-se. Nem havia inférteis e impotentes a casar-se. Digo eu, que casei e não tencionava ter filhos, embora por um feliz acaso tenha tido uma (linda!).
Outra coisa: por que razão é que o facto de haver homens que desejam casar com outros homens incomoda tantos alguns heterossexuais? Será que isso diminui a sua masculinidade?
O bom, o mau e o vilão
Gosto do anúncio. A música calma e tranquilizante. A leve brisa que percorre ao de leve os cabelos sedosos do condutor. O olhar para o futuro. A calma que transpira dos campos. O belíssimo pôr-do-sol. O sorriso confiante a quem foi transmitido o valor da tradição. A ligação do passado com o presente. O valor da amizade e dos amigos. O percorrer da auto-estrada como uma parábola do percurso de vida. A felicidade em câmara lenta…
…só é pena a Texaco estar a ser processada por 30.000 equatorianos, porque durante 20 anos – alegadamente – despejou toneladas de petróleo na floresta amazónica. A Amazonwatch denuncia a situação desumana. A Texaco entretanto foi adquirida pela Chevron e esta arrisca-se a ter de pagar uma indemnização recorde de 27 mil milhões de dólares. Esta era uma boa oportunidade para mostrar mão firme neste tipo de crimes, independentemente de quem é a culpa ou quem está envolvido. Mas não! Paga-se uma multa. Sendo provada a culpa em tribunal e a ser verdade, e já que agora está na moda, porque não uma nacionalização à bruta? Só para mostrar que isto é inadmissível. Só para mostrar que isto não quer dizer: “Preciso de fazer dinheiro, portanto, QUANTO É QUE CUSTA DESTRUIR ISTO TUDO?”. Em Outubro, os tribunais pronunciam-se pela primeira vez sobre este mega-processo. Provavelmente a primeira de centenas de vezes que o tribunal se irá pronunciar! É o normal neste casos “complexos” envolvendo empresas “complexas”. Mas eu aposto que tudo isto foi uma falha de um único funcionário local pouco qualificado…
Procriar é mais importante do que fazer sexo

Eleva-se ao rídiculo a procriação, como se houvesse futuro sem casamento entre um homem e uma mulher.
Corre um vídeo completamente esclarecedor quanto a este facto. Dentro de 50 anos, 30% dos jovens com menos de 16 anos serão muçulmanos.
Quando chegar este tempo que se anuncia, os gays passam a ter os direitos todos! Sem mãos e a maioria sem cabeça!
Como o Adalberto bem adverte em post aqui publicado, numa sociedade muçulmana os gays pura e simplesmente não têm direitos, não existem.
A população só cresce se a taxa de natalidade for de 2.1, aguenta-se se a taxa de natalidade for de 1.8, e diminui a prazo se for inferior a 1.6. Ora nos países ocidentais a taxa de natalidade é de 1.3!
Enquanto isso, a taxa de natalidade dos países Árabes e da população muçulmana que vive na Europa, ronda os 4.0!
Já vivem entre nós 52 milhões de muçulmanos, o que quer dizer que lá para 2030 teremos uma população muçulmana com suficiente dimensão para impor a sua forma de viver!
kadafi, esse gay assumido num país árabe, já veio dizer que “a palavra do profeta vai cumprir-se” e que “não são necessárias nem a espada nem os jovens suícidas, basta esperar que o tempo faça o seu trabalho”!
Eu espero que a comunidade gay perceba que da mesma forma que lutaram pelos seus direitos fundamentais, a sociedade tal qual a conhecemos não pode servir de troca a fundamentalismos!
A família é a célula estaminal da sociedade, com homem, mulher e filhos!
DESASTRE
AIRBUS
Sem se saber absolutamente nada, sem dar qualquer sinal a não ser um alerta automático, um airbus A 330, igual ao da fotografia, desapareceu. Pura e simplesmente desapareceu.
Ninguém percebe, ninguém sabe nada. Este aparelho, em circulação desde 1994, é considerado seguríssimo.
Para já, parecem ter desaparecido, juntamente com o aparelho, duzentas e vinte e oito pessoas.
O avião da Air France, desapareceu numa zona de possíveis tempestades.
Este é um tipo de acidente que, pura e simplesmente não pode acontecer. A Airbus vai ter muito que explicar. Aos familiares dos desaparecidos nesta tragédia, e a todo o mundo por onde andam aviões deste tipo.
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Quando a morte nos chega por SMS
Que dizer e como encarar a morte que nos entra pelo ecrã do telefone sob a forma de uma mensagem? Como encarar quando algumas das mais belas palavras, como um simples mas tão importante “amo-te”, significa o fim?
Acredito que a todos nós a morte já bateu à porta. Com o seu infame manto negro e a tenebrosa foice já nos veio buscar alguém que nos disse muito. Alguém mais ou menos próximo. Um familiar, um amigo. Sabemos que é inevitável, acontece com todos e um dia será a nossa vez. Mas é inevitável sentir a dor que nos invade, um sentimento de perda que nos coloca frágeis, que nos mostra quão banal é a nossa vida e quão importante ela é.
Não sei se, de facto, alguma das 228 pessoas que estavam a bordo do aparelho da Air France, que hoje não completou a viagem entre o Rio de Janeiro e Paris, conseguiu ou não enviar mensagens de telemóvel a familiares, como contou o Jornal de Notícias brasileiro. Um ex-director geral do departamento de Aviação Civil desmentiu a possibilidade, porque o envio de mensagens por telemóvel seria muito difícil. Apesar de tudo, gostava que isso tivesse acontecido. Não porque daria contornos ainda mais dramáticos a um drama cruel, mas porque teria restado um último suspiro, um derradeiro sinal de termos sido lembrados. De alguém de quem vamos ter saudades temos, nos últimos instantes, saudades nossas.
MPI: Boas e más companhias
Como já disse aqui, tive a honra de ser um dos proponentes do novo MPI – Movimento pela Igualdade, e que tem como principal objectivo a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Agora que o Movimento foi apresentado publicamente, e que são conhecidos os 800 nomes das pessoas que o assinaram, cumpre-me dizer que é um prazer e um orgulho estar ao lado de gente tão ilustre como Alexandre Quintanilha, Ana Luísa Amaral, Daniel Sampaio, Diana Andringa, Fernando Alvim, Inês de Meneses (a da rádio), José Saramago, Miguel Moutinho, Paulo Jorge Vieira, Rui Reininho ou Sérgio Godinho.
Ao invés, lamento estar ao lado de pessoas como Fátima Lopes, a torcionária das peles, Nuno Cardoso, o coveiro do Porto, Vital Moreira, Edite Estrela, Luís Capoulas Santos, Ana Gomes ou Jamila Madeira. Quer dizer: conseguem colocar entre os subscritores do Movimento cinco dos dez primeiros candidatos do PS às Eleições Europeias, incluindo o cabeça de lista, e têm a lata de vir dizer que isto não tem objectivos político-partidários? Razão teve o «Público» ao ilustrar a cerimónia com uma foto de um comício do PS.
Se sabia, não tinha assinado.
SNS / Saúde Privada
Esta questão é fatal como o destino.Os hospitais privados estão a enviar para os hospitais do Serviço Nacional de Saúde os doentes com patologias que requerem cuidados continuados e mais caros.
Os hospitais privados tratam os doentes até ao limite do Seguro de Saúde do doente. A partir daí o SNS que pague!
Este procedimento pode ser abordado por vários ângulos.
Antes de tudo como é que um hospital interrompe um tratamento a meio, gerando graves prejuízos para o doente sem que seja demandado juridicamente? É, óbvio, que em caso de doenças prolongadas, como o cancro, o hospital sabe à partida que o tratamento não se acomoda no limite do seguro. No mínimo, seria de não aceitar esses doentes, canalisando-os de imediato para o SNS.
Depois, é tambem incompreensível que o SNS, perante um doente titular de um seguro não se faça pagar ao abrigo da apólice.Quem não tem apólice de seguro não tem que pagar nada no SNS, como é evidente.
Para os que consideram que o SNS devia dar espaço à Saúde Privada, ficam a perceber, com esta realidade, que no mínimo, SNS/Saúde Privada são complementares, e com grandes vantagens mútuas.
A Saúde Privada alivia a pressão sobre o SNS, principalmente, em cirurgia e nas patologias agudas mas este, alívia a pressão sobre aquela, em tudo o que não dá lucro e que, pelo contrário, é um gigantesco custo social.
Quem julga que a Saúde Privada pode tomar o lugar do SNS tem aqui este exemplo ! Dirão que o Estado deveria ser “financiador” e não “prestador” de serviços .E os que acreditam no papel social insubstituivel do Estado, dirão que num país pobre e desigual, o SNS é um factor poderoso de inclusão social !
Lembro-me sempre que nos USA há 40 milhões de pessoas que não têm cobertura de saúde!
Casamento gay, não!
Aqui no Aventar, cada qual pensa pela sua cabeça. Não há compromissos a não ser com a verdade, com o respeito e com a consciência de cada um. É por isso que não devem estranhar haver postes sobre o mesmo assunto com opiniões completamente opostas. É o caso do “Casamento de pessoas do mesmo sexo”! Já estive naquela de “pois sim, casem à vontade e divorciem-se tambem à vontade que é o que costuma acontecer a quem casa”.
Mas houve quem me chamasse a atenção para valores fundamentais. O casamento – diz a Lei que é entre duas pessoas de sexos diferentes – é a célula principal da sociedade tal qual a conhecemos. Não devemos deitar fora um valor social com essa importância sem razões substantivas. E não há razões suficientemente fortes. Em primeiro porque já foram reconhecidas aos gays “as uniões de facto” com todo um quadro legislativo que lhes reconhece a dignidade enquanto pessoas e prevê o tratamento adequado à propriedade! Em segundo, porque o casamento, ao prever que seja entre duas pessoas de sexo diferente, não impede o casamento de gays! Estamos todos em pé de igualdade!
O casamento deve ser protegido para que a procriação aconteça num quadro inequívoco e único. Há pessoas de sexos diferentes que procriam fora do casamento mas isso é um direito que não exclui ninguém. Depende da vontade dos próprios.
Por último, é falacioso comparar este combate ao que foi travado pelos negros para lhes serem reconhecidos os direitos humanos. É romântico, mas tambem estultícia, porque os negros não casam por ser negros, mas sim por serem homens que casam com mulheres!São argumentos que é preciso levar em conta, há muita gente que pensa assim.
E, já agora, deixo uma pergunta.E se os heterossexuais, perante a legalidade do casamento gay avançarem para a exigência de um ” casamento procriador”, os homossexuais vão ficar em desigualdade de direitos?
Estas questões sociais, jurídicas e constituicionais são relevantes!
A violação fora do Código Penal?
Há qualquer coisa de estranho a passar-se na hierarquia da Igreja Católica de Espanha. Há três dias, o Cardeal António Cañizares disse, em declarações ao canal de televisão TV3 da Catalunha, que os abusos sexuais nas escolas católicas da Irlanda são menos graves que o aborto.
Para se perceber algo mais sobre esta extraordinária, quanto absurda, declaração, há que ter em conta que o Governo de Espanha aprovou recentemente um projecto de liberalização da lei de aborto, que autorizará a interrupção da gravidez até a 14ª semana. A Igreja não gostou.
Ora, chamado a comentar o relatório sobre os crimes de abusos a menores praticados entre os anos 50 e 80 nas escolas católicas irlandesas, crimes que ficarão sem castigo, porque ninguém foi acusado, o cardeal afirmou que esses crimes são menos grave que as “milhões de vidas destruídas” pela prática do aborto.
O Cardeal Cañizares não é um homem qualquer e não é também um ministro católico comum. É padre há mais de 30 anos, bispo há mais de 17 e cardeal há mais de três anos. Um currículo invejável dentro da estrutura religiosa. Em Dezembro passado foi designado Prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, pelo Vaticano. Por norma, declarações com este peso provenientes do topo da hierarquia da Igreja Católica não acontecem por acaso.
Luís Moreira aventava que este raciocínio, que classificou de “perigoso”, é um “benzer o comportamento de sacerdotes que abusam sexualmente de crianças! Relativiza a pedofilia para branquear um comportamento frequente entre o clero, ao mesmo tempo que o aborto (que o clero nunca vai poder fazer) é remetido para a classe dos ‘pecados mortais’!”. Pode muito bem ser.
Acontece que no meio de todo o ruído que o caso provocou no país vizinho surgiu outra questão proveniente da Igreja que me deixou ainda mais intrigado. No mesmo dia, o jornal espanhol “Público” contava que uma revista (distribuída com o jornal ABC) do arcebispado de Madrid, presidido pelo Cardeal António Varela, sugeria que a violação poderia não ser um crime. Num texto assinado pelo redactor-chefe da publicação, Ricardo de la Vega pergunta se “reduzido o sexo a simples entretenimento que sentido faz manter a violação no Código Penal?”. O homem garante que não tem intenções de tratar o assunto com ligeireza mas questiona se não deveria “equiparar-se a outras formas de agressão, como, por exemplo, obrigarmos alguém a divertir-se por uns minutos”. Não contente por esta linha brilhante de pensamento, apenas ao alcance de um crocodilo, o indivíduo continua resplandecente: “Quando se banaliza o sexo, se dissocia da procriação e se desvincula do matrimónio, deixa de ter sentido considerar a violação como um delito penal”.
A besta que escreveu estas linhas não me merece muitos comentários. O seu bestial argumentário muito menos. A minha dúvida é se a hierarquia católica do país vizinho conhecia o teor do artigo. Se não conhecia, o senhor Ricardo de la Vega foi mais papista que o Papa e terá ultrapassado os limites da decência. Se conhecia e o sancionou, a coisa é ainda mais grave.
O poder da Igreja espanhola é enorme e é histórico. Por norma, as altas esferas da Igreja Católica não dão ponto sem nó. É assim em Portugal, será muito mais em Espanha. Por isso, as minhas dúvidas. O que raio se anda a passar no país vizinho?
Gaia no Guinness
Felizmente, de volta e meia, há algo na vida que me diverte. O último caso ainda está pintado de fresco. Trata-se do ocorrido com 700 comensais que se juntaram numa quinta em Gaia para jantar e, em salutar convívio, disputarem umas partidinhas do ‘jogo da roda’.
Quanto estava tudo preparado para a pitança e a jogatina, com o dinheirinho em cima das mesas, antes mesmo do petisco, eis que entram na sala 3 meliantes, disfarçados de polícias. Ripam dos envelopes que, a acreditar nas notícias, continham à volta de 1 milhão de euros, deixando os honrados convivas estupefactos e sem cheta.
Com este evento, parece-me mais do que lógico que Gaia entre para o Guinness. Com efeito, não é fácil encontrar outra localidade no planeta, onde se juntem 700 jogadores que, mesmo sem iniciar o jogo, perdem 1 milhão de euros. Nem sequer um deles ganhou um chavo e é certamente recorde mundial. Por muito que façam, nem o Dr. Luís Filipe de Menezes, nem a Dra. Ilda Figueiredo, nem quaisquer figuras destacadas do PS e do BE locais conseguirão para Gaia façanha equivalente ao absurdo de tantos jogadores juntos perderem um dinheirão sem jogar.
Tenho a confessar que, pela primeira vez na vida, estou a favor de gatunos; neste caso, apenas 3 boas almas. Venceram 700 convivas com quem não consigo ser solidário. Porém, fico tranquilo. Pelos vistos, eles também não o são consigo próprios – nem à PSP se queixaram, segundo a imprensa.
O COISO
A LOCALIZAÇÃO INDEVIDA
Já escrevi sobre este assunto em Fevereiro.
Agora e por via da d. Manuela do PSD, volto a falar dele.
A srª não gosta de chips. A srª não gosta de ser seguida por todo o lado. A srª gosta da sua privacidade. A d. Manuela tem toda a razão.
Não se sabe quem nos vai controlar, embora se saiba quem vai ser controlado. Toda a gente vai ser obrigada a ter um chipezinho na matricula e sabe-se lá, mais onde nos obrigarão a colocar um. Vamos estar num “big brother” global. Um tipo qualquer, com ou sem a devida formação moral ou outra, vai saber onde estamos em qualquer momento da nossa vida, sem nos pedir autorização para tal.
Ninguém gosta de ser seguido. Ninguém gosta de ser controlado. Não bastará já o telemóvel, que nos põe constantemente contactáveis?
A maioria dos Portugueses está contra o dito chip (nem palavra em Português temos para o coisinho).
Vamos ser o primeiro e talvez o único país a implementar tal coiso. Os outros, realmente mais evoluidos que nós, rejeitaram a ideia.
O nosso (des)governo, está a impôr esta coisita à socapa, transmitindo a ideia da inoquidade dos aparelho. Mas é tudo menos isso. Com ele, podemos vir a ser invadidos no mais profundo da nossa privacidade.
Deverá ter partes boas, como a eventualmente rápida localização do veículo em caso de roubo, mas cada um é que saberá da necessidade ou vontade da sua compra e implementação.
É inadmissível que seja genericamentge obrigatório.
Quanto muito deveria ser facultativo para o comum dos Portugueses e obrigatório para todos os governantes.
Diz-me o que ouves
Estudante do CalTech (California Institute of Technology), Virgil Griffith, decidiu promover um estudo, interessante mas sem valor científico, procurando relacionar as preferências musicais dos alunos com os seus resultados no SAT (Scholastic Aptitude Test ou Scholastic Assessment Test), um exame destinado a avaliar os estudantes e facilitar a selecção no acesso às diversas universidades. Quanto melhor os resultados, melhor as possibilidade de aceder às faculdades preferidas.
Os resultados do SAT são muitas vezes criticados e nem sempre correspondem ao valor dos alunos ou à sua inteligência. No entanto, foram os seus resultados, mais ou menos objectivos, que Virgil utilizou para o estudo em apreço.
Os dados indicam que Beethoven era o preferido dos mais inteligentes, com uma média de 1371 pontos no SAT. No outro extremo, Lil’Wayne era o preferido dos – vá lá -, menos inteligentes. No topo da lista positiva estavam bandas como Counting Crows e Radiohead, entre outros (ver imagem). Quanto a estilos musicais, não podem ser tiradas conclusões.
Se este estudo fosse feito em Portugal, como seria? Em que lugar ficariam os apreciadores de Madredeus, Mariza, Xutos e Pontapés, Deolinda, Tony Carreira e Marco Paulo? E Quim Barreiros, o campeão das festas estudantis de Maio? Seria o homem de Vila Praia de Âncora o preferido?
10.2 milhões de Euros em 6 meses
Um gestor encontra um accionista de uma empresa em má situação. Pede-lhe dez milhões e duzentos mil euros por seis meses de trabalho para lhe salvar a empresa. É legal, legítimo, ético mesmo que lhe salve a empresa ? E se não salvar?
Um advogado encontra um corrupto que está a contas com a polícia. Pede-lhe dez milhões e duzentos mil euros para o livrar da prisão. É legal, legítimo, ético mesmo que o livre? E se não livrar ?
Um médico encontra um doente que só ele pode salvar. Pede-lhe dez milhões e duzentos mil euros para lhe salvar a vida. É legal, legítimo, ético mesmo que lhe salve a vida? E se não salvar?
Afinal o que é que determina o “valor” da acção profissional? O haver mais ou menos dinheiro? Ou ter sucesso? Mas no caso do BPN não houve resultados de sucesso! E não há dinheiro ! A que são devidos os dez milhões e duzentos mil euros?
Nós, os contribuintes que temos lá o nosso dinheiro pela mão do governo, precisamos que nos expliquem, como se fossemos todos muito burros!
Movidos pela Igualdade: O texto do manifesto

Há uns dias atrás, recebi um convite que me deixou sensibilizado: fazer parte do grupo de subscritores do Movimento pela Igualdade e do respectivo manifesto a favor do casamento civil das pessoas do mesmo sexo, um movimento da sociedade civil que será lançado no domingo, dia 31, às 16.00, no Cinema S. Jorge, em Lisboa.
Pediram-me discrição, da mesma forma que pediram a toda a gente. Não era para divulgar nada até dia 31 às 16 horas – nem o texto, nem os nomes dos subscritores.
Respeitei o compromisso. Mas eis que, no «Diário de Notícias», Fernanda Câncio fez questão de revelar um grande número dos subscritores desse manifesto. Quebrando assim o que tinha sido previamente acordado com todos os envolvidos. Apetece-me dizer que é a diferença entre um r. e uma f.
Perante esta divulgação extemporânea, sinto-me livre para revelar que sou um dos subscritores desse manifesto. E sinto-me também livre para revelar o texto do próprio manifesto.
Pela atitude acima revelada e que diz tudo da pessoa que atraiçoou dessa forma ignóbil todos os «companheiros» de circunstância. Mas sobretudo porque o Paulo Jorge Vieira, que fez o convite que muito me honrou, autorizou-me a fazê-lo. Era para publicá-lo só daqui a dois dias, mas vai já hoje:
«A igualdade no acesso ao casamento civil é uma questão de justiça que merece o apoio de todas as pessoas que se opõem à homofobia e à discriminação. Partindo da sociedade civil, a luta pelo acesso ao casamento para casais de pessoas do mesmo sexo em Portugal conta neste momento com um crescente apoio político e social. Nós, cidadãos e cidadãs que acreditamos na igualdade de direitos, de dignidade e reconhecimento para todas e todos nós, para as/os nossas/os familiares, amigas/os, e colegas, juntamos as nossas vozes para manifestarmos o nosso apoio à igualdade.
Exigimos esta mudança necessária, justa e urgente porque sabemos que a actual situação de desigualdade fractura a sociedade entre pessoas incluídas e pessoas excluídas, entre pessoas privilegiadas e pessoas marginalizadas; Porque sabemos que esta alteração legal é uma questão de direitos fundamentais e humanos, e de respeito pela dignidade de todas as pessoas; Porque sabemos que é no reconhecimento pleno da vida conjugal e familiar dos casais do mesmo sexo que se joga o respeito colectivo por todas as pessoas, independentemente da orientação sexual, e pelas famílias com mães e pais LGBT, que já são hoje parte da diversidade da nossa sociedade; Porque sabemos que a igualdade no acesso ao casamento civil por casais do mesmo sexo não afectará nem a liberdade religiosa nem o acesso ao casamento civil por parte de casais de sexo diferente; Porque sabemos que a igualdade nada retira a ninguém, mas antes alarga os mesmos direitos a mais pessoas, acrescentando dignidade, respeito, reconhecimento e liberdade.
Em 2009 celebra-se o 40º aniversário da revolta de Stonewall, data simbólica do início do movimento dos direitos de lésbicas, gays, bissexuais e transgéneros. O movimento LGBT trouxe para as democracias – e como antes o haviam feito os movimentos das mulheres e dos/as negros/as – o imperativo da luta contra a discriminação e, especificamente, do reconhecimento da orientação sexual e da identidade de género como categorias segundo as quais ninguém pode ser privilegiado ou discriminado. Hoje esta luta é de toda a cidadania, de todos e todas nós, homens e mulheres que recusamos o preconceito e que desejamos reparar séculos de repressão, violência, sofrimento e dor. O reconhecimento da plena igualdade foi já assegurado em várias democracias, como os Países Baixos, a Bélgica, o Canadá, a Espanha, a África do Sul, a Noruega, a Suécia e em vários estados dos EUA. Entre nós, temos agora uma oportunidade para pôr fim a uma das últimas discriminações injustificadas inscritas na nossa lei. Cabe-nos garantir que Portugal se coloque na linha da frente da luta pelos direitos fundamentais e pela igualdade.
O acesso ao casamento civil por parte de casais do mesmo sexo, em condições de plena igualdade com os casais de sexo diferente, não trará apenas justiça, igualdade e dignidade às vidas de mulheres e de homens LGBT. Dignificará também a nossa democracia e cada um e cada uma de nós enquanto cidadãos e cidadãs solidários/as – e será um passo fundamental na luta contra a discriminação e em direcção à igualdade.»
O caso Mesquita Machado
Saldanha Sanches em “opinião” no Expresso levanta novamente a questão do património acumulado pelo Presidente da Câmara Municipal de Braga.
No seguimento de uma investigação do Ministério Público, entretanto cessado o segredo de justiça, ficamos a saber que o autarca acumulou, bem como a sua família, um vasto património não condizente com o rendimento auferido como autarca.
Esperava-se que a Administração Fiscal inicia-se por sua vez, um inquérito para saber se aqueles rendimentos, que deram origem áquele património, tiveram ao não o devido tratamento para efeitos fiscais.
Diz o conhecido fiscalista que o próprio Mesquita Machado terá todo o interesse em que tudo venha a público para que não restem dúvidas quanto à bondade da origem de tal património.
O autarca anunciou a sua recandidatura à Câmara Municipal de Braga, e porque o segredo fiscal pode ser ou não sujeito aos poderes discricionários da Administração Pública, é de admitir que o autarca possa concorrer às eleições sem estar livre da suspeita de não ter cumprido os seus deveres de contribuinte.
Não é isto razão mais que suficiente para ser impedido de concorrer em eleições que se querem livres e democráticas?
E se for eleito, temos a garantia que o inquérito seguirá os seus trâmites e que poderá ser demitido por ter incumprido?
Bom seria que MM viesse de vontade própria explicar toda esta situação!
Um bom começo para um país melhor, seria a intransigência da sociedade civil para todos estes casos de suspeitas que pairam sobre boa parte da classe política , exigindo o esclarecimento cabal de todos os casos. Infelizmente, morre tudo na partidarite aguda como se constacta na posição dos partidos conforme são ou não dos “nossos” !
As palavras mais perigosas de uma pesquisa na Internet
Faz buscas na Internet? Claro que faz. Todos fazemos. Ora, aqui vão algumas recomendações ao faze-lo. Fique a saber que as palavras e expressões mais perigosas de pesquisar na Internet estão definidas. Bom, em concreto o perigo não está em busca mas sim nos resultados.
Está à espera que a palavras mais perigosa seja “sexo”? Claro que estava. Mas não é. A mais perigosa, atendendo ao estudo da McAfee é “screensavers”. Com um risco de 59 por cento. Quem diria. E a segunda? Sexo? Não!
Tudo o que inclua a palavra “free” (grátis) tem um risco mais de exposição a aplicativos maliciosos e sites fraudulentos. O mesmo acontece em sites a que se chega com a palavra “lyrics” (letras de músicas).
O estudo teve por base as 2658 palavras e expressões mais utilizadas em pesquisas através de mais de 413 mil endereços de internet.
O CDS no Montalvão
O Montalvão é o campo de futebol onde este vosso amigo punha a cabeça em água aos defesas, em jogos de futebol com duas pedras a fazer de balizas!
Fiquei siderado quando vi o meu campo das alegrias na televisão. Grandes jogos, fugido às aulas, dava recitais de bem jogar toda a bola. De pano, de borracha era um ver se te avias, fintar, rematar, não dar a bola a ninguem, uma farturinha.
Eu morava no outro lado da cidade, mas não era isso que me impedia de passar lá o dia. A malta da bola não precisava de acertar nada. Já todos sabíamos que o céu andava perto do Montalvão, nunca faltava ninguem.
Agora está lá um Instituto para a terceira idade, parece ser uma Universidade, espero bem que de bola e desportos afins!
Já agora aproveito para dizer que o Paulo e o Nuno passaram por lá a caminho de uma residencial da terceira idade, na Covilhã!
O Banco de Portugal tem que se explicar
O Banco de Portugal custa muito dinheiro a todos nós! É um corpo de técnicos muito bem pago, muito boa gente ostenta graduações académicas e profissionais de elevado nível, não podemos aceitar que não façam o seu trabalho.
O que é que está mal no banco de Portugal?
Foi transformado num monumental Gabinete de Estudos com prejuízo da sua vertente de supervisão? As pessoas com mais responsabilidade estão nomeadas para comissões, grupos de estudo e vida académica, fora do Banco, tirando-lhes a necessária concentração nos assuntos mais importantes? É pura incompetência e desleixo? É tudo junto?
Seja o que for nada pode ficar sem que se tirem as devidas consequências!
Os actuais responsáveis têm que se demitir, há que rever o seu quadro de pessoal e as prateleiras doiradas que por lá pululam, há que foculizar no que verdadeiramente interessa à Banca e à Economia do país!
Não pode continuar a ser a caixa de ressonância do governo e das instituições financeiras internacionais.Vir fixar índices económicos já depois de todo o mundo divulgar os seus, não serve para nada. O governo faz o Orçamento geral do Estado prevendo um crescimento de PIB de 0.8 e três meses depois vem o Banco de Portugal dizer que afinal é de 3.4 negativo!
Com Portugal no quadro da UE esta vertente de Gabinete de Estudos, há muito que se diluiu e perdeu importância porque as instituições financeiras da UE estão em muito melhor posição para fazer previsões.
O Banco de Portugal tem que deixar de ser um “depósito” de sábios
para passar a ser um supervisor competente e credível!
A primeira decisão a tomar é diminuir os seus custos de pessoal, deixar de ser um “armazém” de gente muito importante que faz mil e uma
coisas todas mal, como se vê , e focar os seus meios no que é verdadeiramente importante para a banca nacional e para a economia!
Estou farto de pagar a génios que não fazem o seu trabalho diligentemente!
Perante esta vergonha tenho de me calar
Não. Mesmo que haja a queda de um qualquer Governo na Europa. Não. Mesmo que o mundo esteja para acabar, mesmo que a Coreia do Norte faça mais alguns testes nucleares, mesmo que haja um terramoto ou uma qualquer declaração disparatada na campanha para as Europeias.
Não.
Depois disto, hoje não vou escrever ou comentar mais nada.
Hoje tenho vergonha da humanidade. Não só por causa de António Cañizares mas muito por causa dele.
Cardeal espanhol relativizou abusos sexuais praticados em instituições religiosas irlandesas.
Em declarações à TV3, o Cardeal espanhol António Cañizares comparou os episódios de abusos sexuais nas escolas católicas da Irlanda com o aborto. Para o cardeal os abusos são menos graves que os aborto.
Em entrevista à TV3, o cardeal pediu perdão pelos abusos sexuais a menores praticados entre os anos 50 e 80 nas escolas católicas irlandesas. Em contraponto, afirmou que esses crimes são menos grave as “milhões de vidas destruídas” pela prática do aborto.
Para argumentar o cardeal explicou que o aborto “destruiu legalmente mais de 40 milhões de vidas humanas, quando a legislação deveria dar apoio aos direitos e à justiça.” E vai ainda mais longe quando afirma que a reforma da lei do aborto debilita os fundamentos da sociedade, porque “o primeiro direito é o direito à vida”.
O governo espanhol, pela voz da ministra da Saúde e Política Social, Trinidad Jiménez, já respondeu às declarações do cardeal, ao classificá-las de “muito graves”. A ministra acrescenta que são afirmações “irresponsáveis e inoportunas” e que não são comparáveis os casos dos abusos sexuais de menores com o aborto.
Após Dias Loureiro – e agora ?
Este caso e a renúncia de Dias Loureiro vem mostrar que em política não basta ser sério. É preciso parece-lo !
Um político não pode, sem elevados prejuídos dos orgãos do Estado a que pertence, estar sujeito a suspeitas repetidas. A credibilidade do Estado é demasiado valiosa para que se possa esperar pelo juízo de um Tribunal que, em Portugal, pode levar anos. Demasiados anos!
Dias Loureiro devia ter saído pelo seu pé, sem ser empurrado, sem ter envolvido o Conselho de Estado e o Presidente da República num caso que não favorece ninguem, seja qual for a conclusão judicial.
O mesmo se passa com José Sócrates. Nunca tomei uma posição quanto ás eventuais culpas do Primeiro Ministro, mas não podemos fazer de conta que não há repetidas suspeitas sobre pessoas muito chegadas e sobre ele próprio.
Lopes da Mota é outro caso em que só a partidarite aguda é que não vê que a sua posição no Eurojust é insustentável ! É escusado estar aqui a repetir as razões que obrigam Lopes da Mota a ter que renunciar. Esperemos que não sejam os seus colegas da UE que o obriguem a uma decisão que o próprio deve tomar sem perda de tempo!
Após a renúncia de Dias Loureiro já não colhem as razões apresentadas por quem não quer ver que um país não pode estar suspenso de uma eventual decisão de um Tribunal. A sociedade civil sabe distinguir entre um caso sem substância e repetidos casos interligados, onde aparecem um grupo de pessoas que em dada altura das suas vidas cruzaram os seus caminhos. O carácter de uma político é escrutinado pelos cidadãos.
Á Justiça cabe decidir sobre eventual culpa!
Coisas bem distintas como a renúncia recente bem mostrou!
Por uma escola autónoma
Creio, que só teremos uma escola com bons resultados, com bons alunos, bons professores e uma sociedade em harmonia, quando a escola for autónoma.
A escola deve ser uma organização que se harmoniza com a sociedade local em que se encontra inserida, suficientemente flexível para se adaptar às cambiantes dessa “localidade” mas suficientemente estruturada para não se diluir nessa mesma “localidade”.
Não pode estar dependente de um Ministério que não conhece as suas raízes nem pode estar sujeita a guerras de poder que não são suas.Não pode estar no centro de experiências pedagógicas que não provaram antes.
A autonomia pautua-se por objectivos fixados depois de negociados, por meios humanos, técnicos e financeiros ajustados ao que se lhe pede. E, aqui cabe, antes de tudo, que a Escola tenha nas suas mãos a capacidade de usar esses meios segundo as políticas que os seus orgãos directivos venham a fixar !
A escola tem que programar, organizar, dirigir e controlar !
Programar, estabelecendo políticas escaladas no tempo, por forma a que o ano lectivo decorra de acordo com os prazos estabelecidos a nível nacional.
Organizar, criando triângulos de hierarquia negociada e aceite por todos, levando sempre em conta que é na base que se encontram os “pontos de contacto” que levam ao sucesso! De baixo para cima e não ao contrário!
Dirigir, criando técnicas e saberes, estabelecendo “modos” de ensinar, linhas de conduta condizentes com os objectivos fixados, e com os meios que lhe foram cometidos.
Controlar, verificando resultados, comparando sucessos, envolvendo os próprios numa “cadeia de solidariedade “, valorizando os sucessos e
e analisando os insucessos, tudo com o objectivo final de consolidar
o “saber fazer” de uma organização virada para a sociedade local em que se insere!
Uma Escola dos professores, para os alunos, na sociedade !
Don't divorce us*
Os casais do mesmo sexo que casaram na California antes do dia 4 de Novembro obtiveram uma grande vitoria. Ao contrario do que o poder politico pretendia, vao poder continuar casados e os seus casamentos nao serao considerados ilegais. O Tribunal decidiu.
Infelizmente, a partir de agora mais nenhum casal do mesmo sexo pode fazer o mesmo. Mas ja nao se perdeu tudo. Foi, ainda assim, uma vitoria do Homem e dos seus direitos como ser humano.
* Agradecimento ao Paulo Jorge do «5 Dias»
Apto para todo o serviço!
A primeira vez que fui inspeccionado fiquei todo feliz! O mancebo encontra-se apto para todo o serviço!
A família toda, à minha volta: quer dizer que és perfeitinho, que és novo, grande e forte. Inteligente, culto e bonito, diziam as minhas irmãs e a malta amiga (não dizia que era bonito, isso só aos olhos das minhas irmãs) tinha aquele ar de “é dos nossos, malta para a porrada, gajas, copos e noitadas.”
Ninguem me disse a verdade, aquele “apto para todo o serviço ” era o passaporte para a maior desgraça de “um mancebo”! Brutos, injustos, arbitrários, o pior que podia acontecer a uma alma jovem e bem formada!
Fiquei sem quatro anos da minha juventude, ingloriamente desgotoso com tudo e com todos, o que fazia que arranjasse problemas todos os dias. Deitei a “messe” abaixo com um jeep que não sabia guiar, mandei um sargento para o hospital com traumatismo craniano, e não fui parar à prisão porque o comandante achava que eu era competente a controlar as bombas de gasolina que davam milhares de contos ao quartel!
Melhor, passaram a dar com a minha gestão competente. Ninguem me gramava a não ser os subordinados a quem agradava a “rebaldaria”!
Lembrei-me disto tudo porque logo vou levar o carro “à inspecção”. O meu carro é novo e tem tudo no lugar, revisões a tempo, anda porreiramente, não pedi nada a ninguem, deixem-me andar.
Será que os gajos me vão ficar com o carro? Ou fico em trabalhos forçados? É que das outras vezes quem levava o carro à inspecção era o meu filho que agora arranjou uma namorada e já não tem tempo.Para o carro ou para o pai? E é isto, não consigo esquecer-me da primeira inspecção da minha desgraça! “Apto para todo o serviço” !
Voz (a alguns) dos "pequenos"

Infelizmente, não tenho muito tempo para acompanhar o percurso sempre esquecido (e pouco divulgado) dos “pequenos” partidos. Mas, como eu sou por todos os “pequenos”, a informação vem ter comigo. Por outras fontes que não os media, soube da agressão verbal ao líder do MMS. Pesquisei, pesquisei, pesquisei e encontrei aqui na net (finalmente) que “O presidente do Movimento Mérito e Sociedade (MMS) apresentou esta terça-feira queixa-crime na PSP de Portimão contra um cidadão inglês que o empurrou e que chamava os portugueses de «fascistas, idiotas e corruptos», informa a Lusa. O episódio aconteceu durante uma acção de campanha do MMS em Portimão, tendo a comitiva sido abordada pelo cidadão inglês, que segundo o líder do MMS, Eduardo Correia, será dono de uma loja de tatuagens. O líder do MMS explicou ainda que foi apresentada de imediato, na PSP de Portimão, uma «queixa-crime por tentativa de agressão e por maus-tratos verbais a toda a campanha e aos portugueses em geral». Nada de grave. É um partido “pequeno” portanto também deve ser um acontecimento “pequeno”. Olha se fosse com o Vital “Cabelo de Aço” Moreira…

Adiante! Segundo o profiler aventado pelo José Freitas e pelo João Paulo eu votaria no Movimento Partido da Terra. É normal. É um partido pequeno com vertente ecológica e humanista. Um partido pequeno nos números, assim como já o foi, esse antigo, esquecido e pequeno PSR. Dei uma vista de olhos e descobri que o MPT (segundo o próprio site) foi o primeiro partido com site em Portugal, já no longínquo ano de 1993. Confirmei no Wayback Machine e só têm registos desde 2000. Mas é bem provável que seja assim, pois eu ainda me lembro da internet em Portugal em 1995 e era a “preto e branco”.
Estes dois “pequenos” partidos políticos lembram-me de certa forma um artigo publicado no (excelente) livro “Marketing Político”, da autora Margarida Ruas dos Santos de 1996. Lembram-me que, antes de mais nada, classificar como “pequenos” pode ser injurioso e injusto. Deve ser por isso que, sempre que aparecem mencionados como pequenos, estão “entre aspas”. São, mas não “são”. Ou não deveriam ser. Ou então, só são “pequenos”, não por falta de apresentarem alternativas credíveis bem fundamentadas e serem naturalmente partidos políticos “normais”, mas porque não têm as ferramentas e poder de comunicação em massa para difundirem melhor a sua mensagem. Se calhar é isso mesmo que define um partido “pequeno” do partido “normal”: o poder do marketing e a força dos números. Resta saber qual a influência do marketing no acumular da força dos números. O artigo sobre marketing político é do político e economista Francisco Louçã.
“Políticas sem máscaras
Pois claro que o marketing vai dominando a política – e, a propósito, também a literatura, de modo a que os autores como os candidatos se promovem com métodos que roubam o exclusivo aos automóveis de luxo ou às margarinas. Talvez assim tenha sido desde sempre, quando Kennedy enfrentou Nixon num debate de televisão e lhe mentiu acerca da invasão de Cuba, ou quando Miterrand perguntou a Giscard d’Estaing qual o preço do bilhete de metro em Paris. Ou quando Pilatos lavou as mãos, ou quando o pão e circo bastavam, ou quando se canta um hino nacional de convocação em defesa de um império colonial ameaçado pelos ingleses no século XIX, ainda agora e em nome de uma república que já não tem vergonha de nada.
Tudo isto é marketing: linguagem de símbolos, floresta de enganos, técnica de persuasão, imitação das regras de mercado que definem o ritmo dos mundos.
Do outro lado, está o desafio mais exigente, fazer uma política de comunicação oposta ao marketing porque é intransigente conta a mistificação ou até à simplificação. Uma política de apresentação contra uma política que se reduz à representação. Correndo até ao risco de isso parecer outro marketing, mas sabotando-o com a mais intransigente das violências: a que não permite facilidades nem reduz a comunicação à forma ou o defeito aos seus métodos. Compreendam portanto porque é que me oponho e desconfio solenemente de todo o argumento que escolhe a política em nome do marketing.”








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