Tanta coisa para escrever…

As notícias de hoje são às resmas. É o projectinho PL-118 da sr.a Canavilhas a ficar de baixo de água (quase essa mesma onde ela quer meter o Tua), o TGV e o governo a perder a alta velocidade e o BPN nacionalizado por Sócrates de novo a dar que falar. Tanta coisa para escrever e tão pouco para dizer. Acho que vou fazer greve.

Todos contra a Barragem 0,1% – Depoimentos sobre o Douro e o Tua. 9 – Manuel Cardoso

 

«“Era um local recôndito mas havia pior. Fora comodamente de comboio até ao Tua pela linha do Douro. Mudara para um outro, de via estreita, que lhe pareceu penetrar num reino diferente de contos e histórias, de fragas antigas e medos terríveis, a subir por desfiladeiros a cujas paredes as carruagens se agarravam a custo.
Em Mirandela esta imagem tinha-se-lhe apaziguado, a terrinha parecia até com movimento. Simpatizou com ela e havia de lá voltar algumas vezes, teve mesmo de lá voltar bastantes vezes porque mais tarde veio a ser médico da Companhia Nacional, que explorava este ramal de caminho-de-ferro. Era o términus da linha, a estação era grande, tinha gente.
Deu uma volta pela beira-rio, entrou num ou noutro boteco, ensinaram-lhe o Zé Maria das Barbas, patriarca da boa mesa, descobriu o Totó onde se comia bem e se era servido pelas muchachas de Chaves e de Verin. Gastou meia hora nesta deambulação. Retornou à estação para acomodar as suas bagagens na diligência que partiria defronte. Carroças e carros de todo o tipo estacionavam pelas ruas, empedradas de calhaus do rio, malcheirosas e muito sujas. [Read more…]

O tubarão- azul dos Açores

Parabéns ao fotógrafo Nuno Sá: “único português a vencer por duas vezes o prémio Wildlife Photographer of the Year (Òscar da fotografia da vida selvagem)”. Venceu com um espectacular retrato de um tubarão-azul dos Açores, que é uma imagem entre dois mundos: o azul do céu dos Açores e o escuro profundo do Atlântico.
Parabéns também para os jovens realizadores de filmes documentários, Daniel Pinheiro e Jorge Pelicano, que tiveram excelentes ideias: o primeiro de registar a vida selvagem ao longo do rio Mondego e, o segundo, de “apresentar o lado emocional da luta do Tua”.
Penso agora no Douro, Património Mundial da Unesco. Até quando? Sofre uma ameaça que pode muito bem ser evitada. Vamos lá!
É preciso valorizar o nosso património, quer seja ele histórico, natural ou imaterial… mas para sempre. Não apenas para se ganhar mais uma candidatura, mas para genuinamente mostrarmos ao mundo –  mas, sobretudo, a nós mesmos – que Portugal é de uma beleza invulgar, que ganha concursos e que nos deve orgulhar e fazer respeitar.
A vida de um país (e de cada um de nós) é feita entre dois mundos: o escuro profundo da realidade quotidiana mas também de céu azul que nos permite respirar e sonhar…

Céu Mota

A Câmara Municipal de Alijó Já Fechou a Página no Facebook…

Durou pouco a página da CM Alijó no facebook

Nem 60 minutos aguentou aberta a alguns comentários.…

Temos pena.…

Hoje dá na net: Spirit of Foz Tua and Tua Valley v1.0

O espírito do Tua e do Vale do Tua antes do Plano Nacional de Barragens filmados por Nuno Beira. Legendado em inglês para a Unesco ler.

EDP Fechou com Betão a Brecha no Mural

Numa tentativa de tapar o sol com a peneira, a EDP diz que pretende continuar a “livremente dialogar” com a comunidade.

É pena que já não aceite posts da comunidade. Só comentários. A ver quanto tempo dura. Entretanto, a Luz espreita pela brecha do mural do Plano Nacional de Barragens.

Ah, como se adivinhava, as milhares de anteriores mensagens deixadas por cidadãos Indignados com o comportamento persecutório da EDP foram banidas. Tristes.

Não podemos viver acima das nossas possibilidades, pois não?

As mentiras escondem-se, os segredos desvendam-se

Quase três vezes o défice de Portugal é quanto o Estado vai pagar à EDP e à Iberdrola, as concessionárias das futuras barragens na bacia do Douro, durante os próximos 70 anos.

Você sabia disto? leia. E o povo pá? vai deixar? se salvámos Foz Côa, porque deixamos matar o Tua? Diga-lhes no facebook. E assine esta petição contra o monopólio da EDP.

imagem fliscorno, baseada neste trabalho

“Canção do Desterro”

Pocinho, Tua, rio Douro, linha do Douro

Abraço ao Tua

Notícias recentes dão indicação que já está em andamento a criação de um Parque Temático para o Sabor. Pena que isso não tenha sido feito antes de construírem a barragem do Sabor numa zona muito rica a nível ambiental, fruto da sua localização e características como o facto do rio correr 300m abaixo do planalto transmontano criando um microclima específico e que permitiu ter dos sobreirais e azinhais mais bem preservados do norte de portugal, albergar fauna interessante e ser um corredor ecológico de excepção para o lobo.
Se calhar o problema era ser uma área tão grande de coisas interessantes… por isso preferirem inundar uma parte para não dar tanto trabalho.

Entretanto preparam-se para fazer o mesmo no Tua. Primeiro destroem o que já existe, depois atiram uns milhõeszitos para cima para tentar alegrar todos aqueles que só pensam no curto prazo e não conseguem ver todo o potencial turístico, económico e de coesão social do que já existe nesse vale.

Porque ainda vamos a tempo e para tentar contrariar estas posturas de facto consumado que a EDP e o governo Português tem adoptado na questão do Plano de Barragens, vai-se realizar no próximo dia 27 de Março pelas 15h na Foz do Tua um Abraço pelo Tua.
Nesse dia, os cidadãos pela defesa da Linha e Vale do Tua querem mostrar que Há Vida no Tua e apelam a todos a participar no Abraço de Solidariedade com as pessoas que vivem na Região de Trás-os-Montes e Alto Douro e que dependem deste Bem Comum.

Ver mais para Informações e Inscrições.

Tua, Corgo, Tâmega, Sabor, Vouga, Dão

Barragens tambem não!

Contra as barragens no Tâmega, Tua e Paiva, porque  a sua contribuição é muito pequena para a energia necessária, não substituem a importação de petróleo e têm um impacto irrelevante ao nível da emissão de poluentes. Por outro lado, uma vez construídas, as barragens não vão contribuir para manter postos de trabalho. O problema é que dizem o mesmo para todas as barragens mas  todas juntas terão as vantagens que não se reconhece quando  se analisa uma só!

Podemos viver sem barragens? A água, como se sabe vai ser ainda mais uma necessidade estratégica no futuro, sem água não vamos a lado nenhum, não podemos deixá-la correr livremente para o mar, porque recuperá-la custa muito dinheiro (dessalgar por osmose inversa) em energia que temos que importar.

Implica uma destruição ambiental imensa, milhares de hectares de reserva agrícola e ecológica vão ser submersos, a qualidade da água vai deteriorar-se, o sistema piscícola será alterado e os lobos deixarão de poder movimentar-se. Bem, a pata do homem, neste caminho que nos leva a ter muitas coisas materiais, foi e será sempre um factor de destruição da natureza. Os próprios desenhadores das grutas do paleolítico (neolítico)? de Foz Côa foram os primeiros a deixarem a sua marca na paisagem. Não há como evitar isto mas, evidentemente, devemos lutar para que as coisas se façam com conta, peso e medida.

A primeira opção é saber se estamos dispostos a trocar o confortozinho pelas belas paisagens. Eu acho que a coisa mais bela, são as margens de um rio, mas não sei se as posso ter todas assim selvagens, ou se tenho que contentar-me com menos.

Mas sei que não podemos deixar a água perder-se no mar !