O parlamente grego cedeu e aprovou o projecto de lei que prevê o despedimento de 15 mil funcionários públicos até 2014, uma exigência da Troyka como contrapartida do financiamento externo. E o Syriza não faz nada? Ponham o Seguro a negociar, coitados dos gregos.
Eleições italianas: um dia para a história
O Movimento 5 Estrelas, um espaço de cidadania num país onde a esquerda há muito se tornou residual, é o grande vencedor das eleições italianas (em 3º lugar com 25%).
O homem da Goldam Sachs, Monti, é derrotado em toda a linha. Berlusconi perde qualquer relevância política (sim, ainda existe, como uma vez me explicava um amigo italiano, “é aqui que vive o Papa”). Em 1º ficam aqueles que nem uma coisa de esquerda sabem dizer, e a quem agora cabe o ingrato papel de deixar arrastar o sistema político italiano, até próximas eleições (o caos, que horror, escreve-se no Público, como se a austeridade liberal não fosse mais caótica do que isto).
Parabéns Beppe Grillo, afinal é possível devolver a política aos cidadãos.
Depois da Grécia, a Itália. O caminho demora a ser trilhado, mas basta ver os resultados nas sondagens da Syriza depois de uma votação com uma pistola germânica apontada à cabeça dos gregos para entender que é esse o caminho da Europa atacada pela especulação financeira,, por um Euro à medida de alguns, e pela inevitável austeridade deliberadamente apontada ao estado social, aos direitos conquistados pelos europeus ao longo de dois séculos.
Nós por cá votamos no sábado, caminhando pelas ruas, primeira etapa: correr com eles. O resto logo se vê.
Resultados da eleição na Grécia
A coligação Syriza esteve perto de ganhar a eleição grega. Um governo de maioria clara juntaria a Nova Democracia com a Syriza mas o líder da segunda já fez saber que não está interessado. O que não surpreende. É muito mais fácil continuar a fazer oposição do que governar. Mas assim continuando, a instabilidade não há-de demorar a chegar de novo e, talvez então, cheguem novas eleições e, com elas, a hora de governar. Nessa altura as questões da solução colocar-se-ão novamente.
As eleições gregas e a esquerda

Cartaz de campanha eleitoral do PC da Grécia, Junho 2012 : “Nova Democracia e Pasok não são alternativa. Não confiem no Syriza. Reforçar o KKE”
As eleições na Grécia transportaram-se para Portugal, nas redes, em forma de PCP versus BE. Coisas que acontecem, e que estendido o pano permitem vastas e bem parvas mangas.
Compreendendo a dificuldade institucional do PCP em se livrar do peso das suas relações com o KKE, autor deste cartaz neo-maoísta, parece-me que as coisas se simplificam se encararmos esse partido, agora muito reduzido, àquilo que na realidade é: um grupelho maoísta contra-revolucionário. Em caso de dúvida, o farol chinês não engana, e vejam como a República Popular da China se demarca e manifesta o seu apoio aos vencedores:
China espera que resultado na Grécia ajude a estabilizar a zona euro.
Era tudo mais fácil quando a Moscovo tratava destas coisas, mas com calma e tranquilidade lá se chega.
Grécia: 59.97% apurados
ND 30.14 (130 lugares) Syrza 26.46 (70) Pasok 12.57(33) IndGr 7.43 (20) GolDaw 6.95(19) DemLeft 6.06 (16) KKE 4.50 12). Seguir no twitter.
Financial Times alemão apelou ao voto dos gregos no ND

Na passada quinta-feira, o Finacial Times alemão apelou, em grego, ao voto no Nova Democracia. Na sexta-feira, foi o presidente do presidente do Bundesbank dar uma entrevista conjunta ao PÚBLICO, ao El País, ao Corriere della Sera e ao Kathimerinion onde defendeu a ortodoxia económica segundo o ponto de vista alemão.
A política europeia está ainda mais baralhada do que a sua economia, o que é deveras preocupante, já que foram as erráticas políticas europeias e nacionais que até aqui nos conduziram.
Seguem-se os respectivos textos em alemão e em português (tradução livre).
Mentir é feio
Nem o KKE nem a Syriza tem coisa alguma a ver com cocktails molotov em manifes. Mas à burguesia dava jeito.
Afinidades electivas
Para além das afinidades azuis, passo a partilhar com o André Azevedo Alves o mesmo desejo de uma vitória do Syriza nas eleições gregas. Ele como antídoto, eu como medicamento.
Pese essa diferença, estamos habituados a ganhar.
Soluções expeditas
Era de prever. Ao irrestível contentamento mediático pelo fracasso do Sr. Samaras, seguiu-se a estremecida expectativa pelas diligências do Führer do Syriza que anda numa azáfama de loucos. Tendo sido rejeitado pelo dinossáurico KKE da guerra civil e respectivas purgas de “inimigos” do povo, o Sr. Tsipras bem podia reeditar o espírito do ainda fumegante Pacto Molotov-Ribbentrop, convidando os camaradas do Alvorecer Dourado. Ambos pretendem algo em comum: uma Europa forte, um Estado todo poderoso e o resto que todos sabem e têm vergonha de afirmar. Até ambas as tropas de choque são idênticas, vestindo de negro, usando capuzes e partindo montras a torto e a direito. Só visto.
Esquerda radical?
Existe uma crise cuja raiz está na desregulação de mercados e nas ligações cúmplices entre o poder financeiro e o poder político. Essa crise tem sido gerida – é o termo – por governos de centro-direita sempre muito pragmaticamente adversos às ideologias, mesmo que finjam o contrário e mesmo que se finjam o contrário (por exemplo, quando não estão no governo). A gestão dessa crise tem-se baseado em medidas consideradas inevitáveis e que têm provocado o empobrecimento, o desemprego, a precariedade, enfim, têm tornado pior a vida dos cidadãos.
Ninguém esconde que a solução esteja na austeridade, mas barrosos, merkeis e outros defendem a austeridade pura e simples, colocando as questões macroeconómicas acima da vida das pessoas. Mais radical do que isto só se se defender, frontalmente, o fim da democracia. Para isso, já não falta quase nada e podemos dar como exemplo as reacções musculadas da direita ao exercício da greve ou a criminalização dos funcionários públicos como raça responsabilizada pela crise. [Read more…]
Talvez seja a Alemanha o primeiro país a abandonar o euro
Entrevista com Alexis Tsipras, líder do Syrisa, feita por Amélie Poinssot e publicada a 28 de Dezembro de 2011 no Mediapart
Que alternativa propõe na Grécia?
A questão não é a de uma política alternativa na Grécia, mas de uma política alternativa na Europa. Muito cedo vimos que se trata de uma crise sistémica ligada ao euro. Ora a forma como se enfrentou esta crise, na Grécia, foi provavelmente o pior que se podia fazer: quando temos um problema de dívida pública não o podemos resolver endividando-nos mais, e exigindo ao mesmo tempo à economia que pare de funcionar… Para ir até à resolução das suas dívidas é preciso pelo contrário produzir a fim de criar os excedentes para reembolsar. Sou portanto por uma regulação da dívida ao nível europeu e por uma política de relançamento na Grécia que possa contrariar a recessão.
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A carta do Syriza aos donos da Europa
Em Fevereiro Alexis Tsipras, dirigente do Syriza, endereçou uma carta aos chefes dos estados-membros do Eurogrupo, ao presidente da Comissão Europeia, ao presidente do Conselho Europeu, e ao presidente do Parlamento Europeu, explicando muito bem ao que vinha e que o governo da ND/PASOK e outros não tinha legitimidade democrática para assinar compromissos internacionais.
Hoje andam a fazer de conta que não leram. A democracia quando é contra nós é uma coisa muito aborrecida.
A Carta de Alexis Tsipras
Excelentíssimos senhores e senhoras, [Read more…]
Bloco de Esquerda chamado a formar governo
Calma, por enquanto é na Grécia...
(assustou-se? há medicamentos para isso. em caso de pânico pode sempre emigrar)
Aprender a dançar com os gregos
A Grécia tem um ano de avanço: Passos, Portas e Seguro sabem agora o que os espera. O pânico à direita está na cara dos comentadores amestrados da Goldmam Sachs (a grande derrotada do dia, em três países, o que é obra) que nas televisões misturam Syrisa com nazis, tudo no mesmo saco; quando não se trata dos seus parceiros da corrupção pública e privada é tudo extremista e radical. O “centrão” ou o caos, socorro, chamem a cavalaria, vêm aí os gregos.
A lição que aprendemos com os gregos é muito simples: o bipartidarismo alternadeiro não dura sempre, por mais que se esforcem as comunicações sociais dos donos. Nenhum povo aceita ser governado por governos estrangeiros sem resistir. Não há mal que não acabe.
É certo que os nossos partidos do regime, os que nos fizeram o mesmo que fizeram ND e PASOK aos gregos, poderiam aprender a lição mas para esse lado não haverá sobressaltos: é a sua natureza de agremiações dos interesses instalados que os impede de pensar acima das suas possibilidades, embora não seja de todo improvável que numa reforma das leis eleitorais também ofereçam 50 deputados a si próprios. [Read more…]
Eleições na Grécia e na França: troicaram-lhes as voltas?
Pelas primeiras sondagens a noite promete: a Europa passa a ser governada por Merkholland (o que não é bem a mesma coisa), e os partidos da troica podem não ter maioria no parlamento grego (onde convém não esquecer que uma muito peculiar noção de democracia oferece 40 deputados ao partido mais votado). Syriza, o BE grego, pode mesmo ter ganho as eleições na Atica. E a Atica, é Atenas…











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